Give Me Love - Cancelada!
18 Droga.
Notas iniciais
– E desde quando irmãos podem se beijar? – Ouvi uma voz estridente perto de nós e arregalei os meus olhos rapidamente ao visualizar ela.
Ai meu Deus, estamos literalmente fodidos.
Violetta’s POV
– De onde é que você tirou isso? – Falei com a cara mais cínica do mundo. Meu coração por dentro parecia que ia explodir de tanto nervosismo contido, mas eu não poderia demonstrar isso nunca, até porque era isso que ela queria. Olhei de relance para o banco de trás e vi que Francesca e Marco nos olhavam de uma forma assustada. Péssimos atores.
– De onde que eu tirei? – Ela falou debochadamente e sorriu largo, mostrando os seus dentes clareados – Eu acabei de ver vocês dois se beijando. Por favor, eu não sou cega.
– Você não viu nada, Larissa – Leon se pronunciou pela primeira vez, encarando-a. O sorriso no rosto da vadia só aumentava.
– Ih, estão nervosos é? Estão com medo que eu vá contar para os pais de vocês que os irmãozinhos tem um romance proibido? – Ela aproximou mais o rosto de nós dois e encostou o braço na “cabeça” do banco, segurando seu rosto com a mão – Sabe, isso daria um bom enredo de novela mexicana. Pena que isso é vida real e nem sempre os finais felizes vencem.
– O que você tá querendo dizer, sua puta? – Grunhi as palavras. Estava com tanta vontade de socar aquela cara com quilos de maquiagem, que mal estava notando na careta que Leon fazia para mim. Graças a Deus as pessoas estavam cantando e gritando, então não escutavam nossa “conversa”.
– Se você falar assim, só vai piorar a situação, querida – Larissa disse e se levantou – Se eu fosse vocês dois, tomaria mais cuidado com suas demonstrações afetivas. Afinal, eu não tenho nada a perder contando sobre o casal proibido.
Larissa terminou de falar e foi embora, sentando-se no seu banco junto ao seu melhor amigo. Meu corpo tremia por dentro e creio que Leon também não estava muito diferente.
– Gente, vocês são malucos? Estarem se beijando aqui? – Saí do transe ao ouvir a voz de Fran perto de nós. Marco também se levantou e ficou ao lado dela. Os dois nos fitavam e Leon fitava apenas o chão.
– Ela não vai falar nada – Ele falou.
– Como você sabe? – Perguntei olhando diretamente para ele.
– Larissa não tem provas. Nenhuma foto, nem vídeo e muito menos uma gravação – Leon fitou os meus olhos – Pode ficar tranquila. A gente só precisa ter mais cuidado.
Notei um suspiro profundo de Fran e ela voltou a se sentar no banco de trás, acompanhada por Marco. Leon suspirou também e inclinou o seu corpo para o lado, encostando sua cabeça em meu ombro.
– Adoro o cheiro do seu cabelo – Ele sussurrou e eu sorri automaticamente. Apesar de toda essa loucura, eu amava Leon. Não sabia quando diria aquelas palavras, mas só de ter certeza daquilo, isso já me deixava imensamente feliz.
*
– Violetta, como é que monta essa merda pelo amor de Deus? – Fran perguntou para mim enquanto lia as instruções da nossa barraca. Uma das primeiras tarefas que nos cabia era montar o local onde íamos passar as duas noites e infelizmente, nem eu e nem minha amiga conseguíamos decifrar aquelas palavras.
– Você acha que eu sei Francesca? – Perguntei irônica enquanto fazia um coque em meus cabelos. O calor estava imenso e vários mosquitos zumbiam em nossos ouvidos, fazendo Fran ficar mais irritada ainda – E se a gente não conseguir montar? Onde vamos dormir?
– Sei lá.
– Bem que podíamos ficar na barraca do Leon e do Marco... – Disse enquanto imaginava essa cena. Ok Violetta, você viajou agora.
– Violetta! – Fran choramingou.
– O quê? – Perguntei balançando a cabeça e afastando aqueles pensamentos da minha mente.
– Foco, Vilu! Foco! – Ela disse irritada e balançando as mãos para o alto. Gargalhei de sua encenação. Realmente Farn iria se dar bem na faculdade de Artes Cênicas.
– Ah, tudo bem.
*
Duas horas depois, 13 horas e 30 minutos, Acampamento no interior do RJ
Depois de longas horas tentando montar aquela barraca, finalmente havíamos conseguido deixá-la pronta e organizamos todas as nossas coisas dentro. Ela era bem grande e tentamos deixá-la o mais limpa possível, afinal, não queríamos ter surpresas à noite.
Estava na hora do almoço e todos nós nos dirigimos à Cabana Central, onde nossa comida seria servida e compartilhada. Encontramos com Marco, Leon e Alex, e nos sentamos juntamente a eles.
– E aí? A Cabana de vocês já está de pé? – Marco perguntou com um tom de deboche, fazendo com que Fran jogasse um olhar mortal para ele. Rapidamente, ele fechou a cara e engoliu seco.
– Sim, graças a Deus – Ela respondeu tirando um cabelo do rosto e olhando para o céu – Eu só quero ir dormir.
– Vai ter que esperar mais um pouquinho, Fran – Alex respondeu e nós olhamos para ele.
– Por quê? A gente vai ter que fazer alguma coisa hoje de tarde? – Perguntei curiosa.
– Vamos ter que fazer uma trilha, queridos alunos – Nosso coordenador se intrometeu na conversa. Não sei de onde ele tinha surgido, mas o fato era que ele estava muito feliz por nos ver cansados, implorando por um bom cochilo e uma roupa confortável. Não sei qual é o problema de alguns professores, às vezes parece que eles sentem prazer de nos ver sofrendo, sei lá.
Nosso coordenador, Pablo, deu duas batidinhas nos ombros de Leon e Alex que estavam lado a lado, e então saiu para assustar outras mesas.
– Eu já disse que eu odeio esse cara? – Fran falou quando terminou de comer.
Todos nós afirmamos com a cabeça e concordamos com ela. Ninguém merecia esse cara, ele era um inferno.
*
Depois do jantar, as duplas tinham um horário para usar o chuveiro. Claro que existiam 4 chuveiros, distribuídos por dois banheiros. Um feminino e o outro masculino. Procurei demorar um pouquinho mais no meu banho quente e relaxar o máximo possível, até porque depois daquela trilha horrorosa, meu corpo implorava por limpeza e cansaço.
Com o banho terminado, eu vesti um shortinho de listras, uma regata com um moletom por cima e sequei os meus cabelos com a toalha mesmo, pois não tinha condições de haver um secador naquele fim de mundo. Eu e Fran voltamos para a barraca e ficamos conversando até tarde. Como eu já amava aquela idiota? Era inexplicável aquilo. De início nos odiamos, assim como eu odiei Leon... Mas esse sentimento ruim foi se tornando uma coisa maravilhosa e que, hoje, é essencial na minha vida.
Às duas e meia da manhã eu recebo uma mensagem no WhatsApp vindo de Leon. Tento abrir os meus olhos e ler a mensagem, mas aquela simples tarefa estava mais difícil que montar a barraca de mais cedo. Mas finalmente consegui lê-la:
“Violeprttaaaaaa, vem aquiiiiii prra praiaaaaaaaaa, por favorrrr. To tep esperasndlo.” (n/a: a mensagem está escrita dessa maneira de propósito).
Confesso que meu coração foi até a garganta e voltou para o lugar. Leon nunca escrevia daquela maneira e pra quê diabos ele queria me ver a essa hora da madrugada no meio do mato em torno de uma praia? Só ele mesmo. Mas mesmo assim me levantei e fui até onde eu acreditava que ele estava.
Chegando perto da praia, ouvi umas vozes longes e tentei seguir apenas pelo som. Chegando lá, percebi que estava Leon e mais 6 pessoas.
Leon estava deitado no chão e uma garrafa de alguma bebida estava vazia ao seu lado. Na sua frente, estavam Federico, ou Fede como costumava ser chamado, apenas de calça jeans e com o braço em torno de uma loira, sua namorada, Ludmila Ferro. Logo depois existiam mais dois casais: Broduey Nascimento, apenas de bermuda, com uma ruiva deitada no seu colo, a Camila Torres. Restava mais dois, Maxi Pontes, o único que estava com uma camisa e sua namorada, Natália Vidal, que usava apenas um short jeans acima do umbigo, mas extremamente curto e apenas de sutiã, ela parecia a mais bêbada. Na verdade, todos ali estavam muito mal.
– Leon! – Gritei ao vê-lo se debruçar para o lado e corri em sua direção. Assim que o alcancei, segurei em seu rosto e fiz ele me olhar nos olhos.
– Vilu meu amor... – Ele abriu um sorriso, como se estivesse realmente feliz por me ver. Ele podia até estar, mas suas ações não eram completamente claras.
– Vem cá, Leon – Tentei nos afastar daquele grupo. Apesar de todos estarem bêbados, não queria correr o risco de que depois se lembrassem de alguma bosta que Leon deixasse escapar sobre nós dois.
Leon se levantou e foi andando até uma parte bem mais afastada, escura e vazia. O sentei no chão e ele me olhou com um ar malicioso.
– Leon, para, você está bêbado! – Toquei no seu peitoral quando ele se aproximou de mim para me beijar.
– Cala a boca, eu sei que você quer – E assim, ele me beijou. Um grande hálito de bebida invadiu minha boca e eu quis automaticamente vomitar. Odiava qualquer tipo de bebida alcoólica e estar naquela maneira com Leon, me dava náuseas.
Leon começou a passar a mão por todos os cantos do meu corpo. Apalpando meus seios e bunda, fora minha intimidade que ele insistia em passar o dedo freneticamente. Eu estava enjoada, tanto quando o gosto que estava em minha boca quanto à situação. Eu estava sendo estuprada pelo meu ficante/namorado. Sim, tudo bem que ele estava bêbado e todos os seus atos não eram conscientes, mas mesmo assim, eu estava com ódio de Leon.
Tentei de todas as maneiras relaxar, senão estaria toda roxa e machucada. É, aquela foi a pior noite da minha vida.
Droga.
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