Good Lucky

1 I\'m Different


Notas iniciais
Espero que gostem :D

Quinn encarava a parede de seu escritório com total desinteresse.

-Vai ficar ai Q? – Santana apareceu na porta.

Quinn continuava viajando em seus pensamentos.

-HEY! Eu tou falando com você! – Santana gritou.

-Oi, desculpa. – Quinn sacudiu a cabeça e fechou o notebook olhando para Santana.

-Vai ficar ai? – Santana perguntou.

-Eu fecho. Pode ir. – Quinn assentiu duas vezes.

-Estava vendo a Rachel? – Santana se apoiou no batente da porta.

-Porque você insiste nisso? – Quinn resmungou se levantando.

-Você estava! – Santana sorriu. – Quando vai parar de ficar apenas observando pra ir falar com ela?

-Me deixa quieta Santana. – Quinn resmungou colocando os papéis dentro das pastas.

-Eu vou fechar os escritórios aqui em cima. – Santana disse sorrindo. – Você fecha lá em baixo.

Quinn revirou os olhos e pegou sua bolsa e as pastas colocando no banco ao lado de fora de sua sala.

Um lugar de vidro, uma jaula aonde ela se escondia todos os dias tentando fugir de sua vida.

-San cadê as chaves das portas? – Quinn perguntou após trancar sua sala.

-Aqui. – Santana saiu de dentro de uma sala e jogou um molho de chaves para Quinn. – A Beth vem para cá depois de amanhã. Você estava em reunião e eu só lembrei agora.

-Eu vou ligar para o Puck. – Quinn disse baixo e puxou a porta do elevador assim que ele parou a sua frente. Resmungou algo inteligível e entrou no elevador apertando o botão e olhando o relógio de seu pulso.

Sua aparência impecável não entrava em sintonia com seu espírito quebrado. Seu rosto com lábios rosa, maças salientes e nariz perfeito, adicionado ao seu corpo bem definido enganavam muito bem. Quinn estava com uma saia social cinza, uma blusa de seda branca. O cabelo comprido estava preso em um rabo de cavalo sem nenhum fio fora do lugar e a maquiagem bem feita. Essas características estavam mantendo a aparência de organização em todos os patamares de sua vida, mas Quinn já não tinha a cabeça organizada, já não era tão enérgica aos íntimos e era lamentável ver isso. No final ela era apenas uma ótima atriz na frente dos outros.

Santana bufou, parecia que conforme os anos iam passando Quinn ia ficando pior.

A escola terminou, a faculdade veio.

Quinn Fabray e Santana Lopez viraram ótimas advogadas. Brittany Pierce era pediatra em Manhatam, Kurt Hummel o estilista da atriz da Broadway Rachel Berry, Finn Hudson jogador de um time de futebol americano qualquer. Puck tinha uma empresa de limpadores de piscina e havia se casado com Shelby.

Tudo vivia em seus conformes. Ou quase.

Finn e Rachel terminaram assim que Finn a trocou por uma líder de torcida universitária, ele realmente tinha um fraco por uniformes de torcida. Rachel conheceu Brody, Santana o chamava de Prostituto de Plástico, e ela realmente não estava errada, então Jesse reapareceu junto com o primeiro show na Broadway Spring Awakening que durou dois meses, o mesmo tempo do namoro antes de Jesse cometer besteira novamente, e Rachel sumir da Broadway, sendo acusada de assédio. Mas os fãs não acreditaram então ela voltou bombando em um reprise de Wicked e depois em tantos outros.

Santana que morou um tempo com Rachel e Kurt entendia um pouco do que a “Diva” havia passado, mas o momento que definiu a situação atual não foi esse.

Kurt trabalhou para Isabelle e viu que era aquilo que queria fazer, NYADA podia ser um sonho, mas a alta costura era melhor do que os palcos. E ele havia conseguido, era um ótimo estilista e tinha milhões de garotas e garotos usando suas roupas que iam para as lojas. Mas os vestidos de festa eram exclusivos para os doze Tonys de Rachel e muitos outros que ainda viriam.

E todos os vestidos dela estavam em pedestais guardados em um lugar qualquer da “pequena casa” onde ambos moravam.

Quinn ficou em Yale até o final da faculdade, ela precisava de espaço e de tempo. Depois da festa de não casamento do Mr. Schue ela e Santana ainda se pegaram mais algumas vezes, mas Santana decidiu colocar um freio, ela amava Brittany e por mais que Quinn fosse incrivelmente Quente e Gostosa não era a SUA loira, Quinn era sua melhor amiga.

O casamento do Sr. Schue aonde Emma realmente apareceu foi o verdadeiro problema.

Quinn e Rachel estavam se falando normalmente, E-mails, ligações, mensagens, skype e tudo mais. Não havia mais aquela briguinha infantil entre elas, a escola havia ficado para trás, junto com os suéters de rena, o uniforme das Cherrio e também o medo de ter sentimentos.

Foi no ultimo ano de faculdade delas, Quinn era brilhante, madura, decidida, confiante. Rachel era madura, muito mais do que brilhante, também tinha suas decisões, mas sua confiança só fazia parte da atuação.

Fazia três anos que elas não se falavam...

Quinn se declarou, Rachel recuou e disse que não gostava de mulheres. Quinn que era muito impulsiva beijou Rachel e tomou um belo de um tapa na cara.

Fim da historia de comunicação entre as duas.

Cada uma seguiu sua vida, mas Quinn acompanhava a de Rachel.

Santana que sempre agia por impulso naquele momento não soube o que fazer, conhecia aquela historia, sabia que o final mais provável era esse. Então apenas consolou sua amiga que se mudou para NY sendo uma advogada ótima.

Quinn conciliou o serviço com sua vida, mas ainda não era tudo isso que queria. O que ela queria não podia ter.

Durante os três anos seguintes, as reuniões do antigo club Glee não tinham sua presença, ela não queria dar de cara com Rachel e acabar chorando por ver ela com outro. Então apenas “cauterizou” a dor e seguiu em frente. Não perdia uma causa e nunca pegava causa que iria denegrir a sua imagem e/ou a de sua empresa. Cuidou de Beth e fez parte da vida dela durante todo o tempo. Sua filha era linda e a única coisa que realmente trazia alegria para sua vida.

Santana trancou outras portas e viu a bolsa de Quinn em cima do estofado, a ponta prateada do notebook da loira estava para fora então o puxou.

Quinn suspirou pesadamente empurrou a porta de proteção do elevador saindo de dentro do mesmo. A luz estava acesa e tinha um balde de água no meio do caminho.

-Olá?! – Quinn perguntou alto.

Ninguém apareceu. Ela passou pelo balde, reclamaria com Santana mais tarde. Foi para a última sala, a única que estava aberta e acesa, mas travou. Nunca tinha visto o pôster de Rachel em Hit List na ultima sala.

-Eu quero tanto você. – Quinn deixou escapar baixo para o pôster.

Quinn ficou em silencio observando a imagem.

-Bonita ela... – O zelador disse parando atrás de Quinn.

-Credo! – Quinn deu um salto para frente pulando sobre os saltos e torcendo o pé.

Ela observou o velho, enquanto massageava o tornozelo. Ele tinha o cabelo branco, sem barba nenhuma, muitas marcas de expressão e a pele repuxada, mas parecia ser o tipo de pessoa que sabia da vida.

-Desculpe-me Senhorita Fabray. – O homem disse dando um passo para trás, com medo da reação dela.

-Quem é você? – Quinn o examinou se desescorando da mesa e testando o pé no chão. – E como sabe meu nome?

-Eu sou Andrew. O faxineiro. Eu trabalho aqui. – O homem disse levantando as mãos.

-Você deixou um balde jogado no meio do caminho. – Quinn disse tentando se lembrar dele.

-Eu sei... Eu estava limpando porque achava que ninguém mais vinha aqui hoje. – Respondeu rapidamente.

-Já acabou? – Quinn perguntou.

-Ainda não, mas eu tenho as chaves. – Ele disse balançando o molho de chaves.

-Tranque tudo quando terminar. – Quinn sacudiu a cabeça e caminhou em direção à porta.

-Senhorita Fabray? – O homem chamou.

-Sim?! – Ela parou e se virou.

-O que você disse... É verdade? – Ele perguntou.

-Quando? – Quinn arqueou as sobrancelhas.

-Quando você viu o cartaz. – Ele incentivou.

-Sim. – Ela deu de ombros.

-E faria qualquer coisa para isso? – Ele a encarava com um sorriso no rosto.

-Eu já fiz o meu melhor. – Quinn disse baixo se encolhendo.

“Eu estou ficando doida, conversando com estranhos” Quinn pensou.

-Não. Não fez, mas e se pudesse fazer? – Ele se apoiou no rodo.

-Eu faria mil vezes melhor. – Quinn suspirou fechando os olhos. – Espera... Como você sabe que não fiz?

-As pessoas falam demais. Fazem de menos. Sabia que o romantismo é bom?

-O que você quer dizer com isso?

-Boa sorte! – Ele sorriu amplamente.

-Com o que? – Quinn franziu.

-Com sua chance. – Ele disse baixo, mas Quinn ouviu.

“É cada um que me aparece viu” Pensou e revirou os olhos.

A loira entrou no elevador e subiu. Santana enfiou o notebook de Quinn na bolsa quando ouviu o elevador e voltou para dentro de sua sala.

Quinn se sentiu enjoada ao pisar pra fora do elevador e se curvou sobre o estomago.

-Q? Você está bem? – Santana saiu da sala e andou rapidamente até a melhor amiga.

-É só um enjoo. – Disse a loira se aprumando.

-As duas últimas vezes que você disse isso, as situações foram criticas...

-Não comi tacos. E não estou grávida. — Afastou-se de Santana e pegou suas coisas caminhando para a outra porta. – Quando foi que você contratou um faxineiro? E porque deu as chaves para ele?

-Quinn... Você tá bem? – Santana franziu. “Que faxineiro? Nós só temos uma zeladora”. Santana decidiu não comentar.

-Eu tou bem já disse! Você vem? – Quinn perguntou.

-Já vou... Te encontro lá em baixo. – Santana disse olhando para o elevador que dava para as salas de baixo.

-Ok. – Quinn assentiu e desceu.

Santana pegou as chaves e apertou impaciente o botão do elevador. Quando chegou lá estava acesso e sem faxineiro nenhum, até porque não tinha faxineiro. Apagou as luzes trancou as portas e subiu. Quando desceu para o estacionamento encontrou Quinn com a cabeça escorada na lataria fria do carro. Os dois primeiros botões da camisa estavam abertos as mangas dobradas até o cotovelo.

-Você está mal... – Santana disse.

-É... Eu estou. – Quinn assentiu. – Vamos pra casa. Eu preciso ligar para o Puck.

Santana decidiu não se meter. Ela viu o suor de Quinn escorrer da testa até o queixo e manchar a camisa de seda branca.

-Quinn você está gelada. – Santana encostou a mão nela.

-San, eu só estou cansada e precisando da minha cama. – Quinn garantiu afastando a mão de Santana com a sua tremula.

-Você está me assustando. – Santana disse entre dentes.

-Dirige e me esquece, por favor? – Quinn pediu balançando a camisa pra entrar ar.

-Se você morrer do meu lado. A culpa é minha. – Santana resmungou.

-Não vou morrer. Só tou com calor e cansada. – Quinn murmurou.

-Eu vou sair com a Britt. – Santana disse parando no semáforo.

-Tá bom. – Quinn deu de ombros olhando a noite escura.

Santana entrou no condomínio e estacionou o carro na frente da casa já que sairia em questão de meia hora. Ambas entraram. Quinn foi para o escritório e se sentou lá dentro. Colocou as pastas e o notebook em cima da mesa. Terminou de abrir a blusa, tirou os saltos e a meia calça cor de pele deixando em cima da poltrona.

-Oi Puck. – Quinn disse assim que ele atendeu.

-Little Mama, como você está? – Puck perguntou.

-Hmmm... Bem, eu acho. – Quinn disse se abanando com uma pasta catalogo. – E você?

-Ótimo. Eu falei com a San ela disse que você estava em reunião. – Puck estava no meio de uma piscina vazia.

-Eu sei que eu estou te atrapalhando, a conversa está vaga. Eu estou cansada e com fome. A San vai pegar a Beth as 17 no sábado ok? – Quinn disse coçando a sobrancelha com a unha.

-Eu te vejo em uma semana então? – Puck perguntou.

-Como? – Quinn franziu. – Você vai só deixar a Beth no aeroporto e voltar?

-Eu estou com algumas coisas para fazer, e infelizmente Q eu tenho que voltar para Los Angeles o mais rápido que puder. – Puck murmurou.

-Entendo... Como ela está? – Quinn ligou o viva-voz e deixou o telefone na mesa enquanto ia ligar o ventilador.

-Está bem e linda, é uma mini Quinn, nunca vi ninguém parecer tanto com alguém como ela parece com você. – Puck disse já interessado na conversa. – Ela só está com problemas na escola.

-Tinha mesmo que puxar seu lado ruim? – Quinn sacudiu a cabeça com um sorriso.

-Fazer o que né? – Puck deu de ombros.

-Ela vai passar a semana inteira aqui, e a escola?

-Semana de conselho. Sexta tem reunião. – Puck coçou a cabeça.

-Ok. Te vejo em breve . – Quinn se debruçou em sua mesa e pegou o telefone.

-Tchau Q.

Quinn suspirou e abriu a porta do escritório levando consigo, a bolsa, o salto e a meia. Foi para seu quarto, terminou de se despir e entrou na banheira após preparar o banho frio.

-Quinn eu estou indo. – Santana disse entrando no quarto da loira e indo para o banheiro.

-Vai voltar hoje? – Quinn nem abriu os olhos e nem se moveu em baixo da espuma.

-Não sei. – Santana murmurou.

-Que horas entramos amanhã? – Quinn perguntou.

-As 13hrs

-Ok. Te vejo amanhã. – Quinn murmurou e enfiou a cabeça embaixo da água acabando com a conversa.

Santana trincou a mandíbula e revirou os olhos saindo de lá.

Quinn saiu da água quando seus dedos começaram a engiar, o banho deu muito sono e uma sensação de moleza. Após colocar samba canção, uma blusa larga do super-homem e chinelos foi comer alguma coisa qualquer na cozinha e se sentou na sala enquanto verificava as contas do mês. O telefone tocou impacientemente até que ela criou coragem para se levantar.

-Alo? – Atendeu sem vontade.

-Quinnie?! – Uma voz conhecida invadiu o telefone.

-Mãe? – Quinn perguntou franzindo.

-Eu acabei de ligar para o Puck atrás de você, ele disse que você estava em casa então resolvi arriscar. – Judy disse rapidamente.

-Desculpa mãe, é que eu ando cheia de coisas. – Quinn suavizou a tensão do corpo e se sentou no chão com as costas na parede.

-Eu sei, eu andei falando com a Santana. – Judy murmurou.

-E ela nunca me fala nada. – Quinn rangeu os dentes.

-Como você está querida?

-Cansada. – Quinn disse. – E a senhora?

-Bem. – Judy disse. – Eu liguei para perguntar se você vem no Dia das bruxas...

-Provavelmente não mãe, mas eu estarei ai na Ação de Graças. – Quinn sorriu.

-Está tudo bem mesmo?

-Sim mãe.

-Então vai descansar filha.

-Até logo mãe, eu te amo.

-Eu também amo você.

Quinn piscou algumas vezes e se levantou do chão colocando o telefone no gancho. Entrou no seu quarto encostando a porta e fechou as cortinas e se jogou no meio da cama ligando a televisão e deixando o som entrar no quarto. Puxou as cobertas grosas e se deitou de bruço cobrindo a cabeça. Finalmente estava confortável, quente, tinha um som para conseguir dormir. Bocejou algumas vezes, ficou pensando no velho zelador, depois no pôster com a foto de Rachel e acabou dormindo em algum desses momentos.

Santana entrou na casa eram dez horas e o silencio indicava Quinn estava dormindo. Viu as contas abertas em cima da bancada da cozinha, mas viu que o dinheiro já estava ao lado. Colocou a bolsa no sofá e fez café pegando uma xícara e se sentando na varanda de trás enquanto olhava para a piscina e para a cerca de trepadeiras. Após acabar entrou e deixou a xícara no balcão indo para o quarto de Quinn acordar ela.

Desligou a TV que estava ligada ainda, sua amiga estava ficando paranoica, e abriu as cortinas.

-Quinn... Levanta dai! – Santana disse acendendo a luz do quarto.

Um resmungo e Quinn levantou a cabeça em baixo das cobertas.

-Já vou. – Quinn murmurou com a voz rouca demais e Baixo demais.

-Quinn... Você cresceu? – Santana franziu olhando a silhueta que estava embaixo das cobertas. Parecia mais larga e muito mais alta.

-Não. – Quinn afastou a coberta se virando de frente.

-QUEM É VOCÊ? – Santana gritou se assustando com a imagem na sua frente, puxou um travesseiro da cama e tacou na cara de Quinn.

-Você está ficando louca Santana? – Quinn disse, mas sua voz saiu do mesmo jeito que antes, rouca e no tom baixo.

-QUEM É VOCÊ? – Santana acertou “Quinn” com o travesseiro novamente. – E COMO SABE MEU NOME?

-Para de me bater su... – Quinn encarou o braço grosso e musculoso e cheio de pelos e as unhas cortadas e rentes aos dedos grossos que não eram seus. – AAAAAAAAAAAAAAAAHHHH!

-Quem é você? – Santana estava com os olhos estatelados.

Quinn pulou da cama a ignorando e se olhou no espelho. Um rosto masculino cheio de barba, cabelo loiro escuro. Quinn puxou a camiseta pra fora do corpo. Seu tórax era definido e sua barriga tinha marquinhas... Do tipo que os caras que tem passam horas na academia.

-Ai Meu DEUS! – Quinn sussurrou para o espelho passando a mão na barba. – Que isso? QUE ISSO?!

-Alo, tem um louco aqui na minha... – Santana dizia ao telefone.

Quinn pulou pra fora do banheiro com a camisa na mão e tirou o telefone de Santana.

-Você tá ficando maluca San? – Quinn arqueou uma sobrancelha e colocou a mão na cintura. – Você não pode ligar para a policia.

Santana tentou dar um murro em Quinn, mas “a loira” segurou sua mão e depois seus pulsos.

-Me larga seu maluco. – Santana disse.

Quinn encontrou os olhos de Santana e o sustentou.

-Sou eu... A Quinn... A pessoa que “dormiu” com você na festa de não casamento do Mr. Schue. A mãe da Beth. Fiz faculdade em Yale, direito, temos uma empresa juntas... Tenho 26 anos, costumava ser loira e alta, ex-capitã das Cherrio. – Pela cara de Santana Quinn não estava a convencendo. – Você tem silicone nos seios, e a gente já se pegou no banheiro do avião.

Santana estatelava os olhos em busca de uma brincadeira de mau gosto. Ok só a Quinn sabia da historia do banheiro do avião.

-Se você é a Quinn, só você vai saber responder essa... Por quem você é obcecada? – Santana puxou os pulsos.

-Caralho viu. Eu já disse que não sou obcecada pela Rachel! – Quinn soltou Santana cruzando os braços grossos sobre o tórax.

Santana entrou em um ataque de riso e histeria, então depois cutucou o rosto de Quinn.

-O que aconteceu com você? – Santana perguntou.

-Eu não sei... – Quinn olhou para baixo e os olhos de Santana seguiram na mesma direção. – ARGH! Isso não!

Santana puxou o samba canção de Quinn pra frente e olhou lá dentro.

-Belo documento. – A latina disse.

-San. Olha pra mim. – Quinn disse afastando a mão de Santana de seu novo corpo. – Isso não é legal, eu tenho que trabalhar, minha filha chega amanhã... E era pra eu ser uma mulher e não sou uma mulher, virei um homem, com barba, cabelo curto e pelo saindo pela culatra...

-Você se parece um pouco com você. – Santana disse. – Principalmente seus olhos.

-San eu vou pesquisar sobre isso. – Quinn disse indo para o escritório e pegando o notebook.

Santana foi para o telefone e o puxou digitando o numero rapidamente.

-Santana eu sou a Quinn, porque vai ligar pra policia? – Quinn perguntou saindo do escritório.

-Que policia cara... Oi Fran. – Santana se interrompeu.

Quinn abriu uma aba do Google e começou a pesquisar.

-Santana? – Frannie perguntou franzindo.

-Sim sou eu. – Santana disse observando Quinn.

-Está tudo bem com a Quinn? – Frannie perguntou.

-Ahn... Acho que eu preciso da sua ajuda. E por favor, traga um creme pra barbear e um barbeador masculino. – Santana sussurrou.

-O que aconteceu? – Frannie perguntou. – Eu estava indo para a minha clínica.

-Esquece a clínica e anda logo Fran. – Santana disse e desligou.

A latina ficou observando Quinn que estava com o notebook no colo e seus olhos corriam pela tela.

-Quinn? – Santana chamou.

-San, que porra é essa? – Quinn perguntou baixinho.

-Você andou brincando com vodu, macumba ou magia negra?

-Não. Eu não gosto dessas coisas. – Quinn disse.

O celular de Santana começou a tocar.

-Oi? – Santana atendeu.

-Santana, sou eu.

-Hun... Oi.

-Então?

-Amanhã 14hrs você aparece lá na empresa. E eu checo a papelada e dou entrada nos documentos para você.

-Ela não...

-Não. Viajou.

-Ótimo.

-Posso saber por que o Sam não faz isso?

-Ele é meu agente Santana. Não meu advogado.

-Eu não sou...

-Agora é. E eu pago bem.

-Eu imagino.

Santana desligou a chamada e voltou atenção para Quinn.

-Quem era?

-Um cliente.

Santana se sentou ao lado de Quinn e tirou o notebook do colo dele (a).

-San, eu...

-Shiu. – Santana o calou. – Faz quanto tempo que você não toma banho?

-Santana. – Quinn a repreendeu.

-Foi mal. – Santana sorriu.

-O que aconteceu comigo?

-Eu não sei. Você estava passando mal desde que subiu e...

Quinn inclinou a cabeça para o lado e a campainha tocou.

-Santana... A gente tem um zelador? – Quinn perguntou.

-Não. – A latina fez um bico e foi para a porta.

Ao abrir se deparou com a vizinha.

-Bom dia Mel. – Santana disse cruzando os braços.

-Santana eu posso te pedir um favor? – A jovem encarava a latina com um sorriso envergonhado.

-Depende do que eu tenho que fazer. – A latina deu de ombros.

-Eu quebrei a fechadura da porta da frente e eu vou comprar outra você pode olhar a casa por alguns minutos. – Melanie pediu sem jeito olhando para a latina.

Quinn estava mordendo o lábio inferior pra não gargalhar. Melanie dava em cima de Santana de uma forma tão descarada e Quinn achava graça nisso.

-Ok. – A latina assentiu.

-Obrigada. – A moça disse se afastando.

-Ela está de quatro por você. – Quinn disse quando Santana fechou a porta.

-Fica quieta-o, que confuso isso. – Santana disse voltando a se sentar de frente para Quinn.

-San... Tem certeza que a gente não tem um zelador?

-Absoluta. O que aconteceu lá em baixo?

-Eu desci. Tinha um balde no meio do caminho e a ultima sala tava acesa e aberta. Tinha um pôster da Rach, eu falei alguma coisa, o zelador apareceu, e depois de bater um papinho com ele; ele me desejou boa sorte com a minha chance... – Quinn deu de ombros e aquilo doeu.

-O que exatamente você disse?

-Eu quero você...

-Quinn você nota o quão idiota isso soa?

-O que?

-Você ficou burra depois que virou homem foi?

-Santana! – Quinn disse seria e a latina estremeceu com medo.

-O que a Rachel te disse quando te negou?

-Eu não gosto de g...

A campainha tocou novamente.

-Eu vou matar essa garota. – Santana disse entre dentes e se levantou enquanto Quinn encaixava o quebra cabeça.

-Essa é minha chance? – Quinn disse se levantando e indo para o quarto se olhar no espelho.

Santana abriu a porta e deu de cara com Frannie.

-O que aconteceu? Cadê a Quinn? – Frannie perguntou invadindo a casa.

Santana olhou no relógio, era onze e meia.

-Frannie... A Quinn, ela hun... – Santana tentava achar uma explicação.

-Santana. O que eu faço agora? – Quinn perguntou do quarto.

-Que voz é essa? – Frannie franziu.

-Quem tá ai San? – Quinn perguntou.

-Se acalmem. – Santana disse.

Quinn saiu do quarto coçando a bochecha e travou ao ver Frannie.

-Quem é você? – Frannie perguntou.

-Porque você a trouxe pra cá? – Quinn lançou um olhar duro para a latina apontando para a irmã.

-Quem é você? – Frannie perguntou encarando-o nos olhos. – Quinn?!

-Ahn... Oi Fran. – Quinn ergueu a mão e acenou.

Frannie tombou para o lado antes que Santana tivesse tempo de segurá-la.

-Ótima ideia essa sua de trazer minha irmã pra cá! – Quinn resmungou.

-Me ajuda a acordar ela. Você conta as coisas pra ela porque eu preciso me arrumar, tenho que ir falar com o Jer e eu volto assim que falar com a equipe. – Santana disse rapidamente.

-Santana o que eu vou fazer? – Quinn perguntou.

-Quinn, primeiro você vai conversar com a Frannie, depois vai tomar um banho, fazer essa barba monstruosa ai e sabe... Enfim, depois quando eu chegar eu te ajudo a pensar. – Santana disse colocando Frannie no sofá e puxando o Samba canção de Quinn e vendo o numero na etiqueta. – Eu vou tomar banho. Acorda sua irmã.

Quinn foi até a cozinha e pegou álcool e passou na frente do nariz de Frannie.

-O que aconteceu? – Frannie disse se sentando. – E quem é você?

-Não desmaia de novo ok? – Quinn pediu. – Eu preciso de você.

Frannie o examinou enquanto Quinn fechava o álcool. Todos os músculos estavam tensionados.

-Quinn... O que aconteceu com você? – Frannie arqueou as sobrancelhas.

Quinn começou a explicar.

Santana saiu pra trabalhar enquanto as duas conversavam.

-Então é isso? – Frannie perguntou. – Esse é o motivo pelo qual você anda deprimida e o motivo pelo qual você esta assim agora?

-Eu não estou deprimida. – Quinn resmungou.

-Vai tomar banho. – Frannie disse. – Eu vou ligar para a Santana.

-Ok. – Quinn assentiu indo para o banheiro. – Eu estou sendo tratada como um adolescente na puberdade.

Frannie analisou a situação. Se alguém algum dia fala-se uma besteira dessas pra ela; ela ia rir na cara da pessoa e mandar internar. Mas vendo ali que sua irmã a única pessoa com quem mais compartilhara segredos havia ganhado uns bons centímetros a mais, muito pelo e um membro, se tornava algo meio estranho, sobrenatural, impossível, imprevisível... Difícil de não acreditar.

-Bom dia. Posso ajudar?

-Santana? – Frannie perguntou.

-Não. É a Jenn. – A secretaria da latina disse.

-Ela está ai? – Frannie perguntou.

-Sim, ela está em reunião.

-Fala pra ela que é a Fran.

-Ela está...

-Eu já ouvi, não sou surda. Agora passa logo a ligação pra ela. É urgente.

Jennifer foi até a porta e bateu antes de entrar.

-Santana, tem uma mulher na linha chamada Fran ela di...

-Passa pra mim. – Santana a interrompeu.

Jennifer bufou revirando os olhos. Hoje era o dia de ser interrompida.

-Oi Fran. – Santana atendeu.

-O que eu faço com ela/ele? – Frannie perguntou confusa. – Eu vou usar o masculino por que... Você viu né?!

Santana soltou uma risada nervosa e pensou um pouco.

-Você ainda sabe fazer barba né? – Santana perguntou sobre os olhares curiosos dos funcionários.

-Sim. – Frannie assentiu.

-Ok, o ajuda nisso e a maquininha pra cortar cabelo esta no meu quarto no bagageiro da parede. Eu já estou indo. – Santana disse atropelando a própria fala.

-Ok. – Frannie assentiu e bufou passando a mão na cara. – Isso é medonho e assustador.

-Temos que ajudar ele. Te vejo logo. – Santana disse franzindo e massageando as bochechas. – Me desculpem, onde estávamos?

-A Quinn viajou a trabalho e alguém da família vem ficar no lugar dela... – Jeremy disse.

Quinn terminou de tomar banho e pegou o samba canção e a camiseta do super homem e colocou de volta. E foi para o quarto de Santana aonde encontrou Frannie mexendo nas partes mais altas.

-Quer ajuda? – Perguntou coçando a cabeça.

-Sim. – Frannie assentiu. – Pega a caixa da maquininha pra mim, por favor?

Quinn esticou o braço, pegou a caixa, deu nas mãos de Frannie. Pegou o desodorante aerossol que Santana tinha e usou levando para fora do quarto.

-Senta aqui. – Frannie indicou o sofá, pegou o banquinho e a sacola com o que Santana pediu.

Quinn se sentou e Frannie de frente para “ela”

-Isso é estranho. – Quinn murmurou. – Eu não quero isso. Eu quero ser eu.

-Se acalma ok? – Frannie disse pegando a mão de Quinn. – Eu e a San estamos aqui com você.

-O que eu tenho que fazer? – Quinn perguntou enquanto Frannie abria o barbeador e a espuma para barbear. – O que eu tenho que fazer pra voltar a ser Quinn?

-Pelo visto você tem que conquistar a nojentinha. – Frannie disse.

-Não fala assim dela. – Quinn pediu sentindo a espuma gelada em suas bochechas.

-Quinn, porque você pediu para que isso acontecesse? – Frannie perguntou.

-Eu não pedi Fran... Eu só recebi a chance. O problema é... Como fazer Rachel Berry se apaixonar por Quinn Fabray sendo que eu sou ela, mas não sou? – Quinn perguntou.

-Você quer que eu tire tudo? – Frannie perguntou.

-Não... – Respondeu sentindo o ferro da gilete passando em seu rosto. – Minha cabeça está doendo. Mas responda minha pergunta...

-Você vai ter que fazer para descobrir. – Frannie disse e continuou desenhando a barba. – Eu não posso mais usar o feminino pra você.

-Diante as circunstancias nem eu quero que você use. Pode me chamar de ele mesmo. – Quinn deu de ombros. – Se eu encontrar aquele velho eu juro que vou esganar ele.

-Não se mexe eu não quero cortar você e nem errar o desenho. – Frannie disse.

-Como você aprendeu a fazer barba?

-Quando comecei a fazer faculdade papai criou alguns problemas falando que não queria uma filha psicóloga e eu fui trabalhar em uma barbearia e depois aprendi um pouco mais sobre essas coisas. – Frannie deu de ombros.

-Depois você me ensina? – Quinn perguntou.

-Sim. – Frannie assentiu. – Você precisa de um nome novo... E de uma boa historia.

-Kyle. – Quinn disse sem hesitar.

-É um bom nome. – Frannie disse.

-Eu sei. Lembra o garotinho que eu disse que a família não queria, mas também não deixava o casal adotar? – Quinn perguntou.

-Sim lembro, o nome dele era Kyle né?

-Uhum.

-Kyle Fabray. – Frannie disse. – Combina...

-Eu não quero ser um Fabray. – Quinn ia negar freneticamente mas lembrou do gilete.

-Meu querido irmão. – Frannie disse e soltou uma risadinha. – Isso é estranho.

-Eu não ligo. – Quinn murmurou.

-Você é muito parecido com um Fabray pra dizer que não é um. – Fran disse terminando.

-E como eu vou me encaixar nessa família?

-Eu vou falar com Santana sobre isso. Lava o rosto e volta aqui para eu cortar seu cabelo. – Frannie disse entregando as coisas para ele e se levantando para pegar a caixa da maquininha.

Quinn se olhou no espelho sua barba estava coberta de espuma branca... Ela nunca achou que um dia pensaria tal coisa como sua barba. Lavou o rosto e viu o desenho da barba, ela descia pelas suas costeletas, desenhava seu queixo, dos lados e acima de seus lábios. O mais engraçado era que aquilo não a incomodava de maneira alguma. O que a incomodava era o que estava no meio de suas pernas.

Saiu do banheiro e viu o banquinho longe do sofá.

-Tira a camisa pra não encher de cabelo. – Frannie disse ligando a maquininha.

-Fran, a Beth vem pra cá amanhã. – Quinn disse se sentando no banco.

-E... – Frannie não entendeu

-Acho que eu vou falar para o Puck deixar ela por lá... – Quinn disse. – Ele não vem me ver a San vai buscar a Beth no aeroporto, mas o que eu falo pra minha filha? Ei princesinha a mamãe virou um cara.

-Não, trás ela. Eu, você e a San cuidaremos dela. – Frannie começou a cortar o cabelo de Quinn. – Não pensa nisso agora.

-Será que meu cabelo vai voltar mais curto? – Quinn perguntou mudando de assunto.

-Não sei. – Frannie disse.

-Eu preciso trabalhar. – Quinn disse.

-Você precisa de um monte de coisa. – Frannie disse. – Mas logo tudo se ajeita... Até você voltar ao normal.

Ficaram conversando enquanto Frannie terminava de fazer o “pezinho” do cabelo de Quinn e Santana entrou na casa com duas sacolas.

-Até homem você consegue ser demais não é Fabray? – Santana piscou sorrindo.

-Eu quero meu corpo de volta. – Quinn disse passando a mão na cabeça sentindo o topete e os lados e atrás da cabeça com pouco cabelo.

-Ninguém manda você ficar ai querendo coisa que está fora do seu alcance. – Santana disse esticando as sacolas. – Vai se trocar que eu vou limpar isso aqui e depois que conversarmos vamos fazer compras. Porque do jeito que a Rachel é, você vai demorar.

Quinn bufou e foi para o quarto. Abriu as sacolas e encontrou uma calça jeans e uma blusa xadrez verde. Se enfiar na cueca foi uma missão quase impossível e engraçada, depois de se vestir saiu do quarto andando descalço pela casa.

-Nada mal. – Frannie disse.

-Obrigado, eu acho. – Quinn disse.

-Ok. Senta aqui que nós precisamos nos decidir. – Santana disse apontando para o sofá.

-San eu não posso andar por ai descalço, e essa calça é muito estranha. – Quinn disse.

-Eu esqueci o sapato no carro depois eu pego. — Santana disse. – E a calça não é estranha Q, o problema vai ser você se acostumar com...

Quinn Santana e Frannie olharam para o meio das pernas de Quinn que bufou descontente.

Notas finais
E ai devo continuar?