Glee-Hands All Over- Faberry
10 Get back in my life. Part 2
Notas iniciais
Rachel estava parada a meia hora na frente da lista de musicas. Não dava para acreditar que iria ter que interpretar um musical que odiava como Moulin Rouge. Como iria passar alguma verdade? Mas o pior de tudo foi ver os nomes do dueto a ser cantado na sexta linha.
Lista de Músicas:
Puck, Sam, Finn, Mike, Artie.
Children Of The Revolution
Santana
Diamonds are girls best friends
Santana e Brittany.
Elephant Love Medley
Puck, Mike, Tina, Mercedes e Rachel.
El Tango de Roxanne
Quinn
One day 1’ll fly away
Finn e Quinn
Come what may
Rachel, Mercedes, Quinn, Tina, Santana e Brittany.
Lady Marmalade
Aquele idiota vai fazer um dueto com a minha namorada? Eu mereço!O lá de cima, me joga um raio logo!
Ela estava entretida em seus pensamentos e não notou a presença da morena maior ao seu lado.
_ Me desculpe por isso!_ pediu Shelby.
Rachel olhou para ela sem entender.
_ Desculpar pelo quê?
_ O dueto de Finn e Quinn! Quando você me contou sobre vocês duas eu já havia enviado um lista secundaria para o Figgins, ele achou-a excelente, eu não tinha argumentos para mudar nada! E ele já assinou e mandou para o comitê! Só podemos substituir um integrante se o outro faltar! Caso contrário...
_ Relaxa, Shelby!_ deu de ombros._ Eu vou falar com ela, vamos resolver isso!
E se o baleia chegar perto dela eu apanho o meu arpão!
Shelby lhe deu um sorriso caloroso.
_ Para compensar o meu erro e conhecer melhor a minha nora, eu gostaria de oferecer um jantar para vocês!
Essa não!
_ Convide-a para ir lá em casa semana que vem! Vamos preparar alguma coisa bem especial!
O quê? Gororoba ao molho branco? Coitada da Quinn!
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Os cachos loiros apontaram debaixo das arquibancadas, tinha um sorriso caloroso, porém fraco, era óbvio que estava exausta.
_ Oi!_ se aproximou da morena e lhe deu um selinho.
_ Como foi o treino?_ perguntou ajudando Quinn a tirar a bolsa.
_ Desgastante! Acho que meus músculos estão gritando dentro de mim!
_ Ainda bem que sua namorada linda e sexy sabe fazer uma massagem incrível!
Quinn riu.
_ É mesmo? E onde ela está?
A morena deu um tapa no braço dela.
_ Senta e relaxa!
A líder de torcida sentou na primeira fileira da arquibancada e foi rodeada pelas pernas morenas, sentiu um alívio imediato quando os dedos da namorada começaram a desenrolar seus nervos.
_ Isso é muito bom!_ sussurrou fechando os olhos.
_ Eu sei fazer outras “coisinhas boas” que também ajudam a relaxar!
_ É uma pena que estamos na escola!_ falou corando.
_ E daí?_ maliciou a morena.
_ RACH!
A baixinha riu e voltou a se concentrar na massagem.
_ Tenho que te contar uma coisa!
_ Uma coisa boa ou ruim?
_ Depende do seu ponto de vista!
Ela contou sobre a conversa de mais cedo com Shelby.
_ Então a sua mãe sabe sobre nós? E acha normal? Você ainda acha que não tem uma boa mãe?
_ Hum..._ Rachel não se sentia confortável para falar sobre isso._ Bom e o jantar, você vai?
_ Claro que sim! Pode contar comigo!
Rachel não sabia se ficava feliz ou triste.
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Fazia uma noite fria. Faltavam 2 dias para o jantar. Rachel estava jogada no sofá passando os canais da TV, entediada com a programação.
_ RACHEL!
A morena levou um susto e caiu novamente no chão.
_Ai!
_ Desculpe, te assustei?_ perguntou Shelby se aproximando para analisá-la.
Não, imagina! Eu só estava testando a durabilidade do chão!
_ O que foi?_ perguntou emburrada.
_ Vou ao supermercado fazer as compras dos ingredientes para o jantar! Estava pensando... se você... não gostaria de me ajudar?
Você quer assassinar a minha mulher com a sua comida! E ainda quer que eu ajude?
_ Olha...
_ Vai ser rapidinho! Prometo!
Desde quando ela sabe fazer cara de “gato de botas”? Eu preciso aprender essa tática!
_ Ok!
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_ Quinn, pegue as maçãs!
Quinn e Judy estavam fazendo as compras mensais no supermercado. A loira estava passando um tempo com a mãe, já que ultimamente mal tinha tempo para ela mesma. Apesar da falta de assunto entre elas, sua mera companhia já era um agrado para a menina.
_ Como está a escola?
_ Boa! Os treinos estão intensos!_ ela tomou coragem para fazer o pedido habitual, que habitualmente era negado._ Gostaria que dessa vez você fosse nas minhas competições!
_ Você sabe que não posso filha! Tenho muito trabalho na igreja!
A verdade é que Judy fora a escola de Quinn apenas uma vez. Sempre dava motivos fajutos para não ir, como: trabalho, igreja, festas. Ela tinha uma razão para se manter afastada daquele lugar, mas essa razão jamais poderia ser proferida em voz alta.
_ Tudo bem!_ deu um sorriso triste._ Eu entendo!
Caminharam por entre as fileiras e esbarraram com um rosto conhecido.
_ Olá Quinn. Oi, Judy!
Essa não!
_ Olá, Ricardo!_ respondeu Judy.
Ricardo Lopez era o pai de Santana. Advogado muito respeitado e antigo amigo da família Fabray. Era um homem caloroso e cordial que em nada se parecia com a filha. Se Quinn não conhecesse a mãe da latinha teria certeza de que era adotada, filha de chocadeira ou fora trocada na maternidade.
_ Quinn, o que aconteceu que não a tenho visto lá em casa?
O rosto da loira ficou pálido.
_ Ué, mas ela dormiu na casa da Santana semana passada!_ Judy se virou para a filha desconfiada.
_ Eu...
_ Semana passada eu estava numa conferencia do tribunal! Por isso não nos vimos!_ deu um sorriso simpático._ Quero vê-la com mais freqüência!
_ Pode deixar!_ falou Quinn com um sorriso aliviado.
_ Bom, se vocês me dão licença!
E sumiu entre as prateleiras. Judy se voltou para Quinn cética.
_ Você me disse que ia para a casa da Santana...
Ela parou. Ia tirar essa história da filha a limpo, até que seus olhos localizaram uma cena nada favorável. Tudo se eclipsou. A única coisa que ficou na mente da mulher era a imagem atrás do vidro de duas morenas saindo do estacionamento em direção a entrada do supermercado. Seu coração congelou.
_ Mãe, está tudo bem?_ Quinn estava de costas para o vidro, não viu nada.
_ Vamos embora!
_ Mas nós ainda não terminamos as compras!
_ AGORA!
A loira estranhou o fato da mãe ficar tão nervosa sem motivo, mas não questionou, apenas a seguiu.
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_ Viu, já compramos quase tudo! Eu disse que ia ser rápido!
Só não disse que ia ser chato!
Rachel caminhava com as mãos nos bolsos do casaco, indiferente ao lugar. Não estava achando tão divertido essa ideia de “compras juntas.” Distraída; não viu um dos gerentes que estavam abaixados checando os preços, ela sem querer, deu um chute na bunda dele.
_ Ei!_ O homem mulato e magro se levantou a encarando._ Você não olha por onde anda, mocinha?
_ Foi mal!_ não foi um pedido muito categórico.
_ Faça outra gracinha e eu te expulso do supermercado!
Eu não fiz de propósito, seu boçal! Mas se bem que agora a ideia me parece boa!
_ Eu exijo respeito! Sou o gerente desse lugar!_ falou estufando o peito.
Quer uma medalha?
A morena já estava pronta para dar um chute na outra banda da bunda dele quando Shelby colocou a mão no seu ombro e pronunciou.
_ Não se preocupe, senhor! Não vai acontecer de novo!
Elas abandonaram o corredor onde ele estava e foram para outra sessão.
_ Rachel, só faltam dois ingredientes! Procure o leite para andarmos mais rápido!
A baixinha saiu daquela sessão e caminhou para outra. Encontrou o leite. Mas havia um probleminha, ele estava no alto da prateleira e sua estatura não ajudava muito a alcançá-lo. Como iria pegá-lo?
Como um alpinista!
Ela colocou os pés e as mãos na prateleira e começou a escalar. Jogava o corpo para frente provocando um ligeiro tremor no móvel. Alcançou o leite depois de alguns segundos. Estava a pelo menos um metro e meio do chão, mas não queria ter que descer todo aquele trajeto prateleira por prateleira. Tomou um impulso do topo e caiu de pé com o leite na mão.
Beleza! Já posso escalar o Everest!
O que ela não contava era com a força exagerada de seu impulso para descer, que balançou a estante, fazendo o móvel se desequilibrar e cair no chão, derrubando tudo.
_ VOCÊ!_ gritou o gerente grosseiro de mais cedo que havia acabado de chegar aquela sessão._ PARADA AÍ!
Ferrou!
_ RACHEL!_ Shelby gritou na outra extremidade do corredor._ CORRE!
Começou uma fuga estranha. Duas morenas correndo para despistar um gerente magricelo para lá de irritado. Elas deram voltas pelo mar de prateleiras, ainda carregando o carrinho.
_ Acho que o despistamos!_ falou Shelby tomando fôlego.
_ É, mas como vamos sair daqui?
Shelby olhou ao redor e teve uma ideia. Pegou um boné pendurado no cabide passando-o para Rachel junto com seu próprio casaco.
_ Para que isso?_ perguntou a morena levantando as sombrancelhas.
_ É um disfarce! Agora me dê o seu casaco!
Ambas trocaram as roupas. Não estavam muito convincentes, mas talvez funciona-se.
_ Acho que você anda vendo muito Sherlock Holmes!_ observou Rachel, que não conseguiu prender o riso, vendo a situação ridícula em que se encontravam.
_ Elementar, meu caro Watson!
Ambas riram, tão espontaneamente, que por um minuto se deram a chance de ser verdadeiramente parte uma da outra. Esquecendo todo o resto.
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A ideia de Shelby funcionou. Elas passaram pelo caixa despercebidas. Estavam no estacionamento arrumando a compra no bagageiro quando ouviram um grito ao longe.
_ PARADAS AE!
O gerente corria e gritava a plenos pulmões. As mulheres se entreolharam, Shelby por sua vez entrou no carro e gritou a filha para que fizesse o mesmo.
_ Vamos mesmo fugir?_ perguntou Rachel.
_ Você prefere ser presa?
_ Acelera!
Tarde demais. O gerente se pendurou na janela do carro e olhou-as com um sorriso vitorioso.
_ PEGUEI VOCÊS!
_ Você acha mesmo?_ perguntou Shelby com um olhar malicioso.
Ela arrancou com o carro, fez movimentos de zigue-zague com o cara ainda pendurado na sua janela, desferindo palavrões aos quatro ventos. O homem ficou tonto e caiu se espatifando no chão.
_ Até mais, mané!_ quem gritou isso foi Shelby, dá pra acreditar?
A mulher se acomodou no banco com um sorriso gigantesco. Rachel a olhava com admiração.
_ Isso foi FODA!_ falou a baixinha empolgada.
_ Foi divertido!_ sibilou a maior._ Fazia tempo que não me divertia tanto!
Os sorrisos se encontraram e mais uma vez o amor se fez presente, mesmo que ainda não fosse proferido em voz alta.
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Rachel estava atrasada para encontrar Quinn. Havia acabado de sair do local onde estava fazendo os últimos preparativos do presente final de sua namorada. Não ia ter tempo para tomar banho. Pegou a moto e acelerou em direção a escola. Chegou ao estacionamento e correu para as arquibancadas.
_ Onde você estava?_ perguntou Quinn fazendo biquinho.
_ Não posso te contar!
_ Devo me preocupar com isso?_ levantou as sombrancelhas.
_ Não! É uma surpresa! Você saberá amanhã, antes do jantar.
A morena puxou a loira para perto e roçou os lábios nos dela, capturou o superior, sugando de leve, pediu passagem com a língua e aprofundou o beijo. Acariciou a língua de Quinn com vontade enquanto a loira apertava sua cintura.
_ Você está com cheiro de verniz, Rach!_ falou Quinn torcendo o nariz.
Putz! Sabia que devia ter tomado banho! Será que ela vai perceber?
_ E o que é isso no seu dedo?_ a loira reparou numa farpinha inflamada no dedo da morena.
_ Ah, não é nada! Já vai...
Num movimento rápido Quinn a retirou.
_ AIIIIII! CARAMBA LOIRA, DUEU!
_ Você anda brincando com madeira?
MERDA! MERDA! MERDA! ELA VAI PERCEBER!
_ Então..._ resolveu mudar de assunto._ Você poderia pedir a seus pais para dormir na “casa da sua amiga” amanhã!_ um sorriso cúmplice tomou seus lábios._ Estou com saudades!
Quinn achou tão fofo ela dizer isso. Também sentia falta de estar mais intimamente com ela.
_ Vou pedir a eles!
___________x___________
Quinn Fabray foi para casa radiante de felicidade. Ia jantar com sua namorada e sua sogra. Namorada? Sogra? Eram palavras estranhas para ela, mas ao mesmo tempo era muito bom saber que tinha ambas e que Shelby aceitava a relação delas.
Os meus pais jamais aceitariam!
Ela sacudiu a cabeça, não era hora de pensar em coisas ruins. Ela tinha que ser convincente na hora de pedir aos pais para passar a noite na “ casa de Santana.” Chegou em casa e percebeu a fraca luz acesa na sala de visitas, foi até lá verificar se tinha alguém.
_ Pai?
Russel Fabray estava sentado em sua poltrona, uma expressão de ira pintava seu rosto. Judy estava no outro sofá cabisbaixa e com os olhos alagados. Alguma coisa estava errada.
_ O senhor chegou cedo, eu...
_ CALADA!_ gritou ele batendo a mão no braço do sofá._ Sente-se agora! Nós vamos ter uma conversinha!
Havia também um integrante que passou despercebido aos olhos arregalados de Quinn. O monstro. Estava escondido na penumbra da grande sala, esperando a hora certa para entrar em cena e destruir tudo que o importunava.
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A manhã que se antecedia ao jantar chegou. Rachel estava de frente para o presente da loira, orgulhosa pelo belo trabalho que havia desempenhado. Tudo havia saído melhor do que o planejado e ela tinha certeza de que a namorada iria adorar.
Eu já te amo a muito tempo! Mas é aqui e hoje que eu vou te dizer isso!
Sorriu, ligou a moto e acelerou estrada a fora.
Chegou ao colégio e foi direto para debaixo das arquibancadas onde a loira já a estava esperando. Quinn estava encostada numa das pilastras, encarando o chão. Rachel se aproximou dela com um sorriso gigante, mas parou a alguns passos de distância ao perceber um ar pesado no ambiente. Tinha alguma coisa errada ali.
_ Quinn, está tudo bem?_ perguntou se aproximando.
_ Não chegue perto de mim!_ rosnou entre dentes.
Um frio de rasgar os ossos desceu pela coluna de Rachel. Ela tinha ouvido direito?
_ Loira, que brincadeira é essa?
A líder de torcida levantou o rosto pela primeira vez, encarando a baixinha, Rachel se assustou com o que viu. A loira tinha olheiras do tamanho de fendas, parecia ter chorado a noite toda, e os olhos...não havia nada neles, o calor, o brilho, tudo se fora. Quinn parecia uma estatua de gelo, sem alma, nem coração. Como era possível estar de frente para uma pessoa que conhecia tão bem e não reconhecê-la?
_ Eu quero que você me escute com muita atenção, porque eu não vou repetir!_ sentenciou a loira, com a voz de pedra._ Acabou! Seja lá o que tínhamos, não temos mais!
O quê? O quê? Eu ouvi isso mesmo?
_ Quinn..._ falou a baixinha tentando se aproximar.
_ JÁ DISSE PRA FICAR LONGE DE MIM!
Rachel estacou. Aquelas palavras lhe pareceram facas.
_ MAS QUE MERDA DEU EM VOCÊ?_ retrucou a baixinha já perdendo a paciência.
_ A REALIDADE! Eu sou uma menina de família, o que fizemos foi um erro!
_ Você disse que me ama, caso não se lembre!_ rebateu Rachel.
_ Eu menti! Eu NÃO amo você!
O ar faltou naquele momento, ela quase desmaiou. Sentiu as lágrimas começarem a querer descer.
_ Eu não quero mais que você fale, pense ou encoste em mim!Eu vou me casar com o homem da minha vida! Vou me casar com o Finn mês que vem!_ os olhos de gelo deram uma ultima olhada na morena._ Adeus, Rachel!
Quinn passou por ela e foi como se toda a felicidade estivesse indo embora em câmera lenta. Seu mundo se desfez.
Deus, isso não pode estar acontecendo!
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