Give Me Love
22 -Capítulo 22-
Notas iniciais
Give Me Love
Capítulo 22-
Por JefCokkie
Faria quatro semanas que Sasuke estava na Dimensão Celeste conosco. Ele ajudava meu pai com estratégias que sabia que dificultaria o objetivo de seu tio, por mais que não tivéssemos conhecimento sobre o que ele queria exatamente. Sasuke estava nos ajudando demais, e eu sabia que meu pai agora colocara em sua cabeça de que ficaria em uma dívida eterna com Sasuke, o que eu não sabia se era tão bom assim, mas pelo menos ele confia em Sasuke, e eu estava bastante satisfeita. Era ótimo vê-los juntos conversando, e havia vezes em que meu pai convidava Sasuke para beber seu vinho favorito e jogar xadrez, o que meu pai fazia antes apenas com Sasori. Eles ficaram horas jogando xadrez, meu ficava intrigado pela incrível habilidade de Sasuke bloquear todos os seus xeques e conseguir por pouco quase conseguir um mate. E sim, eu estava começando a ficar com ciúmes, pois ele tinham segredinhos agora. Certa vez meu pai disse algo que eu nem sequer pude entender e os dois estavam rindo, deixando a mostra de que era uma piadinha particular.
Mas eu estava feliz por eles estarem se dando bem, isso me dava um pouco de esperanças que meu pai aprovasse minha relação amorosa com ele, ao contrário de Sasori, que pareceu ficar incomodado com a súbita proximidade de meu pai e Sasuke.
Eu me lembrava constantemente de suas palavras, de que não abriria mão do casamento, e me pegava refletindo sobre aquilo. Eu tinha de dar um jeito de fazê-lo abrir mão, eu não queria que ele sofresse mais ainda. Quanto mais cedo acabasse, menos doeria. Só que parecia que ele não entendia isso.
Eu não havia descoberto de onde aquela pena negra vinha, não havia sequer uma mínima pista. Procurei deixar de lado sobre isso e apenas esquecer, pois eu não precisava de mais alguma coisa para me preocupar. Eu estava bem me contentando apenas com o essencial.
O aniversário de Sasuke havia chegado, e eu estava andando de um lado para o outro, esperando que Chyo trouxesse o vestido que pedi que fosse feito especialmente para aquela ocasião. Eu estava com o pequeno pacote de presente em minhãos mãos, enquanto eu andava de um lado para o outro tentando manter intacto o restinho de minha paciência.
Batidas na porta me fizeram parar de andar nervosamente e ir até o mesma, abrindo-a rapidamente.
– Chyo! — sorri ao vê-la com uma caixa cumprida nas mãos.
– Tem que aprender a ser um pouco mais paciênte, menina — ela entrou — Senti que a qualquer momento abriria um buraco no chão de tanto andar.
Sorri, constrangida. Eu não iria perguntar como ela sabia que eu estava andando no quarto feito uma louca impaciente, ela tinha um ar misterioso de saber de coisas que eu nunca imaginaria, então, sentei-me em minha cama enquanto ela me entregava a caixa.
– Obrigada, Chyo-baa-chan — eu disse retirando a tampa.
– Espero que goste.
Tirei o tecido branco mais fino de cima e vislumbrei o pano do vestido. Minha boca se abriu.
– Nossa — sussurrei tirando o vestido da caixa — Não é chamativo demais?
Ela riu.
– Vermelho é uma cor que vai destacar você durante toda a festa. Ninguém usa cores tão vibrantes por aqui, como você sabe. O branco é prezado porque demonstra serenidade e algo mais celestial, sempre acompanhado com algo dourado ou prata. Só há cores neutras por aqui, então, que tal mudar um pouco? — o sorriso sapeca de Chyo me deixou entusiasmada.
– É perfeito! — levantei-me e fui até a penteadeira — Pode me ajudar com o cabelo?
– Mas é claro — ela se aproximou — Como vai querer o cabelo?
– Do jeito que achar melhor — entreguei a escova à ela.
Chyo assentiu e começou a escovar meua longos cabelos róseos com paciência e delicadeza.
– Lembro-me de seu cabelo quando eram curtos.
– Era bem fácil de cuidar — beixei os olhos para minhas mãos e entrelacei meus dedos uns nos outros.
– Você se tornou uma bela mulher, menina — ela riu de um modo terno.
– Acho que sim — sorri, fitando-me no espelho e analisando meu rosto com os traços mais maduros — Espero que sim — sussurrei essa parte, Chyo não ouviu.
Ela arrumou meus cabelos prendendo duas madeixas de cada lado de minha cabeça com uma fita vermelha, trançando-a junto com meu cabelo enquanto deixava o resto solto caindo sobre um de meus ombros. Logo então veio a parte de me vestir. Chyo pegou o vestido vermelho e me entregou. Vesti-o rapidamente, enquanto ela amarrava os cordões na parte de minhas costas.
O vestido era frente única em formato de coração, justo na cintura até o quadril e caindo em retas macias que modelavam meu corpo conforme eu andava. Na parte da frente havia um pano mais claro, rendado e transparente, deixando meus pés descalços à mostra, a canelae os joelhos. Havia uma pedra verde que ficava abaixo de meu umbigo que segurava alguns cordões dourados que davam voltas no vestido. A parte de trás o mesmo pano transparente na barra que se arrastava no chão. Era muito bonito.
Chyo colocou um bracelete dourado em meu braço direito e uma pulseira dourada também. Um anel com uma pedra grande esmeralda, emoldurada por pequenas garras que prendiam a pedra. Chyo enfiou a ponta dos dedos num pequeno pote com uma espécie de tinta vermelha e passou em meus lábios. Quando me olhei no espelho, foi impossível não sorrir. Eu estava realmente bonita. Não conseguia me lembrar de quando eu estive mais bonita do que aquela hora. Virei-me para Chyo e lhe sorri.
– Obrigada, Chyo-baa-chan! — a abracei.
– Oh, menina! Vai acabar desarrumando o cabelo — ela riu — Com o que vai presentear Uchiha Sasuke?
Sorri, travessa.
– Você verá.
Chyo disse que me encontraria mais tarde pois tinha mais algumas coisas para fazer. Calcei as sandálias de salto prateadas que Chyo havia encomendado especialmente para usar com o vestido, enrolando perfeitamente as tiras em meu tornozelo e canela até chegar ao fecho. Andei até o espelho, procurando me equilibrar melhor no salto — eu não poderia sequer ousar tropeçar quando descesse.
Andei pelo quarto, treinando minha postura enquanto me equilibrava em cima dos saltos finos até me sentir verdadeiramente confiante.
Batidas na porta tiraram-me de minha concentração.
– Sim?
– Seu pai requisita sua presença no baile, senhora — a voz da mulher que sempre arrumava meu quarto soou atrás da porta, um tanto abafada.
– Estarei descendo imediatamente — caminhei até a porta e a abri, a mulher não estava mais ali.
Fechei a porta após sair do quarto e caminhei pelo corredor sem pressa, fazendo uma careta ao parar em frente a escadaria praguejando antes mesmo de descer. Eu não voaria escada a baixo e chamaria atenção como fizera outra vez, não mesmo. O que eu menos queria era atenção, o que era meio difícil usando um vestido vermelho em meio à cores claras e neutras. Deslizava minha mão pelo corrimão conforme eu descia, com o queixo levemente erguido, tentando demonstrar a confiança que eu provavelmente não tinha.
Foi eu começar a descer a escada e os olhares voltaram-se para mim. Senti o impulso de me encolher diante de todos aqueles olhares, mas me contive. Por mais que eu não estivesse tão segura de mim mesma sobre aqueles saltos, eu tinha de pelo menos demonstrar.
Chegando ao fim da escadaria, olhei em volta, varrendo meus olhos pelos convidados, procurando por Sasuke. Ele parecia não estar presente. Avistei meu pai parado de pé, conversando com provavelmente duas Virtudes. Um era homem e outra mulher. Estavam bem vestidos, usando tecidos veemente dos mais refinados da Dimensão Celeste. Os cabelos loiros dourados da mulher refletiam à luz, presos numa trança que lhe ia até abaixo do quadril. O cabelo repartido no meio lhe deixava bastante elegante. Seus olhos cor de safira eram emoldurados por espessos cílios não tão negros, pela cor natural de seu cabelo, mas que lhe caia muito bem em contraste com os belos olhos. O vestido que usava era como se fosse uma segunda pele, era bastante junto no corpo todo, apenas folgando na altura dos joelhos, formando uma pequena barra que mal tocavam o chão. Um colar delicado dourado brilhava em seu colo, juntamente com os brincos que pareciam combinar.
Já o homem, estava com uma blusa branca sem mangas, exibindo os músculos tímidos, um tanto trabalhados, o cabelo castanho claro curto contrastava com sua pele morena e os olhos castanhos escuros. Ele parecia ser bastante jovem, mas a barba rala quebrava um pouco isso.
Me aproximei em passos lentos, tentando parecer determinada — o que não sei se deu muito certo. Os dois estranhos que conversavam com meu pai voltaram seus olhos para mim, e consegui ver certa surpresa presente em seus olhos. Meu pai virou-se também, e seu rosto parecer se iluminar.
– Oh, minha filha! Junte-se à nós — ofereceu-me uma mão que aceitei sem pensar duas vezes.
Ele me puxou delicadamente para seu lado e pousou uma mão sobre minhas costas.
– Devo dizer que está belíssima essa noite neste vestido exuberante — a loira disse com um sorriso repuxados nos belos lábios rosados.
Um sorriso que causava inveja. Eu só não sabia distinguir se o elogio fora realmente sincero, pois ela parecia forçar a sustentar o sorriso.
Não importava em qual Dimensão, sempre haveria a maldade, inveja, soberba... Era o equilíbrio, mesmo na Dimensão Celeste. Por sermos seres vindas de linhagens puras, isso não dizia que não poderíamos não ter maldade no coração. Evidentemente, todos tinham plena consciência disso.
– Obrigada — agradeci, tentando não parecer intimidada com sua beleza esmagadora.
– Está se destacando dentre os demais — o belo homem se pronunciou — Com certeza é a mais bela presente.
Tentei esconder o rubor.
Se a loira não havia se sentindo feliz com o elogio que o belo homem me fizera, não demonstrou. Apenas sustentou o sorriso que senti não ser verdadeiro. Eu estava me perguntando qual era o problema dela, seja comigo ou não.
– Esses são Takyo Usui e Matsui Lira — papai os apresentou.
– Sakura — sorri simpática.
– É muito bom saber que retornou, querida Sakura — Usui disse com um sorriso sincero — Não é, Lira?
Lira limitou-se apenas a assentir.
– Ficamos realmente surpresos com seu retorno — Usui continuou — E quando soubemos que por atitude sua teremos vantagem na Guerra alegrou a todos.
"Ou quase todos", pensei ao ver Lira revirar os olhos quase imperceptivelmente, mas que não passou desapercebido por mim.
– Onde está Sasuke? — perguntei.
– Deve estar se arrumando, querida — ele respondeu afagando minhas costas — Ele logo descerá.
– Vou beber algo — eu disse fazendo um breve aceno com a cabeça para os três.
Lira sorriu ao ver eu me afastando. Revirei os olhos ao dar-lhe as costas. Peguei uma taça que um servente passava servindo para os convidados e bebi todo o líquido em goles grandes, sentindo descer rasgar por minha garganta. Foi então que vi o aniversariante no topo da escada — foi o momento em que o ar esvaiu-se de meus pulmões e eu senti meu corpo se aquecer por inteiro.
Como alguém conseguia ser tão belo?
Os cabelos de Sasuke estavam pela primeira vez arrumados, puxados para o lado penteados impecavelmente. Ele trajava uma blusa parecida com a qua havia usado no baile de boas-vindas a mim, mas essa, parecia ser mais elegante. O colete tão negro quanto seu cabelo tinha detalhes prateados bordados e os botões prata reluziam. Uma pequena corrente estava presa num único bolso pequeno em formato, balançando conforme descia a escadaria. A calça negra que usava combinava com a bota de couro preta que lhe ia até o joelho. Ele estava com o paletó negro pendurado em seu antebraço. Ele passou uma mão nos cabelos negros, os desalinhando um pouco. Segurei o riso, eu sabia que o cabelo bagunçado de um jeito charmoso provinha de seu toque pessoal e especial.
Seus olhos foram instantaneamente para mim, como se já soubessem onde estava sem nem precisar procurar-me — ou talvez fosse apenas o vestido de cor chamativa que me destacava de todos ou outros.
Meu pai já estava no final da escada, pondo-se ao seu lado com um sorriso de ternura que nunca imaginei que abriria a outra pessoa que não fosse Sasori. Me aproximei dos dois, mas antes que eu pudesse abrir a boca para dizer qualquer coisa, meu pai puxou-me pelo braço e empurrou Sasuke para cima da escada novamente. Virou-nos para os convidados.
– É com grande alegria que hoje celebramos o décimo oitavo anirversário de Uchiha Sasuke, que sendo o herdeiro do Clã dos Descendentes de Baal na verdade é um dos nossos. As circunstâncias nos foram a favor por ajuda tão precisa nos ser mandada. Hoje, alegro-me de tê-lo aqui hospedado em minha casa. Recebam calorosamente este rapaz de coração tão enorme, por mais que esconda — meu pai riu.
Todos aplaudiram vigorosamente. Quando virei a cabeça para olhar para Sasuke, ele parecia estar realmente surpreso, por mais que tentasse esconder.
Descemos novamente e então começou o monte de pessoas em cima de Sasuke — principalmente mulheres. Conti uma bufo de irritação. Ele não conseguiria sair daquele meio nem tão cedo. Vi seu olhar se fixar em mim por um momento num pedido de desculpas. Lhe sorri e virei-me, andando para perto da mesa de bebidas. Olhei atentamente para cada taça, contendo um líquido de cor diferente.
– Está muito bonita hoje.
Virei-me e me deparei com Sasori. Ele estava bonito como sempre, com seu costumeiro sorriso gentil repuxado nos lábios.
– Você também está — elogiei-o, expulsando nossa última conversa que insistia em vir à tona naquele momento.
– Ora, obrigado — ele cruzou os braços e olhou-me dos pés à cabeça.
Eu definitivamente tinha que parar de corar.
– É uma cor realmente bonita — observou ele — Combina com você.
Sorri, voltando meus olhos para as taças com bebidas, indecisa entre qual escolher.
– Sugiro que se for beber algo, beba um pouco do vinho, não contém tanto álcool e assim durará mais até que o baile termine.
Olhei-o com uma sobrancelha arqueada.
– Ora, desde quando é especialista em bebidas?
– Não sou — descruzou os braços e pegou uma taça com vinho dentro — É questão apenas de experiência.
– Sasori, você só é dois anos mais velho do que eu — ri.
– Muitas coisas podem acontecer em dois anos, Sakura — um sorriso travesso atravessou seus lábios e não me contive em sorrir também.
Aceitei a taça que ele me estendia e beberiquei timidamente, sentindo o gosto doce e forte do álcool descer por minha garganta deixando um rastro quente.
Uma suave melodia começou a ser tocada por alguns Serafins, fazendo com que alguns casais começassem a dançar elegantemente, girando pelo salão.
– Que tal uma dança? — ofereceu Sasori, os olhos brilhando de expectativa.
– Lamento, Akasuna, mas a primeira dança está reservada para o aniversariante, como todas as outras danças também — a voz de Sasuke soou antes mesmo que eu pudesse formular alguma resposta para falar a Sasori.
Sasuke posicionou-se ao meu lado, circundando minha cintura com um braço, encostando seu corpo ao meu. Um brilho divertido surgiu nos olhos de Sasori, juntamente com o sorriso que parecia demonstrar a mesma diversão.
– Ciúmes de uma dança, Uchiha? — provocou Sasori.
– Sabe muito bem como funciona, Akasuna — Sasuke afrouxou o braço que me circundava — Preciso espantar os abutres que ficam em cima do que me pertence.
Sasori tossiu de modo sarcástico.
– Acho que você está um pouquinho atrasado — Sasori arqueou as sobrancelhas e abriu os braços — Existe um acordo que a torna minha.
– Isso o faz feliz? — Sasuke abriu um sorriso zombeteiro — Saber que apenas um acordo com o pai dela a faz sua sendo que na verdade ela se entrega inteiramente a mim? Por que não admite a derrota e nos deixa em paz?
O sorriso de Sasori sumiu e seus olhos voltaram-se para mim, me lembrando que eu sabia o porquê. Com um sorriso cansado, ele se retirou dali.
– Está calada — Sasuke murmurou perto de meu ouvido.
Virei-me para olhá-lo.
– Você está bonito.
– Eu sei — acariciou meu braço — Mas porque tão calada?
Eu ri.
– Nem é convencido.
Ele revirou os olhos e voltou a me fitar.
– Pare de fugir das minhas perguntas.
– Estou bem — repliquei, sorrindo — Ainda não tive a oportunidade de lhe desejar um feliz aniversário.
– Está tendo agora — ele deu um passo a frente.
– Não aqui e não agora — recuei um passo — Não estamos sozinhos para isso.
Um lampejo de malícia traçou seu olhar negro.
– Sakura...
– Quieto, Sasuke! — o interrompi colocando um dedo indicados sobre seus lábios — Pare de ser malicioso, rapaz. Você nem sabe o que eu tenho em mente.
Ele riu — sua risada rouca e sexy que me causava arrepios.
– Não tenho culpa se meus hormônios estão à flor da pele. Não consigo controlar meus pensamentos — disse segurando meu pulso delicadamente e beijando o nós dos meus dedos.
– Você parece um adolescente na fase de ebulição — zombei.
Ele revirou os olhos.
– Conversaremos sobre isso mais tarde — ele sorriu e puxou-me para onde alguns convidados estavam dançando.
Puxou-me gentilmente contra seu corpo e pousou uma mão em minhas costas, enquanto uma de minhas estava pousada em seu ombro. Ele me conduziu e logo senti como se meus pés flutuassem pelo piso liso. Não sabia ao certo quanto tempo ficamos dançando, música após música, como se o resto não importasse. Não era necessário palavras, não precisávamos ficar nervosos ou nos preocuparmos em preencher o silêncio entre nós.
Eu e Sasuke combinávamos perfeitamente ali, com cores fortes e chamativas, não deixavam de desgrudar os olhos de nós. E assim o beile se passou, a comemoração do décimo oitavo aniversário. Logo os convidados o puxaram para conversar. A ideia de que o herdeiro do Clã dos Descendentes de Baal estava na verdade nos ajudando era simplesmente avassaladora aos olhos de todos, e a popularidade de Sasuke entre os seres Celeste apenas crescia.
– Subam para minha sala privada, iremos comemorar entre nós agora — meu pai disse enquanto virava-se para se despedir de mais alugém.
Eu e Sasuke nos entreolhamos e demos de ombros, começando a subir a escada.
– Parece que a parabenização que você me deve vai ter que esperar — murmurou enquanto dobrávamos o corredor do lado ao contrário de onde meu quarto ficava.
– Pois é — beijei sua bochecha e continuei andando.
Senti Sasuke puxar minha mão e entrelaçar seus dedos nos meus. Olhei sem reação para nossas mãos e ergui o olhar para o fitar.
– O quê? — ele deu de ombros.
Sorri e o conduzi até a sala privada de meu pai. Abri a porta e o puxei para dentro.
O cômodo era enorme, cheio de estantes e prateleira cheias de livros. Uma mesa grande e redonda de toda de vidro. Em uma estante havia um estoque de garrafas de vidro de vinhos e muitas outras bebidas que eu não reconhecia.
– Nossa — Sasuke soltou um longo assobio — Não sabia que anjos bebiam.
– Na verdade, somos apenas seres celestes, não muito diferente dos humanos. Os verdadeiros seres Celestes que não fazem nada igual ao ser humano são chamados de Puros, eles ficam na oitava parte da Dimensão Celeste, que é chamada de Alvorecer.
– Alvorecer?
– Sim, quando você ver o sol nascer lá vai entender do por quê tem esse nome — abracei-o pelo pescoço, o puxando para perto.
– Quando? Quer dizer que algum dia eu irei até lá? — seus olhos desceram para os meus lábios.
– Mas é claro — mordi seu queixo, ouvindo-o suspirar.
– Aqui não — ele murmurou — A não ser que você queira que sejamos descobertos por seu pai, é um grande risco.
– Tem raz... — ele me beijou antes que eu pudesse terminar de falar.
Retribuí o beijo calmo, e me separei dele quando ouvi vozes se aproximando. Sasuke resmungou um palavrão e sentou-se numa cadeira estofada enquanto eu ia até uma estante, fingindo estar interessada em algum livro.
A porta se abriu e logo meu pai entrou acompanhado de Sasori. Eles estavam rindo, até que voltaram seus olhos para Sasuke e depois para mim.
– Bem, que tal um vinho? — meu pai esfregou as mãos, sorrindo como um garotinho levado.
– Desse jeito ficará bêbado — murmurei baixo.
– É muito difícil de eu ficar bêbado — meu pai respondeu.
Suspirei de modo pesaroso quando vi ele pegando mais uma garrada de vinho e quatro taças.
– Não vou beber — sentei-me na cadeira ao lado de Sasuke.
Meu pai deu de ombros e serviu o vinho nas três taças, entregando uma para Sasori, outra para Sasuke e outra ficando para ele mesmo.
– Ora, pelo visto temos um garanhão aqui — meu pai riu olhando para Sasuke, que o olhou sem entender.
– Perdão? — Sasuke recostou-se na cadeira.
– Muitas mulheres ao seu redor hoje, Uchiha — meu pai sorriu divertido.
Quase tossi, mas limitei-me em apenas fingir estar interessada olhando para os livros em uma das estantes.
– Não estou procurando mulheres, Senhor — Sasuke bebericou de seu vinho — Estou a fim de aquietar o faixo.
Os ombros de meu pai estremeceram com sua própria risada.
– Então aquiete o faixo quando achar uma boa moça.
Sasuke assentiu, sorrindo minimamente. Sasori se mantinha calado, apenas saboreando seu vinho.
– Um brinde à Sasuke, por estar nos guiando à vitória — meu pai ergueu a taça.
Sasori e Sasuke fizeram o mesmo, tocando as taças e fazendo soar um tilintar suave do fino cristal se chocando. Os três deram longos goles no líquido escuro.
– E pensar que o casamen... — meu pai começou a falar olhando para Sasori, mas uma tossida forte de Sasuke acabou o interrompendo.
Sasori olhou mortalmente para Sasuke, mas ele continuava a tossir. Não pareciar ser por brincadeira ou maldade, Sasuke estava realmente tossindo sem parar.
– Sasuke! — me aproximei preocupada, colocando a mão em suas costas, mas ele se afastou de mim, me deixando confusa.
Meu pai se levantou e colocou uma mão nas costas de Sasuke.
– Calma! Respire, rapaz! — meu pai parecia estar preocupado — Sakura, vá para seu quarto!
Olhei-o atônita. Que diabo estava acontecendo ali?!
– O quê?!
– Eu estou mandando você ir para o seu quarto! Agora! — meu pai estava alterado.
– Eu não vou a lugar algum! — finquei pé olhando confusa para Sasuke e com medo.
Ele parecia estar sentindo dor, e isso inquietou meu coração. Seu rosto estava suado e vermelho, como se estivesse com algo intalado na garganta que o impedia de respirar. Meu desespero apenas aumentou.
– Pai...
– Saia, Sakura! Sem por quês e objeções, apenas saia! — ele gritou.
Senti meus olhos marejarem, mas não deixaria que ninguém visse minha face contorcida pelo choro. Corri para fora do aposento, mesmo com o coração se apertando para não deixar Sasuke. Bati a porta com força desnecessária e corri pelo corredor. As lágrimas começavam a saltar de meus olhos sem que eu percebesse. Coloquei as asas para fora e então saltei, voando pelo largo corredor e abrindo a porta do meu quarto sem nem pousar no chão. Fechei a porta e voei até minha cama, desabando sobre a mesma e me agarrando à um de meus travesseiros.
Eu estava simplesmente desesperada e confusa por ter que obedecer aquelas ordens de meu pai quando Sasuke estava passando por algo doloroso. Me doía estar em meu quarto quando eu na verdade deveria estar cuidando dele naquele momento.
Eu estava cansada de ficar por fora dos assuntos entre meu pai e Sasuke. Eu realmente não estava entendendo o que se passava. Eu sabia o que eu faria. Ao amanhecer, eu iria atrás da verdade.
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