Saio da sala da senhora gentil que havia acabado de entregar a pasta de documentos extremamente decepcionada. Não havia nada que me fosse útil como espiã do Eric. Nada além de papelada inútil de casos encerrados pra ser passada para o computador antes de serem arquivados em armários antes de provavelmente serem queimados ou sei lá o que eles fazem com esse tipo de coisa. Dispensada pela senhora, me sento à mesa que me deram em frente a sala do meu novo chefe temporário. O tal "quatro" continuava debruçado sobre sua mesa escrevendo ao lado de seu computador ligado, eu podia vê-lo bem se empurrasse a cortina do lado de fora de sua sala que alcançava com facilidade se esticasse o braço. Infelizmente, não podia enxergar nada que estava escrito em seu computador além da luz que iluminava parte de seu rosto e braço. Isso atrapalhava meu verdadeiro trabalho aqui, mas supondo que ele não fosse esperto o bastante para apagar o histórico, poderia bisbilhotar seu computador assim que ele saísse no final do expediente. Eu ficaria até mais tarde, não seria nenhuma surpresa, já que é comum que os que tem trabalhos de baixa posição como o meu continuem trabalhando após a saída de seus chefes. Alguns minutos de distração de meus novos colegas de trabalho seriam o suficiente. Sei que Eric não me colocou de secretaria desse cara sem motivo nenhum, e nem que foi alguma coincidência a senhora que trabalhava para ele antes de mim ter se aposentado justamente nesse momento tão oportuno para os negócios de Eric. Não sei o que ele fez o quanto deu para ela sair do seu emprego e pedir o processo de aposentadoria assim de repente, tão de repente ao ponto dessa noticia nem ter chegado aos ouvidos do homem debruçado sobre a mesa na sala atrás de mim. No entanto, até agora ainda não descobri o que o fez parecer um bom negocio para Eric. O que esse policial pode ter, que tipo de informação ele pode possuir a respeito do banco ou de qualquer outra coisa que Eric possa querer? Bom, acho que irei descobrir em breve. Sou obrigada a obedecer Eric para manter meu irmão vivo, mas ele ainda não tem meu controle total e espero que nunca tenha, por isso, enquanto trabalho para ele, vou fazer meu próprio trabalho tentando descobrir exatamente onde Eric quer chegar com tudo isso e evitar que ele consiga o que quer e me mande pra cadeia mais uma vez. Eu permiti que ele me controlasse uma vez, mas não vou deixar que isso se repita. Eric vai pagar por tudo que me fez e por tudo que ainda quer fazer, e tenho a impressão que Quatro possa ser a chave para conseguir minha vingança. E eu vou me vingar de Eric, vou arriscar tudo para me livrar dele. Porque, sinceramente, não sei mais quanto tempo vou continuar aguentando as chantagens de Eric e sua facção idiota. Ele já tirou tudo de mim.

Continuo fazendo o meu trabalho até que chega o final da tarde, não me dou ao trabalho de sair para almoçar, preferindo comer um dos sanduíches da cozinha comum da delegacia enquanto digito todos os documentos necessários no computador como Quatro havia me pedido. Nem noto que a delegacia ia esvaziando enquanto ficava mais tarde, até que vejo Quatro sair da sua sala no começo da noite fechando a porta com um barulho e me fazendo olha-lo. Para ser sincera, acho que essa é a primeira vez que o olho realmente desde que nos conhecemos. Como eu, ele não saiu da sua sala, mas ele não tem um maníaco atrás dele que o obriga a espionar uma delegacia para salvar seu irmão mais velho. Por esse motivo, suponho que ele seja uma daquelas pessoas viciadas em trabalho que parecem não ter mais nada para fazer na vida além disso, até mesmo uma vida social, mas olhando-o direito, percebo o quanto ele é bonito e mais alto do que parecia de sua mesa escura.

–Você ainda está ai?-perguntou assim que tirou a chave da fechadura e me olhou com um sorriso.-Pensei que a essa hora já teria ido embora. Edith o fazia.

–Bem, não sou sua antiga secretaria.-falo seria, mas pensando em quanto eu o estou usando em meus planos particulares mesmo que ele não possa saber disso.-Além disso, quero fazer meu trabalho direito.

De certa forma, penso.

–Tudo bem.-me responde.-Não vou te atrapalhar. Até amanhã, é... Desculpa, eu esqueci o seu nome.

–Bea...Tris, meu nome é Tris.-digo me corrigindo.

–Certo. Tris, eu gostei.-sorri.-Não vou mais me esquecer desse nome.

Assinto com a cabeça, tentando um sorriso forçado.

–Boa noite.

–Boa noite, senhor.-respondo.

–Senhor não, é...

–Eu já sei. Quatro.-o interrompo.

–Isso. -Diz acenado em concordância e já se afastando. Bem, tchau.

–Tchau.

Para ele, porque minha carga horária de trabalho está longe de acabar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.