Good Lucky
35 Goodbye, Travel Well
Janeiro de 2014...
Kurt aumentou o volume da televisão enquanto Sam fazia panquecas.
“Bom dia New York City, é com muito pesar que hoje recebemos a noticia de que a ex-atriz da Broadway Shelby Concoran, a primeira Elphaba de Wicked, Maria de West Side Story e a mãe da atriz Rachel Berry, fez com que as luzes da Broadway se apagassem e as cortinas se abaixassem, por que agora, mais uma estrela brilha no céu”.
–O que?! – Ambos disseram parando tudo e ficando na frente da TV.
–As 4hrs da madrugada, Shelby que lutava contra um câncer nas cordas vocais, faleceu enquanto conversava com a filha. – A jornalista dizia. – Nosso repórter que está lá tem mais informações.
Sam já estava com o celular e assim que ligou ele foi atendido e ouviu palavras desconexas e um soluço.
–Oi? – Ouviu a voz de Kyle
–Era Rachel? – Sam perguntou.
–Ela não consegue falar e está com falta de ar, eu estou levando ela para o hospital Sam. Ligo-te daqui a pouco. – Kyle respondeu e desligou o celular. – Calma princesa. Nós já estávamos chegando.
Pegou a mão dela e tudo que Rachel fez foi apertar e soluçar engasgando. A dor era horrível, era demais para si, era demais mesmo.
–Eu não aguento mais. – Rachel disse.
Kyle estacionou o carro no pronto socorro de Lima e abriu a porta rapidamente pegando Rachel no colo. Ela agarrou a blusa dele com as unhas e soluçou mais e mais. Um grito estridente ecoou pelo estacionamento, era frustração, era tudo... Tudo o que tinha de pior para se expor.
–É demais... É demais. – Sussurrou.
–Eu sei como é. – Quinn sussurrou na orelha dela e entrou no lugar chamando atenção.
–Me tira desse lugar, por favor. – Rachel pediu e engasgou novamente. – Por favor.
Quinn parou na frente da recepção. – Ela está com falta de ar, acho que precisa de um calmante.
–Por favor, me tira daqui. – Rachel pedia.
–Rachel Berry? – A enfermeira recepcionista perguntou.
–Sim. – Quinn assentiu apertando a morena contra si. Estava sendo forte por ela, está sendo forte só por ela.
–Recebi a ligação dos pais dela avisando que chegaria em breve, naquele corredor a primeira sala. Um doutor aguarda vocês. – Disse a atendente indicando o lugar.
Quinn assentiu e caminhou com ela para lá. – Vai passar essa falta de ar.
O doutor examinou Rachel calma e lentamente e instruiu a atriz a ficar com a cabeça abaixada para o ar passar pelas vias respiratórias.
–Eu vou lá fora. – Quinn não suportava ver Rachel naquelas condições e imaginava como sua filha estava.
Beijou a cabeça da atriz e saiu da sala. Agarrou as quinas da parede e prensou a testa contra a mesma.
Santana entrou no pronto socorro quase correndo e procurando Quinn. A recepcionista abriu a boca, mas a latina ergueu um dedo a calando quando viu o corpo grande de Kyle sentado no chão e com a cabeça nas mãos. Ela correu até ele se ajoelhando e o abraçou.
Sem palavras, tinham uma conexão, haviam feito cortes nas mãos quando eram mais novas, se consideravam irmãs de sangue, era um amor estranho, um amor muito mais intenso do que qualquer outro tipo. Santana abraçou Kyle com força e o ouviu soluçar.
–Você tem noção do que ela disse para mim? – Quinn perguntou. – Ela disse, Cuide das minhas filhas, eu confio em você. Eu não posso com isso. Eu não posso. Quando a Rachel descobrir ela vai querer me matar e eu nem sei como minha filha está.
–Cadê a Rachel? – Santana perguntou preocupada.
–Está lá dentro. – Apontou para a sala.
Tudo estava acontecendo muito rápido, a velocidade era assustadora. Santana se levantou um pouco, só para ver Rachel deitada de lado na cama, seu corpo convulsionava por causa do choro.
–Eu estou bem. – Quinn disse se levantando rapidamente. – Vou ligar para o Sam, fica com ela, por favor.
Santana assentiu entrando na sala. Lucy estava em sua casa sendo paparicada pela avó, então Santana podia ficar calma sobre isso. Rachel ergueu o rosto e viu Santana, sua respiração estava estabilizando e se sentia mais calma. O doutor estava no canto da sala fazendo anotações e observando a paciente.
–Cadê o Kyle? – Perguntou se sentando e fungando. Limpou o nariz no lencinho que o doutor havia lhe dado e olhou para ela.
–Foi ligar para o Sam. – Santana se sentou ao lado de Rachel e passou o braço pelo ombro dela a trazendo para perto. – Eu sinto muito. De verdade, eu gostava dela. Eu me lembro dela entregando as folhas de Candyman para as Troubletones dizendo que seria o pré-aquecimento para acabar com o New Directions, eu me diverti com aquela musica, me deliciei quando ela disse: é disso que eu tou falando! E no dia que ela cantou You and I com o Sr. Schue que ela conseguiu acalmar a gente... Foi incrível também. Eu me lembro de como o Puck estava bobamente apaixonado por ela naquele dia.
Rachel sorriu e encostou a testa no ombro de Santana. – Nessa mesma semana ela disse que eu não tinha chance em NYADA. Acredite ou não, você teve muito mais do que eu tive. E eu amei mais do que achei que seria capaz de sentir por ela.
Kyle amassava o celular em sua mão. – Oi Sam.
–Respira Quinn, você está ofegando no telefone, eu sei que é difícil, mas eu tenho que te entender. – Sam pediu com calma.
–Chegamos ontem, o Puck me ligou na sexta pegamos o avião e chegamos aqui as 4hrs da madrugada, passamos o dia no hospital com Shelby e Puck. Beth e Charlie estão com Leroy e Hiram. Rachel conversou com Shelby por longas horas, depois Puck, depois eu conversei. Então permaneci em silencio ouvindo a ultima conversa de Shelby com Rachel, foi quando ela faleceu. – Explicou devagar e pausadamente.
–Quando vai ser o Funeral? – Perguntou Sam.
–Provavelmente à noite. – Quinn respondeu. – E eu preciso que alguém ligue para o Finn... Ele precisa conversar com o Puck.
–Eu faço, eu tenho o numero dele. – Sam disse. – Eu chego ai lá pelas 15hrs.
–Eu acho que vocês vão precisar de cinco seguranças no mínimo, Lima está pra se tornar o paraíso dos paparazzis. – Quinn sussurrou. — Demi vai vir de LA pra cá, Shay e Ashley já estão aqui...
–Eu vou ligar para uma agencia ai perto e mando dois para o pronto socorro de Lima. – Sam disse. — Os outros empresários que se virem.
–Ok.
–Quinn...
–Oi?
–Segura as pontas na frente da Rachel, já é ruim o bastante sozinha, imagina se ela não tiver um porto seguro no qual se apoiar?
–Eu sei. Ela não está sozinha e eu tou fazendo. – Quinn disse. – E a Santana está aqui comigo.
–Unha e carne? – Sam perguntou.
–Até não podermos mais. – Quinn assentiu e conseguiu parar de fungar. – Até mais tarde e, por favor, contenha o Kurt e os surtos dele. Rachel não precisa disso.
–Eu sei. Parece que o Glee clube vai se reunir novamente. – Sam disse.
–Não completo... – Quinn murmurou.
–Você vai estar lá Quinn. É o que importa. – Sam respondeu. – E não importa o que os outros irão falar. Quinn Fabray vai estar lá.
–Obrigado Sam. Eu vou ver a Rach. – Kyle respondeu.
–Até logo Fabray. – Sam disse e finalizou a chamada já falando para Kurt terminar logo as malas.
Quinn caminhou até a sala e observou a cabeça de Rachel deitada no ombro de Santana, entrou silenciosamente e parou na frente delas.
–Está conseguindo respirar direito? – Perguntou pegando a mão de Rachel.
–Uhum. Agora você pode me tirar daqui e me levar para o Charlie e para Beth e podemos ficar só nós quatro quietinhos? – Rachel perguntou baixinho erguendo a cabeça e entrelaçando seus dedos nos dele.
–Claro. – Quinn assentiu e se virou para o doutor. – Eu posso leva-la?
–Essa cartela de calmantes vai ser muito útil para vocês. – O doutor disse. – E sim pode leva-la. Se ela tiver outra crise, deita ela de lado ou faz ela se abaixar para puxar ar.
–Tudo bem. – Quinn assentiu pegando a cartela.
–Eu vou fazer algumas ligações e cuidar das coisas, tá bom? – Santana perguntou para Rachel e Quinn.
–Obrigada San, por tudo. – Rachel disse e passou um braço na cintura de Kyle apoiando seu corpo contra o dele.
Santana segurou a mão de Rachel a apertando e assentiu.
Quinn beijou a testa de Santana e olhou agradecido. – Por favor, nada demais ok?
–Pode deixar. – Santana assentiu e saiu do consultório.
Quinn e Rachel deixaram o hospital, acompanhados de dois seguranças e foram para o carro. Rachel segurava a mão de Kyle enquanto lágrimas involuntárias escorriam por seu rosto. Estava tentando encontrar força na fraqueza, era algo que fazia bem... Algo que Quinn Fabray lhe ensinara e se pegou pensando se Quinn estaria lá, no funeral.
Entraram na casa dos pais de Rachel, ela se sentia extremamente cansada. Beth pulou do sofá e se chocou contra Kyle e Rachel, seu rostinho estava molhado de lágrimas. Quinn levantou Beth no colo e Rachel abraçou-os em silêncio.
Hiram que estava com Charlie adormecendo em seu colo, aproximou-se e Rachel estendeu os braços para pegar o filho. Hiram passou Charlie para Rachel, o pequeno deitou a cabeça no ombro da mãe e pegou a mão de Beth que estava no ombro de Quinn. – “Bety” – Ele sussurrou e a menina olhou para ele.
Hiram e Leroy pararam na soleira da porta olhando aquela cena.
–Nós vamos subir, tá bom? – Rachel perguntou.
–Qualquer coisa me chamem. – Quinn acrescentou.
Os pais assentiram e observaram Rachel e Kyle subir a escada com as crianças.
A cama de casal do quarto de Rachel foi preenchida. Beth e Charlie no meio Rachel e Kyle na ponta. Todos extremamente próximos, Rachel pegou a mão de Kyle por cima das crianças. Beth soluçava baixinho, contra o peitoral de seu “papai”, Charlie já dormia com o rostinho próximo ao de Rachel.
–Vai ficar tudo bem... – Rachel sussurrou e buscou os olhos claros.
–Vai sim. – Quinn correu os dedos sobre a mão da atriz.
Beth passou o braço na cintura de Quinn e todos se aproximaram na cama, Quinn puxou a coberta e viu Beth dormir.
–Eu não acho justo, sabe... Tivemos tantas chances e ela só me disse tudo aquilo ontem. E eu sinto agora mais do que antes, é um tipo de esperança quebrada. — Rachel sussurrava após ouvir a pequena Fabray ressonar.
–É difícil, eu sei... — Quinn apertou os dedos dela.
Rachel deu um sorriso quebrado para o loiro, seu coração estava apertado. Fechou os olhos e sentiu o contato dos dedos se entrelaçando. Não dormiram, ficaram de olhos fechados ouvindo as respirações e fazendo carinho na mão oposta. Beth acordou minutos depois chorando de novo a outra mão de Kyle estava afagando o cabelo enquanto sussurrava na orelha dela que tudo ficaria bem.
Hiram abriu a porta devagar e viu eles juntos. Beth já havia dormido de novo e estava de bruço.
–Vocês estão com fome? — Perguntou. — Santana, Sam e Kurt acabaram de chegar com almoço.
–Não... — Quinn respondeu.
–Mas eu vou descer. — Rachel disse virando o travesseiro de lado para proteger Charlie. — Papai me espera ai fora?
–Claro supernova. — Hiram disse, ele costumava chamar Rachel de estrelinha, mas a forma como Rachel subiu na mídia e na vida, haviam dado um novo apelido carinhoso.
E ele havia melhorado muito, desde o ocorrido.
Rachel se levantou e deu a volta na cama se agachando ao lado de Kyle. — Eu sei que você não dormiu, e além de cansado está com dor de cabeça, sei porque já pendeu a cabeça pra trás muitas vezes. Eu vou ver o que Santana fez, preciso conversar com Sam sobre a imprensa e volto pra gente poder tomar banho... Vou tentar fazer isso rápido, mas você me prometa que vai tentar dormir.
Quinn roçou as costas dos dedos no rosto de Rachel e juntou seus labios. — Eu vou tentar descansar, ok? Mas volta logo pra mim, pode ser?
–Pode sim. — Rachel segurou a mão e deu um beijo na palma — Não é errado ficar cansado, não é errado dormir um pouquinho, eu só vou lá em baixo.
Rachel parecia ler a mente de Quinn em alguns momentos. Uniram seus labios novamente e Quinn beijou a testa dela.
Rachel saiu do quarto em silencio e fechou a porta. Seu pai passou o braço em seu ombro e ela se acabou em lagrimas silenciosas novamente.
Passou duas horas tentando negociar com a imprensa e ameaçou de processo por invasão de privacidade metade dos jornais que insistiam em querer informação. Depois conversou com Santana que disse que com uma ligação tudo ficaria pronto. O corpo de Shelby seria liberado as 8hrs da segunda feira dia 13. E Santana se preparava para arrumar as coisas e o buffet de comidas que seria servido na casa de Puck que permanecia sumido.
Finn ainda estava a caminho junto com a namorada.
Rachel subiu com um copo com água e paracetamol. Quinn já estava acordado e observava as expressões serenas de Charlie e Beth. Rachel agachou ao lado dele, estava tão exausta.
–Você precisa descansar. — Quinn sussurrou.
–Eu vou assim que conseguir terminar de cuidar de quem me importo. — Ela esticou o copo para ele e o comprimido.
Kyle se sentou, Beth acordou sugando ar e Charlie abriu os olhos assustado pelo barulho.
Rachel colocou o copo na mesinha do criado mudo. Quinn pegou Charlie, Rachel se sentou passando as duas mãos nos braços de Beth.
Ambos choravam. Quinn cantou baixinho para Charlie e ele se acalmou.
–Vamos dar banho neles primeiro... — Quinn disse.
–Depois eu levo eles para os meus pais. — Rachel assentiu. — Só toma o remédio e fica com o Charlie que eu vou ajudar Beth.
Rachel abriu as três malas que estavam por ali. Pegou roupas para todos e colocou nos pés da cama. Levou Beth para o banho e quando trouxe ela para fora Quinn entrou com Charlie e deu um rápido banho no pequeno graças ao tempo frio. Quando ambos estavam trocados e arrumados Rachel foi para o banho e Quinn desceu levando eles. Beth se sentou no colo de Santana assim que deu um oi muxoxo para os outros e Charlie foi para o colo de Sam.
–Posso levar ela comigo? — Santana perguntou para Quinn.
–Pra onde? — Quinn perguntou.
–Eu vou pra casa da minha mãe, Demi já está lá e Lucy também... Vai ser bom pra ela. — Santana argumentou.
–Eu deixo, mas você tem que perguntar pra ela se ela quer ir. — Quinn assentiu.
Como todos no local sabiam que Kyle/Quinn eram a mesma pessoa, não acharam estranha a conversa entre Santana e Kyle.
Leroy e Hiram não gostavam de saber que sua filha continuava sendo enganada, mas Quinn já havia explicado.
–Eu vou subir, qualquer coisa é só me chamar. — Disse. — Eu vou ver se consigo com que a Rachel durma.
–Ela precisa comer. — Leroy disse.
–Ela não vai. — Quinn respondeu. — E você sabe que não. E se ela comer forçada, você sabe que ela vai passar mal.
Hiram arqueou as sobrancelhas, observou Santana e Beth conversarem. Sam mantinha Charlie entretido e Kurt mexia no Ipad.
–Tudo bem, mas você também precisa. — Disse Leroy.
–Eu vou tomar banho, fazer a Rachel dormir, depois desço para ficar com Charlie e comer. — Quinn disse.
Leroy assentiu. — Tudo bem.
Quinn olhou para Beth e se agachou perto dela beijando sua testa. — Sua mãe vai estar pra sempre aqui. — Disse colocando o indicador no lugar aonde se localizava o coração de Beth. — Ela vai estar sempre torcendo por você. E eu vou cuidar de você, junto com seu papai Puck e com a Rach também.
Beth assentiu entre lagrimas. — Eu vou com a tia San pra casa da vovó Lopez...
–Tá bom. Cuidado. — Quinn disse.
Hiram sorriu para Quinn — Eu cuido do Charlie.
–Obrigada... — Quinn respondeu se dando conta de que havia usado o feminino pela primeira vez depois de um longo tempo.
Santana pegou a mão de Beth — Até logo. Qualquer coisa me liga.
Quinn assentiu e Santana e Beth deixaram a residencia dos Berry's.
–Nós impedimos 98% da mídia designada a se estabilizar em Lima. — Sam disse — Porem como existem mais quatro celebridades aqui os paparazzi vão continuar por aqui com restrição de 500m de distancia.
–Fora a Rachel quem são as outras quatro? — Quinn franziu fazendo as contas.
–Ashley Benson, Demi Lovato, Finn Hudson e Shay Mitchell. — Kurt disse mostrando uma pagina do jornal no Ipad.
–O Finn é celebridade? — Leroy franziu o cenho.
–Ele é o segundo jogador mais bem pago da América do Norte. — Kurt dizia cheio de orgulho.
–Tudo bem. — Quinn murmurou — Eu vou ver como a Rachel está.
–Descanse um pouco. — Leroy apertou o ombro de Quinn.
Assim que Quinn subiu Finn chegou observou Charlie que sabia ser o filho de Rachel. Sam e Finn conversaram e assim, os três (Finn, Kurt e Sam) foram para casa de Carol e Burt e aonde já estava Emma a namorada de Finn.
Quinn chegou no quarto e viu que a sua blusa que Rachel havia escolhido para usar estava em cima da cama, a porta do banheiro não estava fechada. Abriu com a ponta dos dedos e viu que Rachel estava com o corpo todo embaixo da agua forte que caia da ducha.
–Rach?! — Chamou.
A morena levantou a cabeça e a água se misturou com as lagrimas.
Como estava descalço, com uma bermuda e uma camisa pólo pouco se importou, após jogar o celular e a carteira dentro da pia, abraçou a morena embaixo da água, pouco se importando de estar de roupa. Colocou a mão na nuca da atriz e passou o braço pela cintura dela. Rachel apoiou a testa no ombro dele e passou os dois braços pela cintura, puxava ar devagar.
Ele ajudou a morena a terminar o banho e esperou ela se vestir e desembaraçar o cabelo. Estava apenas com a bermuda agora.
–Eu vou te esperar. — Rachel disse se deitando de lado.
–Não vou demorar muito. — Quinn disse — O Charlie está com seus pais.
–Uhum... — Rachel respondeu. — E a Beth?
–Foi com a Santana — Disse baixo.
Quinn procurou em sua mala o estojo e levou para o banheiro. Fez a barba rapidamente se livrando dela por completo.
Achou um pouco diferente. Depois tomou banho tirando a sujeira do dia anterior e então saiu do banheiro já com outra bermuda.
Guardou as coisas, deixou as roupas molhadas estendidas no box do banheiro junto com as toalhas. Se deitou de frente para Rachel.
Ela passou a mão pelo rosto livre de barba — Você parece mais jovem assim, não deixa de ser bonito.
–Eu me sinto estranho sem ela. — Quinn disse quando os dedos de Rachel desenharam seus labios.
Ficaram em silêncio se observando.
–É estranho sabe... A confusão de sentimentos com a qual estou lidando. — Rachel argumentou. Quinn puxou a coberta para cima. — Eu sei que ela me abandonou, e nunca fez questão de mim... Eu já estava grande quando ela voltou. E ela queria uma garotinha pra cuidar, Beth foi um presente de Quinn e Puck para minha mãe. E nossa! Aos poucos conforme Beth crescia Shelby me aceitava e era bom demais. Mas ainda tínhamos nossas diferenças e nossas brigas... Eram coisas tão idiotas, eram motivos tão bestas, como diz o povo "era lavação de roupa suja". Ela me expulsou e eu fui embora sem hesitar, foi a ultima vez que vi Beth antes de vê-la naquele dia no restaurante chinês. Não sei por que não me contaram que Shelby estava doente, não sei porque Puck te ligou, e você sabe que quando voltarmos iremos conversar sobre isso e sobre o fato de você sempre ser rapidamente aceito pelas pessoas ao meu redor e por pessoas que conhecem sua irmã... Enfim, de certa forma eu não queria saber, assim eu não teria me acertado com ela e não estaria como estou agora. E por outro lado eu queria saber disso antes, aproveitar mais o tempo com ela ouvir ela dizer novamente que tem orgulho de mim.
Rachel divagava e deixou algumas lagrimas escaparem, Kyle beijou a testa de Rachel... Mas havia gelado quando ouviu Rachel dizer "iremos conversar".
Quinn só havia gelado três vezes em sua vida, a primeira foi quando descobriu que estava gravida e que tinha que contar para seu pai. A segunda foi quando disse tudo o que sentia para Rachel. A terceira havia acabado de acontecer.
Rachel não esperou um argumento ou uma resposta apenas se aproximou mais sentido os labios em sua tempora e dormiu no calor dos braços dele.
Algumas horas depois Kyle acordou e viu que Rachel ainda continuava em seus braços, ela raramente se movia. Se afastou suavemente de Rachel e tomou cuidado para não acorda-la. Pegou seu celular e uma camisa e vestiu. Olhou a tela checando a hora, eram quase 21. Abriu a porta do quarto e desceu em silencio.
Na sala estavam Shay, Ashley, Puck, Hiram, Leroy e Charlie.
–Oi... — Quinn disse deixando vago e olhando para Puck.
Puck parecia transtornado olhando o jornal local de Lima e as informações sobre a vida de Shelby. Ele se levantou e se aproximou de Quinn dando um abraço sem jeito nele.
–Não suporto isso. — Puck murmurou apontando para a TV — Mentira do caralho! Eles não se importam.
–Se acalma. — Kyle disse. — Eles sempre são hipócritas independentemente de quem é.
–Você tinha que ver o Mckinley hoje. — Puck murmurou. — Não dá pra ver as portas, pela quantidade de velas e flores por lá.
Puck se encostou em um canto e ficou quieto olhando para a TV.
–A Rachel está melhor? — Ashley perguntou quando o silêncio se prolongou.
–Ela está dormindo, está muito confusa, cansada e sentimental. — Quinn disse olhando para a loira.
–Não achei que ela ia dormir. — Leroy fez a observação.
–Também não achei. — Quinn disse, — Mas ela dormiu.
Charlie estava dormindo no colo de Hiram que já se sentia exausto.
–Eu vou levar o Charlie comigo. — Hiram disse — A Rachel está dormindo e acho que precisa muito disso, eu vou curtir meu netinho e você pode ficar tranquilo Kyle.
–Tem certeza? — Quinn perguntou — Eu posso ficar com Charlie.
–Tenho sim — Hiram assentiu.
–Não vai atrapalhar? — Quinn olhou para Leroy.
–Não, ele é meu primeiro netinho. Não vai mesmo. — Leroy disse bobo.
Hiram ajeitou Charlie em seu colo e deu um breve boa noite. Leroy disse que as pizzas estavam em cima da bancada.
–Aonde vocês estavam? — Quinn perguntou para as amigas de Rachel.
–Eu conheço algumas pessoas por aqui. — Shay disse. — Como o sigilo é uma coisa rara nesse tipo de profissão eu tive que ir ver eles e Ash me acompanhou.
Leroy ouvia a conversa desinteressado.
As cobertas, travesseiros e colchões extras estavam por ali. Ashley e Shay decidiram se arrumar, elas eram hospedes dos Berry's.
Quinn veria sua mãe em algum momento do dia seguinte.
Quinn e Puck foram para cozinha, enquanto comia Puck pensava.
–Cadê a Beth? — Puck perguntou.
–Está com a Santana na casa da mãe dela. — Quinn respondeu.
–Como ela está?
–Instável, ela acordou assustada quando deitou comigo, Rachel e Charlie na cama. — Respondeu. — Porque sumiu?
–Precisava pensar...
–O Finn te achou?
–Sim, ele conversou comigo.
Quinn assentiu, Puck ainda não havia chorado, sabia disso só de olhar para ele.
–Ele vai ficar?
–Sim, disse que está livre até quarta. — Puck assentiu fazendo uma fina linha com os labios.
–Como você está? — Perguntou.
–Me sinto dormente. Eu sabia que ela estava doente, mas o remédio me deu esperanças que foram arrancadas e ao mesmo tempo escorregaram pelos vãos entre meus dedos. — Puck disse olhando ao redor. — É difícil mentalizar que à partir de agora, eu não vou vê-la acordar ao meu lado mais, ela não vai reclamar que eu não coloco o lixo pra fora ou não corto a grama e eu não vou mais chegar em casa e encontrar Beth deitada com a cabeça no colo dela enquanto conversam sobre algum assunto desinteressante pra mim. É difícil acreditar que ela partiu pra sempre. Eu não quero acreditar... Não quero que seja verdade. Eu quero que ela apareça usando as saias sociais de sempre e com aquele sorriso que ela dava pra mim, sendo a Old Rachel como dizia Santana. Eu só quero minha esposa de volta.
Puck encostou a testa no granito e as primeiras lágrimas escaparam, seguidas de alguns soluços fortes, Puck ficou vermelho rapidamente e Quinn colocou a mão no ombro dele o puxando para perto e o abraçou de lado.
–Chorar não tem uma explicação, hora te esgota, hora te faz relaxar, mas você precisa por pra fora tudo isso. — Quinn disse. — Eu li uma vez que a dor precisa ser sentida, ela deve ser sentida, mesmo que seja uma merda. E as vezes é dai que tiramos forças.
Puck só ouvia, Quinn sempre superava seu nível de inteligência quando precisava aconselhar alguém. Ficaram daquela forma por um tempo até que ouviram a voz de Rachel na outra sala.
–Vamos ver a princesa Judia... — Puck disse se levantando e secando os olhos com a palma das mãos.
Quinn limpou os dedos e a boca em um guardanapo e acompanhou Puck, ele e Rachel trocaram um abraço apertado e palavras de conforto.
Puck foi para a residencia dos Hudson-Hummel, não ficaria em sua casa e provavelmente estaria sendo arrumada por pessoas que nunca viu em sua vida. E não aguentaria dormir por ali.
Quinn se sentou na ponta do sofá e fez carinho no cabelo de Rachel assim que ela se aproximou.
–Eu preciso descansar. — Leroy disse e se levantou. — Boa noite meninas.
–Boa noite Sr. Berry. — Ambas disseram.
–Boa noite Kyle — Ele disse.
–Boa noite Leroy, qualquer coisa com Charlie ou ligação que precisar de mim, me chama. — Quinn disse sentindo os dedos de Rachel passearem por seu couro cabeludo.
Leroy olhou para a filha. — Você quer que eu fique?
Rachel apertou o ombro de Quinn e se aproximou do pai. Leroy abriu os braços e Rachel colocou o rosto no tórax do pai enquanto se encolhia, eles conversavam sussurrando e Rachel assentia e negava com muita frequência.
–Boa noite. — Leroy disse e beijou a testa de Rachel.
Ele subiu a escada.
Quinn se sentou no sofá e Rachel ao seu lado. Os braços fortes a envolveram. Ashley e Shay estavam deitadas no colchão que estava de frente para a TV e na frente do sofá.
–Vocês comeram? – Quinn perguntou.
–Sim, Hiram fez a gente pedir pizzas para comer. – Shay assentiu.
–Me desculpa por trazer vocês para cá. – Rachel disse.
–Nós somos suas amigas Rach, estamos aqui para o que precisar, você sabe que sim. – Ashley disse virando para olhar para a morena.
–Obrigada. – Rachel disse.
Eles ficaram em silêncio enquanto Quinn fazia carinho no braço de Rachel.
–Essa exposição toda é uma merda. O Puck e a Beth não merecem isso. – Ela disse disparada. – Eles não sabem de nada e ficam tentando fingir que a conheciam. Nem eu! Que sou a filha biológica, a conhecia direito, e olha que tive mais momentos... Imagina esse bando de ignorantes que insistem em fazer retrospectivas baseadas em Elphaba e Maria. Será que quando eu for eles vão fazer retrospectivas baseadas em Amanda e todas as outras personagens? Isso é desnecessário, é absurdo também.
–Se acalma Rach... — Disse a puxando para perto.
Rachel escondeu o rosto no peito dele e começou a chorar baixinho. Ele passava os dedos entre os cabelos escuros da atriz.
Se levantou trazendo ela junto e foram para cozinha.
–Me diz aonde ficam os legumes que eu vou fazer sopa pra você. — Disse e afastou as caixas de pizza dela. — Muito pesado pra quem não estava comendo.
Rachel apontou os lugares e ficou em silencio sentindo suas lagrimas deixarem caminhos pelo rosto. Quinn fez aquilo o mais rápido que pode e colocou em uma xícara própria para sopa. Se sentou ao lado dela e passou o braço ao redor de seus ombros e trouxe para perto.
Ambos ficaram daquele jeito, Quinn alimentou Rachel e eles subiram para o quarto. Uma batida na porta, Rachel se sentou na ponta da cama e Shay estava ali.
–Judith Fabray está lá em baixo Kyle. — Ela disse devagar.
–Fica com a Rach, por favor. — Ele assentiu e passou por ela.
Quando chegou lá em baixo, Ashley se despediu de Judy.
–Eu e Shay vamos manter a Rachel lá em cima. — Disse ao passar por Kyle.
Quinn abraçou Judy que quase sumiu entre os braços dele. — Oi mãe.
–Porque não foi em casa? — Ela perguntou.
–Não tive tempo, foi tudo muito rápido. — Ambos se sentaram no sofá.
–Como Rachel está?
–Mal, querendo ou não Shelby é a mãe dela.
–Ainda é estranho saber que você ama aquela moça que tanto falava mal, e por outro lado não me surpreende... Era ódio demais pra alguém que relativamente não fazia nada.
–Olha mãe, Rachel Berry sabe ser bem irritante quando quer.
–Mas Quinn Fabray reparava demais nas pequenas saias que Rachel Berry usava.
–Mãe! — Quinn franziu segurando o riso. — Deixa esse assunto pra depois. O que te trás aqui?
–Eu vim perguntar se você quer que eu fique com Beth por um tempo.
–Não sei se seria uma boa ideia mãe. — Quinn disse e indicou a cozinha para Judy.
–Porque? — Judy se sentou em um dos bancos da bancada.
–Não sei ainda o que Puck vai fazer mãe, Shelby acabou de partir… Ela vai precisar de mim, Beth é muito emocional, tenho medo do que pode acontecer caso eu deixe ela com você. — Ele murmurou. — Depois de toda aquela historia, e Beth saber que eu tive que deixar ela e pra conseguir novamente conversar com minha filha foi um bom tempo me redimindo… Me apavora.
–Entendo querido. — Judy fez carinho no rosto dele. — Não tenha medo, sua filha jamais vai virar o rosto para você.
–Eu vejo a historia de Rachel Berry e Shelby Puckerman… E não consigo deixar de ver Quinn e Beth Fabray. — Sussurrou.
–Você não era tão amargurada quanto Shelby foi um dia. — Judy disse
–Como assim? — Quinn franziu.
–Estudei com ela, é claro. — Judy explicou. — Estudei com Leroy, Henrique, Shelby, Carole, o pai de Finn e Russell cheguei a ver o Mr. Schue um pouco mais novo pelos corredores… Entenda querida, que essa cidade é um circulo que nunca fecha, sempre sabemos com quem estamos lhe dando… Então quando vocês são mais novos e tem amigos… Nós sabemos de quem estamos falando.
–Surpreendente… Mas por quais motivos não se falam?
–Circunstancias. — Judy dá de ombros.
–Por exemplo?
–Casamentos e escolhas, eu vi quando Shelby ficou gravida de Rachel… Foi quase a mesma coisa que você, porém o rapaz realmente era o namorado dela ela abriu mão de tudo e de Rachel e se debandou para NYC e veio a ser a queridinha da Broadway… Eu como líder de torcida me casei com seu pai o Quarterback, ele muito puro jamais me deixou conversar com Leroy que sofria muito injustamente por causa de seus trejeitos… Henrique era muito liberal, Russell não gostava disso, e aos poucos fomos nos afastando. Shelby sumiu. Leroy e Hiram se “casaram”, adotaram Rachel viviam mais em casa do que em outro lugar… E o Mr. Schue era calouro na época estávamos deixando a escola, então chegamos a ver ele… E Terry ganhou meu lugar, é assim que as coisas se desenvolvem. — Judy explicou de forma calma brincando com seus próprios dedos. — Eu Fiquei gravida pela segunda vez antes de Shelby, mas eu e seu pai tínhamos tudo planejado e deu certo… Só que casamos cedo demais, não por causa de Frannie ou sua, mas por ansiedade e conforme o tempo eu descobri quem era Russell Fabray.
–Espera… Você também foi mãe na adolescência?
–Aos quinze e aos dezoito. — Judy disse. — Eu nunca fiz faculdade porque meu sonho era cuidar de vocês.
Kyle prensou os labios. — Eu prometo que venho passar um tempo com a Beth aqui, preciso voltar para o meu corpo.
–Sim, saudades do tempo em que só me quebrava e não me escondia com essas toras. — Judy futucou o braço dele.
Quinn bufou e sorriu. — Mãe eu te amo, obrigado por vir aqui.
–Não tem motivos para agradecer. — Judy o abraçou. — Eu também te amo.
Kyle levou sua mãe até a porta e subiu pra encontrar Rachel de bruço coberta até a cintura, com a cabeça o colo de Shay e Ash fazendo carinho na cabeça dela.
–Vamos descer, okay Rach? — Shay disse assim que viu Kyle entrar no quarto.
–Se vocês quiserem dormir com ela aqui em cima eu fico lá em baixo.
–Mas… — Ashley tentou.
–Fiquem tranquilas. — Quinn disse.
Caminhou até o lado da cama e se agachou, o cheiro de baunilha invadiu seu nariz, o cabelo de Rachel ainda estava úmido. — Boa noite princesa. — Ele sussurrou na orelha dela.
Rachel virou o rosto e encontrou seus labios com os dele. Não disse nada, seu olhos estavam mais expressivos, do que tudo.
Quinn desligou as luzes ao chegar na sala, trancou a porta e deitou no sofá puxando uma coberta e colocando o travesseiro em baixo de sua cabeça.
Acordou as cinco horas com barulho de Rachel tropeçando, ela olhou para ele. Quinn abriu a coberta e encostou no sofá, Rachel encaixou as pernas entre as dele e seus labios grossos e gelados se encontravam na pele quente do pescoço de Kyle. Estava com frio, estava nervosa e triste.
Sentiu os dedos quentes de Kyle em suas costas por baixo de sua camisa em um carinho constante, passava o pé pela perna dele em busca de calor humano.
–It's quiet now, the universe is standing still… And there's nothing I can say there's nothing we can do now.– Ele cantava baixinho — And there's nothing I can say…
–There's nothing we can do now. — Rachel sussurrou as ultimas palavras da musica.
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