Give me a sign
1 Pepper and cake
Notas iniciais
Ela ficava hipnotizada com o acervo musical. Nem percebera que há 4 dias, um garoto a observava. Ele também passou a ir sempre no mesmo horario e sempre encontrava a garota de cabelos castanhos claros desgranhados, com estilo meio grunge, e belo rosto, um dos mais lindos que já vira. Era a delicadeza e a atitude numa só pessoa. De algum modo, ela havia chamado a atenção de Justin, este era o seu nome.
Emma estava olhando atentamente o catálogo de discos. Buscava escolher criteriosamente o disco do dia. Era "I don't want to grow up" dos descendents.
Assim que escolheu, entregou o codigo para o senhor Johnson.
-Boa tarde, Emma — cumprimentou ele
- Boa tarde, seu Johnson. Como vai?
- Vou bem. Pensei que não virias hoje. Chegou mais tarde do que de costume
- Tinha um seminário para apresentar, acabei ficando até mais tarde. Mas, vim
- Veio como sempre. Lembro quando o seu pai te trazia. Você era apenas uma garotinha e agora, já é uma universitária. — a garota sorriu com as lembranças. — Mas, então, qual vai ser o som de hoje?
- Descendents
- Você me orgulha a cada dia. Esse é um dos meus preferidos — disse ele, indo colocar o vinil num dos aparelhos.
- Johnson, pode me trazer a capa? — pediu ela e logo, o senhor trouxe a capa na mão. Ela amava ficar olhando a capa dos discos enquanto os escutava.
Ela, então, seguiu para uma poltrona e colocou o fone de ouvido. Assim que a música ecoou, a garota fechou os olhos e relaxou. Era sua terapia diária. Do outro lado da sala, Justin, mais uma vez, se surpreendeu com o disco escolhido. Aquele era um de seus preferidos. Ele também observava cada reação que ela esboçava: um leve sorriso no canto dos lábios, os dedos e os pés batucando ao ritmo da musica. Ele sequer dava atenção para o disco que ele ouvia.
Minutos depois, a garota se levanta e sai.
- Tchau, Johnson
- Tchau, Emma.
Emma seguia pelas ruas de Londres. Sempre pegava um beco que era um atalho para seu apartamento. Em certa parte do caminho, a moça sente que alguém está seguindo-a. Ela começa a acelerar os passos e depois começa a correr. Agora, ela tinha certeza, um garoto corria atrás dela. Foi entao que Emma pega seu spray de pimenta e quando o garoto a alcança, ela simplesmente atinge seus olhos.
- Ahhhhh argh... droga. O que é isso? Você é louca?- reclamou ele, ajoelhando-se e esfregando os olhos.
- Eu sou maluca? Você me segue, seu maniaco! E eu sou a maluca? É isso? Vou chamar a policia pra você e veremos que é maluco! — Emma estava quase chamando alguem, quando o garoto fala
- Eu não estava te seguindo... aiiiiii.... você deixou cair sua carteira na fonoteca, eu apenas tentei te entregar — Justin estava ajoelhado, tentando respirar e fazer com que os olhos parassem de arder.
Emma ficou constrangida e com pena do garoto.
- Nossa, desculpa! Mas, você deveria, sei lá, gritar "Hey, moça... sua carteira!"... você não pode correr atrás das pessoas assim — ela ajoelhou-se, ficando frente a frente com ele, e começou a assoprar seus olhos. Apesar de estarem muito vermelhos, ela pôde ver a cor dos seus olhos. Eram verdes e dependendo do angulo que se visse, a cor mudava. Percebeu também que ele tinha um piercing em formato de argola no canto esquerdo do lábio inferior
- Tá ardendo muito! Não tinha uma pimenta que ardesse menos?
- Vem! — disse ela.
Ela foi guiando ele até uma padaria que ficava na esquina.
- Oi, Melany. Posso usar o banheiro?
- Claro, Emma
- valeu!
Os dois foram para os fundos do estabelecimento onde ficava o banheiro.
- Entra e lava.
- Torce pra eu não ficar cego
- Vira essa boca pra lá. Vai logo!!!
Justin entrou e após uns 10 minutos, ele saiu.
- Pensei que você tivesse morrido
- Se você não tivesse esvaziado o spray nos meus olhos, eu não demoraria tanto.
Os dois ficaram se olhando. Ambos constrangidos pela situação.
- Pois é. Mais uma vez, desculpa. Pensei que fosse um ladrão ou estuprador... sei lá. Agi por instinto.
- Esquece! Tá tudo bem. Só queria devolver a carteira.
- você devolveu — ela mostrou a carteira — posso te pagar um café como agradecimento e um bolo como pedido de desculpa?
- Não precisa.
- se você aceitar, vou me sentir melhor.
- Se você insiste... eu aceito — respondeu após pensar uns segundos.
Justin estava envergonhado, mas não queria perder a chance de conhecê-la melhor. Então, ele sentou-se numa mesa e Emma foi fazer o pedido.
- Mel, eu vou querer um café e uma fatia de bolo.
- Okay. — enquanto Mel digitava os pedidos na caixa registradora, olhava para Emma com um olhar de "eu sei o que vocês fizeram no verão passado" — Quem é o gatinho? — sussurrou Mel
- O que? Não é ninguém.
- Sei... — disse desconfiada
_ É serio. Alias, entrega para ele o pedido. Estou atrasada.
- Ta bom, tigresa!
Emma passou correndo pela mesa onde Justin estava sentado.
- Hey, onde você vai? — gritou ele
- Embora. Bom lanche, tchau!
De fato, Emma não havia prometido comer com Justin. Ela só queria pagar. O garoto ficou arrasado. Assim que Mel entregou o café e o bolo, ele pegou e entregou para um mendigo que estava em frente o estabelecimento.
Ele estava andando, ainda sem entender o "bolo" que havia levado (denotativa e conotativamente). De repente, seu telefone toca
- Justin, cadê você?
- Marcus, eu to na rua. Chego ai em 15 minutos
- Certo. Mas vem logo. Estamos atrasados.
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Emma, assim que chegou no seu apartamento, foi logo correndo para o banheiro. Fez tudo rapido. Vestiu seu uniforme (Calça jeans preta e camiseta azul escuro com a logo "John's Pub"). Trabalhava a noite, como bartender num pub. Começava às 17h e saia às 1h da manhã. Quando estava saindo do apartamento, sua colega de quarto chega.
- Está atrasada, Emma! — disse Sarah
- Eu sei muito bem. Beijos
- Bom trabalho
- Ah... Sarah, deixei o dinheiro do aluguel na gaveta do armário. A gente se vê mais tarde
Chegando ao pub, na hora exata, Emma logo começou o trabalho. Às 8h da noite, havia muito movimento, já que, naquela noite, haveria show ao vivo.
- Hey, Larry. Quem vai tocar hoje?
- Jay Jay Pistolet
- Jay o que?
- Pistolet. Não é nenhum strokes ou arctic monkeys, porém, o som é de qualidade. Esse povo todo veio pra vê-lo, ou melhor, ouvi-lo
-Nunca ouvi falar dele
- Claro né. Você só conhece o povo da era medieval. Cantores e bandas do século XXI, você nunca vai conhecer.
- Qual é!!!! Curto varias bandas atuais. E acrescenta mais esse tal de Jay Jay na lista de cantores do seculo XXI que eu conheço, ja que vou ver o show dele.
- Beleza, contando com ele, você ja conhece 6. Parabéns!
Ambos ficaram rindo. Sempre trabalhavam e se divertiam ao mesmo tempo
- Larry, será que esse cara é melhor que a banda da semana passada?
- Acho que sim... qualquer banda é melhor que aquela! Nao sei de onde, o John tirou aquela banda.
- Devem ser parentes dele, só pode.
-Olha, vai começar.
A plateia começou a gritar e aplaudir o cantor que havia subido no palco. Emma ainda atendia alguns caras e também se saia de investidas. Toda noite, ela ouvia uma cantada nova. Uma pior do que a outra.
Assim que, os pedidos no bar cessaram, Emma voltou a atenção para o dono da voz que estava agradando seus ouvidos. No momento em que Emma colocou os olhos no tal Jay Jay, ficou surpresa. Era ele. O garoto que ela havia atingido pimenta nos olhos. Logo se deu conta de que não sabia seu nome. "Será que ele se chama Jay, mesmo?" Pensou ela
- hey... Terra chamando Emma! — disse Larry, estalando os dedos
- Han?
- O que foi? A musica do Pistolet te hipnotizou?
- Não. É que eu conheço ele.
- Conhece?
- nao... na verdade, espirrei pimenta nos olhos dele.
- Por que?
- Ele foi me entregar minha carteira, mas pensei que fosse um bandido.
- Você é doida, garota
Emma ficou escutando cada canção. Uma delas ficou grudada na cabeça feito chiclet
But I know that you're not broken
And I know that you're not bruised
I know I'm easily forgotten
So Happy Birthday You
Um tempo depois, o show acabou e ela avistou "Jay" vindo em direção ao bar. Sua primeira atitude foi agachar-se e ficar escondida sob o balcão
- Hey! O que você está fazendo? — perguntou Larry confuso
- Me esconde! Ele ta vindo pra cá
- Boa noite. Uma cerveja, por favor — disse "Jay". Emma ficou nervosa ao ouvir sua voz.
- Aqui, está sua cerveja. Mais alguma coisa?
- Não. Obrigado.
Para o azar de Emma, Justin ficou ali sentado, conversando com um amigo. Para piorar, John, o dono, chegara no lugar
- Hey, Larry. Tudo certo por aqui?
- Tudo perfeito, John!
- Que bom. — ele foi entrando no bar — vou pegar uma bebida pra mim.... EMMA? O que você ta fazendo aí?
- Nada! Derramou bebida e estou limpando.
- Por um minuto, pensei que estivesse se escondendo — disse rindo, enquanto bebia. John era um homem engraçado e um excelente patrão — Vai continuar aí?
- Ta quase seco. Você nao quer que alguem escorregue, né?
- Isso não. Bem, tenho que ir falar com uns amigos. Nos falamos depois.
Justin ouvia a conversa e ficou curioso em saber quem estava sob o balcao. Desde que, começou a beber, nao viu ninguem. Assim, a pessoa ja estava ali ha um bom tempo.
Logo, uma garota levantou-se e estava de costas e os cabelos sobre o rosto. Ele se esforçou para vê-la, mas aqueles cabelos eram inconfundiveis
"Será?" Pensou ele.
A garota foi em direçao a multidão.
- Marcus, espera um pouco! Ja volto
Larry observava tudo e percebeu que Justin havia reconhecido a garota.
Justin tentava encontra-la em meio a multidao. Emma nao havia percebido que ele estava seguindo-a. Até que ela sente alguém segurando seu ombro
- ESPERO QUE NÃO ESPIRRE NADA NOS MEUS OLHOS DESSA VEZ! — falou ele em voz alta, devido o som alto do ambiente.
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