Notas iniciais
Oi, sorry a demora pra postar. Enjoy.
Não podia ser verdade! Eric não podia arrasta-la de volta para o mundo que tanto lutou para fugir. Ela não podia, não queria essa vida de volta. Tinha sido presa, pagou pelo que fez. Seus últimos 3 anos na prisão fizeram-na entender que já estava na hora de parar, de tentar uma vida nova, uma vida honesta como sempre devia ter sido. Ela foi fraca. Quando sua mãe morreu tão repentinamente naquele acidente ela ficou sozinha. Seu pai não passava de historia agora. Ele não gostava dela, não se importava com ela e foi por isso que fugiu de casa. Seu pai nunca a procurou quando isso aconteceu, e a rejeição que sentiu a fez fazer más escolhas. E a principal delas com certeza foi ter se envolvido com Eric e sua gangue. No inicio ela fazia tudo que Eric queria de bom grado, por isso era sua favorita, inclusive atirar no Governador. Ele não morreu, se tivesse morrido teria sido pior para ela, mas isso só aconteceu porque tinha aceitado a missão de Eric para roubar os arquivos no escritório dele, então Eric poderia desviar todo o dinheiro e ficar mais rico do que já estava. Corrupção, sabotagem, fraudes e golpes, era nisso que ela tinha se envolvido. Não era para ela ficar tão pouco tempo na cadeia, mas ela não tinha antecedentes criminais antes daquilo, o juiz parecia ser piedoso e seu bom comportamento na cadeia permitiram que ela tivesse um re-julgamento poucos meses atrás que a absolveram de seus crimes, com a promessa de que isso não voltaria a se repetir. Ela era jovem e facilmente influenciável e agora que pagou o preço nunca mais voltaria ao mundo do crime, que iria ter um novo emprego. E o juiz tratou de conseguir um para ela, como secretaria em uma empresa multinacional. Ele foi bom com ela, gostava do emprego que tinha e não queria voltar para a cadeia nunca mais. Ela tinha um trauma daquele lugar agora, aquilo sim era o que ela chamaria de inferno. Mas aqui estava, em frente a Eric mais um vez, ouvindo mais uma vez o que seria a sua sentença de morte. Roubar o Banco Central! Só podia ser brincadeira. Isso era pior que atirar no governador, com certeza. Ele pôde se recuperar do tiro, mas ela nunca teria uma absolvição se arrombasse algum daqueles cofres. E ela tinha jurado na frente do tribunal inteiro que aquilo jamais se repetiria.
Ela não podia aceitar isso, estava na hora de ela tomar as rédeas de sua vida.
–Não.-ela disse da maneira mais firme que podia.
–Como é?-Eric perguntou.
–Você ouviu! Eu não vou repetir isso. Não vou assaltar um banco e não vou voltar para a cadeia!-disse.
Ele soltou uma risada.
–Eu acho que você não está me entendendo. Eu estou mandando, não pedindo. Você vai sim fazer tudo que eu mandar, Beatrice, são assim que funcionam as coisas.
–E se eu me recusar a fazer qualquer coisa que você mandar?
–Bom, então você não será a única a sofrer com isso.
–Como não serei a única?-ela sabia do que Eric era capaz, podia matar todos que te importavam para conseguir sua lealdade, mesmo que forçada. Mas ela não tinha ninguém.
–Jura, Beatrice? Você não sabe? Pensei que ainda conseguia boas informações...-seu sorriso debochado indicava que ele sabia coisas.
–Do que você está falando? Não tenho ninguém, nem nada que possam me tirar.
–Oh, eu não diria que é um 'que' e sim um 'quem', se você tem interesse, é claro.
–Quem?-do quem exatamente ele falava? Não estava entendendo.
–Como é mesmo o nome dele? Caleb?-sorria.-Soube que ele está trabalhando como arquiteto na reforma do prédio da justiça. Ele não é seu irmão? Caleb Prior? Não é?
–Não, não pode ser. Caleb está morto, ele está morto. Eles me disseram, disseram que ele morreu naquela viagem, o acidente....
–Ah, Beatrice, pensei que não fosse tão ingênua.-Eric gargalhava do seu terror.-Caleb sobreviveu àquele fatídico dia. Só não voltou para casa porque estava em reabilitação no hospital.
–Mas e o velório. E a urna com as suas cinzas, como pode explicar isso?
–ora, Beatrice! Isso é tão facil de explicar. Veja, o caixão estava fechado, então podia estar vazio, e as cinzas na urna podiam ser de outra pessoa.
–Mas porque forçariam a morte de meu próprio irmão? Ele tinha família, porque toda aquela encenação?
–Bom, isso eu não sei. Talvez se você perguntasse para quem fez a tal ligação.... De qualquer forma, o que importa é que eu só preciso dar uma ordem para você dar o adeus definitivo a seu irmão, o único membro da sua família que restou.
–Não!-não queria mais ouvir nada disso. Botou as suas mãos em cima das orelhas.
Não podia deixar seu irmão morrer.
–Você não pode fazer isso. Não pode fazer isso com ele.
–Bom, você sabe que posso. Se quiser seu irmão vivo e intacto é melhor fazer tudo que eu mandar, senão....
Ela não tinha escolha. Era seu irmão e sua única família. Teria que aceitar as consequências de tudo.
–Tudo bem o que quer que eu faça?
Eric sorriu o mais perverso de todos os sorrisos que Beatrice já havia presenciado.
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E aqui estava ela, seus cabelos loiros presos em um coque mal feito alto na cabeça, mechas pretas pintadas pelo seu cabelo para disfarçar o tom inconfundível verdadeiro, lentes verdes para disfarçar o azul-céu de verdade de seus olhos, tornando-os de um tom verde azulado até bonito. Maquiagem delicada combinando com as calças azuis escuras, o blazer de mesma cor aberto por cima de uma camiseta branca e um colar de ouro com um pingente de estrela que na verdade escondia um pequeno microfone, que ela tinha liberdade para ligar e desligar quando fosse necessário. Sim, uma escuta. Isso fazia parte da fase 1 do plano louco de Eric.
Fazê-la se infiltrar na principal delegacia da cidade, usando um apelido ridículo e um sobrenome falso para se passar de secretaria e descobrir tudo que precisavam sobre o banco para não serem pegos. O fato de só ter 50 dias para descobrir tudo a fazia se sentir cada vez mais como 007, só que para roubar e não salvar. Sherlock diria "Elementar, minha cara Beatrice!" Tamanha era sua inteligência. Porque estava fazendo isso mesmo? Ah, sim para salvar a vida de seu irmão. Precisava espionar os seus futuros novos chefes e descobrir desde a senha para abrir a porta e a para desligar o alarme, até quantos seguranças teriam já que todos os seguranças do Banco Central trabalhavam lá também e todo tipo de armadilha que estava ao alcance da policia cuidar nos bancos. E ao que parecia, ela teria que ser a secretaria de um "policial patife" como disse Eric, que foi promovido há pouco tempo e a secretaria velhota se aposentou depois de trabalhar lá por muito tempo. Que maravilha de novo trabalho!, pensou Beatrice.
Ou Tris, seu novo nome temporário de espiã.
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Tentou parecer confiante enquanto caminhava a passos rápidos até a recepcionista com cara de mal-humorada na delegacia.
–Hum... É, oi! Eu sou Tris e vim...-começou ela.
–Ah, sim! A nova secretaria que vai substituir a velha Edith.-ela acenou com a cabeça.-maravilha, a velha já estava na hora de vazar. Por favor, continue em frente. Vire no segundo corredor à direita. Diga oi ao seu novo chefe e pode começar o seu trabalho, aqui estão umas papeladas, passe tudo para o computador e atenda todos os telefonemas, se não for com você, passe-os para o seu patrão.-entregou-a uma pasta enorme cheia de folhas, teria que digitar essa montanha toda?- E se ele tiver alguma reunião, avise-o. Ele não tem obrigação de se lembrar, você tem. Bem-vinda ao seu novo inferno, digo trabalho.
O sorriso dessa mulher é assustador...
Me dirigi até a minha mesa, que ficava próxima a sala do meu suposto novo chefe. Larguei minhas coisas em cima da mesa e bati na porta para conhecer o cara.
Ouço um "entre" rouco e abafado e atendo à ordem.
A sala apesar de escura pelas janelas fechadas é bem arrumada. Uma parede com prateleiras repletas de livros, um armário no canto com estatuetas de animais de cobre, o distintivo do cara preso em um gancho. "Essa é nova!", penso. E ele... Bem, ele está sentado em uma poltrona debruçado sobre uma montanha de papéis, não posso ver seu rosto desse jeito, mas já quero saber onde Eric viu um patife nesse policial.
Pigarreio e ele me olha, então eu olho pela primeira vez o seu rosto. Olhos azuis escuros, cabelos quase negros e bem cortados, uma barba rala por fazer. Decido fazer uma nota mental para perguntar ao Eric o que definitivamente o fez chamar esse cara de "patife".
–Desculpa, acho que eu não te conheço.-ele franze as sobrancelhas.-Quem te deixou entrar?
–Eu sou Tris, a sua nova secretaria.-digo.
–Nova secretaria ? E onde está Edith?- ele pergunta com uma voz baixa. Ele é burro?
–Ah, ela se aposentou. Senhor.-respondo.- Ninguém te falou? Ela não avisou?
–Não. Mas bem, prazer em conhece-la Tris. Sou Tobias Eaton, mas pode me chamar de Quatro.
–Quatro?
–É.
–E o senhor vai me dizer o porquê desse nome?
–Não. E é você, certo. Não quero que me chamem de "senhor".
–Ok, mas nem eu.-pergunto.
–Principalmente você.-diz e sorri, depois pisca um olho enquanto eu o olho com uma cara de completa confusão. O que mais estaria sentindo agora, afinal?
Ele está me cantando ? Não, isso é ridículo. Balanço a cabeça para afastar pensamentos aleatórios.
–Tudo bem, é... Quatro.
–Muito bem. Certo, me faça um favor, sim? Entre esses relatórios para Rosie, secretaria do Delegado. No final do corredor, depois volte. Tudo bem?- ele me entrega uma pasta branca cheia de papéis. Tento tirar a cara de confusão que devo estar enquanto me aproximo para pegar a pasta.
–Certo. Mais alguma coisa?-pergunto.
–Não, por enquanto. Pode ir.
Ele volta a abaixar a cabeça e é como se eu nunca estive aqui, me viro e dou uma ultima olhada para ele antes de sair.
Seja qual for a desse tal "Quatro", ele é estranho. Mas antes de ir até a secretaria Rosie, dou uma olha nos relatórios quando ninguém esta prestando atenção. Eric não me mandou ser secretaria dele por nada, ele deve ser importante para o que Eric quer, o que significa: informações . E seja o que ele for, é meu trabalho como informante ficar de olhos abertos.
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