Notas iniciais
Então pessoal, desculpem a demora para postar esse capitulo. Esse aqui foi quase um parto. Tenho alguns agradecimentos para fazer: A Newmee 14, Steffany rio e danonevans pelo primeiro comentário na fic. Seja oficialmente bem vindos! A linda da Agente Hale que fez uma recomendação divina! E a todos vocês que me incentivam a escrever! Divirtam-se!

Caí de joelhos, embora Loki ainda tentasse me apoiar. Fui puxada bruscamente pelo braço quando me colocou de pé e começou a correr para a saída me arrastando consigo. Tive tempo apenas de vislumbrar um homem alto em armadura dourada, parado estarrecido no meio do amplo salão. Quando cruzamos a porta, senti que meu cérebro poderia dar pane. Estávamos em algum tipo de ponte brilhante multicolorida. Abaixo um enorme oceano e a frente uma cidade com um gigantesco castelo destacado. Eu conhecia o castelo. Ouvi o grito de Thor alguns metros atrás.

— Loki! — Sua voz era pura fúria esboçada em um timbre grave e poderoso. Como um trovão. Mesmo gritando, era notável a diferença para o timbre de Loki, que tinha uma fala macia e arrastada, saboreando as sílabas das palavras. Se uma cobra falasse seria igual a ele.

O deus da trapaça se virou para o mais velho, me ocultando atrás de si. Pelo que pude perceber, Thor sabia tanto quanto eu sobre a sobrevida dele.

— Feliz em me ver, irmão? Imagino o quanto você deve ter sofrido pensando ter se tornado filho único — falou com um sorriso irônico nos lábios. Thor estava cego pela raiva, bom, se eu tivesse cinco minutos de tempo para absorver o que estava acontecendo provavelmente também estaria. O deus do trovão arremessou o martelo soltando um urro, contudo o irmão desviou com certa facilidade, apenas dando um passo para o lado e para minha surpresa usou o cabo do cetro, que ele erguera do chão ao se deslocar, para me manter atrás de si me guiando como um pastor faria a uma ovelha. Loki riu olhando o martelo retornar a mão de Thor.

— Eu vou matar você! — o asgardiano gritou.

— Não, irmão. Você vai se ajoelhar! — gritou, um luz dourada voando da ponta do cetro em direção ao outro. Thor saltou por cima daquilo, subindo quase três metros no ar, o martelo erguido acima da cabeça. Loki não hesitou. Não hesitou em me empurrar para fora da ponte. Algo me impediu de gritar. Eram quase vinte metros de queda e eu sabia que o impacto me mataria. No último segundo senti como se uma mão me amparasse. Mal afundei na água, mas meu arco e as flechas sumiram nas profundezas. Eu os convocaria depois.

Olhei para cima a tempo de ver Thor acertar o irmão no rosto com aquele enorme martelo. Ele havia tentado aparar o golpe com o cetro, porém o outro tinha sido mais preciso. Loki caiu no chão parecendo estar desacordado, sua arma tombando metros afastada. O deus do trovão tornou a erguer o martelo. Acertaria na cabeça. Pude sentir o grito se formando em minha garganta, mas repentinamente o próprio Thor foi atirado longe por uma luz dourada e ofuscante. O homem de armadura refulgente vinha caminhando pela ponte, uma grande espada de ouro nas mãos. Eu consegui ouvir com clareza a voz daquele guerreiro, mesmo com a distância e o barulho do mar.

— Thor, meu amigo. Isso é uma decisão do Pai de Todos. Leve-o de volta para o lugar a que ele pertence até Odin poder dar sua palavra — sugeriu apaziguador. Thor o olhava com uma expressão dura no rosto. Balançou a cabeça, consternado.

— Eu não acredito que ele fez isso — confessou com a voz dolorida.

— De todas as coisas que Loki certamente é, confiável não pode entrar na lista — o outro disse simplesmente. — Faça o que Frigga gostaria — propôs. Frigga! Ela estava ali em algum lugar e agora seria um momento excelente para encontrá-la.

Thor ergueu o irmão pela metade do corpo com uma das mãos e o carregou para fora da ponte muitos metros adiante. O homem que o golpeara ficou parado observando. Eu olhei ao redor vendo qual seria a menor distância para sair da água, mas antes de começar a nadar me senti erguer no ar, flutuando.

Quando percebi estava diante do homem. Era bastante alto, até mesmo maior que Loki, a armadura dourada se destacando em sua tez escura. Ergui apenas meus olhos para ele, sem mover a cabeça, desejando meu arco de volta do mar com desespero. Esperei que me acertasse ali mesmo, no entanto, ao invés disso, apenas falou.

— Uma guerreira desarmada não é uma guerreira. — Ao terminar a frase, ouviu-se o barulho de algo chegando à tona no mar abaixo com grande pressão. A aljava se chocou contra meu corpo e eu sem forças cambaleei dois passos em sua direção. Segurei o arco antes que me acertasse o rosto. Precisava pegar o jeito disso. O homem pousou uma mão em meu ombro me fazendo estremecer de nervosismo. — Já tem sua arma. Não vou fazer nada contra você. Frigga mandou protegê-la até poder seguir seu caminho — explicou de forma misteriosa. A menção a Frigga me tranquilizou e deixei-me guiar de volta à grande cúpula por onde tínhamos chegado. Eu não sabia que fim minha voz tinha levado.

Entramos e pude ver que dali era possível observar centenas, milhares de estrelas de constelações das quais nunca tinha ouvido falar. Ele observava e ouvia tudo do seu posto. Ele era Heimdall, percebi como se soubesse desde o início.

Havia a um canto do salão amplo uma escada circular descendo para o interior daquela cúpula. Fomos por ali e para minha surpresa abaixo daquele andar existia uma sala, grandes poltronas de estofado vermelho, tapetes com estampas de pássaros coloridos, espelhos e quadros com paisagens de lugares inóspitos, uma grande mesa com tampa de mármore e pés de raízes de árvore ocupava o lado da janela por onde se viam mais estrelas. Havia um enorme lustre dourado no teto onde velas queimavam sem derreter.

Heimdall me indicou um corredor longo onde sobre a parede era visível a pintura de uma enorme árvore com nove círculos distribuídos em seus ramos e próximo às raízes havia o nome Yggdrasil escrito em letras rebuscadas.

— No final do corredor está o seu quarto. Tem roupas limpas e uma tina para banho. A noite eu virei e poderemos conversar — falou com sua voz grave sem dar muitos detalhes ou aguardar resposta, me deixando sozinha, subindo pelas escadas outra vez.

Caminhei a passos lentos pelo corredor, meus dedos passeando pela parede pintada. O quarto era grande, com uma enorme cama de casal e um dossel de onde pendiam cortinas de voal num tom branco perolado. Havia uma tina de madeira cheia de água, com frascos dourados e um sabonete muito cheiroso apoiados em uma mesinha. Havia uma poltrona de espaldar alto bem ao lado, onde repousavam peças metálicas e um amontoado de tecido. Heimdall estivera claramente me esperando. Como poderia saber que eu viria, não sabia. Me sentei na beirada do colchão e larguei o arco. Desamarrei os coturnos e me desfiz das roupas, entrei na tina e dobrei os joelhos afundando. Lavei os cabelos tentando não pensar em nada. Minha vida estava uma bagunça. Como eu havia me metido naquilo tudo? Como podia estar em Asgard?

A lembrança de Loki surgindo naquela floresta perdida no meio do nada me veio como um soco. Senti minhas lágrimas finalmente rolarem e caírem se misturando a água da tina. Talvez estivesse em choque. Quando Jane Foster dissera sobre a morte dele eu havia ficado apática e frágil como cristal. Mas o deus estava vivo e pude deduzir que escondera esse detalhezinho do irmão com muito cuidado.

E Steve? Como estaria? Eu não sabia se acreditava em mim, porém se tivesse a chance de falar com Banner ele acreditaria. No entanto, os agentes afastados por Loki nos viram juntos. Contariam e aquilo complicaria ainda mais as coisas. Eu precisava acreditar que Steve ouviria Banner. Se eu perdesse a confiança dele... me ouvi soluçar com aquele pensamento.

E Anong? Ela tinha levado um tiro e era tão pequena! Eu precisava confiar que o Hulk poderia protegê-la. Meus problemas agora eram como eu sairia daquela confusão. Eu estava em Asgard! Eu soluçava tão alto que certamente Heimdall poderia ouvir. Se bem que mesmo que eu o fizesse o mais silenciosamente ele ainda ouviria se prestasse atenção em mim.

Deus, como eu havia me metido naquilo tudo? Estava a sabe-se lá quantos anos-luz de distância da Terra. Era uma inimiga da humanidade, de acordo com a S.H.I.E.L.D. e se me atrevesse a pôr meus pés novamente lá estaria mais do que morta em questão de horas.

E a única pessoa capaz de provar que eu não havia planejado acobertar uma invasão ao meu próprio planeta estava nocauteada em algum lugar dentro daquele castelo. Pelo menos ele não estava morto. Comecei a controlar minhas lágrimas. Havia uma pessoa que podia provar minha inocência e enquanto ela permanecesse viva eu poderia resolver o problema.

Saí daquela tina com água e me sequei em uma toalha branca apoiada ao lado dos frascos. Peguei a pilha de panos na poltrona. Era um vestido longo, com decote quadrado, de seda preta e todo bordado com fios dourados e de tons vivos de vermelho. Os bordados mostravam flores que eu não conhecia próximas aos punhos e uma ave, de asas abertas com seis longas plumas na cauda, cobria as costas. Era bastante justo na cintura e folgado nas mangas que desciam até a altura dos meus joelhos. A manga do braço direito era para ser encaixada, como se fosse uma luva, deixando um espaço um pouco acima do cotovelo destapado. Olhei para o bracelete que atraia minha aljava. Era para isso o espaço. O vestido havia sido feito sob medida para mim.

As partes metálicas pareciam compor uma armadura, contudo eu não fazia ideia de como vestir aquilo, então as deixei onde estavam. Penteei os cabelos e os amarrei em uma trança lateral folgada. Meu cabelo estava mais comprido que nunca e mesmo amarrado chegava à cintura.

Deixei o quarto e parei olhando com mais atenção a pintura na parede do corredor. Só então percebi que os círculos desenhados tinham nomes pequenos nas mesmas letras rebuscadas. Na parte mais alta estava Asgard seguida de perto por Vanaheim e Svartalfheim, exatamente no meio da árvore estava Midgard ladeada por Alfheim e Jotunheim e quase nas raízes ao meio havia Niflheim e aos lados Nidavelir e Muspelheim. Eu sabia muito pouco sobre aqueles nomes, apenas que Asgard era onde eu estava e Midgard para onde precisaria voltar mais cedo ou mais tarde.

Segui andando pelo corredor e cheguei novamente à sala. Sentei em uma das cadeiras da mesa e observei as estrelas lá fora. Aquele lugar era incrível. Quase me fazia esquecer meus problemas. Me perguntei o que Thor faria à Loki. Heimdall havia dito que era ‘‘uma decisão para o Pai de Todos’’. Fosse quem fosse eu esperava que ele tomasse uma boa decisão. Me peguei sorrindo, como uma boba. Loki estava vivo.

Acabei cochilando sentada na cadeira vencida pelo cansaço dos últimos dias. Acordei assustada me pondo de pé com um salto, quando ouvi o guardião descendo as escadas. Ele fez um gesto com as mãos indicando que eu poderia me manter sentada. Tirou o capacete e o largou em uma das poltronas, sentando-se do outro lado na mesa, de frente para mim. Travessas surgiram na mesa, assim como pratos. Havia arenque ao molho de iogurte, batatas assadas, arroz, uma salada de folhas muito fininhas e roxas além de uma torta. Era um banquete.

— Sirva-se — convidou ainda dono de poucas palavras. Com a fome que eu sentia ele não precisaria falar duas vezes. Comemos em silêncio. Bom, na verdade eu comi, ele mal tocou sua refeição. Assim que terminei de comer, reencontrei a capacidade de falar.

— Loki? — perguntei simplesmente. Heimdall me olhava atentamente com aqueles grandes olhos dourados, como se avaliasse quanto eu merecia saber. Era um homem muito sério.

— De volta à prisão — esclareceu seco. Então acrescentou. — Deve ser executado dentro de seis dias, acredito. — Executado. Aquela palavra ficou ecoando na minha cabeça. Tentei deixar o meu semblante o mais ilegível possível, embora o monstro do pânico estivesse se agitando.

— Thor não me viu? — indaguei a primeira coisa a passar por minha mente numa tentativa de quebrar o silêncio. Ele havia agido como se nem tivesse me enxergado.

— Loki deve tê-la ocultado em uma ilusão — explicou, paciente.

— Mas você me viu...

— Eu não sou Thor — desconversou dando de ombros. Mas se Loki me ocultara, por que tinha me mantido atrás dele? A imagem do enorme martelo me veio à mente. Thor jogava aquilo para todo lado. Se acertasse nele machucaria. Se acertasse em mim, mataria. Havia me protegido mais uma vez. Para depois me jogar da ponte. Louco. — Você deve ir pelo meio da cidade. Atravessando a Bifrost — orientou, dando informações que eu não entendia e nem sabia o que significavam. — Pegue a armadura — mandou. Eu não ia discutir, busquei aquele monte de metal e trouxe até ele.

Heimdall me ajudou a vestir as partes da armadura e me deu uma breve explicação de como fazer isso, falava de um jeito paciente e calmo, mostrando os encaixes e fivelas. Era como da primeira vez em que eu havia encontrado Frigga, tapando meu abdome, como um corselet faria, deixando a parte do busto desprotegida e ocultando apenas meu braço e ombro direito. Era prateada e toda decorada com a mesma ave das costas do vestido, mas também com gravuras de cobras. Tudo gravado em baixo relevo. E era muito, muito leve, quase como se eu não a estivesse vestindo.

Ao terminarmos, peguei meu arco, as flechas e subimos. Heimdall voltou a sua vigília como se não planejasse dormir. Talvez não precisasse mesmo.

— Esteja de volta antes de amanhecer e não fale com ninguém — orientou. — Aprenda o caminho e volte. — Eu assenti concordando.

Atravessei toda extensão da ponte e cheguei à entrada da cidade. Restavam poucas pessoas aquela hora, apenas os festeiros, mas pareciam notar quando eu passava. Eu não sabia se era meu cabelo chamando mais atenção do que eu gostaria ou a armadura muito mais completa do que a das mulheres circulando no entorno, já que entre elas as peças de armadura trajadas pareciam muito mais com acessórios do que itens de defesa. Então percebi que aqueles a passarem por mim estavam curiosas na verdade com o arco sem corda. A maioria dos homens levavam espadas na cintura e as mulheres no máximo uma adaga. Eu não conseguia dar toda atenção às coisas ao redor preocupada que estava com a iminente execução da única pessoa com poder de me tirar daquela enrascada.

Eu queria chegar ao castelo, no entanto, apesar dele ser enorme e muito visível, as ruelas da cidade dificultavam meu trajeto. Estava pronta para perguntar a um homem quando me lembrei da advertência de Heimdall sobre não falar com ninguém.

Me sentia de volta à idade média, ao mesmo tempo em que via coisas visivelmente mais modernas. Apressei meu passo e quando percebi estava de frente para uma grande muralha rodeando o castelo, caminhando mais alguns metros encontrei a entrada e me vi no jardim. Vários metros à frente eu reconheci a porta que me levaria à sala do trono, então me peguei repassando detalhes de uma conversa antiga. ‘‘Pelos jardins, passando o lago, as peras-melancias e descer as escadas’’.

Então as coisas haviam se tornado claras como água. Frigga de alguma maneira planejara tudo aquilo. Ela sabia que eu chegaria a Asgard e Loki teria sua execução agendada. Estava armada e agora tinha uma armadura própria para arqueiros. Me vestia como as pessoas de Asgard, não chamaria atenção além do necessário. Eu conhecia o caminho até as masmorras onde o deus aguardava pela morte. Eu estava ali para ajudá-lo a escapar.

Apoiei as costas no muro, me sentindo repentinamente exausta. Não tinha talento para aquele tipo de coisa. Natasha conseguiria fazer algo assim com a perna nas costas. Eu morreria no processo. Não, não, não. Eu não ia fazer aquilo. Contudo, se não fizesse em seis dias Loki estaria morto. E se acontecesse ninguém poderia argumentar a meu favor. Deslizei pela parede me sentando no chão. Teria que o tirar de lá de algum jeito. Respirei fundo e me levantei, precisava voltar para a torre de observação de Heimdall.

No segundo em que me virei, choquei-me de frente com alguém, fazendo as armaduras retinirem alto. Uma mulher, apenas um pouco mais baixa que eu. Tinha longos cabelos pretos e ondulados e olhos num tom escuro de verde. Era magra, mas repleta de curvas e vestia uma armadura completa. Ela carregava uma espada longa e um escudo.

— Desculpe, achei que estivesse passando mal ou alguma coisa assim — se justificou por estar à espreita. Eu não sabia o que dizer, resolvi aproveitar sua própria sugestão.

— Me senti um pouco tonta, mas já passou. Obrigada — agradeci tentando me esquivar. Ela sorriu, mas não se afastou.

— Você não é daqui, é? — quis saber. Lembrei de que não devia falar com ninguém. Meu cérebro trabalhava acelerado buscando uma resposta. Ela sabia que eu não era local, então não existia sentido em mentir a contradizendo.

— Não... — confirmei hesitante. — Vanaheim — informei repetindo o primeiro nome a lembrar presente na pintura do corredor de Heimdall. Aquilo pareceu bastar, ela sorriu satisfeita com a resposta.

— Imaginei, não tem muitas guerreiras aqui além de mim. — Ela falou olhando o arco na minha mão. Isso eu já tinha reparado. — Como se chama?

— Liana — falei a verdade. Não via sentido em mentir.

— Eu sou Sif — a guerreira se apresentou. — Você vai ficar em Asgard para a execução? — perguntou num tom sério. Repentinamente percebi que não gostava de Sif.

— Não — neguei brusca. Não haveria nenhuma execução se eu pudesse evitar. — Preciso voltar para casa antes disso.

— Ah, uma pena. — Ela parecia lamentar sinceramente. — Pelo menos Frigga não vai ver isso acontecer, ficaria muito magoada. Não é exatamente comum um príncipe ser executado, não é? — indagou pensativa. Frigga não veria. Onde ela estava? E Loki era um príncipe? Trouxe minha mente de volta a realidade e notei que ela não parecia minimamente horrorizada com a ideia. Era quase como se esperasse por algo assim há tempos. Eu a detestava a cada segundo um pouco mais. — Mas depois de tudo o que Loki fez, vou ficar admirada se Odin não o sentenciar quando acordar. — Assenti forçando um meio sorriso.

— Eu preciso ir — falei um pouco brusca demais. — Em outra oportunidade, você pode me contar como foi a execução — disse oferecendo um sorriso falso. — Foi um prazer, Sif. Muito obrigada por sua ajuda.

— Claro. O prazer foi meu — respondeu com serenidade.

Me afastei dela o mais rápido possível, voltando com mais facilidade pelo caminho. Havia apenas um pensamento em minha mente naquele momento: Sif não assistiria nenhuma execução.

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Loki acordou sentindo como se os ossos da mandíbula tivessem sido triturados e recolocados no rosto.

Sabia que Thor o tinha acertado em cheio, porém se tivesse se preocupado em defender-se, o irmão poderia ter matado Liana acidentalmente. E precisava dela viva.

Sentou-se sentindo a cabeça latejando. De volta à cela e agora sem a posse de Gungnir. A raiva borbulhava dentro dele como algo cozinhando em fogo lento. Levantou-se e andou pelo espaço. Alguns dos prisioneiros gritaram para ele. O príncipe de volta à masmorra. Loki olhou ao redor, a cabeça levemente abaixada. Ergueu os olhos para a mesinha onde comia. Sua mãe não viria em seu socorro. Deu um soco na parede num impulso. Evitava pensar em Frigga, desde... evitava pensar nela.

Ninguém veio lhe dizer nada. Thor o havia largado ali e não lhe diriam nada. Sabia que se não estivesse fora da cela em pouco tempo teria sua execução em praça pública. Odin almejava aquilo desde que voltara. Ele não tinha medo. Já havia desejado aquilo muitas vezes.

Se perguntou se Liana sabia nadar. Não tinha pensado nesse detalhe e humanos eram tão incapazes que provavelmente tivesse afundado no mar como uma pedra. Não podia ficar se preocupando com isso. Ela era descartável, um mero dano colateral. Se conseguisse sair dali, coisa que estava começando a aceitar como impossível, arranjaria outro humano para fazer o que era preciso.

Mas e se ela soubesse nadar? Heimdall a enviaria de volta a Midgard. Loki sabia que o guardião seria capaz de vê-la. E as coisas não pareciam estar melhores para ela em Midgard, do que estavam para ele em Asgard.

Não havia mais livros naquela cela. Se sentou na poltrona próxima a janela e afastou os pensamentos da mente, ficando apenas com o latejar daquele maldito Mjolnir. Fechou os olhos e tentou dormir, imaginando se a morte seria parecida com o ato de adormecer.

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Eu acordei na manhã seguinte já passando das onze. Na sala meu almoço me aguardava, mas eu mal toquei na comida. Subi as escadas em busca de Heimdall.

Ele estava na sua vigília, quase na mesma posição em que eu o achara ao voltar na noite anterior.

— Dormiu bem? — perguntou com aquele seu vozeirão, sem me olhar, com algum senso de humor pelo horário tardio.

— Sim, obrigada – agradeci sem me constranger. — Heimdall... Frigga planejou minha vinda aqui e você era parte do plano dela — a afirmação fez com que ele olhasse para mim. — Como farei o que ela espera que eu faça? — indaguei em um tom que deixava claro minha insegurança. Ele virou o corpo totalmente para mim.

— A rainha sabia o que estava fazendo quando viu em você o necessário para essa missão. Você irá achar um jeito. Esteja preparada para uma jornada mais longa do que a planejada — disse quase como um pai faria ao incentivar um filho em alguma atividade. Não que eu tivesse muitas lembranças assim, mas era o que eu esperaria. — Apenas não seja pega e saiam de Asgard o mais rápido que conseguirem — orientou. ‘‘Eu posso fugir de qualquer um.’’

— Ninguém vai me pegar — declarei com mais certeza do que pretendia. Pela primeira vez vi Heimdall esboçar um sorriso.

— Pegue o que precisar e parta durante a noite — instruiu. — Vou manter os olhos afastados de vocês enquanto eu puder — avisou em um tom de cumplicidade. Não pude reprimir um sorriso antes de descer as escadas novamente.

Passei o resto da tarde separando coisas que poderíamos precisar, mesmo sem saber exatamente como decidir. Um cobertor, um cantil com água, algumas frutas e pão. No quarto de Heimdall peguei de um suporte duas adagas prateadas com as empunhaduras repletas de esmeraldas.

Fui ao meu quarto, abri o armário e escolhi uma roupa mais adequada para uma viagem. Usaria calças justas de uma malha grossa, e um vestido, como o anterior preto, mas esse era curto, chegava à metade das coxas. O tecido não era tão delicado como o do vestido longo da noite anterior, parecia mais quente e resistente. Tinha mangas justas até a altura dos cotovelos, sendo uma delas como uma luva, igual ao seu antecessor. Possuía ainda um decote em formato de V, com as mesmas aves douradas bordadas ao redor.

Me troquei e perdi quase uma hora brigando com a armadura que eu ainda tinha dificuldade de lidar. Calcei meus coturnos e ao ficar pronta observei meu reflexo no espelho e fiquei admirada. Eu parecia ótima. Hoje deixaria os cabelos soltos. Verifiquei uma última vez a bolsa, me obriguei a comer alguma coisa e subi as escadas. Tremia dos pés a cabeça de pura ansiedade.

Heimdall me olhou de alto a baixo de um jeito crítico e apertou um pouco mais algumas fivelas da armadura deixadas mal ajustadas. Me olhou sério.

— Você sabe o caminho?

— Sei — respondi com uma segurança que não era a minha.

— Se achar que não vai conseguir, volte. Amanhã poderá tentar de novo, tem um prazo relativamente longo — fez questão de lembrar.

— Eu vou conseguir. Hoje — falei firme. Ele pegou as adagas que eu trazia na cintura.

— Ele não precisa de duas — afirmou soltando a bainha. Ajustou o tamanho do suporte e me devolveu. — Na perna, embaixo do vestido — orientou sobre onde escondê-la. Fiz como me instruiu. Não me incomodava e estava firme. A que eu entregaria a Loki estava dentro da minha bolsa transversal. — Seja rápida. Se você não atirar primeiro, vai cair primeiro — falou severo me fazendo engolir em seco. Tentei me convencer daquilo. Precisava tirar Loki dali vivo se eu mesma quisesse ficar viva. — E um último conselho: Não confie em Loki — advertiu, enfim. Dei um meio sorriso e me virei para sair pela Bifrost.

— Obrigada... — Ele já não olhava para mim. Ia manter os olhos longe de nós, enquanto pudesse.

Atravessei a Bifrost tão calma quanto podia, sentindo o arco tremer em minha mão. A noite já havia caído, mas a cidade ainda estava cheia de movimento e como na anterior as pessoas reparavam quando eu passava. Caminhei da maneira mais confiante que pude, sem olhar para os lados.

Ao chegar aos jardins do palácio respirei fundo e observei os arredores para garantir que ninguém me seguia. Ontem Sif tinha me visto e hoje ninguém deveria ter essa sorte.

Eu entrei e caminhei com o corpo o mais abaixado que podia. A cor do vestido ajudava na camuflagem à noite, em meio às árvores. Vi alguns soldados trocando de turnos no portão em frente e esperei escondida antes de passar correndo por uma parte desprotegida. Continuei me escondendo por mais uns trinta metros e dali eu já podia ver o lago. Então ouvi vozes.

— Meu pai ainda está em seu sono, mas gostaria que ele acordasse logo — Era a voz de Thor. Me espremi contra um tronco, a ponto de achar que a árvore poderia me absorver.

— Tem tanta pressa assim na execução de Loki? — Era a voz de Sif. Thor suspirou pesadamente.

— Sabe muito bem que não. Se ao menos houvesse alguma maneira de dar um jeito nele...

— Algumas coisas não podem ser consertadas — a mulher disse com certa indiferença. — Então por que a pressa? Você é um bom rei. Deveria passar mais tempo em Asgard — sugeriu mal escondendo a frustração na voz. Havia amor ali, percebi em uma velocidade impressionante, e eu sabia não ser correspondido. Sorri sem conseguir evitar uma pontada de satisfação. Eles estavam se afastando em direção ao castelo.

— Eu não posso e não quero ficar longe de Jane — afirmou em um tom saudoso, sem sequer disfarçar. Thor era um homem bom e honesto. Eles continuaram a conversa enquanto caminhavam e eu permaneci escondida, até ter certeza de que haviam entrado.

O caminho passando pelo lago era completamente aberto e não havia árvores até chegar do outro lado. Pensei em passar correndo, mas se alguém me visse chamaria muita atenção e eu podia ver pessoas circulando próximas a entrada que Thor e Sif tinham usado. Ajeitei minha postura e caminhei durante aquele trecho tentando parecer o mais despreocupada possível. Qualquer um pensaria que eu estava apenas aproveitando a brisa noturna, ainda assim consegui passar sem ser vista.

Quando cheguei ao outro lado, me vi embaixo das árvores de peras-melancias. Aquelas frutas enormes exalavam um aroma doce e intenso, enjoativo. Deviam estar muito maduras e fiquei realmente preocupada que pudessem cair na minha cabeça. Apertei o passo, me escondendo atrás das árvores. Mesmo que eu pudesse tentar parecer despretensiosa, me parecia mais sensato não ser vista.

Quando havia apenas a porta à minha frente corri em disparada, os músculos protestando contra o esforço em excesso. Achei que tudo estava perfeito e agora seria apenas descer as escadas. Porém quando passei pela porta fui surpreendida por um homem loiro, alto, com os cabelos precisamente penteados e um cavanhaque aparado perfeitamente. Era bonito de um jeito meio engomadinho. Estava acompanhado de duas mulheres, uma loira e uma morena que vinham as risadinhas. Parei de supetão, parecendo uma criança apanhada no meio de uma travessura. Ele sorriu para mim, como se minha expressão embasbacada fosse algo comum. Olhando as mulheres ao lado dele, percebi que era mesmo. Sorri assumindo o comportamento que ele parecia esperar de mim.

— Boa noite, senhorita — disse beijando minha mão sem desviar os olhos castanhos dos meus. Eu ampliei o sorriso.

— Boa noite — respondi tão doce a ponto de estranhar. As mulheres me olhavam com uma expressão de desagrado.

— Nós não nos conhecemos ou eu me lembraria de uma mulher tão linda — disparou galanteador. Piegas. — Lorde Fandral, ao seu dispor.

— Eu sou... Lady Liana — disse numa voz muito insegura, me guiando pelo título usado pelo homem. Ele deve ter atribuído a insegurança à outra coisa. — Sou de Vanaheim.

— Um lindo nome para uma linda mulher — elogiou sem poupar o sorriso charmoso. — Preciso aumentar a frequência com que visito Vanaheim — Eu ri de um jeito bobo, que o agradou. — Mas o que a senhorita está fazendo aqui, em uma área tão impopular do palácio? Se me permite perguntar. — Alerta vermelho ressoando na minha cabeça. Pensei em Heimdall me dizendo que poderia tentar novamente no dia seguinte, mas eu não tinha chegado tão perto para desistir.

— Eu... não sei bem como andar aqui... não conheço muito — tentei justificar. Ele sorriu acreditando. — Estou procurando uma amiga — falei calculando cada palavra. Se ele resolvesse me guiar, eu ainda poderia contornar a situação.

— E quem seria essa amiga? Talvez eu possa ajudar.

— Lady Sif — contei sorrindo. Fandral parecia ter ganhado na loteria.

— Lady Sif! Ela está no salão jantando com os outros guerreiros — informou com um ar de quem sabe das coisas. Por um segundo achei que fosse oferecer um braço e resolver me acompanhar, mas as duas mulheres se engancharam nele possessivas. Fandral não pareceu achar problema nisso. — Se a senhorita seguir por esse corredor, vai chegar lá.

— Agradeço muito — ecoei com uma voz melosa desviando o olhar como se estivesse tímida. O homem estufou o peito, satisfeito.

— Vou ter que pedir a Lady Sif que me apresente as amigas de Vanaheim — falou com uma piscadinha marota, antes de beijar minha mão uma última vez e sair para os jardins com sua escolta de adoradoras.

Respirei fundo me encostando na porta atrás de mim. Olhei para as escadas e parecia seguro descer. Quando cheguei no corredor alguns prisioneiros se levantaram e começaram a soltar piadinhas e assobios. Passei reto em direção à cela dele. Loki estava sentado à mesa com um prato de comida em frente, praticamente intocado. Usava o garfo para ficar revirando as ervilhas, uma expressão de preocupação no rosto. Os lábios finos tensionados e as sobrancelhas franzidas.

Cheguei mais perto, porém ele nem sequer olhou para mim. Estava distraído e devia ter deduzido que eu era apenas mais um soldado de passagem, embora os prisioneiros ainda me chamassem despudorados. Parei próxima à janela e somente então ele ergueu a cabeça, parecendo irritado ao sentir-se observado. Sua expressão mudou para incompreensão por um breve segundo, os olhos percorrendo meu rosto e então ele deu um pulo da cadeira e fez um movimento de meia lua com a mão esticada em minha direção. Senti como algo embaçasse minha visão por um segundo e desaparecesse. Eu devia estar escondida em uma de suas ilusões.

— Oi — murmurei me aproximando ainda mais da janela, sem saber exatamente o que falar. Ele apoiou o antebraço na parede, ao lado da janela, acima de sua cabeça. Não me respondeu de imediato e tampouco sorriu.

— Como chegou aqui? — perguntou se inclinando para frente.

— Longa história — cortei logo. — Como abre isso? — inquiri indicando a cela. Agora ele sorriu e eu achei que o oxigênio fosse abandonar meus pulmões definitivamente. Loki segurou a mesinha e a pressionou contra o vidro. Só então percebi que aquilo era um tipo de tela eletrificada.

— Dispare bem no centro — mandou. Ergui o arco, puxei a flecha fazendo a corda luminosa surgir tensionando a arma. Quando a atingiu, a tela se rompeu e desmanchou com um estouro. Um alarme alto começou a soar à nossa volta.

Loki desceu com elegância da cela, sua cota de couro surgindo como fumaça por cima da roupa simples. Puxei a adaga da bolsa e a empurrei para ele, que a segurou sem questionar. O príncipe passou a minha frente e subiu apressado pelas escadas. Me puxou para trás de uma porta no exato momento em que um grupo de soldados descia as escadas em disparada. Não pude deixar de encará-lo. Era bonito de um jeito desconcertante. Franziu as sobrancelhas quando percebeu que eu o olhava e me empurrou para fora do esconderijo.

Loki deu apenas um passo em direção aos jardins quando eu o corrigi puxando-o de volta pelo pulso. Me olhou confuso e indiquei o corredor com a cabeça, sem falar nada. Ele balançou a cabeça negando e apontou silencioso para o jardim. Revirei os olhos e puxei com mais força pelo pulso avançando pelo corredor.

Corremos por mais uns dois metros quando percebi uma porta dupla de metal. Eu praticamente podia ouvir a voz de Frigga me alertando sobre aquela porta. Abaixei-me atrás de uma enorme escultura de um velho de tapa-olho e Loki fez o mesmo com uma expressão de irritação. Fez menção de protestar quando ouviu-se o som de um trovão e as portas se escancararam. Thor surgiu esbravejando e sendo seguido por uma turba de soldados, Lady Sif entre eles. Saíram para os jardins sem nos verem. Loki olhou para mim com as sobrancelhas levantadas. Sorri dando de ombros em resposta.

Quando o corredor ficou deserto nos levantamos e continuamos avançando. Parei a frente de uma porta simples e preta a abrindo com um puxão, indo diretamente a lança dele. Loki me olhava da porta, com olhos arregalados. Eu a segurei com uma mão e a atirei em sua direção, vendo-o agarrá-la com facilidade no ar.

— A caixa — pediu com urgência. — Pegue a caixa! — comandou apontando uma grande caixa preta. Eu a abri e dentro dela, em um frasco de vidro, estava o Tesseract. Eu sabia bem o que era aquilo, Tony e os outros falavam muito a respeito e eu o vira em toda decoração horrorosa na festa. Olhei do objeto para Loki. A expressão dele era de pura ganância. Fechei a tampa com força, Frigga tinha me dito para pegar apenas a arma dele e eu obedeceria a rainha. Já tinha tido experiência demais com relação à Loki e o Tesseract. Saí da sala apressada e bati a porta. O deus me fez virar, puxando-me pelo pulso. — Pegue a caixa — falou num rosnado, arrastando as sílabas. Puxei meu braço com força, o obrigando a me soltar.

— Não vou pegar nada — murmurei ameaçadora. Tentei voltar a avançar pelo corredor, mas ele me puxou de volta novamente. Dessa vez eu me virei puxando a adaga da perna e a colocando contra o pescoço dele. Me sentia estranhamente calma. Ele sorriu, me largando e levantando ambas as mãos num gesto irônico de rendição. — Se você quer tanto, entre e pegue — provoquei, enfim. Os olhos dele se estreitaram perigosamente. Abaixei a adaga e recomecei a avançar pelo corredor. Loki deu uma última olhada na porta e me seguiu.

Entramos na sala do trono vazia naquele momento. Loki encarou-o parecendo esquecer o resto. Eu o puxei pela mão com gentileza. Desviou os olhos e os fixou em mim. Ofereci um meio sorriso e caminhei para a porta. Do lado de fora o tumulto era gigante. Soldados corriam de um lado para o outro e ordens eram gritadas. Me senti envolta em uma ilusão novamente.

— Fique perto — orientou falando próximo a minha orelha. Senti minha pele arrepiar. Quando olhei ele tinha a aparência de um homem completamente diferente. Mais baixo e musculoso. Imaginei a aparência que eu devia ter.

Loki caminhou apressado em meio aos soldados, comigo o seguindo de perto. Quando alguém olhava em nossa direção com mais atenção ele gritava ordens e continuava seu caminho. Conseguimos passar pelos jardins e chegamos à cidade. Ali desatou a correr e eu tentava o acompanhar da melhor maneira, mas o deus era muito mais rápido.

Estava quase perguntando por que seguíamos para a Bifrost quando o príncipe desceu um barranco ao lado da ponte a toda velocidade. Eu travei. Era muito, muito inclinado. Acabaria quebrando o pescoço. Fiquei parada lá em cima enquanto ele pegava debaixo de uma pedra, aquele disquinho que eu o vira carregando da outra vez. O transformou no planador e olhou ao redor me procurando. Quando percebeu que eu ainda estava lá em cima, pareceu irritado.

— Você vai ficar? — perguntou impaciente. Olhei para trás e de volta para ele.

— É muito inclinado. Eu não consigo... Estou indo — falei incerta, começando a descer muito mais devagar. Ele bufou irritado e subiu novamente com um salto absurdo. Me pegou no colo sem dizer nada e voltando para o planador. Caí sobre o chão quando me soltou de qualquer jeito, antes de começar a levantar a vela. Estávamos planando em dois ou três minutos sobre o mar de Asgard. Seguíamos em direção a uma cordilheira. No céu podíamos ver foguetes sendo lançados e o som de trombetas tocando. Estavam alertando a cidade sobre a fuga de Loki. Ele sorriu apreciando o caos, seus olhos verdes se estreitando com malícia.

Avançamos em silêncio, ele comandando o planador. Em dez minutos estávamos na cordilheira e eu podia ver dezenas de veículos iguais saindo da cidade. Ele fez o nosso ganhar altura e entrar em uma passagem muito estreita. Na metade, havia o mesmo tipo de brilho colorido que víamos na Bifrost. Era um caminho alternativo.

— Heimdall! — chamou em voz alta. Nada aconteceu e nosso planador continuava raspando nas paredes indo cada vez mais rápido. — Heimdall! — gritou mais alto. Algo estava errado. Então eu chamei.

— Heimdall, precisamos ir — pedi com clareza. A passagem brilhou intensamente. Loki me encarou curioso, antes de bufar baixo com certa indignação e então, passamos pelo portal.