Goal!
4 do outro lado do campo!
Notas iniciais
-Um comercial juntos... me sinto embarcando na sua fama de garoto propaganda! – Aoi comentou zombeteiro,os dois andando lado a lado pelo corredor do prédio do empresário de Aoi, onde haviam se reunido para discutir as propostas.
-Ah! Como se você também não fosse garoto propaganda! – Uruha alfinetou.
-Foram só duas vezes, e já faz tempo! – Aoi se defendeu passando o braços pelos ombros do amigo – mas vou estar do lado do especialista aqui, vou ficar bem – completou batendo de leve sua cabeça na do jovem que pareceu ter crescido alguns centímetros desde os 5 meses de amizade, uma amizade curta, mas a mais íntima que ambos já tiveram.
Toques como aqueles haviam se tornado comuns, visitavam constantemente os apartamento um do outro, onde jogavam vídeo game, bebiam, tocavam guitarra – hobby que os dois descobriram em comum — saiam muito juntos, apresentavam garotas um para o outro, às vezes iam à cinemas, no começo sempre como encontro de casais, mas nos últimos meses iam só os dois, “Assim agente pode assistir algum filme mais sangrento e cheio de mortes” era o que Aoi dizia.
O fato era: eles eram amigos, muito amigos.
Kouyou já não colocava o “senpai” quando ia chamar o amigo,e Aoi tinha até a intimidade de chamar o mais novo de “Kou”, se divertiam muito juntos, e adoravam passar horas conversando.
Para Kouyou, Aoi era mais do que um ídolo agora, mais que um amigo, era um irmão, alguém bastante importante para si. Para Yuu, Kouyou era como um irmão mais novo, companheiro, confiável e acima de tudo uma ótima companhia, na verdade o único amigo que não desligava o celular em sua cara quando este ligava querendo apenas conversar, nunca rejeitava quando lhe chamava para sair, ou apenas ficar de bobeira, e era um jogador admirável, profissional.
Em campo Takashima era um astro, e o estranho era que realmente, tinha tanta proximidade com o garoto que podia sentir seus olhares se comunicando nas partidas, ou sentir quando este estava próximo de si para um lance, podia adivinhar o que o amigo estava planejando de uma forma meio intuitiva, e por isso eram tão bons em campo, juntos... eles eram invencíveis.
Kouyou parecia maduro para sua idade, e Yuu, jovial para seus 30 anos, e talvez fosse por isso que se dessem tão bem, ou talvez fosse algo mais. Uma coisa estava certa, eles eram amigos, nenhum dos dois queria que aquela amizade acabasse jamais e ambos fariam qualquer coisa por isso.
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-Decorou suas falas? – Uruha perguntou, enquanto a maquiadora terminava uns retoques em si.
-Ah! Sim! A frase que eu tenho que dizer? Estou velho, mas não to caduco Kou! – o mais velho respondeu em falsa raiva.
-Que isso Yuu, você ainda dá pro gasto! – o mais novo alfinetou com humor.
-Hunf! Esses garotos de hoje em dia! – o mais velho apenas retorquiu, um sorriso de lado se desenhado, era impressão sua o seu amigo estava aprendendo seu sarcasmo humorado?
- Obrigado! – o loiro agradeceu à moça da maquiagem, essa apenas assentiu, as bochechas coradas, passando rapidamente pela porta, deixando os dois sozinhos na sala onde estavam até que arrumassem tudo para o comercial.
-Oh! Que garota mais adorável! Viu como ela corou? – o mais velho perguntou notavelmente interessado, adorava garotas tímidas!
-E Aoi ataca!- o mais novo gritou como se fosse um comentarista – pelo tanto de tentativa que você faz não sei como ainda não está casado! – sorriu.
-Ah! Elas me mandam pastar depois de algum tempo! Acho que têm uma imagem errada de mim, e quando descobrem como eu sou de verdade simplesmente perdem o interesse e se vão, eu até tento enganar um pouco, mas não dá pra enganar caso fossemos para o altar, então se elas não gostam de mim como eu sou, o que eu vou fazer? – o capitão respondeu, o tom humorado dando lugar para um timbre mais sério e magoado. 6 anos, 6 anos com o objetivo de conseguir uma esposa, montar casa e família e nada... logo se aposentaria, e como iria ficar? Sozinho? Seus pais moravam em Mie, seus irmãos tinham suas vidas, suas famílias e ele... – eu não tenho ninguém! – falou num murmuro, pensando em voz alta, para si. Entretanto sendo ouvido pelo mais novo que se levantava da cadeira, indo até o amigo e abraçando-o de maneira carinhosa.
Os braços de Yuu cederam e corresponderam ao abraço fracamente. Tantas decepções que já teve! Tantas vezes se enganou com a esperança de “Essa é a certa!”Estava cansado!
Kouyou conhecia esse lado dele há algum tempo, não era a primeira vez que o amigo ficava meio abalado daquele jeito, e havia descoberto que mesmo estando sorridente e animado todo o tempo, a solidão realmente o deixava mal. Estranhamente, não gostava de ver o amigo daquele jeito, mas gostava de poder estar com ele naqueles momentos, e saber que era sempre ele que conseguia levantar o astral do mais velho.
-Oh Yuu! Sabe que isso não é verdade! Você tem esse pirralho aqui que vai estar do seu lado para o que der e vier, e você vai ver, o que é seu ta guardado, pode ter certeza que um cara lindo, gostoso, talentoso e rico como você só merece a melhor esposa, é por isso que ta demorando chegar, Kami-sama ta ajeitando ela direito para você! – o mais novo brincou, feliz por ter retirado um sorriso do amigo, o sorriso amplo e animado de sempre.
-Só você mesmo garoto! Só você! Se Kami-sama me deu um amigo tão bom assim quando eu precisava, tenho certeza que minha esposa vai ser a melhor do mundo! – respondeu se distanciando do mais novo, o sorriso de Kouyou o animando mais ainda – vamos indo? Acho que temos um comercial para gravar.
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-Merda! – Akira xingou ao sentir sua coxa fisgar novamente, a dor incomodando enquanto ele se sentava na maca de uma das salas de atendimento do estádio de treinamento, como foi se machucar em um treino tão bobo?
-Deixe-me ver isso, pode ser algo sério! – se assustou com a voz conhecida do auxiliar Matsumoto tomando o local, ele tinha brotado do chão? Não ouvira nem sequer passos no corredor.
-Não foi nada, é só uma dorzinha! – replicou convicto, Takanori já estava há meses ali, mas por algum motivo, desconhecido até mesmo pelo próprio Reita, não gostava da presença do anão de jardim que bizarramente era mais velho que ele mesmo.
- Vamos deixar eu diagnosticar, não é? Deite-se, por favor – o mais velho pediu com gentileza, um sorriso se formando, Suzuki era o único que ainda não tinha aceitado-o ali, mesmo depois de tantos meses e de já ter provado que era mais do que capaz de estar ali, tinha que vencer essa barreira imposta pelo mais novo.
Akira iria reclamar, mas ao tentar se mover a dor voltou, pelo bem de sua carreira e do jogo da próxima semana achou melhor obedecer e se deitar na maca. Takanori se permitiu sorrir internamente com o papel infantil que o jogador de 26 anos estava fazendo, mas agiu profissionalmente, pegou o spray para lesões leves e borrifou na mancha avermelhada na coxa direta do lateral.
-Vou pressionar alguns lugares, e fazer alguns movimentos com a sua perna, vai me dizer quando doer! — pediu deslizando os dedos pela pele da coxa, pressionando alguns pontos enquanto com a outra mão dobrava o joelho do outro, levantando e abaixando a perna dele.
Akira estranhou a fisgada em seu baixo ventre com o contato dos dedos nus do fisioterapeuta em sua pele. Tudo piorou quando os dedos desceram um pouco mais, quase que chegando a sua virilha. Tentava se manter pensando que o outro estava apenas fazendo seu trabalho, e não apalpando-o.Tentava não enlouquecer com a possibilidade de endurecer. Tentava se convencer de que se levantasse do nada e saísse, ficaria estranho. Se perguntava por que diacho estava ficando excitado com um homem, e logo com o escalador de formigueiro? Toda confusão interna se desfez quando sentiu a dor aguda, depois de um movimento da perna para o lado.
-Hum! Não foi nada sério, só uma lesão superficial e uma distensão muscular leve, dois dias de repouso e vai ficar bem! – falou soltando a perna do paciente cuidadosamente e andando até uma mesa próxima,óanotando algo em uma prancheta – vou falar para o meu avô e para o técnico Medeiros que não precisam ficar preocupados,vá para casa e descanse, não faça movimentos bruscos e nem atividades de alta intensidade.
-Dois dias? Mas o jogo é semana que vem, esses dias sem treinamento e só com repouso não vão afetar meu desempenho? – perguntou alarmado, se sentando cuidadosamente na maca.
-Duvido que um jogador do seu calibre tenha seu desempenho afetado por dois dias de repouso – o pequeno comentou, fitando o mais novo com um sorriso gentil – você é ótimo, Suzuki-san, tenha mais confiança em si mesmo e cuide melhor de seu corpo hein? É seu instrumento de trabalho – finalizou se retirando da sala.
Saiu antes de ver as bochechas do lateral direita adquirirem uma tonalidade rósea, e uma felicidade e constrangimento anormal invadirem o maior. Não sabia por que se sentiu bem em ouvir que o outro o considera um jogador “ótimo” e “de calibre”, por enquanto só ficaria feliz com o elogio, depois iria pensar nisso... ou não, nunca foi bom em pensar em coisas mesmo!
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