Glória Eterna

7 Monstro de Água


Notas iniciais
Você vão entender um pouco mais sobre o Louis neste capítulo. ~Espero que gostem.

Claire!

Louis ouvia uma voz distante gritando o nome da sua amiga.

Claire!

A voz não parecia tão distante, agora...

Louiiis!

Olha! A voz chamava seu nome! Em seu transe Louis imaginou que talvez devesse prestar atenção na voz e...

–Fleur?! – Exclamou Louis surpreso.

Fleur vinha correndo de dentro da floresta e gritou:

– O que você está fazendo aí parado? Corre! Tira ela da água!

Louis ainda estava meio tonto, mas obedeceu. Claire já estava completamente submersa e tinha os olhos fechados. Ele segurou seus braços e nadou para cima, ela parecia presa ao cavalo, que continuava andando em direção ao centro do rio.

Ele tentou mais uma vez e na terceira tentativa teve que subir para repirar. Fleur chegou ao rio e foi ajudá-lo. Os dois puxaram mais uma vez, mas Claire continuava imóvel e presa ao corcel, apesar de não ter realmente algo que a segurasse.

Desesperado, Louis pegou a pequena adaga que estava presa ao seu cinto e perfurou o animal. Que, se contorcendo de dor, liberou Claire e virou-se para o seu agressor.

Levando Claire, Fleur e Louis nadaram o mais rápido possível em direção à superfície. Quando chegaram, sem fôlego e sem energia, tombaram no cascalho úmido com Claire ainda desacordada.

–Claire! Claire! – Gritou Fleur desesperada. Sentada do lado da amiga.

O garoto se levantou lentamente olhando para o rio com uma cara de puro horror. Fleur percebeu sua expressão e acompanhou seu olhar. E viu que da superfície da água emergiam corcovas escamadas e prateadas de uma serpente enorme.

Fleur se levantou em um só impulso e preparou sua varinha.

– O que é isso?! – gritou Fleur.

– Acho que é o cavalo. – disse Louis pasmo.

– Jura? Não acho que isso seja um cavalo.

A cobra ainda se desdobrava dentro da água, agora sua cabeça enorme era visível. Todo o monstro emanava um brilho ora azulado, ora esverdeado, assim como o corcel.

– É um Kelpie. Eu li sobre esse bicho no nosso livro da escola! É um demônio de água doce! – Gritou Fleur

–Gostava mais quando ele era um cavalo. – disse Louis.

O monstro pareceu não concordar, pois atacou Louis logo em seguida.

A Serpente gigante tinha dentes do tamanho da adaga usada para feri-lo, sua cabeça era um híbrido de dragão com cobra, tinha verdes com pupilas em forma de fendas horizontais e não parecia muito feliz .

Louis desviou do ataque e jogou sua adaga na direção do monstro. Acertou em cheio. Porém, a arma ricocheteou as escamas do animal e caiu na água, sem causar qualquer dano para o monstro.

– Acho que ele é mais resistente em formato de cobra gigante! – Gritou Louis decepcionado – E agora eu perdi minha adaga.

– Bombarda! –Fleur tentou. Mas o feitiço só ricocheteou o couro do animal.

–Petrificus totalus! – Foi o feitiço lançado por Louis.

– Incendio! – Claire tentou.

– Estupefaça! ... Nada funciona! – Louis gritou.

O kelpie investiu outra vez contra eles, desta vez contra a menina que tentava ataca-lo com feitiços. Mas Fleur se jogou no chão e rolou para o lado. O monstro investiu novamente. Desta vez ela estava mais perto e sem muitas opções de movimento. Tudo que ela queria era que ele parasse!

–Glacius!– Fleur gritou sem pensar.

O animal congelou na posição que estava. De boca aberta e prestes a atacá-la. O resto do seu corpo continuava dentro d’água.

Os dois amigos se impressionaram. O monstro parecia ser feito de água!

~♦~

Fleur e Louis correram para onde estava Claire, ainda desacordada.

– Claire! Claire! Você está me ouvindo? – Gritou Fleur. – O pulso dela está fraco!

–Veja se ela está respirando! – Gritou Louis.

– Eu não consigo dizer. Louis, me ajuda! – Fleur estava desesperada. Primeiros socorros nunca fora seu forte.

Louis chegou perto da cabeça da garota. Por mais que ele tentasse não conseguia ouvir ou sentir alguma respiração.

–Fleur, veja se consegue achar minha adaga no raso no rio!

Claire correu para procurar. Louis continuava colocando em prática o que sabia sobre afogamentos, estava tentando ao máximo tirar a água dos pulmões da amiga.

– Achei! –Fleur gritou e trouxe a adaga para Louis. Ele colocou a lâmina entre a boca e o nariz de Claire, o metal ficou levemente embaçado.

–Ela está respirando! – Louis disse aliviado – Mas não está conseguindo puxar muito ar. Ainda deve haver água nos pulmões.

O garoto continuou com o procedimento.

– E a respiração boca a boca? – perguntou Fleur.

– Eu não sei bem como fazer!

–Tenta! – Fleur estava desesperada.

Louis se aproximou mais ainda de Claire. Estava prestes a tocar seus lábios quando bruscamente ela abriu os olhos e puxou o ar com muita força, começou a tossir. Confusa, ela levantou a cabeça rapidamente, mas ficou muito tonta e voltou a deitar-se.

Só então notou onde estava.

– Mon Die! – disse ela ao notar o enorme monstro congelado – O que é isso?

Então ela começou a lembrar do cavalo na beira do rio, e das coisas que ele tinha falado para ela... Do rio, dos lindos peixes e joias que tinham no fundo e como ela seria feliz lá... Sem ter que se preocupar com honra ou reputação.

– Claire? – Fleur chamou. – Como você está se sentindo?

Até aquele momento eles tinham dado um espaço para ela respirar e se acostumar com o acontecido. Mas a sua cara estava branca como vela e seu olhar vago e vazio. Fleur ficou preocupada que ela desmaiasse de novo.

Claire virou a cabeça na direção da amiga. Ainda estava tonta, mas conseguiu entender o que tinha acontecido. Aquele animal... Aquele belo animal tinha a hipnotizado e levado para dentro do rio.

– Estou bem – Ela respondeu.

– Você acha que consegue andar? – Perguntou Louis. – Não acho que seja uma boa ideia ficar aqui por muito tempo com esse cara. – indicando o Kelpie.

– Consigo.

Fleur e Louis sorriram. Ela parecia bem, apesar da expressão confusa. Fleur resolveu anima-la.

– Ainda bem que você acordou. O Louis já estava prestes a te dar um beijo!

– Mentira! Era respiração boca a boca e você quem mandou!! – Ele exclamou indignado e levemente ruborizado.

Claire riu e olhou para Louis, eles haviam se conhecido no primeiro ano de Beauxbatons, ele era bem alto e já tinha sido bem magricela, olhos azuis escuros, pele muito clara e cabelos louros acobreados.

– Vamos logo embora daqui. Este bicho está me dando calafrios... – Claire pediu.

No caminho, Louis ficou se perguntando como Fleur estava no rio exatamente na hora que eles precisavam...

–Fleur?

–Oui?

– Como você sabia que a gente estava em perigo?

– Eu estava tentando dar um jeito na désordre da Claire e... – Ela começou a explicar, mas Claire tinha virado para ela com os olhos arregalados e nervosos.

–Você est-t-tava fazendo o que?! – Perguntou Claire gaguejando.

–Arrumando...? – Disse Fleur estranhando o comportamento da amiga.

–E você abriu as malas e tudo mais? – Perguntou nervosa.

–Ér... Algumas? – Disse Fleur ruborizada.

Mas, vendo o nervosismo da amiga, rapidamente completou:

– Mas não abri muitas... Parei logo que encontrei um panfleto turístico no chão. Ele devia ter uns 50 anos e falava dessa floresta.

Claire tentou disfarçar seu alívio. E comentou naturalmente:

– Não sabia da existência dele, deve ter sido da minha avó.

–Pensei nisso, muita coincidência, não é? Enfim, nele falava do antigo kelpie que habita as águas deste rio e que come quase todos os peixes desta metade da floresta em diante. Com o pouco que sabia sobre os kelpies já pude imaginar que vocês poderiam estar em problèmes. – Fleur sorriu e continuou a andar ignorando o surto anterior da amiga, conversariam sobre isso mais tarde, agora ela tinha o direito de descansar.

Notas finais
Se gostou, encontrou algum erro ou tem alguma crítica... Por favor, sinta-se à vontade para comentar abaixo. ~Até o próximo capítulo!