Violetta’s POV

– Caraca, vocês dois são muito maníacos! – Fran exclamou quando eu acabei de relatar uma noite que tive com Leon. Em como eu abafava os meus gemidos com o travesseiro, porque nossos pais estavam inocentemente assistindo televisão no quarto.

– Não somos maníacos, somos...

– Namorados que têm um romance “proibido” – Ela disse com aquele sorrisinho típico, arqueando a sobrancelha e me encarando com aqueles olhos escuros.

– Não somos namorados, Francesca! – Eu falei irritada. Fran e Marco insistiam em falar que éramos namorados, mas isso não era verdade. Eu e Leon éramos ficantes. FICANTES!

– Qual é Vilu, é como se vocês dois fossem namorados de fato – Fran argumentava enquanto comia mais a pipoca que estava no balde.

– Mas nós não somos namorados de fato, Reys.

– Você é chata demais! Porra, você e o Leon se merecem mesmo – Ela reclamou e eu ri da sua cara, estendendo o meu dedo do meio em seguida.

Eu estava me divertindo muito com essa maluca. Sério, minha amizade com a Francesca estava me fazendo muito bem. Depois de todo aquele episódio com a Lara, que por sinal estava namorando um ex-namorado meu lá de Minas, eu finalmente estava podendo confiar em uma amizade novamente.

– Você me faz muito bem, morena – Abracei Fran e dei um beijo no topo de sua cabeça. Ela riu gostosamente.

– Sua amizade também me faz bem... Confesso que fiquei com um pouco de ciúmes seus porque o Leon não parava de falar de você, então pensei que ele poderia estar me “trocando” – Ela falava gesticulando com as mãos e olhando para o nada – Mas quando eu vi que ele não gostava de você como gostava de mim, comecei a relaxar e apoiar a relação de vocês dois. Só acho que vocês deviam assumir isso logo.

– Como vamos assumir isso, Francesca? Nossos pais não podem saber de nada.

– Porque não podem? – Ela bufou com raiva.

– Hum, deixe me ver. Porque eles irão nos separar? – Respondi irônica.

– Af, que vida difícil essa!

– Nem me fala...

*

Hoje era sexta-feira e amanhã iríamos para um acampamento no interior do Rio de Janeiro. Não me pergunte o porquê, mas a escola estava querendo que aprendêssemos com a vida selvagem e também compartilhar nossas coisas, como eu não sei. Confesso que eu estava animada, pois poderia ficar com Leon sem os nossos pais por perto, mas o cuidado seria redobrado, já que aquela puta da Larissa também iria, infelizmente.

Larissa era aquela loira magricela que ficava dando em cima do Leon direto. Sério, que raiva eu tenho dessa garota! Francesca me falou que ela se jogava pra cima de Marco também, mas que o seu alvo sempre fora o Leon mesmo. Mas pouco me importava, já que eu tenho a plena consciência de que ele gosta é de mim.

– Filha? – Ouvi a voz da minha mãe entrando no quarto. Virei meu rosto para olhar para a porta, onde ela estava encostada confortavelmente.

– Oi mãe.

– Está arrumando essa mala para quê, pequena? – Maria, minha mãe, aproximou-se da minha cama onde eu estava e tocou os meus cabelos.

– Lembra que amanhã eu vou a um passeio do colégio? Vamos a um acampamento perto de uma praia – Suspirei enquanto dobrava o meu pijama e colocava dentro da mala

– Vejo que você e o Leon estão se dando bem... – Mamãe respondeu enquanto prendia seus cabelos em um coque. Tentei disfarçar o meu olhar sob seu rosto e vi que seus olhos não possuíam malícia ou desconfiança alguma.

– Ah, é... Leon é uma pessoa muito boa.

– Verdade – Mamãe sorriu – Puxa completamente ao Matias.

E uma pontada de curiosidade aflorou do meu peito. Eu sabia que Leon não mantinha contato com sua mãe, mas nunca soube a verdade sobre tudo. E agora era uma oportunidade para perguntar sobre o assunto, já que estávamos a sós.

– E mãe, o que aconteceu com a mãe do Leon? – Perguntei olhando no seu rosto. Mamãe me olhou e suspirou pesadamente.

– Bem filha, tudo o que eu sei é que ela morava nos Estados Unidos com o Matias e a Carla. Mas depois de um tempo eles precisaram retornar ao Brasil e quando ela descobriu que estava grávida do Leon, começou a ficar estranha – Mamãe explicava e mexia nos cantos das unhas – Você sabe que a mãe da Carla é diferente da dele, né? – Assenti com a cabeça e ela continuou a contar a história – Então, ela criava a Carla como se fosse filha dela mesmo. Mas quando ela ficou grávida do primeiro filho, passou a rejeitá-lo. E quando teve o Leon, o abandonou e sumiu do mapa, e até hoje ninguém mais sabe por onde ela anda.

– Coitado do Leon...

– Pois é, mas não comente nada com ele, porque irá deixá-lo triste. E tenho certeza de que não é isso que você quer.

– Claro que não – Respondi de imediato e minha mãe se levantou, dando-me um beijo na bochecha e caminhando até a porta. Quando chegou ao corredor, virou-se novamente para mim.

– Só não fique com isso na cabeça, filha. Não faz bem!

Afirmei com a cabeça e ela saiu para algum canto. É, difícil agora será esquecer.

*

Final de semana no acampamento, 8 horas, Rio de Janeiro

– Leon, leva essa minha mochila lá para o nosso banco, por favor – Toquei no ombro de Leon assim que me aproximei dele. Ele e Marco estavam conversando sobre alguma coisa, com certeza era sobre mulheres, então eu não estava muito a fim de ficar escutando aquilo. Cadê a Francesca que não chega meu Deus?

– Volto já, cabeça – Leon falou diretamente com Marco, pegou minha mochila e bagunçou meus cabelos levemente, entrando no ônibus em seguida.

Eu e Marco ficamos conversando sozinhos. Logo depois Alex chegou e se juntou a nós.

– Amados! – Ouvimos um grito perto de nós e eu me virei rapidamente, assustada com aquela voz tão estridente naquela hora da manhã. Mas era óbvio, só podia ser Francesca. A garota usava uma blusinha rosa amarrada na cintura, um short curto, rasteirinha nos pés e mochila nas costas. Os cabelos estavam completamente lisos, que novidade.

– Oi mulher! – Abracei Francesca de lado e ela me deu um beijo estalado na bochecha. Ela falou com Alex rapidamente, se jogando nos braços de Marco em seguida. E depois eu que fico fazendo pornografia explicita na frente das pessoas...

– Essa barriguinha lisa, tão linda – Ouvi o sussurro de Marco, se é que aquilo se pode chamar de sussurro, perto do ouvido de Fran. Ela sorriu maliciosamente e eu neguei com a cabeça. É Violetta, não é só você e o Leon que são depravados por sexo não.

– Todos subindo para o ônibus! – Ouvi a voz do coordenador e rapidamente nos dirigimos para a escada, afinal, íamos ainda pegar a estrada e vai que esse lugar é muito longe. Eu estava era estranhando o porquê que o Leon não desceu depois que veio deixar minha mochila, isso estava esquisito.

Assim que cheguei ao final do corredor, depois de muitos empurrões por sinal, vi uma cena nem tão legal. Leon e Larissa, a puta, conversavam animadamente. Calma Violetta, eles estão apenas conversando. Ou melhor, ele estava, porque ela... Bem, ela preferia estar fazendo outra coisa com toda a certeza do mundo.

– Cheguei – Dei o meu sorriso mais cínico do mundo, de propósito é claro. Apesar de não podermos assumir nada que tínhamos, eu adorava fazer a linha de “irmã” ciumenta. Leon apenas ria, como sempre.

– Você é mal, Violetta – Ele falou rindo assim que nos sentamos. Eu fiquei na parte ao lado da janela e ele na do corredor.

– Eu? Por quê?

– Seu sorrisinho cínico para a Lari. Foi triste e ela percebeu tudo – Leon sentou-se melhor na cadeira e cravou seus olhos verdes nos meus. Ele era tão lindo e por um momento fiquei imaginando se Leon parecia-se com sua mãe.

– Ah claro, como se a Lari – Fiz aspas imaginárias com os dedos ao falar o nome da biscate – Tivesse importância na minha vida.

– Você fica muito linda com ciúmes sabia? – Leon disse com um sorrisinho nos lábios. Ele colocou uma mão em cima da minha coxa e a apertou disfarçadamente, fazendo-me fechar os olhos automaticamente.

– Não me atenta aqui, Vargas... – Sussurrei ainda com os olhos fechados. Não podíamos ser vistos e aquele Cristão continuava me provocando.

– Fica quietinha, Castillo... – Meu coração praticamente congelou ao ouvir aquelas palavras, meus olhos pareciam grudados e uma sensação gostosa crescia dentro de mim. Senti os lábios de Leon em meus lábios e depois uma mordidinha rápida em seguida na parte inferior.

– E desde quando irmãos podem se beijar? – Ouvi uma voz estridente perto de nós e arregalei os meus olhos rapidamente ao visualizar ela.

Ai meu Deus, estamos literalmente fodidos.