Goddess and Monster - Part 1
12 Capítulo 11 - Confusa Lady Sansa
Notas iniciais
Eles cavalgaram por um longo tempo, se desviaram da Estrada do Rei e adentraram mais ainda pelo bosque. Possuíam dois cavalos, Amina estava sozinha sobre um deles.
Sandor apertava Sansa contra si com medo de que a menina pudesse ser tirada de seus braços, mesmo que eles já estivessem longe. Ele seguia Amina, mas não sabia para onde estavam indo. Torcia para que não fosse uma armadilha.
Sandor não reparou que Sansa chorava sem parar, apenas se importava em encontrar um lugar seguro para os dois. Longe daquela mulher, de preferência.
As lágrimas de Sansa se misturavam com a chuva que começava a cair e que foi ficando mais forte a medida que eles se afastavam do perigo.
Amina parou o cavalo. A lua os denunciava no meio do bosque. Ela olhou para um Sandor intrigado e pediu para que ele o acompanhasse para algumas formações rochosas.
Formações rochosas que formavam uma caverna.
Eles pararam na entrada da caverna, a luz da lua denunciando-os. Amina saltou do cavalo e verificou a caverna. Parecia segura e seca. Ela fez sinal para que Sandor entrasse com Sansa.
Sandor pegou a menina no colo, enquanto ela se agarrava ao vestido que insistira em trazer. Estavam molhados e ela estava tremendo de frio. A camisola fina e molhada grudava em todo o seu corpo, e Sandor não se importou. Seu maior desejo era mantê-la salva e segura.
Amina foi até os cavalos, prendendo-os perto na entrada da caverna. Eles não podiam entrar e ela temia que fossem descobertos, mas os animais se ajeitaram na entrada, tentando arranjar um espaço sob a caverna, deitando no chão para se livrar da chuva que os cobria. Amina queria arranjar alguns galhos secos, mas era impossível. Havia alguns poucos dentro da caverna escura, mas não sabia se eram suficientes para acender fogo.
Sansa estava sentada no chão, tremia e chorava, e ganhou a atenção de Amina que correu até ela, preocupada.
Sandor andava de um lado para outro. A luz da lua conseguia alcançá-los um pouco e deixava que as silhuetas fossem percebidas.
– Mas que diabos foi isso? Você nos entregou, sua puta? – perguntou à Amina, querendo esfolar aquela mulher. Manteve-se controlado para que Sansa não entrasse em pânico mais ainda.
– Do que está falando? Nunca entregaria vocês! – Amina estava revoltada. Ela se levantou para confrontar Sandor, deixando Sansa encostada na parede fria da caverna. Amina não tinha medo daquele homem.
– Como eles nos acharam, então? Você é a única que sabe quem somos! – gritou Sandor, deixando Sansa assustada. Ele decidiu abaixar o tom.
Amina ia responder, mas Sansa não deixou. Ela gemeu e ganhou a atenção de ambos. Tremendo, ela respondeu a pergunta de Sandor.
– Fui eu.
Sandor não entendeu. Amina foi até a menina, tentando consolá-la.
– Foi tudo culpa minha! – Sansa elevou a voz. Sandor não estava conseguindo entender o que ela queria dizer com aquilo. Ela não poderia denunciá-los, era burrice.
– O que você fez, menina?
– Eu... – sua voz trêmula tentava formar uma frase. Mas ela estava nervosa demais para confessar o que fizera. – Eu enviei uma carta para minha família.
– Quando? – Sandor não acreditava no que ouvia.
– Na Estalagem de Ferro – contou Sansa. Ela tentava não gaguejar. – Enviei para um rapaz entregar. Paguei um dragão de ouro e pedi que ele mantivesse segredo...
Sandor riu. Que menina estúpida. Ele gargalhou e Sansa voltou a chorar. Sabia que ele ria da estupidez dela. Amina não gostou daquela risada e afagava as costas de Sansa.
Sandor avançou para a menina. Queria esfolá-la, enforcá-la, enfiar sua espada pela goela da menina e socá-la até tirar todo o seu sangue. Mas antes que pudesse pensar em fazer alguma daquelas coisas, Amina se levantou com uma adaga na mãos, mantendo-se entre Sansa e Sandor.
– O que é isso? – perguntou Sandor irônico.
– Não vai machucá-la.
Sandor riu mais uma vez.
– Acha mesmo que vou machucar minha protegida? – mentiu. Queria mesmo machucar sua protegida. Ela era tão burra e não aprendia. Mesmo que ele lhe ensinasse sobre os perigos da vida, ela custava a entender e aprender.
– Eu já vi você bater nela. – desafiou Amina, lembrando-se de quando Sandor estapeou a face de Sansa.
Sandor fechou a cara e agarrou o pulso de Amina antes que ela o atacasse. Apertou até que ela soltasse a adaga e puxou-a para perto.
– Você está proibida de ficar perto de Sansa. – Sandor sussurrou e jogou Amina para o outro lado da caverna. Ela caiu no chão pedregoso e Sandor se aproximou de Sansa. Ela o olhou amedrontada.
– Não me machuque. Nem machuque Amina, por favor. – pediu Sansa chorosa. Ela suplicava e Sandor se sentiu um idiota por assustá-la tanto. Ele sempre o fazia quando tinha oportunidade mesmo quando não percebia.
Sandor retirou sua própria armadura, ficando apenas com a malha que estava seca. Era o único tecido seco da caverna. Ele tirou sua cota de malha, revelando o corpo musculoso e cicatrizado que Sansa já havia observado uma vez. Ela se sentiu tímida, tentando afastar o olhar. Sandor agarrou o braço de Sansa, obrigando-a a se levantar. Ele se virou para Amina, que observava os dois.
– Vá arranjar o que fazer, mulher! – ordenou Sandor e Amina revirou os olhos e se dispôs a procurar por pequenos gravetos para fazer uma fogueira.
Sandor ainda estava muito bravo com Sansa, mas não suportava seu olhar de súplica e o jeito em que ela estava, molhada e trêmula. Ele não resistia à menina.
Sansa estava molhada, com os cabelos grudados, o tecido da camisola colava em sua pele, revelando um belo corpo em formação. Sandor tentou se controlar. Ela deixou que ele tirasse sua camisola molhada, jogando-a longe e deixando a menina nua. Enquanto isso, ela observava o peitoral cheio de cicatrizes de Sandor e por um breve momento, teve vontade de tocá-las.
Sandor virou a cabeça para olhar Amina novamente. Ela parecia entretida em seus afazeres. Não queria que ela observasse Sansa, sabia que Amina também gostava desse outro lado. A caverna escura e a luz do luar apenas permitia que Sandor visualizasse a silhueta de Sansa. Certamente, não daria para Amina ver o corpo de Sansa de onde estava.
Sansa nem se deu o trabalho de tapar seus seios e seu sexo. Nem teve tempo para isso. Estava apenas encolhida enquanto Sandor enfiava sua própria cota de malha pela cabeça dela. Esperava que aquele pouco de tecido fedido fosse o suficiente para deixá-la seca e evitar alguma doença. E Sansa esperava que aquela intimidade fizesse Sandor se render à ela.
Amina tentava acender fogo, sem sucesso. A pequena reunião de gravetos era muito pequena, mas talvez, seria suficiente para aquecê-los um pouco. Depois de muito tentar, ela conseguiu que uma pequena labareda se acendesse e lutou para que não se apagasse. Era o máximo que eles teriam.
Sandor se aproximou da pequena fogueira e fez Sansa se deitar. Ele já não tinha mais o manto que a deixava protegida, então ela teria que se contentar com o chão.
– Estou com frio. – disse Sansa. Ela queria ficar mais perto do fogo, mas Sandor não deixou. Amina tentava esquentar as mãos nas chamas. Ela e Sandor ainda estavam molhados e com frio.
– Vocês precisam se deitar juntos – avisou Amina. – O calor do corpo aquece mais que o fogo.
Sandor e Sansa se entreolharam. Sandor estava sentado ao lado da menina.
– Vou ficar de vigia. Descansem. Vocês podem se esquentar, estão mais secos que eu. – disse a mulher. Ela parecia chateada, mas era apenas o frio que a deixava desanimada. Ela colocou a adaga no chão ao seu lado, preparada para qualquer coisa que viesse ao encontro deles. Ainda esquentava suas mãos e nem pensava em tirar sua roupa. Imaginava que Sandor iria espancá-la se fizesse.
Sansa colocou a mão no peito nu de Sandor, empurrando-o e obrigando-o a se deitar também. Ele estava resistente, não queria deixar aquela mulher como vigia. Não confiava. E Sansa sabia que ele não iria sossegar em trocar de lugar. Sabia que ele não dormiria direito por isso. E a única coisa que poderia fazer era deitar ao seu lado e encostar a cabeça no peito do homem. Esperava que isso o fizesse desistir de qualquer tentativa de conflito com Amina. Mesmo que ela ainda tivesse certa repulsa por Sandor, ela achou que o melhor era se agarrar a ele.
Sandor ficou sem saber o que fazer quando Sansa deitou sobre ele. Ela estava mais quente, enquanto seu corpo ainda estava gelado por conta da chuva. Ele colocou a mão nas costas dela, puxando-a para mais perto, desejando que ela o esquentasse cada vez mais. Queria esquentá-la também, mas não sabia se estava conseguindo. Ele olhou para o corpo dela e viu que as gotículas de seu próprio corpo molhavam a malha que ela usava.
O simples fato de ter aquele corpo quente perto do seu fez Sandor relaxar. Não totalmente, mas o suficiente para conseguir fechar os olhos. Sansa sentiu que a respiração dele estava mais devagar e tomou um susto quando ele lhe afagou os cabelos. Ela o abraçou, o corpo dele estava gelado, mas ele a esquentava mesmo assim. Logo, ele estava tão quente quanto ela e Sansa parou de ter tanto frio. Ele reparou quando ela parou de tremer e isso o relaxou mais ainda.
Sandor acordou de supetão quando a primeira claridade do dia bateu em seus olhos. A caverna estava menos escura, o fogo estava apagado. Sansa ainda estava encolhida em seu peito, Amina estava deitada no chão, encolhida e de olho nos cavalos. Ela se levantou quando escutou Sandor se mexer.
– Está clareando – avisou Amina. – Temos que seguir caminho.
Sandor se irritou com o fato de ela se referir a eles como se estivessem juntos. Como se ela fosse da trupe deles. Ele não aceitava que Amina se unisse ao casal.
O Cão, ainda deitado, passou a mão pelo queixo de Sansa, enquanto a outra mão dava sacudidas no ombro.
– Sansa, acorde! – tentou não ser grosso, mas esse era seu natural. Ela acordou assustada, Sandor a chamara quase que gritando.
Sansa se levantou sonolenta e recebeu um sorriso caloroso de Amina. A mulher parecia cansada e estava com olheiras enormes.
– Você não dormiu? – perguntou Sansa.
Amina apenas acenou negativamente com a cabeça. Sansa deu um olhar de reprovação para Sandor, que deu de ombros e se levantou. Sansa não gostou de Sandor ter deixado toda a vigia para Amina. Agora a mulher estava cansada para seguir viagem com eles.
O vestido que Sansa se agarrara estava seco e um pouco sujo de lama e Sandor o entregou para que ela o devolvesse sua cota de malha. Ele deu um olhar carrancudo para Amina.
– Vá preparar os cavalos! – ordenou para a mulher. Ela não tinha medo do homem, mas ele era possessivo com Sansa e isso a assustava.
Sansa tirou a cota de malha, ignorando o olhar de Sandor para seu corpo desnudo, e o entregou. Ele se vestiu e só voltou a dar atenção a Sansa quando ela pediu para enlaçar o vestido. Ele o fez, desajeitado.
Os cavalos estavam em pé, prontos para partir. Amina foi para fora da caverna para verificar se não havia espiões. O caminho estava livre e ela levou os cavalos adiante. Aproveitou para catar algumas amoras que haviam por perto.
Quando Sansa e Sandor foram para fora da caverna, Amina já estava à espera. Sandor já ia colocar Sansa sobre o cavalo quando ela se afastou.
– Eu irei com Amina.
Sandor fechou a cara.
– Você não vai com ninguém além de mim – rosnou. Quem Sansa pensava que era?
– Ela está cansada! – retrucou Sansa, se pondo ao lado de Amina e abraçando seus ombros.
– E o que nós temos a ver com isso? Ela nem devia ter vindo com a gente!
Sandor se aproximou de Sansa mais uma vez e ela se afastou.
– A culpa é sua de deixá-la cansada! Devia ter dividido os turnos de vigia! – brigou Sansa. Ela ficava cada vez mais irritada com a falta de compaixão de Sandor. Queria que ele fizesse o que ela queria e percebeu que não estava ficando fácil fazê-lo ceder. – Ela pode dormir sobre o cavalo se eu ficar com ela.
– E desde quando você sabe cavalgar? – perguntou Sandor.
Sansa mudou a postura para aquela que Sandor estava começando a se acostumar: a postura da Sansa mulher, impassível e confiante, que levantava o nariz e estufava o peito.
– Eu posso fazer isso. – garantiu a ruiva. Ela não esperou que Sandor respondesse, apenas ajudou Amina a subir no cavalo e subiu, com certa dificuldade, atrás de Amina. A mulher deitou a cabeça nos seios de Sansa e descansou.
Sandor bufou, revirou os olhos e se tornou insuportável desde então. Ele não entendia o comportamento de Sansa. Ela parou de ser a Sansa boa e inocente que ele tanto amava. Ela não era mais a Sansa boa que media as palavras, pensava nas atitudes antes de agir. Às vezes, essa Sansa falava sem pensar, agia sem pensar. Era uma Sansa pervertida.
Ele tinha uma pequena certeza de que ele era culpado disso. Ele a ensinou a lutar, insistiu que ela se tornasse forte, forçou-a a ser alguém que ela relutava em ser.
Sandor não gostava da presença de Amina, mas sabia que ela era uma influência forte para Sansa. A menina precisava de uma figura feminina depois de tanto tempo longe da sociedade, tendo que fugir e se esconder. Ele esperava que isso clareasse as ideias de Sansa.
Mas Amina era uma versão piorada de Sansa.
Sansa em dobro. Essa seria uma boa viagem.
***
Sansa esperava que Sandor parasse em alguma estalagem quando a noite caísse. Mas ela sabia que ele não o faria. Agora estavam sendo procurados, os Lannisters sabiam de sua localização e precisavam estar longe o mais rápido possível. Com isso, Sandor desviou o caminho da Estrada do Rei, esperando que isso enganasse seus perseguidores.
Foram mata adentro, onde os troncos de árvores eram grossos e os galhos eram muitos e atrapalhavam a visão e sua passagem. As raízes das árvores eram muito elevadas e os cavalos sempre relutavam em pular.
Mas em pouco tempo, as árvores deram lugar às rochas e chão pedregoso. O calor que emanava da floresta sumiu e o vento e o frio se tornaram constante. Estavam subindo montanhas, também com dificuldades com o chão rochoso. Os cavalos não galopavam com tanta firmeza e tiveram que descer dos animais para carregá-los e ajudá-los.
Amina estava muito cansada. Suas pernas estavam bambas, seus olhos tinham veias vermelhas e saltadas e bolsas roxas de olheiras. Ela andava lentamente, sempre sendo deixada para trás e fazendo Sansa parar para esperá-la. Sansa sabia que se dependesse de Sandor, Amina estaria ao relento jogada aos corvos.
Eles não pararam por um minuto e a fome bateu quando o sol começou a ficar forte. Sansa imaginou que já estavam na metade do dia, apesar do céu nublado. Ela desejou comer, mas Sandor não iria parar tão cedo. Não enquanto estivessem seguros.
Quando Amina desmaiou, Sandor tirou toda a sua concentração de encontrar um lugar seguro para socorrê-la. E só fez isso depois dos gritos estridentes de Sansa. Ele colocou a mulher sobre Estranho e continuaram a caminhar ao lado dos cavalos. Eles não tinham comida, nem água, nem vinho e Sansa imaginou que ela seria a próxima a desmaiar.
– Estamos perto de algum lugar? – perguntou Sansa, sua voz soando fraca e rouca.
Sandor demorou para responder e Sansa estava habituada com essa atitude. Ela sabia que ele não vomitava mais as palavras e as escolhia antes de falar.
– Estamos nas Montanhas da Lua.
Sansa lembrou-se que Montanhas da Lua era onde ficava o Ninho da Águia, onde sua tia morava.
– Vamos para o Ninho da Águia? – perguntou a menina.
– Não. Vamos continuar a oeste. Mas sempre longe da Estrada. – respondeu Sandor sem nem pensar na resposta.
Sansa não obteve a resposta que queria. Ela queria saber se eles estavam perto de algum lugar que tivesse comida, água e um lugar para descansar. Ela desconfiava que nem mesmo Sandor sabia responder e isso a preocupava. Logo, eles dois estariam desmaiados de fome, sede e cansaço.
Eles andaram por um dia inteiro, até que o céu estivesse escuro, indicando que o dia estava acabando. O chão pedregoso estava dando lugar a grama novamente e as paredes rochosas estavam ganhando vida com as árvores. Foi quando encontraram um pequeno riacho.
A felicidade de Sansa foi tanta que ela correu para o local, se agachando e tentando beber o máximo de água que podia com a ajuda de suas mãos. Ela encheu o odre e observou Sandor largando seu cavalo à margem do riacho e repetindo o gesto de Sansa. Estavam sedentos e pálidos. Sandor lavou seu rosto e soltou uma risada rouca, que fez Sansa pensar que ele estava tão feliz quanto ela por terem encontrado água.
Sansa se lembrou de Amina e foi até o cavalo de Sandor. Ela estava deitada, jogado sobre ele e queria tirá-la dali. Ela teve a ajuda de Sandor que a tirou do cavalo e deixou-a no chão, arrastando-a até a margem do riacho. Sansa colocou cabeça de Amina sobre seu colo, nem se importando que seu vestido se molhasse por estar ajoelhada. Molhou seus dedos na água e passou nos lábios ressecados e pálidos de Amina. Pegou o odre, agora cheio, e obrigou Amina a beber, segurando seu rosto para que ela abrisse a boca.
Amina moveu os lábios lentamente à medida que bebia água. Ela parecia voltar ao normal, como se a água fosse alguma mágica. Com alguma dificuldade, ela pegou o odre com uma mão cansada, bebendo toda a água que estava ali. Ela continuava de olhos fechados, mas tinha consciência do que fazia.
Sansa ficou mais aliviada por Amina dar sinal de vida. Ela olhou para Sandor, que a observava sem expressão.
– Vou procurar comida. – disse o homem quando Sansa o olhou. Ele parecia frio, mas Sansa imaginou que fosse só cansaço.
Sansa colocou Amina sobre um amontoado de folhas e esperou que Sandor voltasse, sempre alerta para inimigos. Quando Sandor voltou, ele trouxe algumas ameixas e amoras. Era tudo o que tinham.
E depois de comer algumas frutas, Sandor começou a se despir, sem nem pedir opinião a Sansa.
– O que está fazendo? – perguntou Sansa. Ela se concentrava em fazer Amina comer as pequenas amoras que Sandor trouxera.
Sandor tirou a armadura, as botas, o manto que Sansa usara na noite anterior, seu calção, ficando completamente desnudo. Sansa queria desviar o olhar, mas não conseguia. Já era a segunda vez que via aquele homem sem roupa e não sabia se deveria ter vergonha ou não. Ele nem respondera sua pergunta e ela se sentiu mais irritada com o silêncio do que com a falta de roupa do homem. Sansa reparou que ele também tinha cicatrizes nas costas e na parte de trás de suas coxas. Tinha uma enorme cicatriz feia numa batata da perna.
Sandor se jogou na água, mergulhando e Sansa gemeu só de pensar em quão gelada estaria a água. Ela se familiarizava com o frio, mas não queria ter que enfrentar aquela água gelada.
Sandor parecia se divertir e Sansa esboçou um meio sorriso. Queria poder entrar na água com ele, mas estava preocupada com Amina. A mulher estava voltando a sua cor normal e se remexia ao lado de Sansa.
Quando Sandor terminou seu banho, a noite já tinha caído completamente e estavam apenas iluminados pelo luar. Ele se sentou na margem do riacho, ainda nu, não se importando se Sansa o observava ou se Lannisters chegariam a qualquer momento.
– Quando tivermos tempo, vamos treinar novamente. – avisou Sandor, de costas para Sansa.
Sansa apenas assentiu, mesmo que ele não a visse.
– Vou te ensinar a usar a espada. Você quer? – perguntou Sandor. Sua voz parecia calma.
– Sim, por favor, sor. – respondeu Sansa, lembrando-se de suas gentilezas.
– Não sou nenhum sor. – sua voz rouca voltou ao normal.
Sansa percebeu que, desde que Amina fugira com eles, os diálogos entre ela e Sandor estavam mais curtos. Por um lado, era um alívio não ter que escutar as piadas e grosserias de Sandor, mas por outro, ela sentia falta.
Eles criaram um vínculo muito importante para sua missão pessoal e quebrá-lo seria decepcionante.
– O que dizia a carta? – perguntou Sandor. Ela não esperava por aquela pergunta. E também não esperava que ele estivesse calmo para fazê-la.
Ela suspirou e pensou antes de falar.
– Disse com quem estou. – respondeu.
Sandor olhou para ela. Ele continuava nu e Sansa já não se importava com isso. Estava atrás dele, não podia ver nada além de suas costas.
– Não confia em mim para te levar até sua família? – perguntou Sandor. Ela sabia o que ele queria com aquela pergunta. Imaginava que Sansa estivesse pedindo ajuda para socorrê-la.
Sansa demorou um tempo para responder.
– Eu não queria que eles se assustassem com os rumores entre nós. Não queria que eles se assustassem que todos esses rumores eram reais. – Sansa explicou, ganhando apenas um suspiro de Sandor.
– Você teme que eles acreditem que eu estou te fodendo de todos os jeitos? – perguntou olhando para seu próprio membro, que pulsou só com a menção da palavra.
– Eu temo que eles não aceitem você.
– E por que eles deveriam me aceitar?
– Eu pedi para que fosse piedosos com você. Pedi para que orassem por nós. E pedi para que oferecessem um lugar pra você em nossa guarda. – respondeu Sansa. Sua voz vacilava. Não queria ter que confessar o conteúdo da carta.
– Eu não vou ficar com vocês, menina. Vou fugir depois que eu te entregar – explicou Sandor. – Você poderia ter me feito um favor e ter pedido por uma recompensa para pagar minha viagem para longe daqui.
Sansa não queria ter que confessar o real motivo de ter escrito a carta, mas sentiu-se livre para fazê-lo.
– Queria que você ficasse comigo. – confessou, recebendo um olhar carinhoso e confuso de Sandor.
Ele já não sabia mais se ela o odiava.
Amina começou a tossir. Ela abriu os olhos lentamente interrompendo a conversa dos dois. Sansa sorriu para que ela se sentisse relaxada. Estava escuro, mas daria para Amina reconhecê-la.
Sandor tratou de se vestir e Sansa nem percebeu quando ele terminou. Ela ajudou Amina a se alimentar e aos poucos, a mulher estava voltando ao normal.
– Sentiram minha falta? – perguntou Amina, sarcástica, sua voz cansada e rouca.
Sansa deu um sorriso cúmplice e Sandor revirou os olhos, bufando ao se sentar. Mandou as duas meninas dormirem, para que ele fizesse o primeiro turno. Sansa e Amina dormiram na grama fofa, suas mãos se tocando.
Sandor queria estar dormindo ao lado de Sansa, mas se contentou em comer as últimas frutas que lhe restavam.
***
Quando os primeiros raios solares apareceram, Sandor tratou de acordar as duas mulheres para seguirem viagem. Não podiam ficar parados por muito tempo.
Dessa vez, Sansa seguiu caminho com Sandor, já que ele ficara acordado a noite inteira e Amina estava muito recomposta.
Sandor não parecia cansado, entretanto. Ele continuava o mesmo Sandor sóbrio e insuportável de sempre, fungando os cabelos de Sansa e agarrando sua cintura para que não se afastasse e caísse do cavalo.
Amina estava mais animada, contava suas histórias da vida e suas experiências com os homens. Essa última parte deixava Sansa corada de vergonha, mas fazia Sandor rir e isso aliviada a menina, pois mostrava que Sandor não odiava Amina tanto assim.
Eles passaram por um vendedor de frutas e Sandor pensou em assaltá-lo, mas Sansa o convenceu de que a gentileza era mais importante. No entanto, Amina demonstrou que a sedução era mais eficaz. Com sorrisos, decotes, carícias e uma voz suave, Amina conseguiu algumas bananas e maçãs para os viajantes.
Sandor se contentou com uma maçã, dividindo-a com Sansa. Mas a menina abria uma banana e Amina fazia o mesmo. Sandor esperava que elas comessem como pessoas normais, mas ao ouvir risos, percebeu o que as meninas estavam fazendo. Olhou para Amina e a mulher estava chupando a banana. Seu membro se enrijeceu só com a visão.
Ele percebeu que Sansa estava corada e ainda não mordera a fruta, ela estava incerta se devia imitar Amina ou não. Ele tomou a banana da mão de Sansa e mordeu a fruta, arrancando um pedaço. Ele estava rabugento, com a expressão carrancuda e enfiou a maçã mordida nas mãos de Sansa.
– O qu... – Sansa tentou dizer.
– Apenas coma essa maçã. – obrigou Sandor.
– Está mordida! – reclamou Sansa, fazendo Sandor se lembrar do quão fresca ela era.
– Irá te fazer bem. Coma!
Ele lançou um olhar raivoso para Amina, mas a mulher apenas piscou para Sansa, que retribuiu com um ligeiro sorriso. Sandor bufou.
Amina era uma boa presença feminina para Sansa, mas uma péssima influência.
Passaram o dia cavalgando, tendo a sorte de não encontrar inquilinos pelo caminho. Pararam apenas uma vez para descansar e Sandor aproveitou para ensinar Sansa a se defender com a adaga. Ela progredira e estava evoluindo cada vez mais. Por dentro, sentia-se orgulhoso. Amina assistia à luta com muito prazer e diversão.
– Você deveria ensinar a usar a espada – sugeriu Amina. Sandor revirou os olhos, odiava quando ela dava palpite.
– Essa espada é muito pesada para Lady Sansa. Irei arranjá-la outra. – explicou.
Sansa parou de lutar, saindo de sua posição de ataque e ficando pensativa.
– Eu gostaria de tentar. – disse.
Sandor parou também. Bufou com o olhar excitado de Sansa. Odiava a menina ansiosa que ainda havia dentro dela. Era uma criança burra com esperança em seu coração. Parecia um cachorro pidão.
– Vou apenas lhe mostrar. – avisou Sandor, desembainhando a espada. Ele queria ensiná-la a usar a espada, como oferecera na noite anterior. Mas não queria que fosse com a sua espada.
Sansa se aproximou e Amina fez o mesmo. Sandor esticou a espada para que as duas mulheres pudessem analisar. Sansa parecia receosa e Amina, maravilhada. Ela tocou seus dedos de leve sobre o metal, enquanto Sansa apenas observava.
– Vamos, Sansa. Pegue a espada. – sugeriu Amina.
Sandor não queria que Sansa pegasse em um objeto tão perigoso e pesado, mas não queria que ela fizesse a mesma expressão de menina ansiosa de antes. Ele deixou que ela pegasse no cabo da espada. Quando ele soltou a espada para que ela segurasse por si própria, Sansa quase deixou o objeto cair com o peso. Ela conseguiu se equilibrar, mas ainda estava incerta com o peso da espada. Sandor colou o próprio peito nas costas de Sansa, se encaixando nela, envolvendo seu grandes braços ao redor dela, deixando-a estremecida. Ele segurou suas mãos, para ajudá-la a manusear a espada. Obrigou-a a segurar a espada com uma única mão, colocando-a em posição de ataque. Pousou sua outra mão nas costelas dela para que ela controlasse sua respiração. Isso ajudaria a menina a sentir menos o peso da espada. Ensinou-a que a espada era parte de seu braço e que os dois deveriam ter o mesmo movimento.
Juntos, fizeram algumas manobras para que Sansa se acostumasse com a arma. Depois de alguns minutos, ele guardou a espada e voltaram para a estrada. Sansa estava radiante e Amina parecia orgulhosa, mas Sandor não entendia muito o porquê. Sabia que Sansa pegar uma espada era um grande progresso e sentia orgulho. Mas não era nada de incrível. Sua irmã mais nova, Arya, era ainda mais corajosa e já havia empunhado uma espada diversas vezes, como ele sempre escutou por aí.
Quando a noite caíra, já estavam bem próximos das Gêmeas. Iriam passar a noite próximos a uma floresta fechada e bolar um plano para chegar às Gêmeas sem serem reconhecidos por inimigos. Não sabiam se os Starks já estavam no local.
Entre as planícies, era possível visualizar as torres bem ao fundo. Eram imponentes torres que faria alguns castelos pelo reino sentir inveja.
Aproximaram-se de uma árvore qualquer, se posicionando sobre um tronco de carvalho. Não iam acender nenhuma fogueira, mas se preocuparam em se instalar onde o luar pudesse alcançá-los.
Amina e Sansa se deitaram lado a lado, enquanto Sandor se sentava por perto, com a mão na bainha da espada. Ele decidiu se afastar para fazer suas necessidades e Sansa aproveitou a oportunidade para conversar com Amina.
Amina era sua única presença feminina desde Septã Mordane e a Rainha Cersei. A Septã lhe ensinara muitas coisas sobre a vida e a Rainha lhe dissera coisas horripilantes sobre o mundo dos homens. Amina seria a pessoa que lhe explicaria o essencial para sobreviver.
– O que você estava fazendo hoje com aquela fruta? – perguntou Sansa, inocentemente. Não queria ter que conversar na frente de Sandor e aproveitou o sumiço dele para começar.
Amina soltou uma risada graciosa antes de responder.
– Estava provocando Sandor, menina. Era só uma metáfora.
– Metáfora? – Sansa estava confusa. Amina soltou outra risada.
– Você nunca viu um pênis, Lady Sansa? – perguntou Amina. Ela era tão direta quanto Sandor. Sansa corou com a pergunta.
– Que tipo de pergunta é essa, Amina? – Sansa se remexeu, envergonhada.
– É só uma pergunta simples. Você pode confessar tudo para mim. Não somos amigas? – perguntou Amina.
Sansa nunca tinha parado para considerar Amina como amiga. Elas se conheciam há poucos dias, não dava para formar uma amizade em tão pouco tempo. Mas ela era o mais próximo que tinha de amiga naquele momento. E além do mais, ela tinha sido muito gentil com Sansa.
– Você tem estado há semanas com Sandor. Somente você e ele. Nunca aconteceu nada entre vocês? – Amina perguntou, deixando Sansa desconcertada novamente.
– Não aconteceu nada entre nós! – respondeu Sansa, rápido demais, nervosa demais. – Os boatos são só boatos.
– Os boatos surgem de algum lugar, Lady Sansa.
Sansa suspirou. Não queria ter que contar tudo o que havia acontecido entre eles. Não queria contar que já vira Sandor nu.
– Você se desviou da pergunta, Amina. Disse que estava provocando Sandor, mas eu não entendi. – disse Sansa, tentando mudar de assunto.
– A banana tem o mesmo formato do membro de um homem, Lady Sansa – Amina soltou um riso malicioso. – Homens gostam que as mulheres satisfaçam seus desejos.
– Desejos?
– É. Homens gostam que a gente coloque nossas bocas em seus membros – Amina se virou para Sansa. Estavam próximas e Amina tocou-lhe a face. – O que sabe sobre sexo, Sansa?
Sansa corou novamente. Esperava que a luz da lua não denunciasse.
– O essencial... Acho.
Amina se levantou por um instante para ver se Sandor não estava voltando. Deitou-se novamente.
– Quando eu te conheci, você estava muito incerta sobre este homem, Sansa – começou Amina. – Você me comprou para satisfazê-lo. Ele te bateu, e eu só consegui ver o quanto você tem medo e nojo dele. Te ofereci uma oportunidade de fugir – Ela suspirou. – Mas agora, você parece muito tranquila ao lado de Sandor. Ele te ensina a lutar, você deixa que ele troque sua roupa. Parecem íntimos. O que aconteceu?
Amina fazia muitas perguntas aleatórias. Sansa não gostou da pergunta. Ela nem sabia como responder. Sabia seus planos pessoais, mas não queria confessá-los para ninguém.
A verdade é que o plano pessoal de Sansa era controlar Sandor. E para isso, ela precisaria atingi-lo em seus pontos fracos: Cicatriz, vinho, mulher. Quando estava em Porto Real e quando fugiram durante a Batalha, ela não tinha ideia de que isso era possível. Mas a medida que se aproximavam de seus destinos, percebeu que Sandor podia ser manipulado.
Sansa queria que ele a obedecesse. Queria que ele fizesse tudo o que ela mandasse. Ele era o único que lhe jogava grosserias e não se impressionava com suas gentilezas. Era o único que desafiava Sansa.
Sansa não suportava Sandor. Tinha nojo e medo. Odiava olhar para aquela carranca. Mas faria o que pudesse para chegar bem em casa. Chegar salva a sua família. Aguentaria Sandor o máximo que poderia. Mas percebeu que poderia modificar Sandor a seu favor. Poderia controlá-lo, se pudesse. Poderia transformá-lo em algo só seu. Poderia transformá-lo em algo suportável.
Ele era um bom protetor. Ele faria tudo por ela, disso Sansa sabia. Ele lutava bravamente, era inteligente e forte. Não tinha medo de nada, a não ser do fogo. Tinha um rancor guardado dentro de si e Sansa queria libertá-lo disso.
Ela sabia o que aconteceria quando chegassem ao seu destino. Ela chegaria sã e salva e seu irmão e sua mãe iriam aprisionar Sandor. Por mais que ele tivesse sido um bom protetor, eles iriam dar ouvido aos boatos. Afinal, como uma lady poderia passar tanto tempo ao lado de um homem rancoroso como Sandor sem ser abusada e estuprada?
Sansa também sabia que sua família não iria acreditar nela. Não confiariam mais nela. Não depois de ter enviado aquela carta pedindo para que os Starks se rendessem aos Lannisters, em troca do perdão de seu pai. Ela se rendeu aos Lannisters tão facilmente, tão inutilmente. A dignidade era a principal característica dos Starks e ela não tinha nenhuma. Deixou-se ser manipulada inocentemente.
Imaginava que sua família a odiava. Imaginava que eles a culpariam por todos os podres que aconteceram. E, no fundo, imaginava que eles iriam trancá-la em alguma prisão por todos os seus erros.
E se fosse para uma prisão, que fosse ao lado de Sandor. Ele saberia tirá-la de lá. Ele a protegeria.
Sansa enviara a carta à sua família apenas para acalmá-los. Para que não houvesse surpresas quando se encontrassem. Para que seu irmão não enlouquecesse e tentasse matar Sandor. Ela tinha esperança de voltar a sua família sã e salva e que seria perdoada por eles.
Na melhor das hipóteses, sua família perdoaria seus erros e ela voltaria para casa. E aceitariam Sandor como um bom protetor. E com isso, ele poderia ganhar um lugar na guarda dos Starks ou ser seu escudeiro. Era um trabalho digno e merecido. Mas sabia que Sandor jamais aceitaria. Era por isso que ela tentava manipulá-lo. Era por isso que tentava agradá-lo, para que ele se amolecesse e considerasse ficar ao lado dos Starks. Ele era um cão selvagem com os Lannisters. Com ela, ele seria um cão obediente.
Na pior das hipóteses, ele seria preso ou condenado a morte por ter abusado de Sansa, como os rumores contavam. Ela não seria perdoada por tentar protegê-lo. E talvez, não seria perdoada por todos os seus erros. E então, mais uma vez, o cão obediente que ela tentava treinar colocaria suas garras para fora para protegê-los. Ou então, ela seria perdoada, ele seria recompensado e os Starks deixariam Sandor ir embora e ela ficaria sem seu escudo protetor. Se tudo desse errado, Sandor a salvaria e fugiriam para longe.
No fundo, ela gostava da proteção de Sandor, que tanto fez por ela.
Mas tudo isso só aconteceria se seu plano de controlá-lo desse certo. E ela rezava para que desse tempo de tudo isso acontecer.
– Eu devo muito a ele, Amina – respondeu Sansa, honestamente. – Ele me deu a vida, a liberdade. Eu preciso recompensá-lo enquanto posso.
– Sua família irá recompensá-lo quando se encontrarem. – garantiu Amina.
– Eu temo que isso não aconteça, Amina. Eu temo que tudo dê errado e eu não tenho ouro para compensar tudo o que ele fez por mim. – explicou Sansa.
– Você só tem o seu corpo.
Sansa assentiu. Por mais que estivesse envergonhada, no fundo, ela sabia que era verdade.
– Eu só quero agradá-lo para que ele seja gentil comigo. Não aguento suas grosserias. Não aguento ser tratada da forma como ele me trata – confessou a menina. – Eu quero que a viagem seja suportável.
– Você não vai oferecer seu corpo e fazer jus aos rumores? – perguntou Amina. Ela não parecia maliciosa. Fez a pergunta da forma mais natural possível. Sansa não se ofendeu, mas achou que deveria estar.
– Eu não posso fazer isso.
– É claro que pode – Amina arrastou seu corpo para mais próximo de Sansa. – Ele irá fazer tudo por você e não terá que se preocupar com nada. Você irá gostar – Amina acariciou o rosto de Sansa mais uma vez. – Você pode deixar que ele te toque – Seus dedos foram descendo pelo pescoço de Sansa e chegaram aos seios da menina, apertando-os com força. – Pode deixar que ele te beije – Amina empurrou Sansa para que ela ficasse de costas no chão e se posicionou sobre ela. Ficou entre as pernas de Sansa e pegou uma das pernas da menina para dobrá-la sobre sua cintura. Empurrou o vestido de Sansa até as coxas. Sansa não relutou, não se moveu, não se afastou. Deixou que Amina lhe ensinasse o que fazer. Amina tinha hálito fresco de frutas vermelhas e Sansa temeu que ela lhe beijasse, mas ela não o fez. Amina lhe deu um beijo na bochecha e percorreu seus lábios até o pescoço de Sansa, onde lhe mordiscou a pele com um pouco de força – Ele te deseja, Lady Sansa. Eu vejo nos olhos dele. Tenho certeza que ele adoraria te comer aqui. – E dizendo isso, ela percorreu os dedos pela barriga, tocando-lhe as coxas nuas, até as partes íntimas de Sansa. A menina não recuou, mas nunca tinha sido tocada ali. Estava nua ali e os dedos de Amina estavam gelados em seu vértice quente.
– Interrompo alguma coisa? – perguntou uma voz rouca e grave. Sandor havia voltado e estava com o rosto carrancudo. Amina saiu de cima de Sansa calmamente e Sansa se sentou, ajeitando seu vestido, tentando se recompor. Esperava que a luz da lua não revelasse o quão corada ela estava.
Sandor se jogou no chão, afastado de Amina e Sansa, deitando-se e virando de lado, de costas para as duas.-
– É melhor que durmam. Vamos sair ao amanhecer. – ordenou Sandor, com a habitual voz que parecia um rosnado.
Amina e Sansa se olharam, cúmplices. Sansa podia ver o sorriso malicioso de Amina e deu um sorriso discreto para ela. Elas se deitaram, lado a lado, Amina tocando a mão de Sansa.
Não entendia o que acontecia com ela. Não entendia o motivo de ter deixado Amina lhe tocar e agir como um homem. Ela não sentia que era errado. Amina era mulher, era como uma amiga e não pareceu errado. Era diferente de Sandor ou qualquer outro homem. Amina era gentil com ela e despertava curiosidade nela. Era bonita e inteligente. Não sentia vontade de beijá-la. Não sentia por Amina o que Sandor ou Joffrey já havia lhe despertado. Queria apenas que ela lhe ensinasse maneiras de agradar Sandor. Queria que ela lhe ensinasse como dominar o homem. Sansa estava confusa. Deixaria que Amina lhe ensinasse tudo o que podia. E ela lhe dizia coisas que Sansa não reparava.
Ele te deseja, Lady Sansa. Eu vejo nos olhos dele.
Mas lá no fundo, Sansa queria que aqueles lábios em seu pescoço e aqueles dedos em seu vértice fossem de Sandor.
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