Godan

6 Leito eterno - Parte II


Notas iniciais
OI DE NOVO! A parte dois do final de três! Espero que gostem :3

PARTE II

A luta contra Brokk já havia acabado, apesar da guerra, o acampamento dos Humanos estava em clima de festas.

O falso rei Erick III: Balder havia ordenado aos escravos montar uma grande tenda alta para celebrar a vitória de Krïeger contra o guerreiro Viking. Já era fim da tarde quando todos os preparativos para a grande festa terminaram, e o jovem Krïeger estava ciente da festa, apesar de não concordar.

Krïeger se dirigiu à tenda do rei para encontrar o verdadeiro Erick, porém Balder estava de pé observando a entrada da tenda e interrompeu Krïeger.

–Aonde vai garoto?- Perguntou ele antes mesmo que Krïeger adentrasse na grande tenda.

–Pretendo encontrar meu senhor.

–No meio da tarde? É perigoso passar pela passagem da cadeira neste horário, além do mais, nosso rei, não nosso senhor, está ocupado com outros negócios. A propósito, parabéns pela luta, eu garanto que nossa majestade aprovou você. – Disse Balder exibindo um sorriso falso, pois sabia que estava cutucando numa ferida de Krïeger.

–Obrigado Balder, mas não preciso das suas congratulações. – Respondeu Krïeger dando as costas para Balder.

* * *

Krïeger já havia ido embora quando Balder entrou pela passagem da cadeira, sua capa de seda branca farfalhava a cada passo em direção à escuridão. Para a surpresa de Balder, o rei Erick realmente estava ocupado.

–Estamos de acordo? – Perguntou Erick a um homem ajoelhado perante a ele.

–Sim, majestade. – Respondeu o homem sem levantar a cabeça. Ele trajava uma armadura de ferro e aço, típico dos peões Humanos, contudo seus cabelos eram lisos e escuros, ele era oriental.

–Não se ajoelhe Balder, hoje lhe recebo como um grande amigo. – Disse Erick com um tom casual.

–Este aí é o garoto mercenário que você contratou? — Perguntou Balder.

–Sim, seu nome é Kuro. — Respondeu Erick.

–Então você vai mesmo fazer aquilo?

–Sim, decerto irei, aliás, já está tudo preparado.

–Vai mesmo sacrificar um garoto em prol de interesses pessoais?! — Reclamou Balder, indignado com a situação.

–Balder, nós já conversamos sobre isso, você sempre esteve do meu lado, por favor, me apoie desta vez! Eu não tenho escolha!

–Eu escolheria qualquer coisa a matar um garoto! Não tenho como lhe apoiar, não desta vez, você quer mudar o destino Erick!

–Eu sempre escolhi você, é fundamental para a reconstrução do meu reino. Sacrifícios são necessários, Balder, são as regras e você as conhece.

Balder virou as costas, mas permaneceu imóvel. Seu rosto exibia expressões de incredulidade por ter ouvido a decisão final de Erick.

–Sim... As mesmas regras, os mesmos erros. – Disse Balder se preparando para o que viria a seguir.

–Está escrito no livro de John Lockwood... É você ou ele.

–Já falei demais... Eu tentei mudar sua mente, mas ordens são ordens e, infelizmente, você é meu rei.

Balder retirou sua capa branca e a derrubou pesadamente no chão molhado.

–Eu renuncio. – Disse Balder, então se foi.

–Majestade, eu acredito que parte desse transtorno seja minha culpa, peço mil desculpas. – Disse Kuro quando Balder fechou o portão de madeira.

–Suas desculpas não trarão meu regente de volta.

* * *

Natasha estava usando um vestido longo e vermelho cor de sangue, seus cabelos longos e dourados brilhavam com a luz dos últimos raios de sol do dia. Ela radiava felicidade por Krïeger estar vivo, agora se dirigia a uma tenda onde Krïeger havia sido visto pela ultima vez, de acordo com a testemunha, ele andava com Sora.

A linda loira finalmente havia chegado na tal tenda, lá estava Sora, na entrada, ele avistou Natasha e acenou para ela, Natasha exibiu um sorriso caloroso.

–Yo Nat! – Cumprimentou Sora à moda de Ishikawa, sua cidade natal.

–Não entendo o dialeto de Gondir, Sora. Onde está Krïeger? – Perguntou Natasha ansiosa para o encontro surpresa.

–Sempre direta. – Disse Sora estranhamente nervoso, suas bochechas estavam coradas e suor escorria pela sua testa, próximo aos seus cabelos.

–Por que está nervoso? Onde está Krïeger? – Repetiu pausadamente.

–Bem... Ele está meio ocupado...

–Sora... Você está me irritando! Ou você diz logo onde ele está, ou...

–Ai Krïeger... – Gemeu uma voz feminina no interior da tenda.

–Era isso o que eu queria te explicar Nat...

–Eu não quero suas explicações Sora, ele está com prostitutas?!

–Sim, digo, aparentemente. Você está irritada?

–NÃO! – Disse Natasha dando as costas e correndo para longe.

* * *

Kazuno Takahashi havia se trocado para a festa, ele vestia uma calça preta com sapatos de couro igualmente pretos, usava uma camisa branca de botões e mangas curtas, suspensórios ligavam a calça à seus ombros, em seu cinto, seu punhal favorito, e como sempre, seus cabelos ruivos embaraçados.

O garoto dos cabelos de fogo se dirigia à tenda do rei quando viu Natasha se afastando com velocidade, ele decidiu se aproximar alguns metros, então avistou Sora.

–O que houve com Nat? – Perguntou Kazuno à Sora, intrigado com a cena.

–Provavelmente está irritada, ela ouviu Krïeger com as... Como que vocês chamam aqui em Godan?

–Prostitutas?

–Isso! Então ela saiu correndo. A propósito, Krïeger mandou você ir à tenda do rei, acho que tem algo lá que você deveria ver.

–Ok Sora, obrigado. – Disse Kazuno se despedindo.

Depois de dois longos minutos caminhando, ele finalmente havia chegado. Algo estava estranho, não havia guardas na entrada, imediatamente Kazuno sacou seu punhal. Afastou os panos da entrada da tenda, para sua grande surpresa, lá estava Hoshi deitado na poltrona de ouro como se estivesse acostumado a estar ali.

–Hoshi?! O que você está fazendo aqui?

–Ora Kazuno, eu estou em todo lugar. – Brincou Hoshi. – E não grite meu nome tão alto, em Mijolnir meu nome é Kuro.

–Por que você está aqui?

–Meus motivos e missões não lhe dizem respeito.

–Sempre me insultando com seus pobres argumentos. – Disse Kazuno lembrando-se de um episódio de sua infância.

–Sem ressentimentos Kazuno. Você me parece mais forte... mais disposto, por que você não dá uma volta e vê se encontra Balder por aí?

–Do que você está falando? Quem é Balder?

–Ah, me desculpe Kazuno, parece que eu falei demais, e mesmo assim você não entendeu nada. Existem muitas coisas e interesses em jogo Kazuno, e você não sabe de nada, uma chama de vida está prestes a se apagar, essa é a vantagem de estar nos “bastidores” dessa guerra.

–Não entendo suas palavras, provavelmente isso é uma forma de dizer que você sabe de algo que eu não sei.

Hoshi revirou os olhos, afastou os cabelos dos olhos com a mão esquerda.

–Infelizmente você é tapado, não lhe direi mais nada...

–Não preciso que você me diga! – Disse Kazuno saindo da tenda do rei aborrecido com as palavras confusas do colega mercenário. Agora ele entrava na grande tenda da festa.

A grande tenda estava decorada com bandeiras portando o símbolo da espada e escudo, símbolo do clã dos Humanos. Escravos carregavam rum e cerveja para os convidados da nobreza, por sorte ou por alguma travessura de Krïeger, Kazuno tinha uma mesa reservada para sentar junto à Sora, Tsuki e Natasha.

Por enquanto, apenas Natasha estava sentada na mesa, Tsuki costumava se atrasar. Cerca de cinco minutos após Kazuno sentar-se à mesa, Tsuki apareceu, ele usava a mesma roupa da primeira vez que encontrou Kazuno dias atrás, Calça marrom canela, camisa de botões branca com mangas compridas e por cima da camisa um colete de couro marrom; como sempre usava botas marrons de canos longos e seus cabelos escuros quase penteados. Tsuki abriu um grande sorriso ao reencontrar os amigos, em seguida, puxou a cadeira à direita de Kazuno e na frente de Natasha e sentou-se.

–Boa noite amigos!

–Boa. – Responderam Kazuno e Natasha ao simultaneamente

–Quanta falta de alegria... Por acaso estão com fome? Onde está Krïeger?

–Deve estar com as vadias. – Respondeu Natasha imediatamente.

–Então quer dizer que ele está comemorando sua vitória num prostíbulo? – Disse Tsuki com ar de desprezo. – Eu também faria isso. – Concluiu ele levantando sua sobrancelha direita e exibindo uma expressão convencida.

–Tsuki, quem é Balder? – Perguntou Kazuno fugindo do assunto. Fez-se silêncio na mesa e Tsuki fez uma expressão pensativa por cinco longos segundos.

–Nossa... Eu não ouvia esse nome há décadas. Balder foi o ultimo Krïeger, ainda no fim da era de Erick II.

–Foi? Por que deixou o cargo?

–Acredito que isso nossa amiga Nat pode te explicar.

–Para um Krïeger ser eleito deve ser aprovado pelo rei e se destacar entre todos os guerreiros do clã, um Krïeger só deixa de ser Krïeger quando ele cai nos braços da morte. – Respondeu Natasha sem hesitar.

–Então ele está morto? – Perguntou Kazuno ainda confuso com as palavras de Hoshi minutos atrás.

–Não sei lhe responder isso Kazuno... O caso de Balder é um tanto quanto específico. Ele era jovem quando partiu com o filho do rei Erick II numa expedição para o oriente, mais precisamente, na capital do império Humano. Erick morreu por doenças respiratórias, o príncipe Erick também foi dado como morto e Balder está desaparecido desde então.

–Desaparecido... Tsuki, e como outro rei assumiu?

–Não se sabe ao certo... Tudo o que eu sei é que apareceu um homem que se dizia descendente do primeiro Erick. Devido à crise e ao estado do clã, acredito que ele tenha sido escolhido para preencher o vácuo deixado pelo último Erick.

–Por que todos os reis se chamam Erick?

–Erick é o nome da casa, significa “rei para sempre”, as casas mais nobres têm nomes estranhos, provavelmente tem origem Viking.

–De todos os Erick, o III foi o mais inusitado. – Disse Natasha.

–Verdade, talvez o mais insensato. – Adicionou Tsuki.

–E por quê? – Perguntou Kazuno.

–Ele age de modo estranho – Respondeu Natasha.

–Além de ter escolhido Krïeger mais novo da história por motivos desconhecidos. – Complementou Tsuki. – Eu soube que o garoto tinha 15 anos quando foi escolhido como Krïeger, deve ter sido frustrante 5 anos com as responsabilidades do guerreiro mais forte.

–Entendo...

–Por falar nele, ele está bem atrasado. – Disse Tsuki – Deveria estar aqui há mais ou menos uma hora, por que você não vai atrás dele no harém?

–Eu posso ser uma guerreira, mas sou uma mulher. Jamais eu colocaria os pés ali. – Respondeu Natasha percebendo que Tsuki falava para ela.

–É... Parece que eu terei de ir novamente.

Já era noite quando Kazuno decidiu ir mais uma vez ao bordel, ele desceu o morro do acampamento correndo até reencontrar Sora cochilando sentado na entrada da tenda.

–Ai Krïeger, você é muito bom nesse jogo, estou completamente rendida! – Gemeu uma das meretrizes aparentemente sem fôlego.

Sem se importar, Kazuno abriu o pano da entrada, a imagem que surgiu o deixou particularmente surpreso.

–Xadrez? – Perguntou Kazuno ao visualizar Krïeger jogando com uma das prostitutas.

–É, gosto de jogar com elas. Antes que você me julgue, tenho meus motivos. Foi por Natasha.

–Irônico. – Disse Kazuno dando uma risadinha.

–O que exatamente é irônico?

–Isso tudo, você se privou dos prazeres com essas mulheres por Natasha, e ela, ainda assim, está irritada com você, acho que exatamente por isso.

–Droga...

–Enfim, você está uma hora atrasado, a grande tenda está lotada de bêbados ricos e vadias nobres esperando só por você, o melhor guerreiro.

* * *

Hoshi estava seguindo em direção à grande tenda, satisfeito consigo mesmo. Os acordos com Erick foram excelentes, tudo o que ele teria de fazer era assassinar o garoto e atrapalhar a missão de Kazuno, para obter um pouco de diversão. Agora ele deveria substituir Balder por uma noite, a última antes da guerra.

* * *

Glen, o mago primário da água, andava sobre as águas da praia de Mijolnir, precisava ter uma conversa séria com Scorpyus sobre a guerra do dia seguinte. Ele seguiu até as ruas de asfalto onde há a grande cidade de Mijolnir. Após andar cinco Quilômetros, finalmente chegou ao grande castelo Viking, o castelo que um dia pertenceu aos Humanos. O castelo era muito alto, quase vinte metros de altura, as grandes paredes são formadas por tijolos vermelhos colocados à mão, havia uma torre de observação em cada canto do castelo, elas mediam aproximadamente trinta metros de altura. Todas as torres e o grande portão do castelo portavam panos posicionados como bandeiras com o símbolo dos Vikings, um machado virado lateralmente para o lado esquerdo e uma presa de dragão virado para o lado oposto. A porta do castelo era feita de ferro e madeira maciços, aquela porta aguentaria qualquer aríete; o portão era dividido em duas portas, e uma delas estava aberta, dois grandes guardas com armaduras Vikings guardavam a fortaleza com seus machados enormes em suas mãos direitas, entre eles estava Scorpyus, vestido com uma capa preta de seda que cobria todo o seu corpo

Glen vestia uma armadura de curo leve, uma capa de algodão marrom cobria todo o seu corpo, em sua mão direita, ele segurava um cajado negro com um grande cristal esférico e azul no topo; o cristal azul tinha treze centímetros de diâmetro e emitia luz própria, uma máscara azul fosco cobria o rosto de Glen e um capuz vindo de sua capa marrom envolvia sua cabeça.

–Majestade. – Cumprimentou Glen.

–Boa noite, grande mago da água.

–Não iremos entrar? – Perguntou Glen amigavelmente.

–Não. Aqui as paredes têm ouvidos. Conheço um lugar melhor, siga-me.

Glen seguiu Scorpyus até a lateral esquerda do castelo, lá havia um lindo jardim. A grama era verde vivo, as pequenas folhas dançavam conforme a música dos ventos, no jardim também havia um lago e rodeando o mesmo, papoulas vermelhas e brancas perfumavam o ar, árvores goiabeiras e mangueiras sombreavam o local iluminado apenas pelo luar do verão.

–É aqui? – Perguntou Glen com sua voz grave.

–Sim, aqui não seremos ouvidos. Vamos direto ao assunto, o senhor está atualizado sobre a guerra?

–Decerto, Tsuki comunicou o conselho dos magos sobre a batalha que ocorrerá.

–Ótimo, então eu não preciso perder tempo com explicações. A questão é que eu preciso de ajuda.

–Como assim, Scorpyus? Que tipo de ajuda?

–Os Humanos contrataram mercenários, Kazuki Takahashi e um tal de Hoshi.

–E como você ficou sabendo disso?

–Bem... Eu também precisei contratar um, eu não sei exatamente o nome dele, mas ele atende por Kuro, aliás, ele está aqui! Pode aparecer, Kuro! – Chamou Scorpyus. Então de trás de uma mangueira saiu um homem com uma armadura de ferro, típica dos peões humanos, mas o que o diferenciava eram as suas feições orientais.

–Olá, grande mago da água, como vossa majestade disse, eu sou um mercenário, estou trabalhando como espião.

–Interessante, porém contra as regras.

–Tenho informações valiosas, os humanos atacaram um posto de guarda na floresta, um ponto estratégico muito importante, isso durante a negociação de Tsuki com o senhor, majestade. De acordo com as minhas fontes, Krïeger, Kazuno, o mercenário e Natasha, filha de Nataniel executaram a missão acompanhados por um camponês que eu ainda não identifiquei.

–Bem, isso é totalmente contra as regras, mas é complicado...

–Complicado por quê? – Perguntou Scorpyus angustiado com a indecisão do mago azul.

–Porque você não tem como provar, se os guerreiros houvessem sido pegos, os Humanos seriam punidos.

–Mas não há como você me ajudar? – Insistiu Scorpyus.

–Bem, sim, há um jeito, sou seu conselheiro e de toda Mijolnir, posso ser seu aliado nesses momentos difíceis.

–Naturalmente eu negaria esse tipo de ajuda, contudo isso não faz parte da minha natureza... De que forma, exatamente, você me ajudará?

–Scorpyus, eu sou como o deus dos mares, lutarei lado a lado com o seu exército, protegerei seu castelo com todos os meus poderes, minha magia esmagará o exército humano.

–Perfeito. Kuro, já pode retornar para o acampamento. – Ordenou Scorpyus com ar de satisfação.

* * *

Hoshi não esperou Scorpyus ordenar duas vezes, se retirou sem dizer absolutamente nada, após andar alguns quilômetros, ele vestiu a capa de Balder, sentou em sua poltrona de ouro e aguardou as horas passarem.

Já era meia noite, a hora chegou, Hoshi saiu da tenda do regente, foi até as tendas do exército nos campos, lá havia um grande sino, ele o tocou, o barulho fez Hoshi encolher, em menos de cinco minutos, quase todo o exército já estava no campo. Chegara a hora, a guerra começou.

Notas finais
É... Decidi dar um tempo pra vocês respirarem kk, mas a parte três do final de três vai ser de tirar o fôlego, então aproveitem essa semana de descanso kkk. Relembrando o que eu disse uns capítulos atrás: a partir do capítulo 8 (primeiro do segundo arco) provavelmente terei de postar de duas em duas semanas, mas vou me esforçar pra demorar menos tempo, obrigado por terem lido! Comentem, compartilhem com seus amigos, façam conta no fanfiction, favoritem a história e até semana que vem!