Going Down For The Second Heartbeat
23 This can't be real
Notas iniciais
Tony evitou me olhar porque ele sabia o quanto eu estava puta com isso. Os meninos confirmavam e exclamavam o quanto achavam que era uma ótima idéia e as únicas pessoas não satisfeitas, eram Shadows e eu.
Ele me olhava com raiva e ao mesmo tempo tentava medir minha reação.
Eu fiz bastante esforço pra me segurar até que eles tivessem ido embora. Fui para o banheiro e fiquei lá pra não ter que me despedir deles. Era bem capaz de eu começar a gritar.
Eles gritaram um “Tchau Taylor, até logo” e eu deitei na banheira vazia, tragando meu segundo cigarro do dia.
Poucos minutos depois que o barulho de homens falando diminuiu Tony e o resto do TPR entraram pela porta.
-Você sabe que eu não vou fazer isso. –falei a coisa mais óbvia que tinha dito nos últimos dias, olhando para Tony.
-Taylor, baby, você não é a única na banda. –Tony disse tentando fazer brincadeira.
-Sério? Pensei que eles fossem dançarinas. –ironizei e Tony rolou os olhos. Os meninos apenas me olhavam.
-Nós não vamos abrir show pra eles, Taylor. Só estaremos no mesmo lugar que os caras. -Jamie tentou me convencer.
Levantei da banheira, passei por eles e abri a porta do quarto, os expulsando. Tony foi ficando para trás propositalmente.
-Não, você vai também! –logo que os meninos saíram, tentei empurrar Anthony porta a fora, mas ele era mais forte.
-Deixa de ser infantil Taylor! –ele me segurou pelos braços.
Me puxei de seu aperto e ele me soltou. As lágrimas acabaram por surgir em meus olhos.
-Como você pode fazer isso comigo Tony? –disse lhe dando um tapa no braço.
-Tay, acredite que quando o empresário deles veio com a idéia eu não queria, mas nós teríamos benefícios.
-Fodam-se os benefícios Tony, eu não quero mais ficar perto daqueles caras e ponto!
-Eu pensei que você já tinha resolvido seus problemas com Synyster Gates. –ele falou intrigado e irritado.
-Meu problema foi ter me aproximado deles! –gritei, mas o que eu queria ter falado é que meu problema tinha “Sanders” como sobrenome.
-Taylor, estou realmente cansado desse seu papo de “eu tenho que manter todas as pessoas longe”. –fiquei meio chocada com isso. –Nem todo mundo é como você pensa.
-Posso ver isso agora. –falei irônica.
-O que você quer dizer com isso?
-O que você conseguir entender.
-Você pode me explicar qual é a do seu drama com essa banda para que a gente possa resolver? –ele praticamente implorou.
-Você disse que era temporário! Que depois daquele dia na Califórnia não nos encontraríamos tão cedo. Agora na primeira oportunidade que surge você quer me amarrar à eles? –explodi.
-Não podemos impedir o que a vida nos traz. –ele disse sério e eu rolei os olhos.
-Aff, que tipo de babaquice filosófica é essa?
-Olha, quer saber, você não é a única pessoa da banda, então a não ser que você convença os meninos a desistirem da idéia, você vai. –Tony disse e começou a andar em direção a porta.
-Você quer parar de falar: “você não é a única pessoa da banda”? –o citei. –Eu sei disso muito bem.
-Pois parece que você está precisando ser lembrada. VOCÊ não quer fazer a turnê com eles, porque VOCÊ tem sei lá que problemas com a banda. Eu sugiro que você resolva isso e perceba a tempo que essa é uma grande oportunidade.
Ele saiu batendo a porta com violência. Eu tive um ataque de raiva e saí quebrando tudo do quarto.
Eu não conseguia pensar em nada claramente, era uma mistura dos momentos que já passei com eles, a notícia de hoje e minha mente imaginando o que poderia acontecer no futuro.
Eu não posso fazer essa turnê com eles. Não me importa se são dois meses ou um ano.
Peguei a última coisa de vidro que tinha perto de mim e taquei na porta. Parei percebendo o quanto eu parecia uma menina mimada contrariada.
-Merda. –falei pra mim mesma.
Eu não tinha recuperado o controle na noite passada com Shadows? Não tinha? Então porque estou assim?
*Matt’s POV
-Vocês estão brincando? –perguntei sério aos caras assim que saímos do quarto de Taylor e eles me olharam intrigados.
-Oi? Com que? –Arin perguntou.
-Vocês realmente acham que isso é uma boa idéia?
-Vai ser engraçado Shadows! Relaxa! –Zacky falou e eu soltei o ar pesadamente.
-Vai ser engraçado ver o Avenged afundar por causa dessa banda de merda? –retruquei sentindo muita raiva.
-Que isso cara, eles são ótimos! –Johnny e Zacky falaram praticamente juntos.
Brian que até agora só me olhara, fez sinal para os outros irem.
-O que você quer? –perguntei logo.
-Calminha aí cara. –ele disse com um meio sorriso que já estava me irritando.
-Você vai dizer o que? Que sabe porque eu estou desse jeito? Parabéns. –disse rude.
-Então você assume? –ele me lançava um sorriso de vencedor.
-Assume o que? Do que você está falando?
-Não se faça de desentendido. É óbvio que estou falando de Taylor. –ele rolou os olhos.
Eu não conseguia falar. Dizer isso em voz alta parecia impossível e cada vez mais eu sentia vontade de bater em mim mesmo.
-Sabia. –ele falou rindo.
-Você não está ajudando Gates. –respondi virando de costas.
Eu me sentia mal. Cheguei ao ponto de que não há mais possibilidades de negar que eu queria Taylor Momsen, nem que fosse apenas por uma noite. Mas então eu lembrava de Valary. A mulher com quem eu fiz votos sobre respeito. E de novo, não é como se eu nunca tivesse traído ela e nem ao contrário, entretanto desta vez parecia pior e eu não entendia o porquê.
-Valary virá conosco. Vai ficar tudo bem. –falei mais pra mim mesmo, porém Brian respondeu.
-Não se esconda atrás da sua mulher, Matt. Só vai tornar as coisas piores.
-Você não sabe o que está falando.
-Não sei? Eu passei pelo mesmo, se você não percebeu. Claro que estou mais acostumado com isso, Michelle raramente vem com a gente nas turnês... –ele refletiu, dando uma desculpa pros próprios atos. –Eu queria Taylor, eu a tive. Acabou. –Syn deu de ombros.
-Você fala como se ela fosse um objeto. –falei em tom acusador.
-Não seja puritano. Eu posso te dar certeza absoluta que ela pensa em nós do mesmo jeito. Ela é jovem, mais jovem que nós, e está começando a curtir o mundo agora. Ela não vai colocar em você um par de algemas.
-Isso não parece certo cara. –desabafei.
-Porque não é. –ele respondeu. –Mas não é diferente das outras vezes.
Fiquei calado por uns momentos, tentando conter minha batalha interna, até que Syn falou:
-Olha só, eu aqui tentando te convencer a pegar uma mulher que eu já peguei... O quão ridículo é isto? –ele riu.
-Eu tentei. –disse.
-O que? –ele quis saber.
-Ontem com ela, no banheiro do pub. Mas ela foi embora.
Synyster riu como se soubesse de algo, ou talvez como se alguma lembrança cruzasse sua mente.
-Não sei se você percebeu, mas a Taylor não é como as outras que a gente sai. Ela não é uma groupie e ela não é diferente de nós dois. Não vá procurá-la com dúvidas.
Ele sorriu e saiu cantarolando o refrão de “Hit Me like a Man” do The Pretty Reckless:
So hit me like a man and love me like a woman / Então me acerte como um homem, me ame como uma mulher
Bury me alive, I can see it in your eyes, you want it / Me enterre viva, eu posso ver nos seus olhos, você quer isso
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