Good Night Forever
9 Em perigo de morte
Notas iniciais
O telefone do quarto de Evening toca, ela que olhava preocupada para a janela se assustou com o barulho e quase atirou no telefone.
— Senhorita, é da recepção. Tem uma ligação para você, quer aceita-la?
— Claro, por que não?
“— Estão te vigiando não somente nesta rua, mas também há duas quadras daqui.”
“— Quem eles são? Polícia, interpol, o quê?”
“— Te garanto que não são policiais.”
Evening teve um relapso e lembrou-se do jogo de pôquer, acho que isso a tranquilizou um pouco, pois se fosse a polícia teria que sair da cidade para não dar pistas.
“— Faça assim, chame aquele mercenário que eu contratei uma vez, diga para ele me seguir e levar munição. Esta noite irei me divertir muito, quero que ele me dê uma carona de volta.”
Evening usou seu disfarce de dona Nena novamente, ninguém a reconheceria e não a reconheceram. Ela passou por entre os furgões negros e constatou realmente que eram dos criminosos, pois as placas dos carros não eram de lá, nenhuma sequer.
De noite vestiu-se como se fosse a uma festa e saiu do hotel sorrindo, foi até uma esquina que sabia que não tinha iluminação e lá a sequestraram. Simplesmente tamparam sua boca com um pano cheio de um sonífero forte, a jogaram no banco detrás do furgão e foram para fora da cidade.
Evening já havia sido exposta àquela substância milhares de vezes durante seu treinamento, já havia pegado resistência, então apenas ficou um pouco tonta com aquele cheiro, mas recobrou a consciência assim que a jogaram nos fundos sujos daquele furgão. Mataria eles agora ou esperaria chegar ao seu destino? Ela poderia muito bem matar aqueles imprestáveis, sim imprestáveis, ao ver de Evening capangas NUNCA faziam o trabalho bem feito, sempre deixavam falhas e pistas, por isso gostava de trabalhar sozinha. Apesar de ter informantes e hackers ao seu dispor, nunca, com apenas poucas exceções no início de sua carreira ela havia precisado de um comparsa, pois trabalhar em equipe só lhe trazia uma lembrança que lhe doía à alma apenas de lembrar.
Chegaram a um lugar que não sabia onde era, sorte ter chamado um “taxi” para voltar. Ela fingiu estar inconsciente, até que achou o momento mais apropriado para agir, a amarraram em uma cadeira dentro de uma sala branca, sem nada, apenas com um vidro onde só quem estivesse de fora iria ver o quarto. Ela permaneceu de cabeça baixa o tempo todo, o seu cabelo tampava a face e ninguém havia reparado que ela observava a situação toda.
— O que faremos agora? Reconheci a voz, era a do alemão.
— Não sei? Respondeu o inglês.
O sueco a olhou de cima abaixo com um olhar um tanto maldoso, rodeou ela, passou a mão em suas pernas, abaixou-se para ficar no nível de seu rosto, depois disse puxando seus cabelos e levantando seu rosto.
— Eu tive uma ideia! Nesse momento Evening abriu os olhos.
— Sério? Eu também.
Antes que ele pudesse fazer algo ela prendeu seu pescoço entre os joelhos, sim eles não amarraram suas pernas, por isso ela diz que capangas são imprestáveis, ela lançou seus joelhos com toda força num ponto que sabia que ele não aguentaria a pressão, o mais perto da C1, onde seria difícil não morrer. Seus companheiros tentaram acudí-lo, mas era tarde demais, ele já começava a agonizar.
Eles a sedaram, ela fingiu cair no sono novamente, prenderam suas pernas dessa vez e tentaram socorrê-lo, mas era tarde demais, não havia nada a ser feito. Minutos depois entrou o alemão chorando de raiva pelo que ela havia feito.
— Como pode? Você é só uma mulher qualquer. Ele deu um tapa com toda sua força na face esquerda de Evening.
— Ui, assim eu me apaixono. Disse ela em tom de deboche e levantando o olhar para ele.
O alemão se assustou, pegou sua arma e apontou para a cabeça de Evening.
— Por que você não morre sua des....
— Shhh! Odeio quando alguém xinga, principalmente por tão pouco. Ela sorriu sarcasticamente.
— Ah, eu te mato sua cretina!
— Quero só ver! Disse ela sarcasticamente novamente. Na verdade já havia soltado os braços.
— Ah sua... Ele foi interrompido com o som da porta abrindo.
Era o italiano, mas estava diferente, até a voz não era a mesma, sem contar que Evening não sentiu aquele calafrio que sentiu da primeira vez que o viu. Vi o alemão gritando do lado de fora perguntando se ele não havia morrido. Realmente não me importo, consegui afrouxar as cordas que amarravam meus pés, sairia facilmente.
O alemão voltou mais raivoso ainda, apontou novamente a arma para Evening, dessa vez bem perto de Evening, a arma ainda estava travada, ele não era um assassino, isso estava na cara. Provavelmente nunca havia sujado suas mãos realmente.
— Um último pedido?
— Tenho...
No momento que iria fazer algo o mercenário que havia pedido apenas para esperar ele apareceu e atirou no alemão, o sangue jorrou em Evening. Ele havia atirado apenas em seu braço fazendo soltar a arma. Evening ainda estava na cadeira e ao invés de agradecer, gritou com o mercenário.
— Qual parte de espera no carro você não entendeu Luiz? Disse ela se soltando.
— Seu informante me deu ordens diferentes. Além do mais a princesinha pensou que eu iria esperar a noite inteira?
— Horas, eu queria apenas me divertir... É tão difícil entender? Disse ela olhando para o teto — Você matou todos? Disse ela enquanto pegava a arma do alemão que estava no chão.
— Não apenas sedei, somente atirei nesse loirinho aí mesmo.
Evening destravou a arma, apontou para o alemão, ficou mudando de posição e vendo o alemão tremer cada vez que mudava de posição. Por fim ficou na mesma posição que ele havia apontado a arma para ela.
— Agora eu que te pergunto... Você tem um último pedido? Ele apenas fechou os olhos.
— Faça o que quiser, nada adiantará mesmo.
Ouviu-se um tiro, havia uma bala presa na parede, muito sangue pelo chão e o dono desse sangue estava vivo. Evening não o matou, apenas atirou ao lado de sua cabeça, ele continuava de olhos fechados e tremia muito.
— Ridículo! Disse Evening dando meia volta — E você... Se pensa que vou te pagar mais, está enganado... Agora vamos. Disse ela para Luís.
Na decida vi o Espanhol, que até agora não tinha visto. Segurava uma faca e disse que queria brigar com Evening, Evening riu sarcasticamente, pediu que Luís o mercenário não fizesse nada e jogou a arma que estava em mãos fora.
— Isso que é diversão! Disse ela olhando para Luís.
Assim que se virou o espanhol lhe deu uma facada, claro que ela se esquivou. Ele tentou novamente, ela pegou seu braço e deu uma cotovelada bem em seu cotovelo esticado, era provável que havia quebrado. Ele soltou a faca na hora e começou a xingar Evening.
— Que foi? Só você pode jogar sujo? Ela chutou a faca para ele — Toma, se quiser “brigar” mais eu estou aqui, caso contrário eu vou embora.
Ele pegou a faca com a outra mão e tentou desferir um golpe, mas bastou Evening apertar sua mão que ele a soltou.
— Muito ridículo! Você e nem seu amiguinho alemão eram assassinos, tirando seu amiguinho sueco acho que nenhum de vocês sujou as mãos de sangue antes. Disse ela antes de jogá-lo no chão.
Evening continuou andando no corredor, a certa distância ele lançou a faca, ela desviou antes que pegasse em seu peito, mas não foi o suficiente, acabou fazendo um corte em seu braço. Ela parou, nada fez, assim que ele tentou levantar ela apenas levantou sua arma e atirou nele, bem em sua cabeça.
— Cansei de ser boazinha, já fiz minha caridade do dia, agora chega.
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