Going Down For The Second Heartbeat
32 Calm before the storm
Notas iniciais
*Matt’s POV
Na manhã seguinte entramos direto no ônibus. Taylor ficou na dela o tempo todo, escondida atrás de um óculos escuro.
Eu tinha presenciado boa parte da conversa que ela tivera com Anthony na noite anterior. Para a minha defesa, eu, Brian e Johnny estávamos entrando no quarto quando ouvimos sua voz. Brian segurou meu braço, já que eu era o primeiro de frente para a porta entreaberta, em sinal para que eu esperasse. Então ali ficamos.
Fiquei bem dividido com o que ouvi. Primeiramente eu senti um pouco de inveja de Anthony porque Taylor claramente alimentava sentimentos por ele. Isso não era novidade para ninguém. Obviamente eu senti raiva dele. Queria que ela estivesse falando aquilo para mim, como se ela fosse aquelas meninas que se apaixonam por rockstars, mas tem que se travar, pois sabem que aquilo é praticamente impossível de ir pra frente. Estou aqui falando de vulnerabilidade. Como eu disse anteriormente eu não amo Taylor Momsen, eu a desejo.
Eu acabei sorrindo me lembrando de mim e de Valary e da nossa opção de não mantermos um relacionamento fechado por causa do meu trabalho. Perguntei-me se isso daria certo para os dois... Eu não a queria para sempre, isso era um fato, acho que não seria capaz de suportá-la por tanto tempo e eu tenho Valary. Então nada mais justo que ela se ajustasse com Anthony... depois que eu conseguisse o que queria.
Saí de meus pensamentos com Brian passando a minha frente e entrando no quarto. O ar estava bem pesado e Gates, que tinha trago uma garrafa de bebida, logo a usou.
Melhorou um pouco, porém Taylor e Tony ainda evitavam até se olhar muito. Naturalmente ia levar um tempo até que as coisas “voltassem ao normal”.
Mais uma vez, me peguei surpreendido por Taylor, por ela na verdade ser capaz de mostrar um sentimento verdadeiro, contradizendo o que eu havia lhe dito do elevador: “Já percebeu que você tenta passar para os outros “verdades” que não são reais nem para você?”. Sim, essa foi a frase.
Por incrível que pareça nós ficamos um tempo sem discutir, na verdade conversamos bem. Ela até me mostrou uma de suas novas músicas para o cd que eles iam lançar em breve.
Mas nós sabemos que nada dura para sempre.
*Taylor’s POV
Eu estava feliz que as coisas estavam bem entre mim e Anthony. Os dias seguintes àquela conversa foram meio difíceis, mas ambos deram aquele jeito que só os rockstars podem dar. Bebida, cigarro, música e sexo.
Quanto a Shadows? Era tão estranho estar numa boa com ele! Sem farpas e nem discussões.
-Estamos te esperando lá em baixo então. –Matt disse e saiu com Arin do quarto onde eu estava com Ben e Anthony. Eles tinham acabado de me chamar para assistir um show que aconteceria ali perto, daquelas bandas que ninguém realmente conhece.
Logo que a porta bateu, Anthony me disse:
-Que amorzinho você conversando com o Matt e até saindo com ele! Já não era hora! –ele riu e Ben o acompanhou, concordando.
-Ele ainda é um babaca às vezes, mas até que pode ser legal. -dei de ombros e fui em direção ao banheiro para trocar de roupa.
-Afinal vocês dormi-
-Não termina essa frase, por favor. –cortei o que Ben ia dizer.
A semana final da nossa turnê veio mais rápido do que eu pude processar e nela voltamos para Califórnia onde o TPR faria o último show. Teríamos aí uns três dias de folga e então tomaríamos uma estrada diferente do A7X.
-Bom show. –Johnny me deu um beijo na bochecha e saiu com Brian do camarim depois que ele fez o mesmo. Matt ainda estava lá conversando com Anthony, Zacky e Mark.
Aproveitei o momento em que todos os outros estavam ocupados e comecei a aquecer a voz, ajeitando uma coisa aqui e outra ali do meu figurino.
-Quinze minutos galera! –Anthony nos falou depois de um tempo. Neste instante Zacky veio até mim repetindo o ato de Johnny e Brian. Esperei que Shadows fizesse o mesmo, entretanto ele só me deu um meio sorriso de longe. É, eu fiquei um pouco decepcionada.
Eu percebi que conforme esta semana passava eu tinha mais e mais vontade de ficar perto de Matt, de receber seu toque, como se meu corpo estivesse protestando quanto aos seus direitos que não foram respeitados na única vez que me deitei com ele.
O show foi bem agitado no melhor sentido da palavra e depois de seu fim tivemos um Meet and Greet com alguns fãs. Eram cerca de quinze pessoas e a grande maioria praticamente surtou ao ver que o Avenged Sevenfold também estava ali. Fiquei um pouco surpresa ao saber que as duas bandas poderiam ter o mesmo público.
Nós estávamos do lado de fora da casa de show esperando a vã que nos levaria para o hotel quando outro grupo de fãs, dessa vez bem menor com cinco pessoas se aproximou. Nós ficamos conversando com eles e eu só rezava internamente que o veículo chegasse logo. Eu estava morta de cansada e minha garganta não me dava um bom sinal. Estava precisando ficar calada por algum tempo.
-Você é muito gostosa. –me assustei com a proximidade da voz que chegou ao meu ouvido juntamente com um cheiro de álcool invadindo minhas narinas. Me virei rapidamente e encarei um homem que devia estar nos seus trinta e poucos anos.
-Obrigada. –ri, terminando de assinar o pôster de uma menina que chorava.
-Não, sério, você é muito mais bonita pessoalmente. –ele voltou a dizer.
-Ganhei minha noite, hein. –brinquei e comecei a me afastar indo em direção a Anthony que estava com os meninos do Avenged mais a frente. Jamie, Mark e Ben continuavam assinando coisas e tirando fotos.
Ele segurou meu punho e fiquei tensa na mesma hora. Fazia um tempo que um fã mais “hardcore”, digamos assim, não aparecia.
-Eu não posso te pagar uma bebida ou te levar para algum lugar?–ele perguntou se aproximando e eu me segurei para não gargalhar.
-Oh, desculpe, mas esse show acabou comigo. –brinquei novamente, tentando dispensá-lo de forma gentil. O problema é que ele ainda não havia soltado meu punho.
-Então, você vem comigo e vai relaxar em dois tempos. –ele insistiu. Estava começando a perder a minha paciência.
-Desculpa, tenho que ir. –dei um último sorriso e puxei meu braço. Depois de um certo esforço consegui me soltar.
-Vamos gata, não seja tão difícil. –ele falou.
-Algum problema? –Shadows apareceu do meu lado.
-Está tudo bem. –respondi rapidamente tentando apagar o pavio de uma briga em potencial.
-Você é o namorado dela por acaso? –o homem perguntou um pouco agressivo.
-Vamos embora, Matt. A vã chegou. –cortei o que Matt ameaçava dizer.
–Vamos, ele está bêbado! –falei quando ele não se mexeu. Matt olhou pra mim e dava pra ver pela sua expressão que faltava muito pouco para ele espancar o cara. Coloquei a mão em um de seus braços, querendo puxá-lo dali. Não achei que ele fosse ceder, mas então ele apenas deu um sorrisinho provocativo para o homem e lhe deu as costas. Respirei aliviada.
Não demos dois passos e a bomba explodiu. O cara virou Matt e deu-lhe um soco no rosto, porém para seu azar ele era visivelmente mais fraco que Shadows.
Este por sua vez revidou executando o mesmo movimento e derrubando o cara no chão.
-Então ela é sua puta, não é mesmo? –o homem falou com um pouco de sangue saindo de sua boca. -Aposto que ela já fudeu todos dessa sua banda de merda.
Eu arregalei meus olhos e se Matt não tivesse partido para cima dele eu o teria feito. Os dois rolaram pelo chão, Matt não tendo muitas dificuldades de desviar dos ataques falhos do homem e aplicar bons golpes em seu rosto.
Inutilmente tentei puxar Matt afinal aquilo poderia prejudicar feio ambas as bandas, por mais que ele merecesse.
-Está bom Matt! –o chamei, mas ele só bateu mais forte no cara. Brian e Zacky vieram correndo, percebendo atrasados o que estava acontecendo ali. O resto apenas encarava a cena, divididos entre o choque e a apreensão.
-O que você fez? –perguntei com certo tom de pânico em minha voz quando o cara continuou deitado no chão, inconsciente.
-Oh, de nada! –ele cuspiu as palavras, ainda sendo segurado por Brian e Zacky.
-O que está acontecendo aqui? -dois policiais apareceram juntos a um dos seguranças da casa de show. Ele provavelmente deve ter visto a movimentação estranha que acontecia e chamou a polícia.
-Alguém vai explicar ou vou ter que levar todo mundo para a delegacia? -o outro policial disse quando todos ficamos calados.
-Foi autodefesa. –eu me pronunciei e andei até os dois homens, explicando o que havia se passado.
Porque Shadows tinha que ser um idiota e dar uma de super-herói? Agora estávamos todos ferrados por causa dele.
-Vou pedir que vocês entrem na vã e nos acompanhem até a delegacia. Ligue para a ambulância. –um dos policiais se dirigiu a seu companheiro depois de falar conosco. O cara que Shadows espancou já tinha acordado e estava gemendo de dor, deitado no chão.
-Você está brincando? Eu já expliquei o que aconteceu. –me irritei. Anthony veio até mim e colocou a mão no meu ombro, como se pedisse que eu me acalmasse. Desviei do seu gesto e encarei o policial, irritada.
-E eu ouvi senhorita, mas esse é o procedimento.
-Taylor, baby, calma. Só vamos até lá prestar depoimento e eu vou dar um jeito para que esse babaca não preste queixa. –Tony sussurrou em meu ouvido.
-Eu não vou para a delegacia. –respondi para ele, alto o suficiente para que os policiais ouvissem.
-Não seja estúpida, vamos logo acabar com isso. –Matt falou de onde estava.
-Estúpida?! -eu praticamente gritei e andei até ele. –Você que mete a porrada no cara até ele ficar inconsciente e eu sou estúpida?
-Da próxima vez então você se resolve sozinha, ok? -Matt também falava alto.
Eu tinha falado merda, mas para minha sorte os policiais estavam ocupados falando com o homem no chão.
-Eu não pedi sua ajuda em momento nenhum! –joguei.
-Inacreditável. –ele bufou e riu sem humor.
Acabamos indo para a delegacia que não era muito longe. Ficamos no lugar cerca de quatro horas, eu tendo que explicar algumas vezes o que tinha acontecido. O cansaço que eu sentia somado à situação fez uma mistura perigosa no meu humor e eu estava a ponto de explodir. Prova disso é que mais tarde, depois que fomos liberados e voltamos para o hotel eu não agüentei mais segurar.
-Se você não tivesse agido como o “fodão” nada disso teria acontecido! –falei para Shadows, enquanto estávamos esperando o elevador junto de Arin e Mark. O resto tinha resolvido ir comer alguma coisa no restaurante do hotel.
-Taylor, chega. –Mark pediu gentilmente, mas eu queria gritar.
-Deixa Mark, deixa essa garota falando sozinha. –Matt disse me ignorando, mas depois virou para mim. –Aproveite seu monólogo.
-Vai se fuder, Shadows! –eu estava indignada. Ele estava errado e ainda achava que podia continuar com a sua atitude?!
-Caralho, me erra! Eu não sou obrigado a aturar seu ‘nhé nhé nhé’ de menininha. Aconteceu e já passou, esquece isso.
Quando eu ia voltar a falar, Mark me interrompeu novamente.
-Vamos lá gente, estamos todos cansados aqui. Deixem a discussão para depois.
Na mesma hora o elevador chegou e Arin, Mark e Matt entraram.
-Você não vem? -Arin perguntou.
-Vou esperar o próximo.
Pode parecer infantilidade, mas eu acho que se eu ficasse num lugar fechado agora junto com Shadows, ele é que seria espancado.
Acordei no final da tarde do dia seguinte com um dor de cabeça dos infernos. Minha garganta doía um pouco, mas não tanto quanto achei que estaria.
-Passei para ver como você estava. –Brian entrou pela porta uns trinta minutos mais tarde.
Eu ainda estava na cama com a televisão ligada, mas não estava realmente assistindo alguma coisa.
-Irritada. –respondi.
-Ainda? Acho que o que você precisa é um pouco de Synyster Gates. –ele disse e se jogou na cama do meu lado, dando um beijo na minha bochecha. Eu não falei nada, apenas fiquei brincando com as mexas do seu cabelo, olhando vagamente para a televisão.
-Você precisa... –Brian começou a dizer depois de bastante tempo de silêncio.
-Nem precisa gastar sua saliva terminando a frase. –lhe disse ainda encarando a tela.
-Cadê a mulher que queria resolver as coisas?
Sorri. Acho que Brian, juntamente com Ben, era a única pessoa que realmente me tratava como igual. Eu podia ter dezoito anos, mas sempre me senti mais velha. Até Anthony me tratava como uma menininha inconsequente às vezes. E talvez eu pudesse agir como uma, mas isso não era desculpa para eles agirem daquele jeito.
-Foi embora. –olhei finalmente para ele. Gostoso como sempre.
-Vá falar com Matt.
-Haner, cala a sua boca e me deixe observar quieta a perfeição do seu rosto.
-Quer alguma expressão específica? -ele deu o sorriso “Synyster Gates”.
Ele tentou mais algumas vezes agir como o conciliador, dizendo que talvez eu tivesse exagerado um pouco, que Matt na verdade tinha tentado defender a mocinha em ar puros e que eu não precisava rastejar desculpas porque ele entendia minha reação, mas que eu precisava sim conversar com ele.
Ignorei grande parte do que ele disse, mas o filho da mãe deixou a semente plantada na minha cabeça.
-Ah, foda-se. –eu exclamei sozinha no quarto, me levantado para ir até o quarto dele.
A Taylor de um tempo atrás nunca faria o que vou fazer, mas eu disse que as pessoas mudam. Eu realmente precisava resolver as coisas, provar um pouco de paz depois do furacão Avenged Sevenfold na minha vida.
Notas finais
beeijos
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