Glee-Hands All Over- Faberry
1 Misery
Notas iniciais
Em itálico pensamentos da Rachel.
A fic terá 13 capítulos, cada um com o nome respectivo as musicas do cd.
Boa leitura.
O carro chacoalhou ao passar no quebra-molas e Rachel bateu a cabeça de encontro ao teto. O motorista soltou um risinho satisfeito diante da careta que a menina fez ao esfregar a cabeça no local onde devia ter se formado um “galo”.
_ Sugiro que coloque o sinto, senhorita Berry!_ disse ele, a voz carregada de sarcasmo.
_ Sugiro que você cale a boca se não quiser ficar sem emprego, Jefrey!
O motorista gargalhou. O que deixou Rachel muito irritada, ela cogitou pegar o sinto de segurança do motorista e enforcá-lo, mas se lembrou rápido de que isso o faria perder o controle do carro e com ela la dentro não seria a atitude mais inteligente a tomar.
_ Suas ameaças não fazem mais efeito Rachel.
Rachel? Rachel? Sério? Que cara abusado. O que houve com o senhorita Berry? Seu monte de bosta, ai Deus; daí me forças para não matá-lo!
_ Lembre-se que é esse o tipo de comportamento que levou o seu pai a te mandar para Lima, para morar com a sua...
_ Você pode enfiar o seu discurso barato onde o sol não brilha Jefrey! Com o meu pai eu me entendo, não preciso de um motorista idiota me dando sermão!
Jefrey se calou, com um risinho presunçoso no canto dos lábios.
Eu não mereço isso! Tenho que agüentar esse palhaço enquanto me dirijo para o inferno onde nem Satã gostaria de governar. Também conhecida como Lima.
Rachel era uma menina com a rebeldia aflorada. Seu estilo de se vestir gritava que ela era má influencia aos 4 ventos. Ela morava com o pai em Nova York desde criança quando sua mãe a abandonara para seguir seus sonhos na carreira de cantora. Felizmente na opinião de Rachel, sua mãe não alcançara sucesso algum, acabando por morar na pacata cidade de Lima e dando aula de canto numa escola.
Claro que a ausência da mãe fora influencia para a raiva que Rachel sentia e não parava de crescer dentro dela.
Flashback on
_ Você esta fora de si?_ o pai de Rachel estava aos berros com a filha que estava algemada e com um filete de sangue no canto dos lábios._ Correndo bêbada? E com o meu carro?
_ Eu não estava correndo!_ tentou protestar Rachel.
_ Realmente ela não estava correndo!_ enfatizou o guarda que segurava Rachel._ Ela estava voando, a 140 km.
Depois desse impasse, Rachel ganhara uma bronca por quase ter sido presa, por ter amassado parte do carro na sua tentativa de fugir da polícia e por ser a doida que ela era.
_ Você vai morar com a sua mãe! Arrume suas coisas!
_ Eu não tenho mãe!_ Rachel tentou argumentar furiosa com a decisão do pai.
_ Tem sim!_ O pai estava vermelho de raiva, e nunca em toda a vida da menina ele lhe pareceu tão ameaçador._ Eu e ela já conversamos, você muda semana que vem.
Flashback off
O carro parou na frente de uma casa simples de aspecto aconchegante. Uma mulher de cabelos pretos longos e olhos cor de chocolate saiu da casa em direção ao carro.
_ Obrigada por traze- la Jefrey!_ A mulher agradeceu ao motorista._ Ela se comportou?
_ Como um anjo!_ respondeu Jefrey se divertindo vendo a expressão de quem “comeu e não gostou” na cara de Rachel.
Rachel abriu violentamente a porta do carro para a luz da manha de céu limpo de Lima. Colocou as mãos no rosto devido a forte claridade que insidia sobre ela.
Uma cidade ensolarada! Ótimo! Alguém me arrume um protetor solar ou um eclipse, porque senão vou morrer de insolação!
A mulher se despediu do motorista que logo deu a partida desaparecendo pela estrada. Rachel esperou a mulher ir a seu encontro, não falaram nada no caminho até a porta de entrada. A mulher abriu a porta e Rachel se deparou com uma casa para la de simples e arrumada. Duas coisas que ela odiava, para seu desespero.
_ A sua mudança já chegou._ Era a primeira vez que a mãe dirigia a palavra a ela._ Seu quarto é la em cima! Venha vou te mostrar.
Rachel acompanhou-a de boca e cara fechadas. Não queria conversar ou encara-la. Afinal quanto tempo havia que elas não se viam ou se falavam? Seis ou Sete anos? Rachel perdera as contas. Não a via como uma mãe, ela nem saberia dizer o que essa palavra significava para ela.
Elas chegaram a um corredor estreito e a mulher entrou na segunda porta a direita.
_ Bem- Vinda!_ disse com um longo sorriso no lábios.
Rachel estacou na soleira da porta.
Isso só pode ser um pesadelo! É um pesadelo e vai acabar...Não é?
O quarto era todo pintado de lilás e tinha lençóis brancos e cortinas brancas. A cama era de casal, e havia um armário também branco que ficava de frente para ela. E várias caixas com as coisas de Rachel estava espalhadas pelo quarto.
Isso não ta acontecendo! Acorda Rachel, Acorda desgraça!
_ O que você acha? _ perguntou a mãe esperançosa.
Uma merda!
_ Ótimo!_ mentiu Rachel, mas a mentira não foi convincente porque suas palavras foram incrivelmente vazias, sem entusiasmo.
_ Se precisar de alguma coisa...
_ Estou ótima!_ cortou-a Rachel._ Não preciso de mais nada Shelby!
A expressão de Shelby passou de entusiasmada para cabisbaixa em um sopro. Não haviam começado com o pé direito pelo visto. Mas ela teria paciência, reconquistaria Rachel a todo custo.
_ Então eu vou pro meu ateliê!_ Ela já ia fechar a porta e sair quando se lembrou de avisar a Rachel sobre a escola. _ Você vai pra a escola onde eu dou aulas!
Que divertido!_ pensou Rachel com sarcasmo.
_ É o Mckinley! Não é longe, se você quiser pode ir andando ou eu te dou uma carona no meu...
_ Tudo bem! Eu tenho a minha moto, vou com ela amanhã.
Shelby concordou com um triste aceno de cabeça e se retirou do quarto.
Rachel olhou ao redor e se jogou na cama com tudo. Ia ser uma longa e tediosa tarde, para depois ter uma longa e entediada noite. E no outro dia, adivinha? Ia ser um longo e entediado dia na porcaria da nova escola.
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Não muito longe da casa da Srª. Corcoran se encontrava a Mansão da família Fabray. Uma casa imponente, com jardim, piscina e tudo o que os ricos tem. Apesar de sua vasta extensão nela moravam apenas 3 integrantes: Russel Fabray, Judy Fabray e Quinn Fabray.
Russel era o pai de família, um católico fervoroso que seguia as leis de sua igreja da primeira pagina da bíblia até a ultima. Era também um homem de negócios, bem sucedido.
Judy era a mãe dona de casa. Mais dona de casa do que mãe, se é que vocês me entendem!
E por ultimo, e mais importante. Quinn Fabray, a filha perfeita. Quinn era capitã das líderes de torcida da escola , líder do clube do coral, namorada do Quarterback da escola e primeira aluna da classe. Dona de uma beleza encantadora tanto por dentro quanto por fora, ela tentava ser a melhor pessoa possível. Mas ela era feliz? A resposta certa nem ela mesma saberia dizer.
Quinn tinha TUDO que uma menina na sua idade e ultimo ano de escola poderia sonhar. Mas na maior parte do tempo ela se sentia um robô, fazendo tudo que os outros queriam e quando queriam. E quanto a si mesma? O que ela queria? Ser feliz, certo? Então o que estava faltando?
Mal imaginava ela que a felicidade esbarraria nela da forma mais assustadora possível, literalmente.
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O dia amanheceu e Rachel acordou com um som, ensurdecedor. Não que estivesse alto, mas pela voz que entrava em seu quarto sem permissão. Ninguém mais ninguém menos que Barbra Streisand cantando All the things you are.
Você quer guerra Shelby? Então vamos nessa.
Rachel levantou pisando firme, rasgou uma caixa de papelão que continha um aparelho de rádio e 3 caixas médias de som. Instalou as pressas e plugou na tomada, colocando no ultimo volume.
O som de Barbra foi totalmente abafado pelo estrondoso som do ACDC- Back in Black.
Rachel sorriu satisfeita e se espreguiçou.
Shelby que estava na cozinha quando o barulho intenso vindo do quarto de Rachel começou, virou-se em direção ao quarto contando até dez e pedindo calma mentalmente. Ela adentrou o quarto da filha e respirou fundo.
_ Rachel! Você pode abaixar essa musica, por favor?
_ O QUÊ?
A musica estava muito alta, é claro que Rachel sabia que Shelby estava ali por isso, mas fingiu-se de desentendida e surda.
_ DA PARA VOCE BAIXAR ESSE SOM, POR FAVOR?
_ O QUÊ?
Shelby perdeu as estribeiras, marchou até o aparelho e o arrancou da tomada.
_ O que deu em você?_ perguntou Shelby com fúria.
_ Ué. Só você tem o direito de ouvir musica aqui?
Rachel tinha um sorriso vencedor no rosto. Shelby não iria agüenta-la por muito tempo e logo a mandaria para casa.
_ Arrume-se para a escola! Você vai se atrasar.
Ao contrario do que Rachel esperava, Shelby não caiu em sua armadilha ardilosa. Não jogue o jogo dela, pensou Shelby. Não deu a bronca que Rachel estava esperando e se retirou.
Sério? Nem uma palavra? Nem um castigo? Qual é a dessa mulher? Pensei que ela fosse me espancar, aí eu voltaria para casa e viveria feliz para sempre.
Mas Rachel não iria desistir tão fácil. Ela faria Shelby se arrepender de tê-la recebido.
Vamos testar até aonde vai sua paciência.
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_ Quinn! Você vai se atrasar!
Quinn que estava no seu quarto terminando de preparar as coisas para a escola, colocou sua correntinha de ouro em formato de cruz e saiu em direção a sala.
_ Já estou pronta mãe!_ disse com seu melhor sorriso.
_ Santana vem te buscar de carro?_ perguntou Judy desconfiada, não aprovava a amizade de Quinn e Santana desde...sempre.
_ Não mãe! A Sant passou a noite na casa da Britt! O caminho é diferente! Hoje eu vou a pé!
_ Ótimo!
Quinn deu um meio sorriso forçado. Sabia que sua mãe não gostava nem um pouco de Santana, mas não gostava nada quando ela demonstrava isso. E olha que ela nem sabia que Santana jogava no outro time e namorava sua outra amiga Brittany. Imagina se ela soubesse?
_ Tchau mãe!
_ Boa aula Quinn!
E voltou aos seus afazeres.
Quinn saiu tristonha e a passos rasteiros de sua casa. A verdade é que ela fingia estar feliz a maior parte do tempo, da vida. Então quando ela estava sozinha ela se permitia um pouco de liberdade de expressão e seu rosto se borrava. Virava uma pintura distorcida pelo vazio.
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Rachel colocou uma calça jeans, uma regata preta e botas. Bagunçou os cabelos para arrumá-los, colocou sua bolsa de lado e pegou as chaves da moto.
A garagem da casa já estava sem o carro. Ficando a vista apenas sua Ducati preta, solitária no canto mais escuro da garagem.
_ Oi minha bebê!_ Rachel era muito infantil quando se tratava da sua moto. _ Eu sei que essa não é a casa que você ta acostumada, mas fica tranqüila em breve voltaremos para casa.
Rachel abriu o portão com o controle e arrancou com tudo para o dia ensolarado de Lima.
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Quinn passeava distraída ao som de viva la vida que tocava no seu Ipod. Estava tão distraída que não olhou para os lados quando foi atravessar a rua. Do nada um borrão preto surgiu em sua direção e sua única reação foi fechar os olhos.
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Rachel vinha distraída a todo o vapor. Quando dobrou a esquina em alta velocidade, viu uma barreira loira em seu caminho. Seu instinto protetor e humano que estava adormecido a muito dentro dela, despertou. E com um movimento astuto ela fez a única coisa que podia fazer para não colidir com a menina. Fez um circulo com a moto e com o corpo jogou-a para o lado, caindo e errando a outra menina por pouco.
Ela ainda rolou e foi arrastada pela inércia por uns 10 metros. A moto foi para um lado e ela para o outro. Até que Rachel parou de rolar e respirou fundo.
Uma ardência lhe tomou os braços, ambos estavam levemente arranhados. Ela tinha dado sorte, se é que se pode dizer isso, só os braços estavam arranhados o resto parecia estar ok.
_ Ai meu Deus! Você está bem?
Perguntou a outra menina loira que veio correndo em socorro de Rachel.
_ Eu pareço bem por um acaso? _ respondeu malcriada.
_ Não se mecha eu vou chamar a ambulância!
Quinn pegou o celular do bolso, quando começou a discar foi interrompida por um mão forte.
_ Eu não preciso de ambulância!
_ Mas você...
E Rachel se levantou de supetão.
_ Viu?_ ela abriu os braços para mostrar para a outra que estava tudo bem.
_ Os seus braços!_ Quinn disse tapando a boca com as mãos.
_ Foi só um arranhão._ Falou Rachel dando de ombros.
Um arranhão que ta doendo pra cacete! Controle-se Rachel. Não demonstre fraqueza para uma desconhecida.
_ Espera ai! _ Quinn pediu e começou a mexer na bolsa que trazia.
Tirou uma pomada de dentro da bolsa e colocou um pouco sobre os dedos.
_ Estica os braços!_ pediu Quinn gentilmente.
_ Olha não precisa...
_ ESTICA AGORA!_ Dessa vez Quinn ordenou.
Quem essa loira pensa que é?
_ Ok!_ Rachel esticou os braços com um pouco de ignorância._ Se isso te deixa satisfeita!
Quinn abandonou a expressão seria e riu. Não era uma menina má e nem mandona, esse era o papel de Santana.
Após a aplicação do remédio Rachel começou a sentir um alívio imediato.
_ Como se sente?_ perguntou Quinn, olhando no fundo dos olhos chocolate.
_ Melhor._ Rachel respondeu sincera._ Obri..gada!_ falou baixo.
Quinn riu.
_ Você não é muito boa em agradecer né?
Quinn deu uma forte gargalhada, Rachel sentiu as bochechas corarem.
Ela está me deixando sem graça. O quê? Como assim? Ninguém intimida Rachel Berry.
E então Rachel lembrou de um fator muito importante. A moto.
_ Onde esta a minha bebê? Digo...minha moto?
Rachel olhou para os lados em desespero. Ela avistou a moto a uns 5 metros. Correu até ela seguida pela menina loira.
_ Paixão, você está bem?_ Rachel levantou a moto de vagar, como se fosse um pessoa._ Droga você ta toda machucada.
A lateral da moto estava toda arranhada e o retrovisor esquerdo tinha ficado em algum canto da estrada.
Quinn prendeu o riso vendo a cara de desespero da morena por causa da moto. Parecia que a menina tinha perdido a mãe.
Rachel subiu com cuidado na moto, virou a chave e suspirou de alívio quando a moto ligou.
_ Você devia usar capacete!_ alertou Quinn._ Teve sorte de não machucar a cabeça.
Você é quem teve sorte de eu não te atropelar. É mal agradecida e ainda vem me dar sermão! Sério?
_ Bom se você está bem! Eu vou indo!
Rachel esperou a loira ir embora. Estava com tanta raiva que se fosse atrás seria capaz de atropelar a menina. Mas por que ela não fizera isso? Por que ela se machucara no lugar dela? Ela não sabia responder.
Então Rachel ligou a moto e partiu, um pouco mais devagar agora. Quando chegou no cruzamento alguma coisa no asfalto reluziu em seus olhos, quase a fazendo cair novamente. Ela parou e olhou raivosa para o objeto.
Mas que merda de dia, tudo parece querer me matar.
Ela abaixou e pegou com cuidado um colar de ouro delicado com uma cruzinha.
Até Jesus!
Notas finais
Bom ou ruim, nao importa!!
Enfim, obrigada por lerem!
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