Glória - Antologia Poética
19 Rejeição
Notas iniciais
Mesmo o mais vitorioso a derrota abate,
É pena sem fuga, é besta indomada;
Cabe ao homem doma-la com o poder da vontade,
Cabe a ele, reconstruir o templo que desaba.
Criatura inutil que cai ao primeiro golpe – Levanta!
Onde está seu amor agora? — Responda?!
Viverá sem ele? Apenas com vestigios na memória...
Ou procurará na pedra tosca a mais bela jóia?
E não lamente – É tua culpa! Pois tudo que voa foge a primeira oportunidade,
Mas só em suas mãos encontrará liberdade.
Sente agora no peito estafado o frio da solidão?
Onde está aquele carinho envolvente?
Se perdeu junto aquele beijo enloquente? — Sei que sim!
Agora que sozinho, diga-me – O que você quer?
Vagar na sombra pela rigida rejeição de uma mulher?
Quantas mais virgens desoladas existem, esperando o doce amor em suas vidas amargas?!
Mil gracejos sinuosos, não agora, não virão,
Porém mesmo assim, teu sofrimento é em vão.
Vai a triste criatura procurar consolo na escuridão,
E o pobre Deus agora é vitima da rejeição!
Vai o tolo, procurar paz na negra morte,
Interrompe o próprio dom, só por crer estar sem sorte;
-Erga-se do tombo – Pois não sabe ele, que a vida, só a vida,
Traz mil chances de conquista para cada sonho.
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