Notas iniciais
Estar morta para o mundo é difícil, mas tem lá suas vantagens.

Após seu descanso, Evening foi para São Miguel D’Leste em Santa Catarina. Era uma cidade normal, mas como toda cidade “normal” ela também tinha problemas de uma cidade normal, entre eles drogas, violência e jogatina.

No mesmo dia foi visitar seu pai, sua lápide estava bem cuidada. Mesmo sabendo que ninguém a reconheceria, Evening também não descartava a possibilidade de estar sendo seguida, vestiu-se como gótica e ainda acrescentou óculo escuro que tampava praticamente metade do rosto. Ficou sentada debaixo de uma arvore perto do túmulo de seu pai, alguns minutos depois, por causa de uma incrível sorte, viu sua mãe vindo visitar o ex-marido, seu coração parecia que tinha ganhado vida própria e queria saltar-lhe boca a fora, sua vontade era ir abraçar sua mãe e enche-la de beijos, mas seu status não permitia, então apenas continuou sentada e ficou olhando.

– Roberto, se nossa filha estivesse viva ela não iria deixar de te visitar. Algumas lágrimas caíram- Por isso, em nome deste anjo, prometo vir te visitar pelo menos uma vez ao mês.

Evening não acreditava no que estava vendo, era realmente ela, com alguns cabelos brancos, mas tirando este detalhe, estava tão bem conservada que parecia que os anos não haviam passado para sua mãe. Sua vontade era correr até sua mãe e abraça-la, mas não podia fazer isso, já que para sua mãe ela estava morta e enterrada naquele mesmo cemitério . Ela pensou um pouco e concluiu:

–Já que estou morta, então agirei como tal.

Durante aqueles anos todos, sua mãe havia se casado de novo e tido duas filhas, eram gêmeas e tinham nove anos. Ela era feliz, seu marido era empresário e suas filhas meninas de ouro, mas ela tinha um problema, uma divida de cinquenta mil reais no banco. Samanta, uma das gêmeas tinha sérios problemas cardíacos e há uma semana estava internada, seu marido estava trabalhando como um louco para ver sua filha melhor, desde que Samanta tinha sido internada ele não parava, trabalhava até em fins de semana se preciso fosse.

Mesmo com o esforço de seu marido, Renata via-se de mãos atadas, sem poder fazer nada, o melhor que podia fazer era rezar a Deus e pedir para que este tivesse piedade de sua filha enferma, pois não aguentaria perder outra.

Evening passou dois dias planejando, pensando, maquinando incessantemente o que iria fazer, tinha quatro contas a quitar:

1°_ Entrar na casa de sua mãe.

2°_ Falar com sua mãe sem que se lembre disso depois.

3°_ Achar quem matou seu pai.

4°_ Mata-lo.

Durante a noite Evening iria visitar sua mãe. Às dez horas da noite viu seu “padrasto” sair para uma viagem a negócios, uma hora depois todos já estavam dormindo. Ela estava bem preparada para entrar e sair sem que ninguém nem soubesse disso. Primeiro com o que pareciam ser bolas de metal, jogou um gás sonifero nos dois cães que mais pareciam ratos “esses são os mais escandalosos, o que atrapalha a vida de qualquer andarilho da noite”, em questão de segundos os cães estavam dormindo. Depois subiu em cima da casa cortou o fio que dava para o som do alarme. Com uma chave digamos “especial”, depois achou o quarto de suas irmãs e de sua mãe, aquela casa parecia quase à mesma, havia mudado tão pouco. Ela respirou fundo e logo depois jogou por debaixo das portas uma mistura poderosa de sonífero, alucinógeno e outras substâncias.

Ela se arrumou, ficou digna de um caixão para deitar-se, após quinze minutos ela já estava pronta. Pele pálida, camisola branca e algodões em seu nariz, nos algodões havia uma substância que permitia que ela andasse pelo quarto sem respirar resquícios do gás. Ela sentou- se na cama do lado de sua mãe, ela ainda dormia.

– Mãe! Acorda mãe! Sussurrou ela.

– Filha?! É você? Ela levantou-se até conseguir abraçar Evening.

Passara se tanto tempo e sua mãe sem hesitar a reconheceu de primeira?! Aquilo foi o suficiente para que ela caísse em lágrimas, por consequência sua mãe também pôs se a chorar com a filha.

– Perdoe-me mãe! Perdoe-me por tudo que eu te fiz passar, perdoe-me por não ter te ajudado antes. Eu juro que vou fazer o máximo para te ajudar. Disse Evening em meio a soluços.

Evening se desfez em meio a tantas lágrimas caídas, chorava por um misto de alegria e tristeza, estava grata e muito feliz por ver sua mãe novamente, mas estava também extremamente triste, porque sabia que não teria essa chance de novo.

– Não tenho o que te perdoar você nunca me deu desgosto. Minha princesinha, você sempre foi um anjo em minha vida, perdoe-me não ter te ajudado quando você precisou, sinto me culpada pelo o que aconteceu até hoje...

Evening a abraçou mais forte e depois disse:

– Não foi culpa sua... Além do mais, se você soubesse o que eu sou e o que eu faço você teria vergo... Lágrimas grossas e gordas rolaram por seu rosto.

– Nunca mais diga que eu sinto vergonha de você. Sei muito bem o que você é e o que você faz.

Sua mãe disse aquelas palavras com tanta firmeza que fez Evening engolir suas lágrimas por um instante.

–Sabe?!

– Sei sim, você é um anjo, sempre foi, mas agora você ajuda aqueles que já passaram para o outro lado da casa do senhor (Ela quase acertou, se fosse comparar Evening com um anjo, ela seria o anjo da morte, e não ajuda os “do lado de lá”, mas sim passam eles para lá), Eu sempre tive o maior orgulho em ser sua mãe.

– Mãe, eu preciso ir, mas não vou te deixar sozinha e desamparada.

Evening beijou a testa de sua mãe, enquanto faz isso ela joga outra esfera, essa era de gelo seco. O quarto ficou todo branco e Evening aproveitou o nevoeiro para ir embora.

–Espere não se... Não vá embora. Os soníferos finalmente fizeram efeito e ela havia caído em sono profundo.

Com lágrimas rolando pelo rosto ela foi embora, Evening deixou a casa como estava antes de chegar, com apenas uma diferença, antes de sair da casa ela deixou uma surpresa para sua mãe em cima do balcão da cozinha.