God of Mischief | Loki

8 Capítulo 7: Retornando


Notas iniciais
Oi pessoal! Quero desejar as boas vindas a Mekapieces. Leiam, divirtam-se, comentem e recomendem!

Loki surgiu em meio às rochas na montanha por onde tinha saído. Heimdall apenas ativara o portal oculto para ele. Se tivesse voltado pela Bifrost estaria com problemas.

Ele saiu da fenda na rocha, seu planador já guardado no bolso. Olhou ao redor. A confusão ainda estava instaurada, pois ele via tropas se deslocando pela cidade a frente e pelos campos. Alguns cavalos pareciam ter retornado. Era pouco mais de três da tarde e ele precisava esperar as tropas se recolherem para poder voltar para aquela toca onde Odin queria que ele ficasse. Sentiu o corpo estremecer com a raiva que sentia apenas em pensar no nome daquele velho.

Sentou-se na rocha e ficou observando a cidade por horas. Será que Liana estava com problemas? Lenta do jeito que era deveriam a ter alcançado. Não era problema dele. Ele nunca tinha conhecido ninguém com uma falta de sorte como a dela. Exceto talvez por ele próprio, claro que em proporções bem diferentes.

O que mais o tinha impressionado era a coragem dela. Ele havia entrado em seu apartamento e ela havia tido o sangue frio de mentir ao Hulk. Depois havia lutado contra um agressor visivelmente mais forte, mesmo sem grandes chances de vencer. Em seguida tinha aceitado sem protestos que ele ficasse hospedado na casa dela, sendo que semanas antes ele tinha destruído metade da cidade. Talvez fosse a fragilidade do momento, mas ela poderia ter se recusado a deixa-lo ficar. Não que a opinião dela fosse importar. Mas a maioria das pessoas ficaria apavorada.

Liana poderia ainda ter deixado que aqueles dois Avengers o capturassem e então ele estaria mais que morto agora. Ele não os vira, mas ela o alertara.

E ela atirava muito bem. Muito bem mesmo. Ele era obrigado a admitir que não faria melhor. Se bem que a ruiva tinha muito que aprender com Sif. Fazia tempo que não pensava em Sif. Pelo menos não lembrando os detalhes do rosto e o jeito como sorria. Liana era mais bonita, com os cabelos vermelhos da cor que o céu se tingia naquele momento, com os sóis se pondo e os olhos escuros como a alma dele. Era esguia e alta. Quase tanto quanto ele. Muito bonita.

Loki se levantou agitado. No que ele estava pensando?! Tinha que se preocupar com coisas realmente importantes.

Como ia entrar em Godheim, o castelo dos deuses, por exemplo. Não tinha combinado essa parte com a mãe. Loki assumiu a forma de um soldado e desceu a montanha. Caminhava calmo e firme. Alguém com muita pressa chamaria a atenção, ainda mais depois da confusão armada pela rainha.

Atravessou os campos e entrou na cidade. Ali apressou-se um pouco, muitos conhecidos poderiam vê-lo e, mesmo transformado, alguns eram capazes de reconhecê-lo. Mesmo apressado não pode deixar de apreciar os lugares onde brincara com o irmão quando criança, o cheiro de pão, o barulho da ferraria, as pessoas ao redor comprando e trabalhando. Ele nunca pertencera de verdade aquele lugar e agora muito menos.

O homem entrou no palácio pela porta da frente, como um desafio velado, e foi diretamente ao calabouço. Não pode evitar a ousadia de passar em frente ao salão do trono. Odin não estava ali, mas a mãe estava sentada e conversava com Thor diante dela. Os olhos dela o encontraram por cima do ombro do irmão e ela sorriu discretamente. Sabia que era ele. O palerma do irmão nem notou.

Loki entrou no calabouço e viu sua própria projeção sentada na janela da cela. Sua mãe era boa naquilo. A postura era perfeita. O único defeito era que os olhos do falso Loki não se moviam enquanto ele aparentemente lia um livro. Ficou parado ao lado como um guarda faria.

Cerca de meia hora depois, Frigga entrou no corredor parecendo tranquila. Caminhava altiva e segura pelo corredor, na ausência de Odin ela era a autoridade, qualquer sinal de insegurança chamaria a atenção. As barreiras que mantinham os outros prisioneiros fechados iam tornando-se escuras conforme ela passava. Privacidade. Vestia um vestido longo de um amarelo suave e trazia uma adaga prateada na cintura. Aquela adaga já havia sido dele, mas desde que estivesse com ela, Loki não se importava.

Na metade do corredor ela apertou o passo, agora que ninguém os veria e abriu os braços oferecendo um abraço. Ele voltou a sua verdadeira aparência e caminhou para ela sorrindo, um olhar brincalhão nos olhos, e a abraçou.

— Você está bem, querido? – Perguntou com doçura. Ele confirmou com um aceno de cabeça segurando ambas as mãos dela. Ela lhe ofereceu um sorriso cheio de compaixão. Teria que fecha-lo outra vez. Ele havia se tornado um cachorrinho que a mãe deixava passear esporadicamente. Frigga sussurrou algumas palavras e tanto sua projeção quanto a barreira sumiram.

Com um suspiro, Loki assumiu suas roupas de prisioneiro outra vez, beijou-a na testa e entrou. Ela o fechou lá dentro, secando uma lágrima com a manga do vestido.

— Em cinco minutos, jantar. – Ela informou. Ele concordou. Frigga se retirou sem olhar para trás. Os olhos de Loki varreram a cela. Ódio.

O homem sentou a beirada da cama e enterrou a cabeça nas mãos, os dedos emaranhando-se aos cabelos. Puxou-os com força, reprimindo um grito. Desejava destruir alguma coisa. O pai ou o irmão de preferência. Respirou fundo tentando um pouco de autocontrole.

Um prato com ervilhas, arroz, salada e carne de javali surgiu na mesinha. A mãe estaria ali em poucos minutos e ele precisava passar tranquilidade. Precisava distrair a própria mente. Ele era muito hábil em fazer isso com os outros, mas quando se tratava dele mesmo... Se bem que, Liana também não era fácil de dominar. De alguma maneira ela sempre percebia quando estava ficando sob a influência dele. Chacoalhou a cabeça afastando o pensamento.

A projeção da mãe surgiu sentada a mesinha. Ele a olhou pelo canto dos olhos, sem virar o corpo. Respirou fundo mais uma vez e se sentou diante dela. Ambos se olharam seriamente durante alguns segundos, uma onda de segredos passando entre eles. Frigga sorriu.

— Um soldado acabou de encontrar Gungnir. – Ela informou. Loki inclinou levemente a cabeça em direção a ela, reprimindo um sorriso. Ela havia armado tudo.

— E onde estava? – Ele perguntou sarcástico.

— Em Vanaheim. – A mãe respondeu dando de ombros. Ele riu. Ela era esperta. Vanaheim era a terra dos deuses mais benevolentes, então ninguém procuraria ali. E se alguém por acaso achasse, nada de ruim aconteceria. – Seu pai quer investigar quem o teria levado e largado lá. – Disse isso de forma displicente. Ele virou o rosto levemente de lado, demonstrando preocupação, uma expressão séria. Ela sorriu com doçura começando a comer. Se ela se sentia segura, então ele ficava tranquilo. Ela sempre fora muito cuidadosa com tudo.

Ele comeu também. Tinha gosto de serragem em sua boca, mesmo sabendo que sua mãe que tinha preparado. Atribuiu o gosto ao retorno a prisão.

— Filho? – Ela chamou timidamente. Ele sabia o que ela queria, atendeu-a prontamente erguendo os olhos do prato e olhando para ela. Sentiu um turbilhão de emoções o percorrendo, misturadas. Quando Frigga desviou os olhos, sorria. Amplamente. Satisfeita com algo. Como se depois de semanas algo no futuro que ela costumava visualizar tivesse mudado. Ela olhou para trás por um momento.– Como você acha que é o clima em Midgard nessa época? – Perguntou. Ele franziu as sobrancelhas pensando. Achava que sabia do que ela falava.

— Chuvoso? – Arriscou. Ela fez um aceno mínimo com a cabeça confirmando que ele acertara.

— Deve ser muito ruim para uma moça sozinha. Perigoso, eu diria. – Loki manteve-se calado a olhando. Uma expressão travessa percorreu o rosto dele. – Eu me sentiria muito orgulhosa se um dos meus filhos fizesse algo bom por uma pessoa mais frágil em uma situação difícil. Entende? – Ele sorriu, um rara sensação de felicidade percorrendo seu corpo. Ela sabia, Heimdall deveria ter contado ou ela vira em seu destino.

— Entendo sim. Eu não seria a pessoa certa a fazer isso. Pelo menos ninguém consideraria. – Ele falou num tom áspero. Ninguém esperaria dele um comportamento altruísta.

— Eu acho que você é a pessoa certa para fazer qualquer coisa. – Tola. Ela acreditava nele. Acreditava que ainda havia algo que prestasse por trás daqueles olhos verdes repletos de raiva do mundo. A mãe assumiu uma expressão travessa idêntica à dele, antes de prosseguir a conversa.

— E as mulheres de Midgard devem ser muito bonitas. Devem achar problemas com frequência. – Ele lhe deu um olhar de alerta, um meio sorriso brincando nos lábios. Ela estava indo longe demais. Supondo coisas demais. Frigga não desistiria. – Você não acha? – Insistiu, inclinando a cabeça inocentemente, enquanto largava os talheres no prato. Ele suspirou.

— Devem ser. – Ele disse entre dentes. Frigga lhe deu o maior sorriso que ele havia visto nas últimas semanas. Loki virou os olhos para o teto. A mãe riu.

Uma voz masculina falou algo através de uma porta atrás da deusa. Uma voz como um trovão, que só poderia pertencer a Thor. A expressão de Loki tornou-se hostil de imediato. Thor estava avisando que o tempo deles havia terminado. Loki levantou-se antes que a mãe sequer falasse. Seu prato e talheres sumiram, enquanto ele se sentou em uma poltrona a um canto puxando um livro.

— Loki, eu vou ir visitar algumas amigas essa semana porque todos estaremos muito ocupados nas festas da semana que vem. – Falou apressada, antes que a projeção se desfizesse. Ele não ergueu os olhos da contracapa do livro. – Vou visitar Freya, Liana e as Valquírias. – Falou apressada. O deus a encarou tão depressa que poderia ter quebrado o pescoço. A mãe não conhecia nenhuma Liana. – Quer que eu mande algum recado para elas? – Disse a projeção começando a se desfazer. Loki pareceu desorientado por um segundo, olhando ao redor procurando uma resposta adequada como se esperasse que ela estivesse escrita em uma das paredes. Antes que percebesse ouviu-se falando em uma voz alta e clara.

— Diga que confiem em mim. – Ele pode ver um sorriso no rosto da deusa, antes que desaparecesse. Em uma única frase ela havia lhe dito a próxima data de fuga, o Festival do Sol, e indicado que sabia quem era a mulher que ele havia socorrido. E que iria procura-la.