Glória Eterna
8 Primeira Parada?
Notas iniciais
Com toda a confusão com o kelpie, os três jovens bruxos esqueceram a fome. Que só voltou a aparecer bem mais tarde. Quando já estavam a salvo dentro do perímetro dos feitiços protetores, descontraidamente conversando em torno de uma fogueira.
– Ah, droga. Os peixes! – Louis exclamou.
– Mas nós não conseguimos pegar um sequer! – Disse Claire.
– Exatamente! Ainda temos nada para comer.
– Eu não acredito. – Disse Fleur rindo da distração dos dois.
– Eu acho que sei onde tem umas frutinhas. Não é o bastante... Mas vai ter que dar até amanhã. – Claire pegou uma cesta velha dentro da barraca e os três saíram procurando frutas nos arbustos dentro do perímetro.
– Cuidado, as folhas das orties são muito parecidas com as do blueberry silvestre. – Claire alertou.
– Entendido!
Apesar da fome, uma felicidade estranha enchia o coração dos jovens, por um momento eles se esqueceram do motivo de estarem ali, dos perigos e do incidente kelpie. Encontraram e comeram muitas frutinhas. Conversaram por horas a fio e dormiram como se estivessem em casa.
~♦~
Resquícios cinzentos de um novo dia já eram visíveis no horizonte quando Fleur acordou, não sabia bem o porquê. Tinha a sensação de ter ouvido alguma coisa... Já estava voltando a dormir quando escutou um farfalhar vindo de fora da cabana.
Claire levantou-se devagar e, pé ante pé, foi até a abertura da lona (que eles chamam carinhosamente de porta) e, por uma pequena fresta, espiou o exterior da barraca.
Estava mais claro lá fora, pois o sol começava a despontar. Apesar disso, ainda não tinha luminosidade suficiente para que Fleur distinguisse com clareza o que causava o barulho. Na verdade, ela não via nada. Estava como eles tinham deixado. Fora a fogueira, que agora só sobravam brasas, o resto estava intacto. Sem sinal de invasores.
Deve ser coisa da minha cabeça.
Ela ficou alguns segundos admirando o amanhecer, mas em seguida um vulto passou voando acima de sua cabeça e desapareceu de vista.
Oh die, o que é isto agora?
Logo depois, uma pequena coruja parda pousou no teto da cabana.
– Então, era você que estava me assustando? – Claire disse docemente para o pássaro.
Estendeu o braço para ele pousar e entrou na barraca. Preso nas suas garras do animal, estava um pequeno envelope endereçado a Claire.
– Claire, acorde. Chegou uma carta para você.
Claire abriu os olhos imediatamente.
– Ah! Finalmente! – Estava radiante. -Não quis dizer nada, mas sem essa belezinha nós não poderíamos sair daqui. – Ela respondeu com a carta entre as mãos e um sorriso maroto nos lábios.
– Se você nos contasse tudo de uma vez iria ser muito mais fácil. – Disse Fleur em tom de reprovação.
–Se eu contasse tudo de uma vez vocês não viriam comigo. – Ela respondeu rindo, apesar de parecer depositar muita seriedade no que dizia.
Fleur abriu a boca para protestar, mas Claire interrompeu.
– Isso! – Gritou e deu pulinhos. Acordando Louis, que se levantou com um susto, uma cara confusa e o rosto marcado pelas folhas – Juntem as coisas! Vamos sair desta floresta.
–Agora?! – perguntou Fleur meio surpresa.
–Agora!
–Agora o que? – gemeu Louis.
–Vamos embora. –Explicou Fleur.
– Agora? – Ele protestou com sono.
–AGORA! – Claire gritou. – O próximo que falar “agora” vai ser comido pelo kelpie. Vamos!
Todos saíram da cabana ainda com a mesma roupa cheia de plantas grudadas. Claire desmontou a cabana, sem se importar com a bagunça que as camas de folhas iriam deixar, e a transformou em um quadrado de pano com mais ou menos dois palmos comprimento e largura.
– Me deem as mãos. Vamos um pouco mais para o norte! – Disse Claire sorridente.
–Onde ao norte exatamente?
–Paris!
Os três juntaram as mãos e aparataram.
~♦~
Fleur foi a primeira a abrir os olhos... Não era para eles estarem em Paris?
Eles estavam rodeados de árvores e plantas. As mesmas árvores e plantas.
– Ér... Só eu que acho que não deu certo? – Perguntou Louis um pouco sem jeito.
–Não! No! No! – Claire gritou frustrada. – Não acredito. Do jeito que esta floresta é não me surpreendo que não consiga aparatar por aqui.
– Por aqui... Na floresta toda? – Perguntou Louis.
– Não... Acho que é só nesta parte. Mas não dá para sair andando e tentando aparatar em cada pedacinho da floresta.
– O que a gente faz? – Perguntou Fleur.
– Vamos passar mais um dia aqui. À noite, quando estiver bem tarde, nós voltamos para a cidade sem que ninguém nos veja e aparatamos lá.
Fleur fez uma cara de desgosto. Não gostava da ideia de passar mais uma noite naquela floresta estranha.
– Vou acender outra fogueira... – Fleur falou e começou a juntar mais galhos e joga-los junto com as cinzas dos antigos.
–Não, pode deixar que eu acendo desta vez. – Disse Louis com um sorriso.
Fleur agradeceu.
–Vamos procurar comida, então. – Exclamou Claire.
–Procurar comida, Okay. – Louis repetiu pensativo. – Cuidado. Nada de peixes, ein?
–Oui. Nada de peixes. – Fleur consentiu.
~♦~
Por todos os cantos Fleur e Claire encontravam armadilhas. Paredes invisíveis aqui... Árvores encantadas ali. Nada muito preocupante...
– O que é aquilo? – Perguntou Fleur alarmada.
–Uma moita.
–Ela não estava aí. Eu lembro porque tinha quase certeza que era uma moita de frutinhas!
– Okay. Então a moita andou. – Disse Claire ironicamente e continuou a andar.
Mas então, a árvore que estava logo ao seu lado moveu-se para o meio do caminha fazendo com que ela esbarrasse.
–Ahá! — Fleur apontou triunfante.
– Oui, eu admito: as plantas andaram. – disse revirando os olhos. — Mais um feitiço bobo. Vamos dar meia volta.
Quando as duas se viraram, todas as árvores e arbustos haviam se juntado criando uma espécie de barreira.
– Esta floresta está brincando com a nossa cara. – Claire protestou irritada.
Elas tentaram contornar a parede. Mas as plantas sempre se moviam de forma a ficar logo a frente delas, impedindo a passagem.
– Isto já está me irritando. – Fleur reclamou.
Elas não conseguiam ver o movimento das plantas. Elas simplesmente estavam lá quando mudavam de direção.
– Tente não tirar os olhos delas. – Disse Fleur tendo uma ideia.
As duas bruxas andaram de costas. Sempre de olho nas plantas irritantes. Estava tudo bem, até que o chão embaixo delas desapareceu e elas caíram em um enorme buraco.
– Era só uma distração? Aquelas árvores idiotas eram só uma DISTRAÇÃO! – Claire gritou com raiva.
Ela segurava contra o peito seu braço, tinha caído por cima dele. Fleur tinha arranhado o rosto nas raízes que saiam das paredes do buraco, mas fora isso parecia bem....
– Vamos sair logo daqui. – Disse Fleur irritada e começou a escalar usando as raízes e as irregularidades das paredes como apoio. Claire a imitou. Mas ambas se desequilibraram e caíram quando todas as raízes se transformaram em serpentes vivas e tombaram no chão ao lado delas.
–Agora mais essa! – Disse Fleur armando-se com a varinha.
Fale com o autor