Give Me Love

12 Noite de sábado


Notas iniciais
Oi! Como estão? Eu estou um caco. Me perdoem pela demora, mas fim de semestre na faculdade sempre é ruim para mim. Meus professores sempre querem me detonar com um monte de trabalhos e seminários e projetos e avaliações e vocês já entenderam. A questão é que demorei o triplo de tempo para terminar o capítulo e blá blá blá. Mas tenho uma boa notícia. Estou quase de férias da faculdade e meus alunos ficaram de férias essa semana, o que significa que vou está bem mais descansada e menos estressada, o que deve contribuir para aumentar minha inspiração eu acho. Esse capítulo ficou enorme, o maior até agora. Mas também ficou bem legal. Pra quê falsa modéstia né?! Agora chega de enrolar. Desculpem mesmo tá? Adoro vocês. ♡ ♥ ♡ ♥

Pov's Miguel

Estou sentado no tapete olhando para o teto a quase duas horas. Minha mãe, Susanna e Sami ainda estão debruçadas sobre revistas com decorações espalhafatosas de festas, mesmo depois de todos os meus protestos. E elas me perguntaram se eu queria uma festa? Nada! Pra quê perguntar isso ao aniversariante, né? Pra quê serve a opinião dele?
Suspiro e coloco a cabeça entre os joelhos. O tempo está passando devagar demais.
Minutos depois sinto alguém sentar-se no chão ao meu lado.
— Por que você tem que ser tão estraga prazeres?
Levanto a cabeça, Sam me olha com uma expressão divertida.
— Por que não posso eu mesmo escolher como quero comemorar meu aniversário?
— Isso não é óbvio? — Fica claro que ela se esforça para conter o sorriso.
Apenas nego com a cabeça.
— Porque provavelmente você ia escolher a comemoração mais chata do planeta!
Suspiro e volto a colocar a cabeça entre os joelhos.
Consigo ouvir minha mãe e Susanna conversando na cozinha. Sami gargalha ao meu lado. Está tão próxima de mim que se ela se inclinasse minimamente ia parar no meu colo.
— Qual seu problema com diversão? — ela pergunta, deslizando os dedos por meus cabelos. Não levanto a cabeça.
Resmungo:
— Não preciso de um bando de adolescentes histéricos na minha casa para me divertir.
Sam estala a língua.
— Todo o mundo querendo poder dá festas de arromba em seus aniversários e você aqui todo amuado.
— Não sou todo o mundo.
— Tem razão. — ela concordou. Seus dedos ainda bagunçavam meus cabelos.
Respiro fundo.
— Você não vai mesmo me ajudar né? — pergunto. Minha voz parece suplicante.
Ela dá de ombros.
— Não. Eu gosto de festas.
Levanto a cabeça e a fuzilo com os olhos. Ela revira os dela.
— Você vai ficar mesmo se lamentando a tarde toda?
— Não fiz nenhum outro plano.
Samira se levanta e arruma os shorts.
— Acabou de encontrar. Vamos!
Não me mexo.
— O que você quer?
— Vamos para o seu quarto.
Arqueio uma sobrancelha.
— Fazer?
Sami me lança seu sorriso mais malicioso como resposta e começa a subir as escadas.
Ainda estou confuso quando consigo me levantar do tapete.
Sam está revirando a estante que destinei para meus CD's. Ela não para de balançar a cabeça em negativa.
— Qual é o problema?
Ela continua a remexer meus CD's. Bagunçando tudo.
— Você tem mesmo que colocar tudo em ordem alfabética?
— Gosto das coisas arrumadas.
— ...
— ...
— Você não tem algo diferente? — Sami pergunta se virando.
— Diferente?
— É. Algo que não seja blues, jess, soul ou rock anos 70.
— Algum problema com minha música, Samira?
Ela coloca aos mãos nos bolsos da frente e transfere o peso do corpo para a outra perna.
— Não. Eu gosto de música em geral.
Arqueio uma sobrancelha.
— É sério. Não tenho nada contra. Você sabe que tenho um monte de música clássica no meu ipod. É só que quero algo mais animado.
Fico olhando para ela. Samira suspira e olha de cara feia para minha estante. Ainda estou tentando me acostumar com seu visual novo. Ela sempre teve cabelos longos e agora os cachos nem alcançam o meio das costas. O que não significa que esteja menos bonita, acho até que o novo visual combina ainda mais com ela. Os cachos continuam tão brilhantes como antes e ainda mais esvoaçantes.
— Meu Deus! Amber e Megan estavam certas... — Samira me olha perplexa.
Pisco algumas vezes.
— O quê?
Sam desvia os olhos.
— Nada.
Seu rosto está vermelho e tenho certeza que o meu faz reflexo ao seu.
Droga! Jake vive me dizendo para tomar cuidado. Que não posso deixar as pessoas perceberem o quanto estou apaixonado.
Apaixonado. Caramba! Estou a-p-a-i-x-o-n-a-d-o.
Samira está de costas ainda analisando meus CD's.
— Já sei! — ela se vira de repente toda animada. Não parece mais constrangida.
Ela tira seu ipod do bolso e caminha em direção ao aparelho de som. Em dez segundos uma música animada de uma cantora pop ressoa por todo o quarto.
— Serei torturado agora?
Sami retorce levemente os cantos da boca.
— Quanto exagero! — resmunga.
— Por que tenho que ouvir isso?
Começa a cantarolar junto com a cantora e a dançar. Sua voz se mistura com a da cantora e é como se eu tivesse um dueto em minha frente.
— Você não adora essa música? — pergunta após uma pausa mas sem deixar a dança de lado.
— Tenho mesmo que responder?
— Não. Eu adoro. A Katy é incrível!
Ela parou de falar e se concentrou em sua performance. Era óbvio que ela queria me provocar. Tentei manter minha cara de emburrado mas ficava mais difícil a cada segundo. Era injusto o fato dela saber dançar tão bem quanto cantar. E aqueles shorts? Jesus, Maria, José!
Sami sorria de canto e dançava ao meu redor, se aproximando cada vez mais até seu corpo chocá-se levemente contra o meu. Aquilo era demais!
Peguei na parte de cima de seus braços, o que a fez parar de dançar. Deslizei a mão por seu pescoço e a beijei.
Estamos nessa a alguns dias. No meu quarto, no quarto dela, atrás da fileira de armários da escola, no meu carro e em qualquer lugar onde Sami ache que não há ninguém olhando.
Minha fome de Samira parece não ter fim e sua atração por mim parece ser igual. O que é muito, muito bom mas me preocupa. E se Sami estiver só atraída por mim? Se não houvesse nada além de atração?
Fecho os olhos. Não é momento de pensar nisso. Não quando a língua macia e fria dela passeia por meu pescoço, deixando um rastro de fogo por onde passa.
É fácil demais me perder no tempo quando estou com Sami, mais fácil ainda quando estamos fazendo algo bem mais interessante que conversar. Como nunca cansamos de nos beijar, fico surpreso quando ela anuncia que vai embora.
— Por que? — Ainda não estou pronto para soltar sua cintura.
Ela sorri.
— Minha mãe já deve ter ido embora a séculos. Já está até escuro.
— Fica para o jantar — choramingo.
Ela apenas balança a cabeça. Estamos em minha cama, sentados, com as pernas dela ao redor de minha cintura. É uma posição que me agrada muito.
— Não posso. Tenho compromisso.
Arqueio uma sobrancelha.
— Com quem e onde? — pergunto.
Ela revira os olhos e sai do meu colo.
— Está com ciumes? — diz enquanto calça as sapatilhas.
— Não, mesmo. Só estou curioso.
— É claro que está. — Ela se levanta da cama. — Que inferno! Onde foi que eu coloquei o outro lado da sapatilha?
Levanto da cama e tento me aproximar dela, o que é muito difícil porque ela não para um segundo. Resolvo ajudar a procurar a bendita sapatilha.
Achamos a outra metade do par atrás da cômoda. Não faço ideia de como essa droga foi parar ali.
— Você não vai mesmo me responder? — pergunto
— Vou sair com as meninas. — ela diz terminando de se calçar e ajeitando a blusa. — Meus cabelos estão muito bagunçados?
Nego com a cabeça. Eu gostava de seus cabelos armados.
— Noite das garotas? — pergunto.
Sami tem esse ritual de sair pelo menos uma noite com as meninas. Não faço ideia do que ela faz com elas pra chegar sempre tão tarde ou nem dormir em casa. Talvez fiquem passando gosma verde no rosto, assistindo filmes melosos e tomando sorvete. Acho que não quero saber, seja lá o que for.
— Você devia tentar. É muito bom pra desestressar.
Uma imagem assustadora minha e de Jake com gosma verde na cara chorando por Augustus Waters se forma em minha mente. Estremeço.
— Acho que vou passar essa — digo me aproximando e a envolvendo nos braços. — Tenho outras formas de desestressar.
Ela estremece quando sussurro em seu ouvido.
— Aposto que tem mesmo. Mas já estou mais que atrasada. — Ela tenta escapar colocando as mãos em minha barriga nua. Perdi minha camisa a horas atrás. — Você está me prendendo?
Ataco seu pescoço e apenas concordo com a cabeça.
— Miguel — ela tenta me repreender, mas sai tão baixo que parece mais um gemido.
— Fica comigo — digo descendo para sua clavícula.
— Não posso. Já adiamos demais, Megan e Amber não vão me perdoar.
— Diga que você teve um imprevisto. — Continuo a beijar toda a extensão do seu pescoço.
— Chega. Tenho que ir. — Ela aproveita minha distração e corre até a porta.
Suspiro.
— Não se aproxime. Fiz um mês de judô. Aprendi a quebrar braços. — ela brinca fazendo um golpe ridículo de karatê.
— Não vai nem mesmo me dá um beijinho antes de me abandonar? — pergunto fazendo um muxuxo.
Ela revira os olhos, mas se aproxima.
Quanto drama! — reclama e então me beija.
Provavelmente não era a intenção de nenhum dos dois que o beijo tomasse proporções tão gigantescas quanto as que tomaram, mas aconteceu mesmo assim. Minha mãos passeavam por sua cintura e as dela imitavam as minhas. Seus dedos passeavam por minha barriga, peito e costas, arranhando a pele sempre que eu mordia seu lábio inferior ou deslizava a língua para sua boca.
Só nos separamos quando não há mais a menor possibilidade de aguentar mais um segundo sem ar.
— Fique! — digo encostando minha testa na sua. Ainda estou sem fôlego.
— Nos veremos amanhã. — ela diz acariciando meu rosto.
Suspiro. Sei que já perdi.
Samira se desvincula de mim e anda em direção a porta. Ela me manda um beijinho e se vira.
Não estou pronto para dizer adeus ainda.
Começo a procurar por minha camisa. Encontro a maldita debaixo da cama e a visto. Desço correndo as escadas e encontro Samira já abrindo a porta da sala.
— Espere — digo segurando seu braço.
— Já disse que tenho que ir, Miguel.
— Eu sei. É só que eu não disse uma coisa importante.
Ela inclina a cabeça.
— Hãn?
— Preciso dizer tchau.
Ela rola os olhos.
— Diga então.
Olho bem fundo em seus olhos.
— Tchau.
Samira me lança um sorriso mínimo, olha para os dois lados e me dá um beijinho rápido, apenas um selar de lábios.
— Tchau — sussurra de volta e se vai.
Fico olhando-a se afastar e só fecho a porta quando ela entra em sua casa.
— Vocês estão juntos? — uma voz risonha pergunta.
Quase tenho um ataque do miocárdio catastrófico.
— Mãe! O que é isso? — Coloco a mão no peito. — Estava nos bisbilhotando?
Minha mãe dá um sorriso inocente.
— Eu só estava passando — se defende. — E então? Estão namorando?
Ela parece a ponto de vomitar um arco-íris.
— Não — respondo simplesmente.
Minha mãe levanta uma sobrancelha.
— Mas eu vi vocês se...
— É complicado — interrompo.
Minha mãe apenas assente com a cabeça. Está na cara que ela quer mais detalhes, mas o bom nela é que ela não força a barra.
Giro para voltar para o quarto, mas ela toca em meu braço.
— O que houve, mãe? — pergunto.
Ela não me responde de imediato, tem os olhos fixos em um ponto abaixo.
— Essa camisa está no avesso?
Olho para baixo. Ela está certa.
— Não. Ela é assim mesmo.
Minha mãe balança a cabeça.
— Não é não. Eu comprei essa camisa.
Fico sem resposta. Alguém me arranje uma mentira rápido!
Célia fica olhando para minha camisa por mais alguns segundos parecendo confusa. Estou feliz por ter mais tempo para inventar uma desculpa quando ela arregala os olhos e cobre a boca com as mãos.
— Meu Deus! Você... Sami... Ai Jesus! — Ela parece histérica. — Vocês estão tomando cuidado?
— Mãe! — exclamo.
Quero me enterrar em um buraco e morrer.
— Estou falando sério, Miguel! Vocês estão usando camisinha?
— Mãe!
Por favor Deus, me mate agora!
— Estão sendo responsáveis? Precisamos ir à farmácia?
Respiro fundo. Sinto como se meu rosto fosse explodir a qualquer momento.
— Não é nada disso, o.k? — Seguro em suas mãos e olho em seus olhos. — Não aconteceu nada.
Minha mãe parece relaxar. Geralmente fica muito claro quando estou contando mentiras. Dessa vez não estou mentindo.
— Tudo bem. — Ela inspira. — Mas se acontecer você deve...
— Tá, mãe. Não sou nenhum idiota — digo encerrando o assunto.
Dou um beijo em seu rosto e me volto para a escada.
— Você já vai subir?
— Preciso fazer uma ligação. — Dou de ombros e subo.
Não sei se realmente quero passar mais tempo do que sou obrigado a ficar todos os dias com Jake. Mas Sami tem razão, preciso de um tempo pra mim.
Disco o número antes que possa me arrepender. Ele atende no oitavo toque.
— Alô? — Sua voz soa enérgica demais. Será que anda tomando Red Bull com goiabada e Coca Cola de novo?
— Oi Jake. É o Miguel. — Inspiro. — O que acha de fazermos algo juntos?
Ele demora uns bons trinta segundos pra responder.
— Olha, cara, você é muito gato, inteligente, bacana, tem uma cara de galã e olhar sexy que compensam a pose de bocó e é o sonho de qualquer garota ou garoto baitola. Só que não me leve a mal o.k? Eu não curto muito essas paradas. Nada contra quem curte, eu é que não sou muito afim.
— Esse seu discurso não-sou-gay saiu muito gay, sabia?
Não contenho o riso.
— Diz o cara que quer fazer "algo" comigo!
— É sério, Jake. Sam saiu com Amber e Megan e eu não tenho nada pra fazer.
— Quer dizer que sou seu estepe?
Bufo.
— Estou partindo seu coraçãozinho?
— Argh! Como se eu fosse me apaixonar por um banana como você. Prefiro mais atitude.
Não aguentei com essa. Comecei a ri e logo ele estava me acompanhando.
— Mas e aí? Você topa ou não? Posso passar na sua casa pra gente jogar aqueles jogos bobos que você gosta de Mortal Kombat.
— Não vai rolar, Mimi. Já tenho compromisso. — Até tu Brutus? — Vou a um show da Stones. Não te chamei porque você não curte música de gente viva.
— Rá-rá! — finjo rir. — Vou me arrumar. Passo na sua casa. Vamos no meu carro.
— É sério que você vai a um show de uma banda de pop rock?
— Isso, meu caro amigo acontece quando chegamos a decadência extrema.
Desligo e começo a me arrumar. Acabo optando pelo de sempre. Jeans, camisa de botões e jaqueta de couro caramelo.
Em pouco tempo estou buzinando em frente a casa de meu segundo melhor amigo. Ele vem rápido em minha direção e tenho que abrir a porta pra ele porque ele tem nas mãos uma lata de Red Bull e outra de Coca Cola.
Levanto uma sobrancelha.
— Nem vem me criticar, heim? — ele diz enquanto bebe um gole de cada lata. — Cortei a goiabada.
Dou de ombros e me concentro em dirigir.
Jake é péssimo como instrutor. Péssimo mesmo. Me diz em cima em qual rua devo entrar e se confunde o tempo todo. Quando estou a ponto de enfiar a mão na cara dele ele anuncia que chegamos.
O lugar a minha frente me chama atenção de um modo negativo. É um prédio pequeno retangular todo preto com letras grandes em néon formando a palavra Vibe — Que diabo de nome é esse? -, cartazes de uma banda de garotos cheios de pincings e tatuagens enfeitam as parede. Não me parece uma casa de shows e o cara careca na frente do lugar checando a identidade de jovens na porta foi o que me alertou sobre sua verdadeira.
— Você me trouxe para um bar. — Não era uma pergunta. Aquilo era óbvio.
Jake deu de ombros terminando de beber suas bebidas.
— Vou aonde a Stones for.
— Por que você não me avisou seu imbecil?
— Não achei necessidade.
— Como você acha que vamos entrar aí?
Jake jogou suas latas na lata de lixo mais proxima com a maior tranquilidade. Quando voltou tirou a carteira do bolso.
— Está pensando em subornar o segurança? — perguntei pensando na surra que que eu ia levar daquele brutamontes.
— Não. Pode não parecer mas tenho juízo. — Ele sorriu de canto. — Sou maior de idade.
Eu estava a ponto de contestar quando ele me mostrou uma carteira de motorista falsa.
— Como você conseguiu isso?
Ele aumentou o sorriso.
— Lembra do meu primo Tedd?
— O tatuador que curte oferecer cocaína pra crianças de treze anos?
— Você nunca vai esquecer disso? — Ele revira os olhos. — Ele tava chapadão!
Suspiro.
— Não vou falar mais nada.
— Ótimo. — Ele tira um segundo papel laminado da carteira. — Essa é a sua.
Olho para a carteira de identidade falsa por quase um minuto inteiro em sua mão. É sério que ele espera que eu me transforme em um marginal pra ouvir uma banda que eu nem sequer conheço?
— Como você tem uma identidade minha falsa?
— Pra emergência — ele fala com tanta naturalidade que parece que está me oferendo chicletes.
Ainda não peguei a droga da identidade.
— Aqui fora está frio. — Ele balança a carteira na minha frente. — Você vem ou não?
Balanço a cabeça tentando organizar meus pensamentos. Por fim, pego a identidade.
— Parece até que esse troço vai te queimar. — Ele ri de mim.
— Vamos logo! Se tenho que ir pra cadeia é melhor ir logo.
Jake revira os olhos e se desencosta do carro.
Analiso mais atentamente a identidade. Jake usou uma foto que tirou na escola mês passado quando ganhou uma câmera digital nova. Ele tirou milhões de fotos nesse dia. Minhas, de Sami, Amber, Megan, flores, escadas, armários, livros, cadernos e até dos professores. Professores!
Respirei fundo antes de entregar minha carteira ao segurança.
Senhor, sei que nem sempre fui um bom rapaz, mas se o Senhor puder impedir esse cara de quebrar meus ossos eu agradeceria muito mesmo. Também não quero ir pra cadeia, tá?
O careca coloca o fecho de luz da lanterna sobre a carteira. Esqueço como se respira.
— Bom show, Josh! — ele diz e me devolve a carteira.
Entro rapidamente no bar, antes que Deus mude de ideia.
— Como você se sente agora que é oficialmente adulto? — Jake pergunta ao meu lado. Ele parece bastante satisfeito consigo mesmo.
— Fodido!
Jake sorri.
— Vou comprar umas bebidinhas pra gente. — E vai até o barmam.
Olho mais atentamente para o lugar. Está abarrotado de gente e tão escuro que tenho que tomar cuidado para não pisar ninguém, a única luminosidade vem de fachos de luz coloridos que não faço ideia de onde vem. Música ressoa por todos cantos, tão remixada que nem reconheço mais o cantor. O palco ainda está vazio e jovens dançam, bebem e gritam.
Como é que eu vim parar aqui?
Jake volta com duas cervejas.
— Não bebo — digo.
— Pega mesmo assim. — ele me entrega a garrafa. — Você é um jovem adulto lembra? E está em uma bar.
Pego a cerveja por preocupação.
— Isso não é demais? — ele pergunta dando um gole em sua cerveja.
— Você faz muito isso?
— Só quando estou me sentindo meio fora de órbita.
Então ele fazia muito isso.
— Você está muito duro. — Ele diz se balançando de um lado para o outro. — Essa música não te dá vontade de dançar?
Essa música me dá tudo, menos vontade de dançar.
Como não repondo, Jake se esforça ainda mais para me encher o saco. Só posso dizer uma coisa: JAKE DANÇA MUITO, MUITO MAL.
— Miguel? — Uma voz feminina me chama.
Giro para a esquerda. Não pode ser.
Mas é claro que é.
— Oi, Lana — digo fingindo entusiasmo.
Ela sorri.
— Olha só! — Jake aponta para um lugar qualquer. — Abriu uma vaguinha mais perto do palco. Vou lá. — E vai mesmo.
Fico olhando para as costas de meu amigo vacilão por um bom tempo.
— Você aqui é tão estranho. — Lana sussurra muito próximo ao meu ouvido.
— Por que? — pergunto dando um passo para o lado.
— Você é sempre tão certinho. Veio pela Stones?
— Não. Nunca ouvi nada deles.
Ela riu.
— Então prepare-se para ver um show daqueles! A banda é nova, mas é muito boa. Você vai gostar.
Duvido.
Lana toma um gole de seu drink. Está especialmente bonita com um vestido branco gelo curto e justo que marca suas curvas. Os cabelos louros caem como ondas até o meio de suas costas e o batom vermelho parece combinar muito com seus olhos âmbar.
— Você veio sozinha? — pergunto.
— Não, mesmo. Isso soaria muito deprimente. Eu vim com a vaca da Kristen, mas ela me abandonou pra ficar com um carinha qualquer. Um saco!
— Acho que somos dois, então.
Ela sorriu e mordeu o lábio inferior. Parecia prestes a falar alguma coisa quando a banda se apresentou no palco.
— Keep Calm, Johnson! — gritou ao meu lado. — Sua vida está prestes a ser transformada.
As próximas três horas não foram realmente transformadoras. A Stones não é ruim mas também não é lá essa coisa toda. O show do Paul McCartney em Londres quando eu tinha quatorze anos? Esse sim foi transformador. Aquilo lá é música boa de verdade.
Lana grita tanto que penso que ela vai precisar de um transplante de cordas vocais quando o show termina. Mas ela fala comigo.
— E então? Esse não foi o melhor show da sua existência? — Lana pergunta animada.
Penso no Paul McCartney e no vocalista com doze pincings no rosto e tatuagem do Bob Esponja na testa.
— Foi legal.
Ela sorri e bebe um gole de sua quarta vodca.
— Não vou te encher com papo de fã, o.k? Percebi que você não gostou tanto assim.
Fiquei mudo.
— Por que você está tão evasivo, Miguel?
— O quê?
— Não se faça de bobo, tá? Você está me evitando esses dias.
Engoli em seco. Uma DR com Lana não é bem o meu plano para o fim dessa noite perfeita.
— Impressão sua — desconverso.
Ela bebeu mais um gole. Desse jeito vai sair carregada daqui. Olho para Jake ainda lá na frente. Aquele com certeza vai sair carregado.
— Já está meio tarde, né? — pergunto olhando para meu relógio.
Lana me olha séria por alguns segundos. Olho no olho.
E depois do nada, a garota pira. Sério, começa a rir, rir não, gargalhar. Tão alto que se não estivéssemos em um bar tão barulhento seríamos o centro das atenções.
— Você está bem? — pergunto quando ela começa a chorar de tanto rir.
Claro que não seu idiota, ela está bêbada.
Lana tenta respirar direito. Seu rosto está muito vermelho.
— Desculpe — ela diz mais controlada. — É que sua cara de culpado é uma comédia.
Quem já me disse isso?
Ela inspira novamente, dessa vez mais cuidadosamente, e prossegue:
— Desculpe, mesmo. Eu não queria rir de você. É só que... Você é tão fofo... Quer dizer, eu sabia que você não ia me pedir em namoro, embora seja algo que eu queira muito. Bem... não precisa se sentir culpado por isso.
Me sinto tão desconfortável. Cadê aquele buraco?
— Não sei o que dizer a você.
Ela assente.
— Não precisa dizer nada, o.k? Só não fique me evitando.
Aquilo era algo difícil de garantir quando ter Samira ao meu lado significa ter Lana bem longe.
— Eu quero ser seu amigo, Lana. De verdade, você é uma garota muito legal, mas é tão complicado está ao seu lado.
Ela assente novamente.
— Essa complicação se chama Samira?
Meu silêncio foi minha confirmação.
Lana apenas suspira. Ela ajeita a postura e se concentra nas pessoas dançando a nossa frente. Assim que a banda se foi, o DJ tomou de conta da barulheira. Ela provavelmente deve está chateada comigo.
Odeio magoar as pessoas, mas o que mais posso fazer?
Seu burro, pra começar você nunca deveria deixar ela se aproximar.
Lana suspira mais uma vez e me olha atentamente. Talvez vá me xingar agora.
Mas ela me lança um sorriso deslumbrante.
— Bem, Samira não está aqui hoje. — Ela entrelaça os dedos nos meus e deixa seu drink sob o balcão do bar. — Vamos dançar.
É claro que protesto o tempo todo, mas também é claro que ela não dá a mínima.
— Miguel você não precisa ser um bailarino pra dançar em uma boate. Só ouça a música e relaxe.
Ela só disse isso porque sabia dançar, não era um "eu" da vida. Jovens se balançam ao meu redor e tento acompanhar o ritmo da música. Eu não devia ter falado mal do Jake.
Lana por outro lado, é tão graciosa e elegante que o simples fato de se mexer já enche os olhos dos outros. Dançar ao seu lado não faz bem para minha autoestima.
— Você está se saindo muito bem — diz se aproximando de mim e chocando seu corpo contra o meu.
Parece que estou tendo um déjà vu. Me afasto um pouco.
— Já está meio tarde. — Olho para meu relógio. 23h00m. — Seus pais não vão se preocupar?
Ela bufa.
— Não mesmo. Minha mãe saiu com o marido. Talvez vão até dormir fora.
Fico curioso.
— Seus pais são divorciados?
Ela balança a cabeça.
— Meu pai morreu.
— Sinto muito — digo sem jeito.
— Ah, tudo bem. — Ela dá de ombros. — Já faz sete anos e ele era um péssimo pai.
Fico desconfortável. Não faço ideia do que falar.
— Tudo bem — ela repete. — Não precisa ficar constrangido. Meu pai não era legal e minha mãe não é lá muito minha fã. Grande coisa!
Ela para de dançar e olha para o barmam.
— Preciso de mais uma bebida. — E volta para o balcão.
Estou feliz por me ver livre da dança, mas ver Lana revirando mais um copo de tequila me desagrada.
— Não acha que já chega de beber por hoje?
Ela olha pra mim com um sorriso de lado.
— Você está parecendo a minha irmã.
Isso é novidade.
— Você tem uma irmã?
— Tenho. — Ela abre um sorriso radiante. — Gêmea. Mas não idêntica.
— Ela mora com você?
Lana assente.
— Onde mais ela moraria? Também estuda na Wisdom.
Franzo as sobrancelhas.
— Ela é meio reservada. — Ela dá de ombros. — Carlie não gosta dos meus amigos, nem de chamar atenção.
— Você disse Carlie?
Ela assente novamente.
— Baixa, loura, olhos castanhos, magra?
— Ahãn...
— Mas eu nunca vi vocês juntas.
— Já disse. Minha irmã não quer que eu fale com ela na escola. Ela não gosta da Camille, nem da Kristen, muito menos da Jessica. Ela diz que eu chamo atenção demais.
— Ela é tão tímida. — Estou tão impressionado que minha voz sai como um sussurro.
Lana arqueia uma sobrancelha dourada.
— Você conhece ela?
— Mais ou menos. Temos aula de biologia juntos, mas ela é tão reservada que nunca chegamos a conversar realmente.
Lana sorri como uma boba.
— Não sei o que seria de mim sem ela. Carlie é simplesmente maravilhosa.
Mesmo sendo óbvio que ela está alterada pelo álcool consigo ver a completa adoração que a loura tem pela irmã. Algo nisso me dá um pouco de inveja. Sempre quis ter irmãos.
— Você a ama muito. — Não era uma pergunta.
— Sim. Ela é a melhor coisa da minha vida. — Ela sorri. — Mas é uma chata de galocha!
E se levanta do banco.
— Vou dançar — avisa pegando o copo de vodca mais uma vez. Intercepto sua mão.
Ela franze o cenho.
— Você não vai beber mais um gole de álcool sequer — declaro.
— Como?
— Você está bêbada.
— Não estou não.
— Sim, você está.
Lana bufa.
— Só estarei bêbada quando não conseguir mais dançar!
— Você não consegue nem andar.
Ela revira os olhos âmbar.
— É o que veremos.
E caminha em direção a pista de dança, quer dizer, cambaleia. Com um pouco de esforço consegue chegar até a pista, mas assim que tenta dá uma pirueta, tropeça e cai nos braços de um cara moreno com cabelos longos.
Me aproximo, peço desculpas e a levo para longe.
— O que está fazendo? — Lana pergunta apoiando a maior parte do peso em mim.
— Vou levar você para casa.
— Já?
— Exatamente.
— Mas por que para minha casa? — pergunta com um sorriso de canto. — Não me importo de dormir no seu quarto.
— Você é impossível!
Saímos da boate e deixo Lana no meu carro, e então volto para buscar Jake.
Jake está na pista de dança com três garotas. Todos com cervejas nas mãos. Meu amigo cantava e dançava ao som de Poker Face, com direito a imitação de coreografia e tudo. Uma visão do inferno!
— Jake, hora de ir, amigão — digo tocando seu ombro.
Ele me olhou confuso.
— Quê?
— Vou deixar você em casa.
— Por quê?
— Porque você não parece muito bem.
Jake sorri e coloca os braços nos ombros de duas das garotas que o acompanhavam.
— Eu acho que eu pareço muito bem — diz beijando as bochechas das meninas. — Não é Janiene?
A morena de cabelos lisos revira os olhos amendoados.
— Meu nome é Anica!
Jake franze as sobrancelhas.
— É mesmo?
A garota assente.
— Tem certeza?
Ela suspira e toma um longo gole de sua cerveja.
Puxo Jake daquele antro de perdição e o arrasto até a saída.
— Ah, não! — resmunga. — Eu estava prestes a convidá-las para uma suruba!
— Cala a boca! Estou salvando você de um constrangimento.
— Você sabe que não estou entendendo porra nenhuma, né?
Sorrio.
— Uma delas não era ela. — digo simplesmente.
Jake arregala os olhos.
— Mesmo?
— Mesmo.
— Caramba! Eu devo está mesmo bêbado. — E como se para provar tropeça nos próprios pés. — Me leva pra casa antes que eu transe com um cachorro.
Reviro os olhos, mas acabo sorrindo. Quando foi que eu me transformei em motorista de pinguços? Ninguém me paga para isso.
Jake abre a porta do carona e se joga no banco assim que destrancou o carro. Um xingamento agudo se segue.
Lana está vermelha e fuzila Jake com os olhos. Ele ainda não percebeu que não é bem vindo em seu colo.
— Sai daí! — digo o puxando e o enfiando no banco de trás.
— Estou interrompendo alguma coisa? — Ele tenta cochichar em meu ouvido. Parece mais é que está gritando.
— Nao há nada para interromper.
Termino de prender o cinto dele e me dirijo até meu assento.
— Aonde você mora? — pergunto a Lana.
Ela morde o canto da boca e se inclina em minha direção.
— Por que não deixamos o Jake em casa e depois seguimos para um lugar mais reservado?
Olho para ela com uma sobrancelha arqueada.
— Tem certeza que não estou atrapalhando? — Jake pergunta com um sorrisinho.
— Minha resposta é não. Para os dois.
Lana revira os olhos, Jake dá de ombros e eu dou partida no carro.
Em pouco tempo estou mais relaxado. Minha noite de garotos acabou que não saindo do jeito esperado. Mas não vejo como ficar em casa poderia ter sido uma alternativa melhor.
Jake e Lana engatam uma conversa animada aos berros sobre o show, o que é melhor que estarem brigando. Penso em Sami. Não consigo parar de imaginar o que ela iria dizer se soubesse da minha noite embora duvide que eu possa contar. Ela provavelmente não ia gostar da parte do quase quatro horas com Lana.
Suspiro. Eu realmente gostaria muito ser amigo de Lana. E a preocupação de Samira é a mais boba e impossível de todas, não há mais espaço para ninguém em minha vida. Tudo é dela, para ela.
Descubro que Lana não é melhor instrutora que Jake, mas resolvo deixar passar por conta da bebida.
Depois de um pouco de esforço chegamos a rua dela. Estaciono em frente a uma casa de madeira de dois pavimentos, de tamanho moderado e jardim bem cuidado.
Lana olha de cara feia para a casa branca. Retiro o cinto, saio do carro e abro a porta do carona. Ela cai com um barque surdo na grama do jardim de entrada. Jake começa a rir da cara dela sem nem se incomodar com o olhar homicida que ela lhe dirige.
— Para com isso — ordeno a Jake enquanto a ajudo a se levantar.
— Foi mal, Lana. — Ele tenta conter as risadas. — Mas você parecia um saco de batatas.
Lana bufa e ajeita o vestido, agora sujo de terra. Ela tira os saltos e se apoia em mim.
— Acho que estou meio enjoada.
— Vamos entrar. — digo a rebocando até a entrada da casa.
Ela parece meio verde. Toco a campainha.
— Eu realmente estou enjoada.
Toco a campainha mais uma vez.
— Acho que vou vomitar.
Pressiono o botão com mais força. Diversas vezes.
— Tarde demais. — Lana diz já se dobrando em direção ao canteiro de margaridas.
Isso era definitivamente o que me faltava.
Ajoelho ao seu lado e seguro seus cabelos, impedindo que eles sujem de vômito. Ela vomita convulsivamente por uns cinco minutos e eu decido que nunca mais irei dá ouvidos a Samira na minha vida.
Quando ela finalmente termina ajudo-a a se levantar. Seu rosto está corado, embora seus lábios estejam pálidos.
— Desculpe — ela sussurra. — Isso não foi lá muito sexy.
Sorrio.
— Deixa pra lá.
Ela assente. Toco a campainha mais três vezes, até a porta se escancarar.
— Até que enfim sua maluca irresponsá... Miguel? — Carlie me fita com os olhos arregalados. Ela puxa o robe sobre seu pijama do Scooby Dool apressadamente.
— Oi, Carlie — cumprimento. — Eu e sua irmã nos encontramos por acaso no show da Stones.
Carlie arqueia uma sobrancelha como se fosse difícil acreditar no que eu havia falado.
— Oi, maninha! — Lana grita se jogando em cima da irmã.
Carlie quase cai com o peso dela. Ela a afasta e a segura pelos ombros.
— Você está bêbada.
Lana revira os olhos.
— Talvez só um pouquinho.
— Vou preparar um café forte para você, enquanto isso tome um banho.
Lana vira para mim com um biquinho.
— Não deixa ela me obrigar a tomar café amargo, por favor — implora juntando as mãos em uma espécie de prece e me suplica com aqueles olhos enormes.
Uma risada me escapa do peito.
Carlie olha para nós atentamente, girando a cabeça de mim para a irmã diversas vezes.
— Vocês estão...? — ela pergunta apontando para nós dois.
— Não.
— Quase.
Respondemos ao mesmo tempo.
— Hãn? — Carlie franze o cenho, confusa.
— Não estamos juntos — explico.
— Por enquanto — Lana completa.
— O.K. — Carlie diz dando de ombros. — Obrigada por ter trago essa retardada para casa.
— Não foi nada — digo.
— Hey! Você devia me defender! — Lana fala dando um soquinho em meu ombro.
— Já para o banho, mocinha!
— Parece que alguém esqueceu quem é a mais velha aqui. — Lana cochicha em meu ouvido.
— Três minutos e meio não conta. Além do mais sou muito mais velha aqui — E aponta para a própria cabeça — do que você.
Lana bufa, mas se vira para a escada.
— Um dia, e eu realmente espero que esse dia não demore, você vai perceber o quanto posso ser madura.
Carlie suspira e se limita a apenas apontar na direção do andar de cima.
Lana também suspira e começa a subir os degraus com os ombros tão baixos que parece está mais caminhando na direção da guilhotina. Quando chega no degrau do meio, para subitamente e vira na minha direção já descendo aos tropeços.
Ela se joga em meus braços e roça os lábios rapidamente em meu pescoço.
— Obrigada. Por tudo. — Seu olhar é tão intenso que sinto meu rosto queimar.
— Não foi nada — repito o que disse a sua irmã.
— Mesmo assim, obrigada. Você foi quase perfeito hoje.
— Quase?
Ela me lança um sorriso malicioso e fica na ponta dos pés até alcançar altura do meu ouvido.
— Eu ainda preferiria terminar essa noite no seu quarto.
Engulo em seco. Ela se afasta, encosta rapidamente os labios nos meus, sorri mais uma vez e se volta novamente para a escada, dessa vez praticamente voando até o topo. E então se curva sobre a grade de proteção e grita:
— Miguel, você ainda vai me pedir em casamento e vamos ter lindos filhos louros e ruivos! — E some de vista.
Carlie olha para o lugar em que a irmã sumiu com uma expressão condescendente.
— Me desculpe por isso. — Ela parece visivelmente constrangida.
— Não tem problema.
— É... Você aceita alguma coisa? — ela pergunta indecisa. — Tenho suco, chá, café e refrigerantes.
Balanço a cabeça.
— Obrigado, mas já estou de saída. Jake está me esperando no carro.
Ela assente. Seus olhos me analisam de cima a baixo.
— Você está bem para dirigir?
Penso na única cerveja que bebi. Não me sinto nem mesmo tonto.
— Estou bem. — Dou de ombros. — Já vou indo.
— O.k.
— Tá, tchau. — digo e lhe dou um beijo rápido na bochecha, quando me afasto ela esta vermelha como uma pimenta.
— Tchau.
Saio da casa e vou em direcao ao BMW. Jake está roncando no banco de trás. Imagino se vou ter que carregá-lo quando chegar em sua casa.
— Ninguem merece!

Notas finais
E então? Gostaram? Estão com vontade de comentar, favoritar ou recomendar ou quem saber fazer tudo isso? Vai lá, não perde tempo! Eu estava morrendo de saudade. Beijinhos.