God of Mischief | Loki

7 Capítulo 6: De volta à Asgard


Notas iniciais
Oi pessoal! Desculpe a demora mas estive ocupada com a formatura do meu namorado este findi e o aniversario do vovô :3 Quero agradecer as minhas lindas Puella scribere e Gabi Sampaio pelos recadinhos! A Gabi comentou em cada um!!!! Altas emoções! Nesse capitulo vocês finalmente vão conhecer o passado da Liana. Espero que gostem. Vocês já podem começar a indicar a fic viu? Eu deixo! >.<Divirtam-se!

Rodamos de carro por quase uma hora para conseguir estacionamento. Loki olhava pela janela do banco do carona impaciente. Parecia uma criança mimada. ‘‘Isso não vai mais rápido?’’, ‘‘Você já passou aqui umas cinco vezes!’’. Ele esperava o que do trânsito de New York?

Quando finalmente consegui uma vaga, ele pareceu completamente aliviado. Descemos e escolhemos um restaurante italiano. Duas luzes brancas piscaram rápidas de algum lugar a nossa direita. Eu não vi o que era, mas Loki ergueu os olhos para o céu.

— Raios? – Perguntou duvidoso diante do céu límpido. Eu o encarei séria e cruzei os braços.

— Vai me dizer que tem medo de raios?- Debochei. Ele continuou com os olhos erguidos quando me respondeu.

— Medo, não. Apenas não gosto do que vem depois deles. – O que vem depois deles. Chuva?

Eu o segurei pela manga do terno e o empurrei para dentro do restaurante. O maître nos levou até uma mesa próxima a uma grande janela de vidro com vista para a rua. Um garçom nos alcançou o cardápio, mas eu o devolvi com um gesto simples.

— O de sempre, por favor. – Pedi. Loki ergueu os olhos do cardápio para mim e o devolveu também.

— O mesmo que ela. – Disse sem desviar os olhos.

— Em um minuto estará aqui. – Disse o garçom. – Com licença, Senhorita Stark e Senhor...?

— Você já pode ir. – Loki respondeu mal educado. O homem se retirou constrangido. Fiz uma careta para ele.

— Mal criado. – Reclamei. Ele ergueu uma sobrancelha, mas me ignorou.

— Porque te chamam de Stark? – Perguntou.

— Bom... Porque isso é o que consta nos meus documentos. – Respondi evasiva. Ele continuou me olhando com aqueles olhos verdes incisivos. – Ok. Eu vim da Alemanha ainda pequena, com meus pais. Eles vieram trabalhar em uma fábrica de sapatos. Minha mãe morreu no segundo ano em que estávamos aqui. Ela tinha um câncer quando viemos, mas quando descobriu já era tarde. Meu pai se matou três meses depois. Achei ele pendurado na nossa sala, quando voltei da aula. – Eu suspirei depois de quase cuspir as palavras. Evitava esse tipo de lembrança o quanto podia.

Nossa comida chegou. Salada caprese e penne ao sugo. Suco de uva acompanhava. Entre uma garfada e outra eu continuei falando. Ele prestava toda atenção do mundo.

— Eu fugi do nosso apartamento. Eu, menor de idade e sem parentes, seria enviada a adoção ou extraditada. Nada disso era uma opção. Fui viver na rua. Algumas pessoas ajudavam, mas em geral quem mora na rua ajuda uns aos outros. Se bem que sempre tem quem queira prejudicar. Mas poucas vezes eu passei fome, na verdade.

— Quanto tempo você ficou na rua? – Perguntou num tom neutro, olhando a própria comida.

— Uns dois anos. – Respondi. – As coisas melhoraram num inverno e eu estava atrasada para pegar vaga no abrigo da prefeitura. Teria que dormir na rua, mas nevava e eu estava mal agasalhada. Achei um beco qualquer e puxei uma lixeira de metal que encontrei e acendi o lixo para poder me esquentar. Se eu deitasse iria me afastar do fogo e morreria congelada. Então eu resolvi que ficaria acordada a noite toda. Era quase meia noite quando um carro parou perto e a Pepper desceu.

— Quem é Pepper? – Ele me interrompeu.

— Hoje ela é noiva do Tony, o Iron Man. Na época era secretária dele. – Loki acenou com a cabeça, uma expressão de entendimento no rosto e eu prossegui. – Bom, ela desceu do carro. Estava distribuindo alimento as pessoas que moravam na rua, mas ali só havia eu. Quando peguei o prato que ela me oferecia, Pepper viu que meus dedos estavam azuis de frio. A verdade, é que já estavam quase sem circulação. Eu me lembro da expressão dela. – Eu ri. Loki olhou para mim, seu copo a meio caminho da boca, a expressão dele mostrava que ele estava se divertindo. – Ela ficou chocada. Pediu que eu fosse com ela. Me levaria a um hospital. Eu disse que ao hospital eu não iria e se ela insistisse eu iria fugir. Pepper sempre foi um doce. Eu era muito menor e não parecia ameaçadora, então ela ofereceu para que eu dormisse no apartamento dela.

— E você foi? Simples assim?

— Eu não tinha nada a perder. Se precisasse fugiria dela. Fugiria de qualquer um. – Falei encarando meu copo. Loki era um bom ouvinte. Parecia que minha história o fascinava de alguma maneira. – Ela chamou um médico que me atendeu. Fiquei na casa dela por dois dias. Ela era confiável, não contou a ninguém sobre mim. Então eu lhe contei a minha história. Pepper disse que me levaria ao abrigo que a Stark Industries financiava e eu poderia viver ali, até me legalizar. Isso deveria ser um segredo. Para todos os efeitos eu era apenas mais uma pessoa no abrigo. – Conclui simplesmente. Ele havia terminado a refeição e me olhava curioso.

— Mas isso não me explica como você tem o nome do Stark. – Falou astuto. Não havia como escapar dele.

— Bom... eu comecei a seguir a Pepper para todo lado. Ela era praticamente minha irmã. – Loki bufou revirando os olhos. — Um dia eu a acompanhei até o Centro de Treinamento. Tony estava lá. Ele tinha retornado de um sequestro a pouquíssimo tempo. Estava obcecado com produzir um modelo mais eficiente da armadura que o tinha salvado. Mas ele tinha dificuldade em acertar os disparos. Achava que a armadura não estava calibrada ou algo assim. Eles conversaram a um canto. Fiquei curiosa sobre a luva de metal que ele usara para atirar. Sem que ele visse, eu a coloquei, mirei e disparei. – Nesse momento acho que me dispersei em devaneios porque Loki pigarreou me trazendo de volta. – Bom, como você deve imaginar eu acertei e Tony viu. Ele me pediu uma explicação de como eu tinha feito. Eu expliquei e ele conseguiu. Pepper lhe explicou quem eu era. Ele perguntou se eu conseguiria repetir com um arco. Eu não sabia, mas queria tentar. Meus tiros eram imprecisos, mas na quarta tentativa eu consegui achar o alvo. Foi então que ele me ofereceu patrocínio para entrar na equipe de arco e flecha.

— E então você aceitou. – Ele disse como se fosse óbvio.

— Na verdade não. Se eu entrasse para uma equipe meus documentos seriam revirados e eu e Pepper estaríamos encrencadas. Sei que eles conversaram muito sobre o assunto e Tony decidiu que me ajudaria. Na semana seguinte eu me tornei uma Stark. – As frases seguintes eu disse num sussurro. — Tony fez Jarvis invadir os sistemas nacionais e modificar meus dados. Eu precisava me tornar membro de uma família americana e influente para não ter problemas e precisava que alguém dessa família me acobertasse para que não se levantasse suspeitas. A solução óbvia seria eu me tornar uma Stark. Assim eu me tornei a filha bastarda de Howard Stark que foi criada pela mãe alemã e veio para a América depois que ela morreu. – Loki soltou um longo suspiro. Parecia impressionado. Era uma história complicada. – Claro que ele fez isso mais pela Pepper do que por mim. Mas eu realmente os considero minha família.

— Sorte a sua. – Loki disse num tom amargurado. Tinha algo que o chateava, eu podia sentir. Quando cogitei perguntar quase cai da cadeira. Clint Barton estava parado ao lado da janela conversando. Conversando com Steve. Deus o que eu ia fazer? Precisava tirar Loki dali naquele segundo. Se um dos dois olhasse mais atentamente para dentro nos pegariam.

Não tinha outro jeito, teríamos que sair dali imediatamente. Eu levantei repentinamente e Loki me olhou surpreso. Eu segurei a mão dele e olhei pelo canto dos olhos para os dois do lado de fora, meus lábios formando um silencioso ‘’anda!’’. Ele pareceu entender a situação e levantou me acompanhando. Mesmo que pudesse assumir outras aparências, fazer aquilo ali na frente de todos seria o mesmo que gritar por atenção.

Puxei um cheque da bolsa e, Tony que me perdoasse, preenchi com uns duzenos e cinquenta dolares e entreguei. Na hora que virei para sairmos pelos fundos, pude ver os olhos de Barton passarem aleatoriamente pelo restaurante e fixarem-se em Loki. Sua boca se entreabriu e Steve virou para olhar na mesma direção.

Puxei Loki pela mão e corri para a cozinha. Apenas tive um vislumbre de um sorriso cínico oferecido sem nenhum pudor aos outros dois antes que ele me acompanhasse pelas cozinhas. Eu ouvia o grito dos outros clientes no salão conforme Barton e Steve passavam derrubando coisas nos seguindo as pressas. Eu só conseguia torcer para que Steve não tivesse visto meu rosto.

Saímos na rua movimentada de trás do restaurante, cheia de caminhões de carga e descarga e taxistas impacientes, se quiséssemos o carro teríamos que dar a volta na quadra e certamente não tínhamos tempo para isso. Eu não sabia para que lado correr. Loki me puxou pelo braço e desatou pela esquerda na direção oposta a que encontraríamos o veículo. Ele era rápido demais para mim, para qualquer um na verdade, de forma que praticamente me arrastava. Ganhamos algum tempo de vantagem por isso. Quando dobramos a esquina vi que os dois ainda assim nos perseguiam.

Entramos no Central Park aos tropeços. Loki olhou irritado para mim.

— Você é muito lenta! Mesmo para uma humana! – Chiou. Eu olhei exasperada para ele que parara em meio às árvores. Se ele não lembrava, meus pés estavam remendados. O deus tirou um disquinho de dentro do bolso. Para minha surpresa aquilo se transformou em um planador que lembrava algo entre uma gôndola e um mini barco viking.

— Você vai embora? Para onde? — Perguntei afobada, olhando para trás. Ou tínhamos conseguido uma boa vantagem ou eles não nos encontravam no meio das árvores.

— Asgard. – Respondeu sem me olhar ajeitando um leme.

— Mas você estava preso!

— Eu sei disso melhor que ninguém. – Rebateu friamente. Eu podia ouvir passos se aproximando.

— Eu vou ver você de novo? – Me ouvi perguntar estupidamente. Os olhos verdes dele, que um segundo antes estiveram concentrados em uma corda enroscada ao leme, se voltaram bruscamente para mim, me fazendo dar dois passos para trás. Ele podia assustar. Os olhos dele percorreram todo meu rosto, as sobrancelhas franzidas.

— Vai. – Respondeu simplesmente. E sem desviar os olhos chamou em voz alta um nome que eu não conhecia. – Heimdall.

Uma luz colorida o atingiu e no segundo seguinte ele não estava mais ali. Apenas uma marca elaborada e queimada na grama havia restado. Eu estava completamente sozinha quando Barton e Steve me alcançaram. Ambos pararam olhando surpresos a marca no chão. E dela para mim. Barton xingou baixinho e Steve simplesmente se aproximou e me abraçou como se tentasse me proteger de alguma coisa. Alguma coisa da qual eu não queria proteção.