Godan
7 Leito eteno - Parte III
Notas iniciais
PARTE III
Era meia noite do dia 12 de dezembro de 752 D.C., o grande dia finalmente havia chegado, Hoshi estava de pé vestindo uma armadura de peão Humano e a capa de Balder, ele estava diante de todo o exército do clã dos Humanos, prestes a se autodeclarar regente do trono de Erick II, entretanto uma coisa inesperada aconteceu, de súbito, todos os soldados se curvaram, Hoshi sentiu uma mão tocar a única parte de seu braço direito sem armadura, coberto apenas pela capa de Balder.
–Kuro... – Disse uma voz atrás de Hoshi, ele se virou e viu Balder, que usava uma armadura de bronze com detalhes de prata. – Eu assumo daqui.
Hoshi retirou a capa, curvou-se e entregou-a ao verdadeiro regente e, simultaneamente, falso rei Erick III.
* * *
Balder passou algumas horas andando e pensando, e por fim, tomou uma decisão, Erick já havia adiantado quase 50% do plano, não haveria volta.
Ele decidiu voltar para o acampamento, pois matar Scorpyus para impedir a guerra era uma péssima ideia, então saiu do castelo Viking anônimo, caminhou toda a floresta rumo ao centro-oeste de Mijolnir.
Quando ele chegou ao acampamento era meia noite, um silêncio profundo se mantia, exceto por um sino que começara a soar.
Balder foi à direção do sino, e para a sua surpresa, o som vinha do quartel, lá nos campos todos os soldados estavam reunidos em fileiras trajando armaduras completas. Diante deles, o Mercenário Kuro, ele usava a capa branca de Balder, então o dono da capa o tocou seu braço direito, houve uma breve conversa de reencontro que foi finalizada da mesma forma que se iniciou, de súbito:
–Eu o nomeio capitão da linha de frente dos Peões, faça o que deve ser feito e concentre-se no plano. – Sussurrou Balder à Hoshi.
–Obrigado, senhor, eu sei bem como fazer meu trabalho.
Assim que a conversa se encerrou, quatro pessoas se juntaram ao lado de Kuro numa fila horizontal, eram Krïeger, Natasha, Milla e um homem grande chamado Gerald.
–Soldados! – Gritou Balder soando alto como um trovão. – Estes aqui ao meu lado esquerdo são os generais e capitão que comandarão as tropas. O primeiro General: Gerald! – Berrou ele apontando para o enorme homem com armadura completa de aço que segurava uma lança. – O segundo general: Krïeger! A terceira e quarta general: Natasha e Milla dos Camponeses. E por fim, o capitão Kuro! Agrupem-se com seu determinado general, confiem neles!
* * *
Kazuno Takahashi estava entre os peões que seriam comandados por Hoshi, atualmente disfarçado de Kuro. Ele estava achando aquilo tudo muito estranho, desde a luta de Krïeger até a divisão de tropas, era muito ensaiado, pareciam os últimos preparativos para uma peça teatral em que eles eram os atores, apesar disso tudo permaneceu obedecendo as ordens.
–Kazuno! – Disse Natasha, que estava com uma grande fileira de arqueiros às suas costas. – Saia daí e venha comigo!
Então ele foi com a tropa de Natasha, entrou no meio de enormes arqueiros e esperou a segunda ordem.
–Nós iremos com as tropas do capitão Kuro para a lateral esquerda da Cidade de Mijolnir. – Afirmou Natasha enquanto eles andavam.
Os soldados de Hoshi e Natasha se encontraram e partiram rumo ao norte para depois seguirem para o nordeste.
–Kazuno. – Disse Natasha em meio à marcha dos soldados.
–Senhora?
–Krïeger me pediu para te entregar isto: — Natasha entregou a Kazuno uma espada de lâmina negra média de, me média, 50 cm de comprimento, seu cabo era revestido com um couro diferente, mais escuro e a espada era extremamente leve. – É feita de escamas de dragão, de Darkkus.
–Incrível, é realmente bom também saber que você e Krïeger fizeram as pazes.
–Ah, sim, não foi só isso, estamos planejando nos casar ano que vem.
–Já? Tão cedo!
–Sim, não queremos perder tempo, provavelmente seremos os primeiros noivos de Mijolnir em 753.
–Estou realmente feliz por vocês.
–Preciso que foque vivo hoje para manter essa sua felicidade.
* * *
Krïeger já estava preparado para partir, seu cavalo branco já caminhava ao lado de Gerald, então algo estranho aconteceu:
–Por que Natasha, Milla e Kuro vão pelo outro lado? – Perguntou Krïeger a Gerald.
–É uma questão de estratégia, os Vikings esperam que nós ataquemos pela floresta, assim irão concentrar seu exército lá, porém nós iremos atacar de todos os lados e mandar uma única tropa de distração pela floresta, no caso, a tropa do capitão Kuro.
–Espera ai! Natasha e Milla abandonarão a tropa de Kuro, então a probabilidade de vitória da tropa dele é mínima! Muitos...
–Exato, muitos morrerão pela vitória de nosso clã, mas não todos. Como você deve saber, nosso exército trabalho como num jogo de xadrez, chama-se sacrifício.
–Sacrificar todos os homens?!
–50 homens são o preço mínimo para a nossa vitória. – Completou Gerald, cheio de si.
–Quem montou esta estratégia?! – Indagou Krïeger irritado.
–O próprio capitão Kuro, um ato nobre se sacrificar pelo reino.
–Desgraçado, e quem ordenou isso?!
–Nosso rei Erick, é claro.
–Eu não acredito... – Disse Krïeger fazendo um movimento para partir em direção à tenda do rei.
–Olha o respeito com o nosso rei, garoto. – Disse Gerald parando Krïeger apontando sua lança no peito do jovem guerreiro.
–Estou indo agora mesmo para a floresta! Eu e minha tropa! – Disse Krïeger ainda irritado com a situação.
–Não! Eu sou o primeiro general, obedeça!
–E eu sou o Krïeger.
–Ora, mas isso é só um título, o meu é poder. Você quer levar 50 soldados, muito necessários, para salvar 50, no entanto desses todos só retornarão, no máximo 30! Se suas tropas saírem, é provável que todos aqui morram. Você possui o exército mais rápido, Krïeger, a cavalaria, já eu possuo lanceiros e “torres” com machados pesados, nós dois formamos uma combinação perfeita de 150 soldados. – Falou Gerald na tentativa de convencer o jovem revoltado.
–Tudo bem, acho que você me convenceu, acredito que Kuro consiga segurar a barra. – Disse Krïeger mais calmo e convencido
–Ótimo, então vamos prosseguir. – A marcha parou e aguardou Gerald dar voz de ataque à floresta de coqueiros, que se encontrava 3 quilômetros a frente.
–Soldados! Hoje é a grande noite! A noite em que recuperaremos nosso reino! Nós transformaremos esta noite temida desde a nossa chegada em Mijolnir na noite do massacre! – Então os soldados Humanos berraram enquanto Gerald pausava seu discurso. – Na noite da vitória! Agarrem essa chance com os dentes, arranquem cabeças Vikings, mijem em seus corpos e estuprem suas mulheres! Hoje, os Humanos deixarão de ser nômades, Berrem o nome do grande rei Erick, e matem com a consciência de que canções com seus nomes serão cantadas por gerações, elas dirão como foram ferozes e corajosos nesta noite! Hoje, nós triunfaremos! Avancem para a vitória!!! ERICK!!!
–ERICK!!! – Berraram os soldados avançando em alta velocidade à floresta de coqueiros.
Os cavalos galopavam velozmente pela floresta litorânea quando, de súbito, surgiram do chão, em trincheiras, os arqueiros Vikings.
–Arqueiros! – Gritou Krïeger. – Escudos, agora!
Os homens puxaram de suas costas escudos de carvalho e aço e os posicionaram em sua lateral para se proteger das flechas Vikings.
–São trincheiras, Krïeger – Gritou Gerald.
–Contornem pelo sudeste! Mantenham os escudos!
Os Soldados Humanos obedeceram à Krïeger, rodearam as duas trincheiras pelo lado direito, seus escudos foram bombardeados por flechas à medida que galopavam. O exército de Gerald agora agia, os homens grandes com machados pularam nas trincheiras e cortaram os corpos dos soldados Vikings como se fossem lenha, em um segundo um mar de sangue inundou a primeira trincheira, na segunda, os Vikings foram perfurados por lanças da outra tropa de Gerald, abrindo caminho para Krïeger.
* * *
–Kazuno, parte de sua missão aqui como mercenário é “limpar” o caminho para nós. – Disse Natasha quando eles se separaram das tropas de Kuro. – Nós já estamos próximos à lateral direita dos muros da cidade, isso significa que há arqueiros nos esperando, suba numa árvore, mate o máximo de arqueiros e sentinelas na muralha e nos dê algum tipo de sinal para jogarmos as escadas e iniciar o ataque.
–Sim, senhora. – Assentiu Kazuno reconhecendo seu dever. – Mas como eu os mato? Não possuo facas de arremesso.
–Não tem problema, use isto: — Concluiu Natasha entregando ao guerreiro ruivo uma besta.
–Como eu faço para atirar com isso?
–Funciona da mesma forma que o arco, a diferença é que você coloca a flecha em cima e para atirar você aperta esse gatilho que fica na parte de cima do cabo. Leve essa aljava. – Explicou ela entregando o recipiente das flechas.
Kazuno pegou a aljava, retirou seu elmo e escudo, posicionou sua nova arma em suas costas e subiu a árvore mais alta. Logo que ele chegou à copa pôde avistar quatro ou cinco arqueiros. Posicionou sua flecha e a apontou para um arqueiro distraído. A flecha seguiu até a garganta do homem, ele caiu, o local atingido esguichou sangue, então Kazuno preparou outra flecha, sentiu a leve brisa que soprava para o norte, ele julgou que esse vento não alteraria o curso da flecha, assim ele realizou mais um disparo, porém o vento desviou a flecha para o peito do arqueiro, fazendo-o gritar um pouco antes de cair morto. .
* * *
–Eu sei que estou atrasado, Sora. – Disse Tsuki.
–Então saia logo dessa tenda, precisamos ir! – Exclamou o amigo irritado do lado de fora da tenda.
Tsuki saiu, ele vestia uma armadura completa de couro, não usava elmo nem sua capa marrom.
–Couro? – Perguntou Sora com cara de quem comeu e não gostou.
–Além de me dar mais mobilidade, é sexy.
–Pelos deuses Tsuki! Você deveria vestir algo mais forte, até eu estou usando armadura.
–Para que servem as armaduras? – Indagou Tsuki com um ar arrogante.
–Para a proteção do corpo.
–Mas proteger do que?
–Possíveis danos ao seu corpo, golpes de espada e/ou machado, por exemplo.
–Por que eu deveria me proteger de algo que não sofrerei? – Terminou Tsuki com um sorriso de satisfeito. .
* * *
Krïeger já estava na floresta de coqueiros, havia muitos soldados Vikings lá, mal tinha tempo para recuperar o fôlego, teve de retirar seu elmo. Sua espada estava pintada com o sangue dos Vikings, seu cavalo estava cansando, estavam quase saindo da floresta, porém mais uma tropa de Vikings apareceu, desta vez, Humanos morreram, cavalos caíram com seus montadores, alguns sem as patas devido à golpes de machado, contudo os Humanos venceram novamente, agora o conflito seria na praia.
O cheiro de mar estava cada vez mais forte, muito forte na verdade. Um frio intenso fez as folhas congelarem, Krïeger nunca havia sentido tamanha queda de temperatura.
–É magia negra senhor? – Perguntou um cavaleiro à Krïeger
–Sinceramente, eu não sei, não desta...
–AH! – Gritou um dos soldados Humanos interrompendo Krïeger. Em sua barriga estava alojada uma estranha lança de gelo.
–Meu Deus! O que é isso? – Exclamou Krïeger.
–Eu ouvi algumas palavras no vento, é um tipo de bruxo. – Disse Gerald com um ar sombrio.
–Seja o que for, está tentando nos atrasar, adiante! – Com a ordem de Krïeger a cavalaria e as tropas de Gerald atravessaram a floresta, quando finalmente chegaram na praia uma saraivada de flechas de gelo atingiu os guerreiros Humanos e 90 Vikings atacaram berrando.
O cavalo de Krïeger caiu morto, mas o jovem capitão conseguiu se levantar. Atordoado, olhou ao redor, viu dezenas de Vikings, o oceano estranhamente congelado, uma luz azul misteriosa no céu e ao seu lado direito Gerald agonizava com uma flecha de gelo no estômago. Krïeger correu até ele e tentou socorrê-lo.
–Krïeger... – Sussurrou o primeiro General em meio à confusão da guerra. – Comande minhas tropas... Tsuki lutará por nós... Cuidado com o K... – E morreu. .
* * *
Quando Kazuno atirou a segunda flecha, o homem atingido gritou, no mesmo instante seis homens de preto surgiram das sombras, cortaram as gargantas dos arqueiros, fizeram um sinal com fogo e sumiram.
Imediatamente Natasha, Milla e suas tropas surgiram da floresta gritando, atirando flechas e matando os Vikings que guardavam a lateral do castelo, os peões comandados por Milla ergueram escadas de madeira nas muralhas e invadiram a cidade de Mijolnir.
Kazuno apanhou seu escudo e seguiu para uma das escadas. A cidade era enorme, vários palácios e casarões, soldados Vikings corriam pelas vielas, o confronto na cidade começou. .
* * *
Hoshi havia acabado de se separar de Natasha, estava entrando na floresta com 50 peões, era o caminho para a morte.
Depois de atravessar toda a floresta, por milagre sobraram 6 soldados vitoriosos, incluindo o capitão Mercenário, ele precisava cumprir o plano, já estavam na praia, não haviam soldados daquele lado, nem testemunhas.
–Senhor Kuro! – Chamou um dos peões.
–É capitão.
–Capitão Kuro, matamos todos os Vikings da floresta, estamos em 5, precisamos de reforços, devemos ir atrás de Krïeger?
–Não, isso não faz parte do plano.
–Como assim?
–No plano todos vocês morriam.
–Está de brincadeiras numa hora dessas?! – Reclamou o soldado irritado. – Vamos atrás dos outros!
–Não, não, não, esse aí é o plano do Balder, ou Erick, tanto faz, no plano de Scorpyus vocês morreriam. – Disse Hoshi sacando sua clássica espada lâmina curva.
–Traidor! – Gritaram os soldados ao atacarem Hoshi, mas as habilidades de Mercenário dele superavam aqueles míseros Humanos, em dois minutos todos eles estavam mortos. Agora Hoshi se dirige para a cidade, ele cumprirá a promessa que fez a Kazuno. .
* * *
No meio do combate, Tsuki e Sora apareceram do nada, Sora sacou sua Katana de lâmina curta e Tsuki sua longa espada, o Mago ergueu sua espada com as duas mãos e o cristal marrom da parte de baixo do cabo brilhou assim um terremoto de dois segundos sacudiu a terra, derrubando todos os soldados de ambos os clãs à sua frente.
Tsuki correu com toda a sua velocidade para o mar congelado, o vento frio bagunçava seus cabelos, e praticamente congelou o seu nariz.
–Um adversário a sua altura lhe aguarda, Mago! – Berrou Tsuki apontando sua espada para a luz azul do céu. – Desça daí ou eu vou descer você!
A luz baixou até a altura de Tsuki, era um homem usando uma armadura de couro e uma capa azul, em seu rosto havia uma máscara igualmente azul fosco e em sua mão direita um cajado com uma espécie de esfera azul que emanava um brilho forte. O Mago azul fez uma espada de gelo brotar em sua mão esquerda, cravou o cajado no chão congelado e atacou Tsuki com experiência.
* * *
Kazuno corria junto aos peões comandados por Milla, sacou sua nova espada e começou a matar soldados Vikings, sua lâmina furava e partia os corpos como se fossem sacos de carne, ele olhou ao redor, viu morte por todo o lado, corpos no chão, Natasha lutando...
A loira lutava como uma deusa da guerra espetava, ela barrigas com sua espada média, em seguida a guardou e apanhou um machado no chão, a cada movimento dela um braço ou uma perna voava, depois de se cansar com o machado, atirou uma flecha com seu arco e sacou novamente sua espada fazendo mais cinco vítimas Vikings.
–Assustado, Takahashi? – Perguntou ela com deboche enquanto partia uma cabeça horizontalmente ao meio, o que respingou seu belo rosto com sangue.
–Nunca. – Disse Kazuno atacando novamente, ele estava com um mal pressentimento. Ele investiu contra um Viking com sua espada, cortou sua cabeça e fez outro movimento rápido para furar a barriga de outro Soldado que iria atacá-lo pelas costas, no entanto esse golpe deixou seu ombro esquerdo desprotegido, então uma flecha perfurou o local, ele sentiu uma dor aguda, cambaleou até a escadaria que levava à muralha, então sentiu uma mão não tão delicada o arrastando para a muralha.
–Kazuno! – Gritou Natasha enquanto puxava o ruivo ferido. – Mantenha a calma.
–Droga, está doendo muito... Acho que se eu não morrer agora, pegarei uma infecção.
–Não seja idiota, Milla nos ajudará.
–E onde ela está? – Perguntou ele quando viu uma garota oriental trajando armadura se aproximar.
–Estou aqui, Natasha-san, segure ele para mim.
–Você fala a minha língua? – Perguntou Kazuno delirando por causa da dor. – O quanto isso vai doer?
–Muito – Respondeu Milla sendo sincera. – Ninpou! -Uma esfera verde de dois milímetros flutuou em sua mão direita, ela apontou a mesma para a flecha e a esfera entrou pelo ferimento. – Prepare-se, não grite mito, irei dilatar, Natasha-san, quando ele gritar, puxe a flecha.
–Dilatar o quê? – Indagou Kazuno assustado.
–Isso. – Disse Milla abrindo os dedos de sua mão.
Kazuno sentiu como se estivessem rasgando o seu ferimento, foi uma dor comparável à do golpe de Tsuki na dimensão da morte, ele gritou muito alto, então Natasha puxou a flecha. Milla fechou a mão e ergueu seu dedo indicador, então Kazuno sentiu um grande alívio e uma coisa quente rastejar em espiral no seu ferimento, então a dor sumiu.
* * *
O Mago da água atacou Tsuki com sua espada de gelo, este defendeu e contra-atacou, mas o Mago azul era tão bom espadachim quanto Tsuki.
Tsuki chutou o oponente, mas parecia até que ele estava acostumado à lutar contra o Mago da lava, não havia nada que Tsuki fizesse que o Mago azul não superasse ou defendesse. .
* * *
Glen, o Mago da água, finalmente estava enfrentado Tsuki, a luta estava equilibrada, seu rival ainda lutava como nos velhos tempos, ele nunca havia perdido uma batalha com espadas, mas antigamente Glen era melhor em controlar magia.
O mago azul fez gotículas de água atingirem Tsuki no peito e o erguerem no céu. .
* * *
Tsuki, de súbito, sentiu uma pressão no peito, então começou a subir no céu com alta velocidade, e depois de atingir uma altura considerável, começou a cair com uma velocidade ainda maior, uma queda daquela altura esmagaria todos os seus ossos, mas sua espada o salvou pois ela tinha um cristal azul como o de Glen, só que em menor escala.
O tal cristal brilhou e Tsuki conseguiu parar a queda no último momento. Assim que ele chegou ao chão, correu na direção do oponente, com um golpe com a espada iniciou uma nova sequência de ataques.
O mago inimigo defendeu todos os golpes de Tsuki e fez com que sua espada caísse longe, em seguida tentou cravar a sua no peito de Tsuki, mas este rolou ara evitar o golpe e a espada cravou no mar congelado.
Tsuki investiu com um soco cruzado de direita, o oponente defendeu e contra-atacou com socos parecidos. “Ou eu estou tendo um déjà vu ou eu já lutei contra esse cara antes” — Pensou Tsuki.
–Antes de te matar, vou desmascarar você! – Exclamou Tsuki acertando um soco no rosto do oponente, fazendo sua máscara rachar. O mago azul revidou fazendo o lábio inferior de Tsuki cortar. Após ser atingido no rosto, Tsuki deu um mortal para trás e deslizou no gelo na direção de sua espada, ergueu seu braço direito e a espada foi até sua mão, mas o mago inimigo fez o mesmo com o seu cajado, o cristal esférico brilhou e um turbilhão de água se formou do chão e, como um jato, seguiu na direção de Tsuki.
Tsuki ergueu sua espada, o cristal vermelho do centro brilhou e um turbilhão de lava surgiu de sua espada indo de encontro ao ataque oposto. A lava era quente demais para se apagar e a água forte demais para evaporar, o confronto estava cada vez mais intenso.
Depois de dois minutos de confronto, o mago azul fez uma nuvem descer e bater na espada de Tsuki, fazendo-a cair novamente, o gelo se abriu ao toque da espada e a mesma afundou no oceano congelado.
No momento em que a espada de Tsuki caiu, a rajada de lava sumiu e o turbilhão de água seguiu seu curso, mas Tsuki rolou para o lado e escapou novamente. O mago fez uma sequência de socos no rosto de Tsuki, mas este fez um movimento e girou, desta vez ele estava socando e rachando cada vez mais a mascada.
O mago azul acertou um soco e ao mesmo tempo fez um turbilhão de gelo atingir com força o peito de Tsuki, o gelo o ergueu e depois o desceu fazendo-o bater com força no mar congelado e afundar no mesmo, com sorte ele avistou a sua espada, ergueu o braço e em poucos segundos já estava de volta à superfície.
Tsuki correu com a espada e iniciou outra briga com espadas, mas agora algo inesperado aconteceu, ele tinha um aliado, Krïeger entrou na luta. Os dois lutavam contra o Mago, Krïeger prendeu ergueu seu braço esquerdo e criou uma rajada de gelo, mas o inimigo fez o gelo sumir e em seguida voltou a enfrentar Tsuki; Krïeger prendeu os pés do mago azul com gelo e quando o mesmo tentou atacar o jovem guerreiro, não conseguiu completar o movimento, então quando se voltou para Tsuki, levou um soco fortíssimo, sua máscara despedaçou e ele caiu.
–Hora de ver seu ros... – Então Tsuki ficou mudo ao ver o rosto que encarava. – Glen?
–Sentiu minha falta, Jimmy? – Perguntou Glen, o irmão supostamente morto de Tsuki.
–Como você sobreviveu?!
–Uma ajuda dos Magos... Como você sobreviveu?
–Uma ajuda dos magos.
–Seu nome não é mais o mesmo, você continua a atender por seu nome de Paladino, Tsuki. Eu fiz um contrato com Scorpyus, eu tenho que te matar, James.
–Sé é essa a sua escolha, eu tenho de me defender. Ou melhor, te matar pelo que você fez, eu nunca esquecerei a sua traição... Se juntar aos assassinos... Você me enoja Glen... – Disse Tsuki com repugnância nos olhos.
–Quase setenta anos se passaram e você ainda pensa nisso, não se preocupe eu irei cortar sua garganta e...
Tsuki encerrou a conversa enfiando uma faca na cabeça do irmão.
–Sempre o tagarela... .
* * *
Kazuno abriu os olhos, ele sentiu um apoio duro nas suas costas, olhou ao redor, viu escadas subindo à sua direita e escadas descendo à sua esquerda. Desnorteado, ele se levantou arduamente, então viu algo que nunca viu antes, era como ter caído em um sono profundo e acordado no meio do inferno.
Havia sangue por toda parte, corpos no chão, pedaços de pessoas, guerreiros Humanos espancando civis Vikings e estuprando suas mulheres com brutalidade e em bandos.
–O que infernos é isso? – Perguntou Kazuno coçando a cabeça.
–É a guerra, meu caro. – Respondeu Natasha, que estava sentada. – O descanso dos soldados; tomamos metade da cidade e é assim que esperamos as tropas de Krïeger e Gerald. Os homens são assim, ou eles bebem ou fodem, atualmente não há a primeira opção.
Um grande barulho foi ouvido, em seguida o som de cascos e uma marcha. Kazuno olhou para o sul e avistou Krïeger liderando uma pequena tropa de soldados variados.
–Estamos em ruínas. – Ofegou ele. – Kuro nos traiu, avistamos cinco corpos de soldados das tropas dele, o desgraçado os matou e fugiu. Temos poucos soldados... Há mais de cem Vikings se aproximando.
–E daí? Aguardamos nossas vidas inteiras por isto. Iremos atacar. – Rebateu Natasha.
–Eu que dou as ordens aqui. Gerald está morto.
–E o que você pretende? Recuar?
–Não temos muitas opções Natasha. Se recuarmos e fugirmos de Mijolnir hoje, sobreviveremos. Temos de proteger nosso Rei...
–Rei? Enquanto nós perdemos nossas vidas o “rei” Erick come e caga, eu não me importo com aquele gordo desgraçado, se você não nos liderar, ou os liderarei, não por Erick, mas por nossas vidas. — Concluiu ela com ferocidade. – Kido... Nós precisamos agir, concluir nossa meta, lutar por nossas vidas.
Kazuno notou o nervosismo de Krïeger, subiu na muralha e avistou uma grande tropa vindo ao norte.
–Krïeger! – Gritou ele. – Nat está certa, irmão. Decida-se rápido! Eles se aproximam!
Krïeger encontrou razão nas palavras de Natasha, e por fim, tomou uma decisão:
–Soldados! Ainda há esperanças! – Gritou ele como um trovão. – Uma grande tropa de bastardos Vikings se aproxima, honrem o nome do general Gerald e de todos os outros soldados que se foram nessa cruel e sangrenta batalha, lutem por eles e por suas vidas! Logo nós teremos reforços, eu lhes prometo a vitória! Por nossas vidas! – Gritou Krïeger erguendo sua grande e dourada espada; os soldados imitaram o ato e reagruparam em fileiras.
–Reforços? – Perguntou Kazuno à Natasha. – Isso é verídico?
–Não, Krïeger mentiu, somos Humanos, esta é toda a tropa que nos resta, quem diabos nos ajudaria?
–Eu realmente não sei, o único clã que nos ajudou foi os Camponeses.
–Decerto, aliás, onde está Sora?
–Ultima vez que o vi, ele estava com Tsuki na batalha da praia. – Respondeu Milla. – Mas agora ambos sumiram.
–Merda. Kazuno, você só tem de matar o general desta tropa que virá após isso você não tem mais compromisso conosco... – Disse Natasha.
Assim que a loira encerrou sua conversa com Kazuno, houve um silêncio profundo, em seguida o som de tambores e urros de guerreiros que fez os soldados Humanos encolherem.
–São eles... – Disse Kazuno com um tremor na voz.
–Preparem-se para o impacto! – Gritou Krïeger com tom de liderança. Em poucos segundos a massa de guerreiros Vikings surgiu no horizonte.
–Arqueiros, ao meu sinal! – Berrou Natasha. – Preparem-se! – Os arqueiros bateram seus arcos contra seus corpos produzindo um som uniforme.
–Armem! – Berrou ela novamente enquanto os Vikings se aproximavam. No instante seguinte ao grito e Natasha, os soldados seguiram seu comando e puxaram suas flechas e apontaram para os alvos. .
* * *
Apesar de nervoso, Krïeger mantia sua postura como primeiro general e aguardava Natasha executar o primeiro ataque para ordenar o avanço de seus guerreiros, contudo ela está demorando demais, a cada segundo que se passa os Vikings se aproximam mais.
–Natasha! – Gritou Krïeger agoniado. – Ordene!
–Calma, ainda não! – Respondeu ela sem tirar os olhos do horizonte e sem baixar o arco.
–Rápido, eles estão há trinta segundos daqui!
–Espere um pouco... – Disse Natasha fazendo uma lenta contagem regressiva de dez à zero, em seguida gritou: — Atirem!
Após o comando de Natasha, Krïeger avistou uma saraivada de flechas mergulhando na noite e atingindo os soldados Vikings que antes berravam como se não houvesse um amanhã, de fato não há, não para eles. Então, com grande firmeza, Krïeger ordenou o ataque, em poucos segundos o mar de sangue começou.
* * *
Haviam se passado longos cinco minutos, os Humanos avançaram enquanto eliminavam brutalmente os soldados da grande tropa dos Vikings, porém só sobraram cinquenta Humanos e ainda haviam centenas e Vikings lutando pela vitória, só um milagre poderia fazer os Humanos vencerem.
Kazuno Takahashi lutava ao lado de seus companheiros como se fosse o último dia da sua vida, mas cada vez mais os Vikings se aproximavam da vitória.
Um estrondo foi ouvido, uma pare da muralha que envolve a cidade de Mijolnir caiu. Kazuno olhou para a direita e avistou algo inesperado, era Tsuki liderando um exército de 200 homens armados com espadas de lâminas longas e largas, eram os Paladinos de Bifrost, os melhores espadachins do mundo.
Os guerreiros encapuzados liderados por Tsuki matavam os Vikings com experiência, em 20 minutos quase toda a tropa Viking havia sido eliminada; os Humanos já podiam avistar o castelo Viking.
Um homem mais alto com uma armadura mais brilhante estava matando Humanos com um grande machado, Kazuno o reconheceu, era o general mor das tropas Vikings; se ele o matasse, estaria livre de obrigações com o clã dos Humanos, era hora de cumprir o protocolo Mercenário.
Kazuno lutava com todas as suas forças esmagando quem estivesse na sal frente; fatiou corpos como se fossem feitos de papel, era sua chance de cumprir a missão.
* * *
Tsuki corria rapidamente ao lado de Sora, ele podia ouvir os berros de dor dos combatentes, estava havendo uma grande batalha dentro da cidade e ele sabia que os Humanos estavam sendo derrotados.
* * *
Kazuno correu na direção do general Viking, parou de correr, guardou sua espada e sacou suas duas Katanas de Mercenário que se encontravam em suas costas, encontrou o general, cortou seus joelhos com um único corte horizontal com as duas espadas para a direita, preparou as Katanas para cortar sua cabeça, mas de súbito uma ponta de lança brotou no peito do homem, um filete de sangue escorreu de sua boca e ele caiu pesadamente no chão, exibindo a lança que foi a arremessada em suas costas. Um pouco adiante da cena, Kazuno avistou Hoshi sorrindo com um ar de satisfação, de repende ouviu um rugido em suas costas:
–KURO!!! – Era Krïeger com a fúria de todo um exército. .
* * *
Krïeger viu o sorriso sarcástico de Kuro e imediatamente foi tomado por um espírito de vingança. Kuro correu para a floresta, Krïeger o seguiu com velocidade, derrubando Kazuno que estava na sua frente.
* * *
Kazuno caiu sentado no chão quando Krïeger seguiu Hoshi para a floresta.
–Kazuno, aonde ele vai? – Perguntou Natasha que chegou de repente.
–Ele vai matar Kuro! – Respondeu ele levantando e indo atrás do amigo junto à Natasha.
–Não! Não sigam eles! – Berrou Tsuki indo logo atrás.
* * *
Krïeger estava tomado pela fúria e corria para aniquilar Kuro do mundo. Ele corria com toda a sua velocidade, sentia os galhos das árvores arranharem seu rosto, Kuro ia sempre mais rápido na frente pelos galhos das árvores.
–POR QUE?! – Berrou Krïeger enquanto corria.
–Sou um Mercenário, Krïeger, estou do lado de quem paga mais!
–Então você mentiu o tempo todo?!
–Você fala isso como seu eu tivesse dito muita coisa! – Zombou Hoshi.
–Bastam ações para mostrar o canalha traidor que você é! Você desonra seu clã e me enoja!
* * *
–Kazuno! – Gritou Tsuki segurando o ruivo.
–Eles se matarão! Krïeger não sabe do que Hoshi é capaz!
–Hoshi também não sabe do que Krïeger é capaz. – Respondeu Natasha ofegando logo atrás de Tsuki.
–Nat tem razão, eles são guerreiros lutando por honra, não podemos interferir. – Completou Tsuki com sabedoria.
–Foda-se a honra! – Retrucou Kazuno – Não é assim que o código Mercenário funciona! Nat, faz alguma coisa!
–Se a decisão é minha, deixaremos eles lutarem. – Concluiu Natasha com prudência.
* * *
–Eu vou te matar! – Gritou Krïeger ainda atrás de Kuro.
–Pois venha e me mostre do que é capaz.
* * *
–Hoshi vai querer irritar Krïeger – Disse Kazuno. – O fará perder a cabeça até ficar cego de ódio e investir sem pensar.
* * *
–Venha e me mostre se você é digno de honra do seu clã! – Gritou Hoshi.
–Desgraçado!
* * *
–E quando ele conseguir... Dará o golpe letal. – Concluiu Kazuno. .
* * *
Hoshi se sentia calmo, sentia a brisa da noite bater no seu rosto enquanto pulava pelos galhos das árvores. Após irritar muito Krïeger, era hora de começar. O Mercenário segurou um cipó e deu um giro de 180º enquanto sacava uma lança de arremesso, deu um sorriso sádico... .
* * *
Krïeger permanecia furioso, percebeu que Kuro estava cansando e diminuindo o ritmo, sacou sua espada, mas com um suave movimento, Kuro se pendurou em um cipó e com um giro arremessou uma lança bem no peito de Krïeger.
O tempo parou para ele...
“Talvez um dia eu serei um homem honesto
Até agora estou fazendo o melhor que eu posso
Longas estradas, longos dias, do nascer ao pôr do sol
Nascer ao pôr do sol”
Krïeger sentiu uma dor intensa do peito, olhou para frente, onde viu Kuro se aproximando rapidamente com outra lança. Outra dor, agora na barriga, ele olhou para trás e viu apenas Natasha.
“Areias estão flutuando e as linhas
Estão em sua mão
Em seus olhos eu vejo o desejo e o
Choro desesperado que rasga a noite”
* * *
Natasha observou seu amado cair de joelhos após ser atingido por uma lança, ela não conseguia acreditar...
–Acabou? – Perguntou Kazuno boquiaberto. Então outra lança atingiu Krïeger.
–PARE! – Gritou Natasha se ajoelhando no chão em desespero.
–Kazuno, pare ele! – Ordenou Tsuki.
Natasha observou tudo aquilo... Um desespero tomou conta de seu coração, Kuro puxou a lança que acabara de arremessar no abdômen de Krïeger e a enfiou de novo degolando o guerreiro mais cinco vezes. Natasha perdeu o fôlego, viu Kazuno gritar chorando enquanto dava um único soco no rosto de Kuro... Uma única lágrima escorria no rosto da linda garota, agora se sentindo desesperada e impotente... Grita na noite o nome de seu noivo, agora morto numa poça de sangue e terra.
“Gaste seus dias cheios de vazio
Gaste seus anos cheios de solidão
Desperdiçando amor, em uma carícia desesperada
Rolam as sombras da noite”
* * *
Kazuno deu um único soco no rosto de Hoshi, não conseguiu socá-lo mais, caiu de joelhos sobre o corpo morto e ensanguentado de Krïeger; ele chorou, gritou...
–Tsuki... – Disse ele com a voz trêmula.
–Não, Kazuno, magia não pode curá-lo dessa vez.
–NÃO!!! – Gritou o ruivo enfurecido e triste, ele olhou para frente, mas Hoshi já havia sumido. – Eu não entendo... EU NÃO ENTENDO! Hoshi não faria isso... Eu me vingarei! EU ME VINGAREI!
* * *
Na calada da noite, Hoshi entrava pela passagem da cadeira de ouro na tenda do rei, após o breve caminho subterrâneo, encontrou o verdadeiro rei Erick e Balder.
–Está feito. – Disse Hoshi com um olhar frio. – O garoto foi executado.
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