Godan
8 Poucas respostas para muitas perguntas
Notas iniciais

Ishikawa – Gondir: abril de 699 depois da constituição
O príncipe George Erick descansava olhando para o lago nos jardins do castelo vermelho, ele abaixa sua cabeça e vê o seu reflexo na água, seus cabelos loiros bagunçavam ao vento, seus olhos castanhos fitavam uma face jovem marcada pela ânsia de voltar para Mijolnir, onde seu pai Erick II o aguardava.
—George, tenho más notícias. – Disse seu escudeiro e melhor amigo Balder, um homem adulto, por volta dos 25 anos, cabelos castanhos ondulados, olhos escuros e com o rosto barbado. – Parece que a crise se agravou, está havendo uma rebelião em Mijolnir.
—Conte-me uma novidade, Krïeger. – Disse Erick sem se virar. – Nós dois sabíamos que a situação chegaria a esse ponto, e é justamente por isso que estamos aqui.
—Você não entende George. – Disse Balder passando a mão na cabeça. – Todo o império está comprometido... Prenderam seu pai, os Vikings tomaram Mijolnir, é uma questão de tempo até que um desses hereges se voltem contra nós. Precisamos fugir, antes que a revolução chegue aqui.
—O que disse?! Papai foi... Preso?! – Disse o jovem Erick finalmente se virando com cara de espanto. – Isso é impossível!
—Não, meu senhor, estou falando sério. Precisamos fugir.
—Isso significa que não podemos voltar para o império do oeste? Para Godan... Meu Deus... Mijolnir... Meu lar.
—Você não tem mais lar, nós não temos. – Disse Balder quando começou uma gritaria dentro do castelo do império do oeste.
—Droga... Como você ficou sabendo disso? Que barulho é esse?
—Começou...
* * *
Mijolnir – Godan: 12 de dezembro de 752 D.C.
Kazuno Takahashi chorava debruçado sobre o corpo de Krïeger enquanto os primeiros raios de sol tocavam o seu rosto.
—O que faremos com o corpo dele? – Perguntou o ruivo com a voz trêmula.
—Lembro-me de ele ter dito uma vez que, caso morresse em batalha, gostaria que seu corpo ficasse onde caiu. – Respondeu Tsuki, que estava em pé logo do lado direito de Kazuno.
—E enterrar um caixão vazio? – Indagou Kazuno secando os olhos com o pano da camiseta branca que cobria o torso da armadura.
—Bem... Os Humanos não tem esse costume com os soldados mortos – Respondeu Tsuki calmamente. – O que você fará agora?
—Você me ouviu... Irei buscar o verdadeiro responsável por isso.
—Então vai retornar para o seu clã?
—Exato.
—Cara... Eu... Preciso ajudar Erick com umas coisas, precisamos voltar, Natasha está chorando no lago Knees, ajude-me a levá-la de volta para o acampamento. – Disse Tsuki ajudando Kazuno a levantar.
Kazuno pegou a espada de Krïeger, que descansava ao lado esquerdo do mesmo e a levou consigo, ele retirou a camiseta branca e enrolou na lâmina da espada, assim seguiu com Tsuki até Natasha, que estava em pé olhando para as estrelas que desapareciam conforme a alvorada se estendia.
—Nat... – Chamou Kazuno roçando o ombro da linda loira pelas costas. – Hora de irmos.
—Kazuno... – Disse ela sem se virar. – Me diz que vai ficar tudo bem... Convence-me que Kido está num lugar melhor...
—Minhas mãos estão tão atadas quanto as suas, tudo o que te posso dizer agora é que... – Hesitou Kazuno. – Nat, eu encontrarei quem fez isso à Kido e o farei sofrer mais do que todos nós juntos, isso é uma promessa.
—Kido também me fez promessas, ele me prometeu que me faria feliz e viveria ao meu lado até o ultimo dia de nossas vidas. – Disse ela enquanto uma lágrima solitária escorria pela sua bochecha direita. – Mas tudo bem amigo, não é culpa sua, uma guerreira não deve chorar... Não é mesmo? – Então ela se virou e sorriu. Kazuno nunca tinha a visto sorrir, mas aceitou o sorriso e seguiu com ela de volta para a cena de batalha.
Os Humanos comemoravam com fervor sua vitória sobre os Vikings, Scorpyus estava preso na estrutura de uma guilhotina.
—Scorpyus Storm! – Berrou um padre que vestia uma toga marrom. – Você foi acusado de traição!
—Como eu vos traí se nunca estive do seu lado?
—Cobra maldita! Tua linhagem liderou o ataque que prendeu nosso rei Erick II! Você sofrerá pelo crime de traição dos seus antepassados! Eu te condeno à morte e ao inferno! – Terminou o padre sendo ele mesmo o carrasco que cortou a corda que prendia a lâmina da guilhotina.
—Vocês realmente acreditam no que esse sujeito diz? – Perguntou Kazuno com cara de nojo à Tsuki.
—Eu sou ateu. – Respondeu o Mago tomando o altar. – Humanos! Eu vos parabenizo pela vitória, agora vocês tem direito ao território etc. etc. Mas tenho más notícias, nosso honorável general Krïeger e outros soldados morreram em batalha. Vocês estão livres para fazer o que quiserem com Mijolnir, contando que eu leve os sobreviventes Vikings a salvo para a capital...
—JAMAIS! – Berrou o padre discordando. – Estes servos do demônio permanecerão e sofrerão por não terem escolhido o santo caminho, serão devidamente catequizados e trabalharão em nome do Senhor! E se você quiser impedir, Mago, será excomungado e entregue ao exílio.
—Eu me auto-excomunguei muito antes de seu pai nascer, não levante a voz para mim ou muito menos me ameace, pois eu exilarei você do mundo. — Respondeu Tsuki olhando com severidade para o padre enquanto descia o altar para retomar seu caminho com Kazuno e Natasha.
—Eu ficarei aqui. – Disse Natasha na estrada do acampamento – Resolverei umas coisas e depois falo com vocês dois!
—Ela está indo para a tenda de Kido. – Disse Kazuno observando à loira se afastar.
—Decerto... – Respondeu Tsuki enquanto eles prosseguiam no caminho para a tenda de Kazuno.
—Vai partir hoje? – Perguntou Tsuki exibindo uma expressão triste quando eles se encontraram na tenda.
Kazuno abriu um baú de madeira, retirou uma capa preta com o símbolo dos mercenários de broche, um escudo cinza com uma faixa vermelha, ele pegou uma mochila marrom e a colocou nas costas, em seguida vestiu a capa preta por cima da armadura.
—Sim... Tentarei chegar ainda esse ano.
—Estamos em dezembro, é seis meses de viagem, isso se você for a cavalo sem parar para mijar.
—Roubo um no estábulo e prendo a urina com força. – Respondeu ele se virando e dando um sorrisinho satisfeito.
—Você não muda mesmo. – Disse Tsuki rindo com o amigo. – Sabe que não chegará esse ano, por que não passa a festa de passagem de ano aqui?
—Eu...
—Vai sair Kazuno-Kun? – Perguntou Sora aparecendo do nada no meio da tenda. – Se for a algum lugar distante eu te levo!
—Valeu Sora! – Disse Tsuki exibindo uma expressão de reprovação. – Eu estava tentando convencer ele para ficar até o dia 31...
—Não, Tsuki, eu realmente tenho que ir. – Disse ele interrompendo o amigo. – Sora, se puder mesmo me levar para os bosques de Auvandir, eu aceito. A gente se encontra por aí Tsuki!
—Ta, cuidado para não morrer de novo! — Respondeu Tsuki rindo.
Então Kazuno apenas deu um sorriso satisfeito e segurou o ombro de Sora, que por sua vez fez um movimento com a mão direita e um segundo depois, Kazuno estava encarando árvores altas e uma trilha discreta.
—Você nem se mexeu! Tá ficando bom nisso.
—Pior que não, estou meio tonto.
—Iremos voltar a nos ver?
—Eu não sei Sora... – Disse Kazuno olhando para o amigo
—Você está com cara de quem vai fazer besteira.
—Talvez eu faça mesmo. – Respondeu o ruivo desviando o olhar. – Eu nem sei por onde começar.
—Está falando de Krïeger?
—Sim.
—Olha Kazuno, se precisar de ajuda, estou ao seu dispor, tenho experiência com investigações e estou tão puto quanto você. – Disse Sora estendendo a mão direita para Kazuno. – Topa?
—Me encontre nesse mesmo lugar, neste horário daqui a três dias, até lá eu já terei tudo o que precisamos para começar. – Respondeu o ruivo apertando a mão do amigo.
Kazuno viu Sora estender a mão direita e desaparecer como se tivesse sido sugado por algo nas suas costas. O Mercenário ruivo abaixou seu capuz preto e seguiu a trilha disfarçada. No final havia uma caverna escura, em seu interior o chão era de mármore preto e as paredes eram retas como um corredor.
O ruivo encontrou um grande portão no final do corredor, abriu-o e encontrou uma escadaria. Após vinte minutos de caminhada no subterrâneo, Kazuno avistou uma porta de carvalho com a maçaneta de ouro maciço e macia de se girar.
Kazuno abriu a porta e encontrou um grande corredor cheio de portas com placas de ouro, onde caminhou e abriu outra porta de carvalho que dava acesso a um quarto simples e aconchegante que continha uma cama de madeira, uma cabeceira e um guarda-roupa do mesmo material. O Mercenário retirou sua capa e desfez sua mochila, de repente a porta se abre.
—Como chegou tão rápido? – Perguntou o homem encapuzado com o nariz grande que acabara de entrar. – Auvandir é bem distante de Mijolnir.
—Isso não importa agora, Professor. – Respondeu Kazuno retirando a armadura de peão Humano.
—Como foi a missão?
—Sucesso, eu não falhei.
—E onde está a maldita recompensa? – Continuou o Professor a indagar o garoto.
—Droga, Professor, eu perdi um amigo, não parei para pensar em pegar a recompensa por participar de uma guerra ridícula e ensaiada. – Resmungou Kazuno sentando na cama com peso.
—O protocolo não te permite julgar a missão que você aceitou, mas te obriga a coletar a porcaria da recompensa, Kazuno! O que deu em você, criança? Primeiro perdeu Tsuki, agora isso?! – Reclamou o Professor enquanto Kazuno apenas olhava para ele. – Que história é essa que você fez amigos? Sabe muito bem que para guerreiros como nós, amigos só servem para atrapalhar nossa missão e confundir o seu emocional... Quem é esse amigo?
—O Krïeger...
—O Krïeger está morto?! Isso significa que os Humanos perderam a guerra e ainda estão nômades. – Disse o Professor interrompendo Kazuno.
—Não, era quase impossível perder, a guerra estava praticamente comprada. – Disse Kazuno fazendo expressão de indignação. – Erick contratou dois Camponeses, Mercenários – Continuou ele contando nos dedos. – Teve ajuda dos Paladinos de Bifrost e... Um... Mago. – Concluiu ele recolhendo os dedos exibindo uma expressão como se estivesse esperando uma explosão.
—Tá, tá bom. – Disse o professor para evitar mais delongas por causa de Tsuki. – Você disse “Mercenários”... No plural. Quem estava lá?
—Hoshi.
—Hoshi? Isso é impossível, ele está numa missão na floresta do sul.
—Tanto é possível, quanto ele estava do lado de Erick o tempo todo, e aliás, acredito que ele tenha trabalhado para dois ou mais lados... Ele matou Krïeger e uma tropa de peões.
—E pensar que um mensageiro disse que ele também aceitou uma missão no norte e eu não acreditei, como ele pode estar em tantos lugares ao mesmo tempo?
—É isso o que eu vou descobrir. – Respondeu Kazuno se levantando.
—Não, você vai descansar, mandarei preparar um banho para você, amanhã eu mesmo investigarei isso. – Afirmou o Professor impedindo Kazuno de se levantar.
* * *
A sede do clã dos Mercenários é um castelo negro em um povoado escondido localizado em Auvandir, no extremo oeste de Godan. O castelo escondido é organizadamente dividido, há o setor de treinamento, a área dos administradores, o escritório do líder, a enfermaria, o salão onde os Mercenários comem, a cozinha, a ala dos dormitórios, masmorras e outras áreas menos importantes. Para chegar ao Castelo Escondido existem passagens secretas nos arredores de Auvandir, assim como nas paredes internas do castelo, os caminhos secretos são revestidos de cerâmica ou mármore preto.
Os Mercenários trabalham sob um rígido protocolo de ética do qual eles obedecem regras como: “Um Mercenário não é obrigado a aceitar missões”, “Se o Mercenário aceita a missão, ele deve cumpri-la”, “O Mercenário é obrigado a cumprir a missão, exceto se surgir outra missão com uma recompensa maior que a primeira.” Entre outras regras que tornam os Mercenários de fato mercenários.
* * *
Kazuno finalmente abriu os olhos, já era noite quando ele se levantou e abriu a janela do seu dormitório.
—Parece que será mais uma noite em claro... E eu estou ficando sem tempo. – Disse ele olhando para o céu estrelado. – Preciso começar a agir, o Professor me repreenderia se eu fizesse tudo sozinho... Foda-se. – Então ele vestiu a capa sem camisa, como sempre, e saiu descalço com apenas uma calça pela ala dos dormitórios.
O ruivo encapuzado parou diante de uma porta em que o nome na placa de ouro estava riscado e uma estrela estava desenhada na maçaneta, Kazuno abriu a porta do dormitório de Hoshi e se deparou com um quarto exatamente igual ao seu. O garoto abriu o guarda-roupa e encontrou algumas capas de viagem, roupas e várias facas. Por fim ele achou uma caixa.
Kazuno se abaixou e abriu a caixa de madeira, dentro havia papéis com missões concluídas de Hoshi. Havia mais de cem papéis com rostos de homens executados, objetos recuperados ou escondidos, e principalmente muitas missões de espionagem e infiltração.
—Isso é inútil – Sussurrou Kazuno espalhando os papéis no chão. – Aqui só tem missões de 740 até 745, preciso de algo mais recente.
O ruivo guardou tudo e caminhou até a cabeceira, onde encontrou uma garrafa de uísque Darkwood de 640 sobre um pedaço de papel escrito: “Jason Winter – Dormitório 119”. Então Kazuno correu para o andar de baixo e bateu na porta 119 de Jason Winter duas vezes, assim um homem negro abriu a porta, então o ruivo encapuzado socou o rosto de Jason e com seu antebraço no pescoço do homem ele o ergueu na Parede.
—O que pensa... Que está fazendo? – Perguntou o homem ficando sem ar. – Eu sei quem você é!
—Cale-se! – Sussurrou Kazuno um pouco mais alto. – Eu só vou perguntar uma vez, qual a sua ligação com Hoshi?
—O quê? – Perguntou ele se contorcendo, então Kazuno o jogou no chão.
—Encontrei seu nome na cabeceira de Hoshi, por quê?
—Calma, eu sou mensageiro... Um dos mensageiros que passam missões para Hoshi.
—E por acaso a missão que você passou era algum negócio em Mijolnir? Algo envolvendo Erick? – Indagou Kazuno com o mesmo tom de voz.
—Não, não sei, na verdade era em Ishikawa, eu só passei o nome de um mensageiro que por sua vez passaria algo grande para Hoshi, uma missão de muito dinheiro, cara. – Disse Jason Winter se encolhendo no chão de madeira do dormitório.
—NOME! QUERO NOMES! – Sussurrou Kazuno ainda amais alto.
—Takahashi! – Disse Winter. – É tudo o que eu sei...
—Então você mandou Hoshi até Ishikawa, no outro lado do mundo, atrás de um Takahashi e ele simplesmente foi? Acha que eu sou idiota?! – Exclamou Kazuno socando Jason no rosto.
—Calma! Você não conhece Hoshi, cara, ele é louco, se tiver dinheiro em jogo ele topa!
—Como eu faço para saber que você diz a verdade? – Perguntou Kazuno se aproximando.
—Tem um cara na central de missões, aqui mesmo no castelo, ele fica com o canhoto dos papéis das missões. Hoshi tem um esquema, ele aceita uma missão menor e volta com quase o triplo de dinheiro e dois canhotos assinados! Eu juro... – Terminou Jason.
—Depois disso tudo, Kazuno correu para o terceiro andar na ala sul do castelo, onde ele encontrou um salão vazio com a porta destrancada, lá havia pilhas de armários e prateleiras com o escudo cinza e a faixa vermelha, o mesmo símbolo que estava de broche na sua capa, símbolo do clã dos Mercenários.
Kazuno correu até achar o armário 157, do lado estava um compartimento de ferro com uma placa dourada cujo nome estava riscado e em seu lugar estava desenhada uma estrela. O ruivo encapuzado abriu o compartimento e retirou o papel-canhoto da última missão registrada de Hoshi, lá estava, “Missão: pegar um pacote em Hideki e levar na casa do Lorde Kyou em Ishikawa – Gondir”.
* * *
Três dias depois
Kazuno Takahashi já tinha tudo o que precisava para começar a busca pela verdade por trás da morte de Krïeger, ele vestiu a armadura de peão Humano, embainhou a espada de Krïeger no cinto, vestiu sua capa, acertou o broche com o símbolo de seu clã na capa e desceu o capuz.
* * *
Na zona sul de Ishikawa...
Sora vestiu seu traje preto com o símbolo de uma folha verde dentro de um círculo marrom, símbolo dos Camponeses. O garoto oriental caminhou até sua porta e tocou a maçaneta gélida.
—Vai sair a essa hora? – Perguntou Milla que ainda não havia vestido suas roupas e exibia seu corpo nu, branco como a neve, seus longos cabelos negros e lisos cobriam os mamilos dos seios. – Volta hoje, Sora-kun?
—Sim, Milla, eu irei sair. – Respondeu ele se virando e olhando nos olhos da garota oriental. – Mas não sei quando volto. Se cuida e... Não deixa Kyou-Sensei ficar sabendo disso aqui.
Então Sora abriu a porta, calçou as botas pretas e arrastou a porta da saída de sua casa, assim o garoto sentiu os primeiros raios de sol no rosto, estendeu a mão direita e foi engolido por um longo segundo de escuridão e inércia violenta, no outro segundo ele estava encarando um homem encapuzado num bosque durante a noite, era Kazuno. .
* * *
—Ishikawa. – Disse Kazuno assim que Sora apareceu do nada em sua frente. – É para onde iremos.
—Ótimo, sou da zona sul de Ishikawa! – Falou Sora sorrindo.
Kazuno foi para o lado de Sora e segurou seu ombro, então o Camponês ergueu a mão direita e eles desapareceram por um segundo e reapareceram em uma cidade movimentada e ensolarada, com homens e mulheres orientais indo e vindo, estabelecimentos com toldos, homens oferecendo seus produtos.
—Estamos no centro de Ishikawa, Kazuno! Bem vindo ao “outro lado do mundo!” Aonde iremos?
—Sinceramente, eu não sei! – Respondeu Kazuno. – Precisamos de um lugar para discutir as informações que eu obtive de forma carinhosa.
—Tem uma loja de lámen aqui perto! – Flou Sora mais alto que o barulho das pessoas ao redor.
—Desculpe o que diabos é lámen?
—Comida, só me siga. – Concluiu Sora começando a andar.
—Como estão as coisas aqui em Ishikawa?
—Complicadas... Samurais estão causando problemas em Kuribayashi, o clube dos três me aceitou e eu tenho que ajudar a resolver essa coisa dos Samurais, e Milla é problema também...
—Espera, Milla, a garota oriental que concertou meu ombro na guerra em Mijolnir? O que tem ela?
—Digamos que ela tenha passado a noite na minha casa. – Respondeu Sora rindo.
—Você tá pegando aquela garota? Quantos anos ela tem? 15?
-Não lembro, mas idade não me importa, a garota é fogo. Ih! Ali está. – Disse Sora apontando para um estabelecimento em que Haia um desenho de uma tigela com macarrão no toldo com um letreiro escrito em ideogramas “だれの土地” (Dare no Tochi).
Kazuno entrou no lugar, olhou ao redor e viu pessoas vestidas de todas as formas e haviam orientais e ocidentais misturados no mesmo lugar, então Kazuno retirou o broche com o símbolo do seu clã discretamente e puxou o capuz de uma forma que a sombra cobrisse quase todo o seu rosto, deixando apenas sua boca e queixo a vista e Sora colocou seu chapéu sombrero oriental com o mesmo objetivo. Os garotos encontraram uma pequena mesa de madeira redonda para dois e sentaram.
—Então, o que faremos? – Perguntou Sora ajeitando a gola alta de seu sobretudo preto.
—Iremos seguir os rastros de Hoshi, eu descobri algumas coisas que podem nos ajudar bastante...
—Tipo o quê?
—Seguinte: De acordo com um Mercenário mensageiro chamado Jason Winter, Hoshi veio a Ishikawa buscar uma missão grande e eu tenho quase certeza que tem a ver com a guerra de Mijolnir...
—Como assim? Aceitar uma Missão em Ishikawa e depois ir até Mijolnir? – Indagou Sora interrompendo Kazuno. – Por que eu sinto que ainda voltaremos a Mijolnir...?
—É, tem que ser isso, se não fosse algo grande assim, por que diabos ele se deslocaria tanto?
—Eu não sei, Kazuno-kun, mas se ele veio para cá, presumo que ele encontrou alguém, você tem algum nome?
—Bem, Winter disse Takahashi. – Falou ele exibindo uma expressão cética por baixo do capuz. – Mas eu não acredito muito nisso.
—Achei que sua família estivesse extinta e você fosse, tipo, “O último Takahashi”.
—Não, não, a minha família é grande, mas estão separados demais e não se mostram ativos. – Respondeu Kazuno sacudindo a cabeça
—Então há a possibilidade dos Takahashi estarem envolvidos nisso?
—Olha, os Takahashi se metiam com muita coisa, mas nada relacionado aos Mercenários, se tivesse algo acho que eu saberia.
—Você disse com os Mercenários... E com os Humanos? – Então se passaram cinco longos segundos até que Sora prosseguiu. – Há um motivo para eu ter te trazido para cá, tem muitos outros lugares que vende lámen, mas aqui no Dare no tochi tem uma pessoa a quem podemos pedir informações.
—Que tipo de pessoa?
—O tipo que sabe de tudo na cidade, uma senhora conhecida como vovó Arale. – Quando Sora acabou de falar, um rapaz oriental vestido de branco e com avental de cozinheiro se aproximou.
--彼らは何かの紳士をしたいですか?(Desejam algo, cavalheiros)? -私はおばあちゃんアラレと話すことを望みます(Desejo falar com a vovó Arale). – Respondeu Sora com tom casual. -はい、先生、私はそれを呼び出します(Sim, senhor, irei chamá-la). — Respondeu o jovem cozinheiro se retirando. Alguns minutos depois uma senhora bem idosa vestindo branco e com os cabelos brancos amarrados num coque apareceu e olhou para os dois viajantes com severidade. -立ち上がって、私は自分の部屋で2を提供します。(Levantem-se, irei servir os dois em meus aposentos). – Disse a senhora suspirando,virando as costas e começando a andar. -Vamos, Kazuno-kun, eu serei seu tradutor. – Disse Sora enquanto os dois se levantavam e seguiam a senhora para os fundos do estabelecimento. Após caminharem um pouco, a senhora Arale abriu uma porta de madeira de aspecto velho e quando os dois entraram, ela fechou e trancou. -ソラ!(Sora!) – Exclamou Arale furiosa. — あなたは本当に見当がつかない!どのように兵士のドレスここに来たのですか?あなたは馬鹿!(Você realmente não tem noção! Como é que você entra aqui vestido de soldado? Seu idiota!). -ごめんおばあちゃん (Sinto muito, vovó) – Respondeu Sora retirando o seu chapéu. — 私は服を変更する時間がありませんでした (Eu não tive tempo para trocar as roupas). -うん、もうそれを繰り返さないか、私の顧客を追い払うます (Tá, não repita mais isso, ou vai afastar meus clientes). Então ela puxou um banquinho e sentou cruzando os braços e após encarar Kazuno profundamente falou: “そこにサイレント立ってますか?(Vai ficar aí calado?) あなたは、私はあなたが私の言語を話すことができるかわからないと思いますか? (Acha que eu não sei que você sabe falar minha língua?) -おばあちゃん、彼女は間違っている、これは鹿角五段です (Vovó, a senhora está enganada, esse é Kazuno de Godan) – Disse Sora olhando estranho para a senhora. “それは私が古いですが、私は愚かではないよ、彼は五段であることは明らかです。彼は暗殺者です!” (É óbvio que ele é de Godan, sou velha mais não sou burra. Ele é Mercenário!) – Disse Arale batendo a mão em sua própria cocha. — 誰もがあなたがカバーの巨大なシンボルを取って見ている必要があります、より控えめです!(Todo mundo deve ter visto você retirando aquele símbolo enorme da capa, seja mais discreto!). -私は申し訳ありませんが、女性、私たちは私の母国語で話すことができ、より慎重になりますか?(Me desculpe, senhora, serei mais cuidadoso, poderíamos conversar na minha língua natural?) – Perguntou Kazuno abaixando o capuz. -É claro! Faz tempo que não exercito meu Godariano. – Disse ela sorrindo. – O que traz um Mercenário de Godan até aqui? -Nós queremos informações, vovó. – Disse Sora olhando assustado para Kazuno. -É claro que querem, você só vem aqui para isso mesmo. – Disse ela com expressão de tédio. — O que querem saber? -Bem, para simplificar, estamos procurando um Mercenário chamado Hoshi. – Disse Kazuno olhando para a senhora. – Tenho informações que ele veio para Ishikawa. -Hoshi? Isso é nome de gente? – Disse Arale exibindo expressão de nojo enquanto Kazuno olhava para Sora com receio. – Ele por acaso teria outro nome? -Kuro? – Palpitou Sora. -Ah! – Exclamou a senhora Arale com a mão na boca. – O Mercenário da estrela. -Oi? – Disse Sora. -Longa história. – Respondeu Kazuno. -Ele esteve aqui há alguns meses, ele estava procurando uma pessoa. -E a senhora poderia nos dizer quem ele procurava? -Oh, ele estava apressado, muito apressado, queria dinheiro, muito dinheiro... – Disse ela se perdendo no assunto. -Vovó? – Chamou Sora olhando para a pequena senhora que olhava para “o nada”. -Ah, oi! –Respondeu a senhora. — Ele procurava um homem, sim, um homem que eu achava que estava morto. Kazuki... Takahashi. -O meu pai? – Perguntou Kazuno assustado. -De quem ele é pai eu não sei, mas o jovem Kuro estava muito interessado nele, o engraçado é que dois dias depois de Kuro ter saído daqui ele apareceu vestido como um soldado. -Quem? – Perguntou Sora impaciente. -O velho Takahashi, seu demente! – Respondeu ela irritada. – Ele me disse que precisava voltar a Mijolnir... Eu não sei o que ele perdeu lá, os Vikings vivem em Mijolnir. Então eu disse que Kuro estava procurando ele, ai Kazuki-chan me perguntou se o garoto era um mercenário, porque o Krïeger Balder ou algo assim precisava de um, então eu disse “Sim, Kuro-chan é um Mercenário ambicioso”, ai Kazuki-chan me perguntou se o castelo abandonado estava aberto a visitas e então foi embora! -Mas está?! – Perguntaram Kazuno e Sora produzindo um som uniforme na sala. -Calma, garotos, óbvio que não está aberto para visitas, você deveria saber disso Sora, soube que você entrou para o clube dos três! -Eu não me importo com as edificações abandonadas de Ishikawa, meu trabalho é matar. Mas mesmo assim, muito obrigado Vovó, agora temos para onde ir! -Para o castelo abandonado? Estão loucos? Os arredores estão repletos de mendigos, ladrões e assassinos! Fora os guardas! -Os guardas não são um problema, me deixarão passar, sou um soldado. – Disse Sora cheio de si. -Não seja metido, Sora-chan. -Vamos, Kazuno-kun, o castelo não é muito longe. – Chamou Sora destrancando a porta. — ありがとう、おばあちゃん! (Obrigado, vovó)!
-Sora! – Chamou a senhora. – Coloque o chapéu, Takahashi-chan, dê um “oi” para seu pai.
* * *
Após saírem do restaurante da vovó Arale, Sora e Kazuno andaram até a zona leste de Ishikawa, o subúrbio, onde haviam muitos pobres, casa velhas, mendigos e no topo de um morro há um castelo vermelho, idêntico ao castelo que pertence aos Humanos em Mijolnir, a diferença é que este está com paredes quebradas, velho e cheio de musgo. Os dois andaram desconfiados o tempo todo até chegar na entrada do castelo, mas lá havia um grupo de mendigos comendo restos de alguma porcaria. -E então... Damos porrada em todo mundo ou procuramos outra entrada? – Perguntou Kazuno. -Parece que tem uma entrada na ala oeste, vamos andando. – Respondeu Sora enquanto eles corriam levemente sobre a grama alta e irregular que fica ao redor do castelo velho. -Por que esse castelo tá abandonado? – Perguntou Kazuno enquanto eles passavam abaixados encostando-se ao muro do castelo. -Depois eu explico, se concentra. Então eles encontraram um grande buraco que dava acesso às masmorras do castelo, assim eles seguiram. Sora sacou sua Katana de lâmina curta e Kazuno sacou a espada de Krïeger que refletiu a luz do sol e tornou as ruínas das masmorras iluminadas por um brilho dourado durante alguns segundos até eles adentrarem mais fundo no recinto. -EI! – Gritou um homem de preto que estava na masmorra, ele sacou uma espada e investiu contra Sora, que por sua vez desviou do ataque e enfiou sua espada no pescoço do homem, o que fez esguichar sangue em seu rosto. -Vamos seguir. – Sussurrou Sora. – Eu vou na frente. -Precisamos interrogar algum desses guardas. -Sou ótimo em interrogatórios. – Respondeu Sora sorrindo e andando mais rápido. – Precisamos achar a saída da masmorra, provavelmente encontraremos quem interrogar no salão do altar. -Altar? Não me diga que havia um rei aqui? -Havia, Ishikawa fez parte do império romano, era a sede do ocidente. – Respondeu o Ninja oriental quando eles finalmente encontraram restos de uma escada e uma porta no alto. – Temos que dar um jeito de subir. -Eu consigo sozinho. – Disse Kazuno embainhado a espada dourada e subindo correndo no que sobrou da escada, no último degrau, faltando cerca de cinco metros ele pulou e agarrou o chão sob a porta e fez força para subir. -Minha vez! – Então Sora correu e fez o mesmo percurso de Kazuno ainda mais rápido. Assim eles continuaram seguindo. Alguns metros à frente encontraram um grupo de mendigos reunidos ao redor de uma fogueira num salão grande. -É o salão que eu falei. – Sussurrou Sora. – Vamos dar uma surra neles, sem matar, vamos deixar um ileso e eu interrogo. -Por mim tudo bem. – Respondeu Kazuno quando eles entraram correndo no salão e começaram a atacar os mendigos, Kazuno puxou um e o socou no rosto, quebrou o nariz de outro com um chute e Sora batia com força nos outros com o lado cego de sua espada até sobrar só um de doze. -Há quanto tempo você está aqui? – Perguntou Sora ao último mendigo consciente enquanto apontava sua espada no pescoço dele. – Responda rápido! -Há alguns meses... -Por que você está tão fraco? Nem te bati ainda! -Ópio... – Disse Kazuno pegando um pequeno saco no chão com restos de pó preto parecido com areia. -O quê? – Perguntou Sora. -Droga de Voltumna, é um tipo de relaxante poderoso. Ele está drogado, acho que todos eles estão. – Respondeu Kazuno se abaixando até a altura do mendigo. – Quem te deu isso? Ele não veio andando de Voltumna sozinho. -Foi... Um monstro grande e preto, igual a você... Merda... Ele nos deu porções de “anfião” em troca de dizermos onde está o monstro de fogo... -Nossa, ele tá muito doido. – Disse Sora fazendo cara de quem comeu e não gostou. -Por acaso o monstro de fogo se parece comigo? – Interrogou Kazuno retirando o capuz e exibindo sua cabeleira ruiva. -SIM! Deuses, ele é igual a você... com um pouco de barba e mais velho... Ele subiu para o primeiro andar, no quarto real... Ah, que dor de cabeça. – Disse o mendigo colocando a mão na testa. -Você não é daqui, não é? – Continuou Kazuno. – Fala Godariano e é ocidental. -Eu... Eu... – Então um filete de sangue escorreu do nariz do homem e ele caiu com os olhos entreabertos. -Deixa ele ai, vamos! – Chamou Sora correndo pelas ruínas do salão em direção a uma porta que ficava do lado dos restos do trono de pedra. Após mais alguns minutos correndo no castelo escuro e abandonado eles encontraram uma grande porta quebrada, Sora derrubou o que restava dela e entrou no local. O quarto real era amplo e possuía um grande rombo no canto superior da parede por onde rais solares entravam e iluminavam o quarto, havia muita madeira quebrada no chão. Alguns móveis inteiros, um sofá sem assento, quadros com telas rasgadas, espelhos rachados e paredes cheias de musgo. Kazuno olhou através da janela quebrada e avistou um lago podre com alguns esqueletos e restos de armaduras. -Acho que isso está assim desde a invasão há uns cinquenta anos atrás. – Disse Sora. – Bem... não há nada inteiro e nem ninguém aqui, você tem um plano “b”? -Eu não tinha nem um “a”. – Disse Kazuno andando de um lado para outro – Porra, tem que estar aqui! Alguma coisa, qualquer pista. -É até estranho pensar que encontraríamos pistas de um assassinato recente num castelo que tem mais de mil anos. -Droga! Ajude-me a procurar algo, um recipiente, qualquer coisa! Hoshi e meu pai estiveram aqui, eu preciso achar qualquer coisa! – Exclamou ele chutando com força os restos do que se parecia ser uma cama, então quebrou o resto, abrindo passagem para enxergar o chão sujo. -Espera! – Disse Sora. – Olha! -O quê? – Perguntou Kazuno observando o amigo abaixando e apontando para uma espécie de puxador que estava grudado ao chão. Então Sora Puxou o anel de ferro com força até remover a pedra do chão, exibindo um buraco raso onde se encontrava um grande baú de madeira. -Será esta a pista que procuramos? – Perguntou Sora. – Mas não temos ideia de quanto tempo ela pode estar aqui. -Deixe-me ver. – Disse Kazuno se abaixando e puxando o baú colocando-o sobre os restos da cama. – Isso é madeira nova, Sora, foi colocado recentemente! Assim Sora arrombou o cadeado que trancava o baú e o abriu, exibindo milhares de papéis e envelopes. Kazuno pegou um, o aspecto era velho e o papel era antigo e estava amarelado, eram cartas, Kazuno olhou o final da carta e estava a assinatura “George E.”, então ele leu. “Caro Balder, sinto muito a sua falta, finalmente encontrei um esconderijo com pessoas que posso confiar, estou com Sr Natanael Takahama e sua esposa grávida Natasha Takahama, eles estão me alimentando e me escondendo dos rebeldes, bem, eu irei aguardar por notícias suas, não demore a responder” George E. -Um tal de George escreveu isso – Disse Kazuno. – Fala sobre rebeldes e uma família com o sobrenome parecido com o meu... Takahama, igual a cidade que meus pais moravam. -Kazuno... Você precisa ler isso. – Disse Sora exibindo um caderno aberto, era um diário, a página que estava aberta era da data de 710 D.C. – Encontramos. -Não... Isso é impossível, como...? – Disse Kazuno agoniado ao ler a página do diário. — Quem escreveu isso?! -George E. O mesmo cara, seja lá quem for, ele tem 100% de ligação com a morte de Krïeger. – Respondeu Sora com os olhos trêmulos. Enquanto Kazuno começava a ler da primeira página em voz alta:
-“Ishikawa – Gondir: abril de 699 depois da constituição, eu passei horas observando meu reflexo na água do lago, Balder me cutucou para dizer que as coisas em Mijolnir pioraram, meu pai foi preso, isso significa que logo terei de assumir meu posto como imperador... A revolução chegou aqui também, eles estão em todo lugar, estão me caçando, Balder matou muitos deles, estamos perdidos...”.
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