Give Me Love
21 -Capítuo 21-
Notas iniciais
Give Me Love
–Capítulo 21-
Por JefCokkie
Pousei suavemente no chão, que agora estava totalmente seco depois da chuva do dia anterior. Era incrível como fazia tanto calor na Dimensão Celeste no verão, era como estar assando num forno. Eu trajava nada mais do que uma saia que batia um pouco acima de meus joelhos e na parte de trás era bastante cumprida, que arrastava-se no chão. Eu usava uma camisa larga branca masculina, cuja Sasuke havia usado no baile que meu pai fizera por conta de meu retorno. Era bem confortável aquela roupa, por mais que não combinasse tanto.
A terra fez cócegas na sola de meus pés desnudos, numa tímida carícia que me fazia sorrir. Olhei para o belo canteiro de flores silvestres claras, sentindo o doce aroma que invadia minhas narinas suavemente.
Um vagaroso e tortuoso mês havia se passado, e nada de Sasuke voltar, eu estava começando a realmente ficar preocupada. Eu havia mandado algumas cartes celestes para ele, mas ele não tinha como responder, mas se ele pelo menos tivesse as recebido e as lido, eu poderia ficar mais aliviada — mas não tinha como eu saber.
Meu pai havia bloqueado o portal para a Dimensão Mundana para mim, era como se ele arrancasse a energia vital que abria o portal, ele não confiava ainda inteiramente em minha pessoa. Não o contestei, pois sabia que ele estava agindo um tanto certo, eu não fui uma filha muito confiável, então, aceitei as consequências.
Ao decorrer do mês, eu saía todo dia de manhã, antes do sol nascer e voava pelo céu, esperando o raiar do sol. Era fantástico apreciar o sol nascendo voando. Eu passei a ocupar meu tempo com leitura e exercícios físicos, cujo Sasori me ajudava. Certa vez ele ajudou-me a fazer quase cem abnominais, aquilo fora bastante cansativo. Ele se mostrava um ótimo professor, tinha bastante paciência comigo, além de passar algumas horas ao meu lado, conversando e relembrando sobre nosso passado.
Percebi que Sasori ainda era preso demais ao passado, e fora minha culpa que ele estivesse daquele jeito. Quando fugi, eu sabia que havia magoado Sasori profundamente. Eu ainda esperava que ele me tratasse com desprezo, mas isso nunca ocorrera. Tudo o que ele fazia era sorrir, fazendo-me me sentir mais culpada ainda. Acho que essa era uma das piores consequências, sentir-me culpada, isso realmente me incomodava.
– Pare de se culpar — Sasori disse certa vez, quando eu havia acabado de aprender a usar uma espada de verdade — Eu também acho que teria fugido se tivesse em seu lugar.
Neguei com a cabeça.
– Não — murmurei quase num sussurro inaudível — Você é trilhões de vezes mais forte, mais esperto e mais inteligênte do que eu, Sasori.
Sua risada dançou sobre nós.
– Não subestime a si mesma, Sakura — ele fitou meus olhos profundamente — Você é mais forte, mais esperta e mais inteligênte do que pensa.
Eu não estava muito contente com a minha atual condição. Quando não havia mais nada para se fazer, eu ficava vagando pelo castelo de meu pai, sem rumo algum. Ou então me enfurnava na imensa biblioteca e só saía quando estava tombando de sono.
Voei para a sacada de meu quarto, pousando com certo desânimo e tédio que eu não conseguia esconder. Sentei-me na pequena mureta e olhei para o céu, de costas para meu quarto. Não havia uma nuvem sequer no imenso céu azul — mais um dia tedioso.
Olhei para baixo, já não sentindo o medo de altura que antes eu tinha. Eu havia o perdido quando eu voei até meu limite, para cima e nada mais. Ousei parar de bater as asas e então meu corpo despencou do céu. Só voltei a voar quando quase cheguei ao chão. O impacto da pressão do vento me levantando no ar novamente machucou minhas asas, mas logo me recuperei. Eu me ocupava alguns dias cuidando delas. As lavando e tirando as penas que estavam quase caindo.
Até quando Sasuke iria demorar?
A saudade que se prendera à mim era imensa e avassaladora, nem eu sabia como eu estava suportando ficar tanto tempo longe dele — eu na verdade não estava suportando, apenas relevando. Entrei para meu quarto, guardando as asas dentro de meu corpo e então joguei-me na cama. Pelo menos eu poderia dormir o dia inteiro, pelo menos assim eu passaria o tempo sem perceber.
~
Cambaleei para o corredor, um bocejo involuntário escapou. Já era noite e eu nem havia almoçado e provavelmente estava atrasada para o jantar. Andei pelo corredor, minha visão ainda se acostumando com a claridade. Desci as escadas com a mão deslizando pelo grosso corrimão até enfim seguir para a sala de jantar. Abri as enormes portas, emitindo um barulho que chamou atenção dos presentes que estavam ali. Estaquei no lugar ao perceber que não havia apenas meu pai presente naquele cômodo.
Olhos negros me encaravam como também olhos amêndoas.
Sasori e Sasuke estavam ali também, sentados um de frente ao outro nos lugares laterais enquanto meu pai estava sentado na cadeira que ficava na ponta da mesa. Meu coração quase pulou do peito ao ver que Sasuke estava ali, que ele realmente estava ali e não era mais um de meus sonhos traiçoeiros.
Engoli a saliva e abri a boca para dizer algo, mas nada saía.
– Filha — meu pai sorriu-me ternamente — Junte-se à nós.
Assinto, atordoada demais para dizer algo coerente. Olho indecisa para qual lado sentar.
– Sente-se ao lado de Sasori, querida — meu pai disse, sua voz soando suave.
Meu pai estava gentil demais, será que eu deveria desconfiar de sua estranha gentileza?
Engoli a saliva novamente, sentindo minha garganta seca. Umedeci os lábios com a ponta da língua e andei para o lado de Sasori, procurando desviar do olhar ardente de Sasuke sobre mim. Sasori se levantou e puxou a cadeira para mim, sentei em seguida e ele empurrou minimamente até que eu estivesse confortável.
– Sasuke retornou hoje — meu pai comentou com os olhos passando de Sasuke para o prato que estava à sua frente.
– Vejo que sim — murmurei e logo fui servida por um dos servos que trabalhavam para meu pai.
– Ele veio de mãos cheias — meu pai continuou.
– Mãos cheias? — ergui meu olhar para Sasuke, que encarava sua taça com o vinho refinado que meu pai costumava servir e beber.
Os olhos de Sasuke passaram para mim por um breve momento e um singelo sorrido formou-se em seus lábios. Como sempre acontecia quando eu o via sorrir para mim, meu coração disparava. Retribuí o sorriso.
– Ele trouxe notícias sobre Madara — meu pai praticamente cuspiu o nome do tio de Sasuke.
Olhei para Sasuke e ele pareceu não se importar nem um pouco, muito pelo contrário.
– Boas? — comecei a comer o que me fora servido.
– Para nós sim — meu pai bebericou de seu vinho — Para Madara, nem tanto.
Meu pai riu e Sasuke o acompanhou silenciosamente.
– Quanto tempo vai passar aqui agora? — perguntei para Sasuke, que voltou seus olhos negros para mim.
– Tempo indeterminado — respondeu de modo formal — Disse ao meu tio que iria viajar para a outro país para descansar a cabeça. Ele pareceu acreditar, até me suregiu alguns países.
Meu pai riu.Eu realmente tive de me segurar para conter meu sorriso de alegria. Voltei minha atenção para meu prato e passei a comer silenciosamente.
– Como eu estava dizendo — meu pai pigarreou — Provavelmente será selado após a guerra. Não vejo por que adiar.
– Adiar o quê? — perguntei olhando para meu pai com certa curiosidade.
Os três me olharam — o primeiro a desviar os olhos de mim foi Sasuke, logo após, Sasori.
– Seu casamento com Sasori — ele respondeu, e sua voz não estava tão gentil, e sim em tom de ordem.
Era como se dissesse: "Sabe que se você contestar vai ser pior". Meu olhar tornou-se mortalmente furioso, pois os três passaram a olhar-me com certo receio. Peguei a taça de vinho de Sasori que ainda parecia estar intocada com o líquinho vinho até o topo e virei-a, bebendo em apenas três longos goles rápidos. Levantei-me bruscamente e virei-me em direção à porta.
– Passar bem — rosnei andando rapidamente à porta. Quase atravessei a porta, pela raiva que eu me encontrava.
Ouvi um "Deixe que eu falo com ela" abafado um segundo antes da porta de fechar numa batida forte.
Não me importava se era Sasuke que viria falar comigo, naquele momento eu estava com raiva demais para sequer conversar, mesmo que com ele.
Coloquei minhas asas para fora e voei escada acima, dobrando o largo corredor, pousando sem delicadeza em frente à porta de meu quarto. Abri-a e a bati com força ao fechá-la. Andei até minha cama e me abaixei, pegando a espada de prata que Sasori me dera. Andei até a sacada, apoiando a longa espada pesada em meu ombro. Saltei da sacada, voando até o jardim, ninguém me encontraria ali, disso eu tinha plena certeza. Olhei para o velho tronco morto apoiado em outra árvore que era bastante alta.
Comecei a desferir golpes com a espada no tronco morto, arrancando pedaços grandes e fazendo farpas voarem no ar. Mais e mais golpes, enquanto eu soltava alguns gritos de raiva de vez em quando. Parei de golpear o pobre tronco morto quando senti meus braços começarem a doer e senti o pano da camisa que era de Sasuke que eu ainda estava usando grudar em meu corpo com o suor.
– Já terminou?
Virei-me e me deparei com Sasori, seus braços cruzados demonstravam sua tensão.
– Já — resmunguei me sentando no chão após largar a espada.
– É tão ruim assim a ideia de casar comigo? — ele perguntou sentando-se à minha frente.
Corei, não sabendo o que responder.
– Não é isso — mordi meu lábio inferior — Não acho que seria uma boa ideia se isso acontecesse porque... — não consegui terminar de falar.
– Seu coração pertence a outro — ele completou e enfim eu assinto, não tendo coragem de olhá-lo — Completando, seu coração pertence ao Uchiha.
Dessa vez ergui a cabeça e o fitei, assentindo quase que impercepitívelmente.
– Não acho que seu pai aprovaria uma união com o herdeiro do Clã dos Descendentes de Baal, mesmo ele sendo o primogênito — disse depois de um momento.
Abracei meus joelhos, olhando perdidamente para o céu.
– Não a forçarei a nada, — ele parou por um momento, umedecendo os lábios com a língua — Mas também não quebrarei o acordo do casamento.
Olhei-o incrédula.
–Por quê? — foi tudo o que eu consegui perguntar, minha voz falhando de um jeito que deixava a desejar que eu estava prestes a chorar.
Sasori deu um longo suspiro.
– Não posso, Sakura — cruzou as pernas — E também porque não quero.
– Eu não quero romper com isso. É a maneira que eu penso que posso fazer você mudar de ideia — ele deu um sorriso meio triste.
Aquilo doeu mais do que eu pensaria que poderia ser possível doer. Eu nunca vira Sasori como homem, e me doía ver que ele não estava nem um pouco disposto a desistir de mim.
– Sasori... — comecei, mas ele não me deixou terminar.
– Não, Sakura — seu tom de voz dessa vez era um tanto cortante — Não peça para desistir de você, por que eu não vou. Eu não quero, e pela primeira vez na vida sinto que estou lutando por algo que realmente vale a pena. Se estou sendo egoísta? Talvez. Mas eu preciso fazer isso, para saber que eu pelo menos tentei.
Me calei, não sabendo o que responder. Cobri-me com minhas asas, quase que completamente.
– Não adianta se esconder — ele murmurou — Acostume-se com isso.
E logo ouvi ele levantando e o farfalhar de asas batendo. Sasori havia ido embora. Suspirei com certo alívio e me descobri, retraindo as asas para trás.
Olhei para o céu novamente, vendo a imensidão de milhares e milhares de estrelas brilharem antes de voar para meu quarto novamente, sentindo meus braços protestando ao carregar a pesada espada de prata. Pousei o mais suave que pude no chão, sentindo a raiva indo embora pouco a pouco. Adentrei meu quarto e então caminhei até um botão que era parecido com um interrutor o apertando. Logo as luzes do candelabro bem elaborado e bastante detalhado se acenderam. Deixei a espada encostada à parede.
– Devo dizer que é bastante sexy vê-la com minha camisa tão colada ao corpo segurando uma espada — a voz dele soou logo atrás de mim.
Virei-me de imediato, avistando-o deitando em minha cama. Ele estava deixado, com as mãos embaixo da cabeça e as pernas esticadas. Um sorriso sedutor sereno estava repuxado em seus lábios e seus olhos estavam bastantes calmos.
– Por que não avisou que voltaria? — perguntei depois de um momento me recompondo.
– Não sei se você sabe, mas não tinha como — ele sentou-se de pernas cruzadas.
Sim, eu sabia disso, apenas havia me esquecido. Que pergunta mais estúpida, a minha.
– Quando cheguei você estava dormindo — ele comentou.
– Por que não me acordou? — perguntei tirando a camisa dele, deixando à mostra apenas o pano amarrado delicadamente em meus seios.
– Eu... — ele suspirou — Dá para você vestir a camisa de novo?!
Eu ri e me dirigi ao banheiro.
– Não vou demorar — fechei a porta.
Tomei um banho rápido, lavando meus cabelos e esfregando a espuma com cheio suave em minha pele. Terminei de enxaguar meus cabelos e meu corpo e então peguei uma toalha, secando-me com pressa. Enrolei a toalha em volta de meu corpo e saí do banheiro. Sasuke ainda estava lá, deitado em minha cama, olhando fixamente para o teto. Seus olhos passaram do teto para mim.
– Você está sexy — um sorriso brincalhão se puxou em seus lábios.
– Sério? — arqueei uma sobrancelha, o olhando com descrença — Pare de me paparicar, Uchiha.
– Você é sexy de qualquer jeito.
Eu ri.
– Vira para lá — murmurei pegando uma camisola, mas ele não se mexeu — Sasuke!
– O quê? — ele piscou, parecendo estar com pensamentos longe.
Cruzei os braços e arqueei uma sobrancelha.
– Você está bem?
– Estou vendo minha namorada semi-nua, apenas coberta com uma toalha e com o corpo ainda todo molhado, por que eu não estaria bem?
Não consegui conter a risada.
– Então eu sou sua namorada? — me aproximei da cama.
– Claro — ele puxou-me pela cintura — Você querendo ou não querendo.
Rimos antes de selarmos um beijo. Continha sentimento, desejo. O beijo de Sasuke era viciante, eu não sabia como é que eu havia vivido tanto tempo sem seu beijo antes de o conhecer. Ele havia me puxado para cima de si, uma de suas mãos brincavam com meus cabelos molhados e sua outra mão apertava minha cintura. Me levantei depressa, deixando-o um tanto desnorteado, me olhando sem entender. Foi realmente engraçado a expressão de confusão que ele fez.
– Tenho de me trocar — expliquei indo até o banheiro.
– Tenho de me trocar — ele murmurou numa vã tentativa de imitar minha voz.
Ri e desenrolei a toalha do corpo quando cheguei ao banheiro, vestindo a camisola e voltando para o quarto.
– Para dizer a verdade, eu estou com bastante medo do seu pai — ele murmurou, olhando fixamente para o teto.
– Por quê?- franzi o cenho.
– Ele está realmente gentil comigo.
Segurei a risada.
– O que ele disse? — sentei-me de pernas cruzadas ao seu lado.
– Ele quer fazer um baile em meu aniversário — respondeu parecendo estar com os pensamentos longes.
– Certo, com essa até eu me surpreendi — olhei atônita para Sasuke — Acha que sequestraram meu pai e colocaram um clone mais gentil em seu lugar?
A risada de Sasuke ecoou, dançando pelo quarto e me fazendo o admirar mais ainda. Ele ficava tão mais belo sorrindo.
– Pode ser — puxou-me para deitar de costas para ele e passou um braço por minha cintura.
– Está com sono?
– Morrendo — murmurou com voz mais baixa e um tanto sonolenta.
– Então é melhor você ir para seu quarto. O que meu pai irá dizer se te ver em meu quarto? Ou a arrumadeira o vir dormindo comigo e dizer a meu pai?
Senti que ele sorria.
– Ora, está me expulsando, Haruno? — seu hálito brincava em meu pescoço.
– Talvez — eu disse e ele desceu uma mão por minha coxa, a apertando e depois subindo para meu quadril, pousando a mão ali.
Ficamos em silênco, até que então ouvi a respiração de Sasuke ficar lenta. Virei-me cuidadosamente em seus braços e vi seus olhos fechados, os lábios entreabertos. Sua face estava completamente serena. Parecia até outra pessoa. Acariciei as maçãs de seu rosto perfeito, e depois acompanhei o nariz reto e perrfeito com o dedo indicador. Senti ele me apertar mais contra o corpo e forçar o joelho contra os meus. Levantei uma perna e deixou uma de suas pernas entre as minhas.
Com cuidado, me retirei do conforto de seus braços, tentando ao máximo não acordá-lo. Desliguei a luz e fui para a sacada. O ar sereno e fresco da noite me fazia sentir cada vez melhor. O gostoso da noite da Dimensão Celeste era que haviam muitas, muitas, muitas, milhares de estrelas. Era simplesmente belo.
Soltei um bocejo e então estiquei os braços, colocando as asas para fora e as esticando também, espreguiçando-as.
Voltei para dentro do quarto e deitei na cama, colocando as asas para dentro. Deitei de costas para Sasuke, olhando para o céu pela porta aberta da sacada. Novamente Sasuke me puxou para mais perto, passando o braço por minha cintura. Aconcheguei-me melhor em seus braços e fechei os olhos. Não demorou muito e eu adormeci.
~
A claridade invadia meus olhos, me forçando a fechá-los novamente e colocar uma mão sobre os olhos. Bocejei e me espreguicei ainda sentada. Virei-me e me deparei com o nada. Sasuke não estava mais ali. Um suspiro desanimado saiu involuntariamente. Rolei pela cama, me espreguiçando novamente. Levantei-me e fui até o guarda-roupa. Peguei qualquer roupa que me veio a frente e a joguei na cama. Me despi da camisola e a dobrei, quardando-a no guarda-roupa delicadamente. Caminhei até a cômoda branca e peguei uma faixa, logo enrolando-as sobre os seios. Vesti a roupa, que era um vestido que ia até um pouco acima dos joelhos, apenas de uma alça e uma faixa do quadil. Era bem bonito.
Olhei para a cama, notando um ponto negro no lencol branco. Puxei o lençol e então franzi o cenho.
Havia uma pena negra ali. Me inclinei sobre a cama, com os olhos intrigados. Era uma pena grande, totalmente negra. Peguei-a pelo cabo e a analisei, vendo que havia pequenas manchas de sangue secas. Olhei para o lençol e o mesmo estava com respingos escarlates.
Eu não conseguia imaginar de onde aquilo havia surgido. Parecia uma pena de ave, como um corvo, ou algum urubu, mas pelo o que eu me recordava não havia esses tipos de animais da Dimensão Celeste.
Sentei-me na cama, ainda observando a pena, girando o cabo entre o indicador e o polegar. Poderia então ser minha?
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