Goal!
15 coisas a esconder
Notas iniciais
-Yuu! Para... eu quero assistir o jogo! – o loiro reclamava enquanto o moreno o imprensava contra o estofado do sofá, atacando seu pescoço e apalpando desrespeitosamente suas coxas. Na tela passava um jogo do campeonato Europeu.
Tinham combinado de ver juntos, era uma boa fonte de aprendizado de acordo com Kouyou, já Aoi insistia que não gostava muito do futebol da Europa, talvez por já ter jogado lá por 1 ano e ter praticamente implorado para voltar para seu país. Era jovem de mais na época, assim como o garoto tinha o sonho de que na Europa estava o verdadeiro deslanchar de sua carreira, e realmente, ganhar milhões por mês faria qualquer um feliz... menos Aoi. Para ele felicidade se baseava em coisas além do dinheiro, como alguém para lhe fazer companhia, trabalhar no que gosta com amor e dedicação, ser capaz de dar boas risadas, olhar o céu noturno e se sentir em paz... A temporada que passou fora do solo nipônico quando tinha seus 23 anos foi a pior que já teve, como se já não bastasse estar mais longe ainda de sua família era infelizmente um estrangeiro que não conseguia se comunicar com o companheiros de time, o que não era necessário já que no time europeu eles não precisavam que você fosse amigo, apenas que fizesse o que tinha que fazer e o que foi contratado para fazer... não sabia como os times podiam vencer tanto com aquela política tão estranha! Talvez fosse por que cada um sentisse o peso dos zeros dos salários em cada treino e em cada coisa estranha que lhe davam para tomar*. De qualquer forma, assim como a maioria dos jogadores estrangeiros, não conseguiu se sentir bem com toda pressão dos milhões que lhe pagavam e pegou a primeira chance que teve de ir embora, alguns ainda ficavam por mais tempo, para Yuu bastou apenas 1 ano. Admirava os que conseguiam permanecer por anos e anos, tinham um amor tremendo ao dinheiro e a fama para suportar tudo aquilo.
-Somos melhores que eles... deixe esses caras pra lá! – o mais velho rebateu, não deixando o mais novo se soltar e continuando todo seu assédio em relação ao loiro.
-Para, porra!....hum!...ah! ... merda! Deixa pra lá! – se deu por vencido, a mão atrevida do moreno dentro de sua calça era irresistível demais. Tomou os lábios fartos nos seus, agarrando a nuca morena para ditar o ritmo do beijo, não tinham mais do que uma semana e meia de relacionamento, mas pareciam dois recém casados que não paravam de se agarrar em toda chance que podiam.
Uruha passava mais tempo no apartamento do namorado do que no seu próprio, por várias vezes dormia ali, tanto que já tinha roupas e produtos seus no quarto do outro, sua guitarra já ficava ao lado da do moreno e até mesmo alguns alimentos que gostava encontravam lugar nos armários da cozinha... realmente... mais um pouco e mudaria para lá de vez. Sempre falava em voltar mais para seu próprio apartamento, para não ficarem tanto tempo tão juntos, mas como era de se esperar o mais velho era um grude em pessoa. Cheio de telefonemas onde falava o quanto se sentia sozinho e que estava com saudades, mesmo que estivessem há apenas 1 hora sem se ver. Teria que dá um jeito nessa carência toda do namorado... depois, depois que ele terminasse o que sua mão estava começando em seu falo.
-Nosso treino é amanhã... você acha que... a gente...? – Aoi perguntou receoso diante de toda a vontade que estava sentindo, até hoje evitavam fazer aquilo em dias anteriores a treinos por motivos óbvios, por isso na última uma semana e meia não tinham chegado até o final muitas vezes, usualmente ficavam nas carícias indecentes, esfregação e boquetes... mas estava com tanta vontade!
Uruha se deixou pensar um pouco, mesmo que a carícia em sua intimidade não tivesse parado, tornando uma reflexão concisa bem difícil. Também estava com vontade, tinha tomado gosto pela coisa e adorava transar com o moreno, mas sabia que sempre doía ,mesmo que fosse suportável, e sempre ficava dolorido, o que atrapalharia e muito em seu desempenho nos treinos. Tudo bem que o Kashima estava melhor que nunca, haviam ganhado as duas últimas partidas tanto em casa quanto no campo adversário, o que motivou felicidade em toda a equipe e um técnico satisfeito, não podia arriscar sua condição em um jogo, com certeza, mas em um treino... talvez só um...
-Sim... a gente pode... me fode gostoso, vai! – Kouyou respondeu após alguns segundos, invadindo a boca alheia mais uma vez com sua língua. Levou os dedos agoniados entre os corpos encontrando o cós da bermuda que usava, desabotoando-a e abaixando seu zíper para dar mais espaço a sua ereção que era manipulada pelo moreno.
Yuu aproveitou o espaço para abaixar a roupa íntima do namorado, logo após desabotoando e abrindo sua própria calça, abaixando também sua boxer e libertando seu falo já semi-ereto, unindo-o em contado com o do outro.
-Quando você fala assim... você me deixa maluco, garoto! – Aoi comentou sensualmente contra os lábios rosados
-Eu sei! – Uruha rebateu com um sorriso mínimo de lado, passando a língua lenta nos lábios fartos do outro, provocando
Um grunhido de tesão saiu da garganta do mais velho, não seria piedoso, o mais novo já tinha despertado toda sua libido.
Entretanto o barulho do interfone se fez ouvir pelo cômodo... não acreditavam! Não mesmo! Ambos queriam muito ignorá-lo, mas se ele estava tocando queria dizer que era o porteiro do prédio anunciando visita.
-Não acredito! Quem é o desgraçado? – O mais velho xingou, se levantando raivosamente, não queria ter que sair dali, fechou as calças e atendeu o maldito aparelho com brusquidão – ALÔ! ....aff! Tá legal!Manda subir! – falou ainda mal-humorado batendo o interfone com força
-Quem é? – o loiro perguntou se recompondo no sofá, voltando a se sentar e fitar o jogo na televisão
-O Kai! Provavelmente quer mais uma entrevista pessoal com a gente, já que a matéria que deveria ter sido sobre os jogadores do Kashima Antlers se resumiu a uma nota sobre cada jogador, meia página minha e duas páginas e meia sua! – respondeu ainda enfezado – esse idiota! Tinha hora melhor para aparecer não?
-Hum! – o loiro se resumiu pegando a bacia de pipoca em cima da mesinha de centro e jogando um punhado na boca, não podia admitir, mas ainda tinha certo ciúme do jornalista bipolar que conhecia Yuu desde a escola... não gostava dele chamar “Yuu” pra lá e pra cá! È claro que jamais iria deixar o moreno perceber isso, era constrangedor demais até para si.
Mais alguns minutos e a campainha tocou, Aoi abriu a porta ainda de cara fechada, o que foi totalmente ignorado pelo sorridente jornalista que não esperou convite e adentrou o apartamento
-Boa tarde! Aproveitando o dia de folga? – cumprimentou como quem não tinha acabado de ver a indisposição do jogador – oh! Uruha-san também está aqui? Que sorte! Vou matar dois coelhos com uma cajadada só! – comentou animado ao notar o jogador loiro sentado no sofá
- Estávamos assistindo um jogo muito bom do Barcelona e você interrompeu! – Yuu comentou, ácido, dando passos pesado até o estofado e sentando-se ao lado do jogador mais novo
Kai observou a cena por um instante... estava um clima meio tenso! Como se sua presença ali não fosse bem vinda e ele tivesse interrompido algo muito importante! Mas um jogo era assim tão importante? Estranho! Se não conhecesse bem Yuu diria que eles estavam fazendo muito mais do que assistir um bando de caras correndo atrás de uma bola, mas era só coisa de usa cabeça, não era porque tinha gostos um tanto estranhos que precisava ficar vendo boiolagem em tudo!
-Vai ser rapidinho, os fãs adoraram a matéria do time, mas meu editor chefe pediu outra só que mais detalhada e apenas de vocês dois! – O jornalista retomou ainda sorridente, tirando seu famoso gravador do bolso e deixando uma pasta que carregava em sua mão em cima da mesinha de centro, se sentando na poltrona ao lado do sofá maior
-Eu tenho te ajudado muito, mesmo você sendo um amigo muito ingrato, mas você deveria aprender que quando quer entrevistar personalidades famosas deve-se primeiro falar com os empresários destas e depois marcar uma entrevista! – Aoi retrucou – da próxima vez só te dou entrevista se você marcá-la com meu empresário antes – não queria em hipótese alguma ser atrapalhado em um momento como aquele novamente
-Sabe que eu odeio empresários! O seu principalmente! – o jornalista respondeu calmamente, mas o sorriso amplo se desfazendo em uma expressão um tanto amedrontadora
-Alguns anos atrás você não tinha essa frescura, até se dava bem com ele, nunca soube por que diachos vocês nem se falam mais! Eu que não vou ficar pagando o preço de suas excentricidades! – o capitão do Kashima não se deixou abater pela feição do jornalista e encarou
-Caralho! Vocês estavam transando por algum acaso? Porque ficar com tanta raiva por eu interromper um jogo de TV que você pode ver na internet depois é absurdo! – o Yutaka bracejou impaciente, Yuu nunca tinha sido tão antipático assim!
Uruha e Aoi sentiram seu sangue gelar, mesmo que tivesse sido apenas um estouro sem desconfiança do outro, um jornalista suspeitar de algo entre eles era a pior coisa que poderia acontecer
-Aff! Tá legal, faz logo essa entrevista! – o moreno , um pouco mais calmo, mesmo sendo seu amigo de longa data sabia que o Uke tinha um fome incessante por notícia, não saberia dizer se o amigo deixaria essa passar se caso descobrisse sobre eles
-Muito bem então! – Kai retomou, o sorriso de covinhas se desenhando em sua face
“Ele dá medo!” foi o que o loiro mais novo pensou
-Começando por Uruha-san... – Kai foi interrompido pelo barulho do interfone
-Oh meu Kami! Hoje é dia de visitar a casa do Aoi? – o moreno comentou em um suspiro cansado, se levantando e indo atender mais uma vez o aparelho – Oi! ... oi... tá legal! Está sim, pode subir... digo sim... deixe o porteiro anunciar da próxima vez ok? Ele é pago para isso
-Quem é agora? – Uruha perguntou
-É o Miyavi, algo sobre um convite para um comercial, parece que seu empresário também está te procurando! Deixou seu celular desligado?- o moreno respondeu colocando o aparelho no gancho
Foi só ouvir o nome do empresário do capitão que Kai se tencionou, algo que foi percebido pelo loiro que checava as várias ligações em seu celular, mania de deixar no silencioso
-Bem, então vocês vão estar ocupados! Eu volto depois! – o jornalista falou apressado, sorrindo de uma maneira forçada enquanto recolhia rapidamente suas coisas e se levantava, andando em direção a porta
-Oh! Vai desistir da entrevista assim? – Aoi perguntou, meio surpreso pela atitude o moreninho, ele não era de largar o osso!
-Pode ser outro dia! – foi o que falou antes de abrir a porta e se colocar para fora do imóvel.
-Ele... é estranho! – Uruha comentou ainda olhando o celular
-Nem me diga, de uns anos pra cá ele só piorou! – o moreno comentou de volta
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Dois anos e meio... já fazia tanto tempo assim? Não estava preparado para enfrentar tudo, mesmo depois desse tempo todo, não queria encará-lo. Era o que o jornalista pensava enquanto andava apressado pelo corredor do prédio em direção a um dos elevadores do andar. Foi com espanto que ouviu o barulho de portas eletrônicas abrindo e seu coração parou ao ver a figura dentro da cabine de metal.
-Kai? – a voz conhecida estava um pouco mais grave e séria do que se lembrava, assim como os cabelos estavam em um corte mais social do que sempre o outro usara.
A única reação do moreninho foi se virar com pressa e começar a correr para o outro lado do corredor, não acreditava que tinha escolhido logo o elevador onde ele estava, 4 elevadores por andar naquele prédio e ele escolhia logo o errado!
-Kai... espere! – a voz repetiu e o som de uma corrida foi ouvida atrás do jornalista que não obedecia a nada do que o empresário falava – Por favor... Kai
Yutaka conseguiu encontrar o segundo elevador do prédio e apertou insistentemente o botão deste, agradecendo aos céus por ele ter aberto imediatamente. Se colocou para dentro da cabine e apertou com pressa o botão do térreo, levantando o olhar a tempo de ver o homem alto ainda correndo em sua direção. Rezou para que as portas fechassem logo e pareceu ter sido atendido pois logo elas começaram a se mover.
O homem, ainda há uma distância relativa, parou ao notar que não daria tempo, olhou a feição apavorada e lacrimejante do jornalista sumir por detrás das portas de metal... e mais uma vez... isso nunca acabava.
Dentro do cubículo Kai se deixou despencar, apoiando as costas na extremidade do fundo do elevador, lágrimas caiam pelo rosto atônito... ainda doía, doía muito.
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- Tenho certeza de que será discreto quanto a isso – o homem de olhar mal encarado e cabeça raspada mais parecia ameaçar do que mostrar que confiava no profissional
-Sim, se eles tiverem algo que possamos usar contra ele eu acharei : infrações de adolescência, prostitutas, festas, qualquer coisa que for considerada escândalo! – o outro homem garantiu sentando ao lado do jogador no banco de um parque onde o filho do contratante se divertia com outras crianças
-Me mantenha informado, e ninguém jamais deve saber que te contratei e nem que você é a fonte da informação! – Hozu falou ainda em ameaça
-Pode ter certeza, com o tanto que você está me pagando eu até daria meu cu, mas não abriria a boca! – o japonês baixinho e de aparência simpática respondeu, não aparentava ter mais do que 25 anos pois usava roupas joviais e descoladas
-Pode ter certeza que eu mesmo como seu cu se você abrir a boca sobre isso! – o jogador se limitou, ainda ameaçador, algum podre aqueles dois tinham que ter. Ele faria o possível e o impossível para descobrir e armar um escândalo tão grande que eles jamais seriam capazes de se mostrar na rua novamente, muito menos em um campo de futebol.
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