Glória - Antologia Poética
18 O GRANDE SER - Poema religioso
Notas iniciais
Uma força divina revigora a alma desolada,
Um consolo paternal vem das dimenssões dos mistérios;
A dor e o sofrimento perdem na rígida batalha
Contra o homem e o mestre do Universo.
Tomba o poder e o egoísmo do tirânico,
Nasce no campo em chamas a flor da paz após a guerra;
O amor reescreve a má escrita do destino
Curando as chagas da miséria.
De Adão ao ultimo ele não largará um só filho,
Independente da vã crença em qualquer religião;
Bastando apenas repor os sentimentos numa sincera prece
Para reconciliar-se com o pai de toda criação.
Pois lá vai o homem querendo crescer demais,
Almejando ser como o pai... Mesmo tão distante;
Erra ele, ao olhar para o céu,
Pois a luz da salvação brilha só no horizonte.
Mostra o pai, pois, ignorando a bíblia,
Que a sabedoria tem sua raiz na bondade,
E os frutos na verdade, Pura, Após a tempestade vital;
É a clareza da morte após o passageiro final.
Mostra ele, pois, ignorando a bela cruz,
Que o amor, somente o amor, vencerá o medo;
Sendo esse o simples e real segredo
Para se alcançar a apaz da luz.
Pois lá vai o homem aderindo a fúria,
a desistencia, perdendo um por um, cada desejo;
Jogando os sonhos ao vento, sem retorno, não agora;
Deixando de escrever trechos tão lindos de sua história,
Por medo... Por esconder os sentimentos – Tolo!
Não ouve a vida sussurante: “Sou breve! Breve... Mero instante”
O coração gritante: “ Coragem, vamos! Me sinta! Ame...”
E o tempo: “ A vida acaba, o peito para, sem volta tão logo, parte de súbito! Vai embora!”
Onde está seu Deus agora?
Te vendo perde-se nas tentações do pecado!
Pois te digo homem:
Ele está do seu lado! Ele te ama!
E você, egoista, igorando a luz que ele te amana.
Sinta... E saiba...
Que mesmo com a dor, a treva, a miséria,
mesmo com a fome, a guerra, e a cobiça “canibal”;
Acima do mar de sangue um lago puro e transparente prevalece...
E na beira do arroio o grande ser escreve:
“Que o bem sempre estará sobre o mau.”
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