Give Me Love
4 -Capítulo 4-
Notas iniciais
Give Me Love
–Capítulo 4-
Por JefCokkie
– Senhorita Haruno? Algum problema? – o professor perguntou olhando para mim com o livro didático em uma de suas mãos.
– Posso ir ao banheiro? – perguntei com a voz entrecortada e meu coração batendo acelerado, com medo de minhas asas saírem completamente.
O professor assentiu, sem dizer nada.
Saí em disparada, e então corri pelos corredores, pensando num lugar onde ninguém pudesse me ver. Corri então para a biblioteca, o mais rápido que consegui, fazendo uma força imensa para manter aquelas asas dentro do meu corpo – aquilo estava doendo, e muito.
Cheguei à biblioteca, e então parei subitamente, vendo que a mesma não estava vazia como costumava estar.
Pense, Sakura. Pense! Qual outro lugar dessa escola que é vazio além da biblioteca?!
Eu tentava raciocinar, mas apenas saí correndo enquanto minha cabeça girava em pensar em algum lugar que estivesse vazio. Conforme eu ia correndo pelo imenso corredor eu ia sentindo a dor aumentar e a força que eu fazia para mantê-las ali estava ficando cansativo.
E então meus olhos saltaram para a posta da sala de música. Não pensei duas vezes e adentrei a sala, sabendo que a mesa era usada apenas pelos alunos que eram parte de algo musical daquela escola.
Era um enorme anfiteatro, e a porta dava direto para o palco, cujo havia um lindo piano de cauda negro, com a tampa aberta. Não tive nem tempo de admirar aquela cena, pois senti as asas saírem num movimento brusco rasgando mais as feridas que estavam em carne viva. Um grito passou rasgando por minha garganta, ecoando no anfiteatro inteiro.
Minha camisa do uniforme rasgou-se, e logo senti o líquido quente e viscoso escorrer por minhas costas. Meus joelhos cederam, dando uma forte bambeada e então eu fui diretamente ao chão, sentindo a forte pancada em meus joelhos quando se encontraram.
Outro grito foi dado e então eu estava chorando.
Eu simplesmente não sabia até quando eu poderia suportar aquilo. Aquilo estava sendo doloroso demais, e eu não sabia como parar.
– Droga – murmurei entre lágrimas, apertando os olhos com força, procurando me manter consciente.
Um barulho foi ouvido um pouco mais à minha frente, e no mesmo instante eu ergui a cabeça e olhei, sentindo meu coração parar.
Olhos ônix estavam arregalados, pareciam mostrar algo que eu não consegui decifrar, algo como incredulidade. Seus cabelos negros como carvão estavam em seu costumeiro penteado – ou seja, nenhum. Bagunçados, o que o deixava com uma beleza misteriosa e ao mesmo tempo perigosa. O mesmo trajava uma calça jeans escura meio surrada, a camisa do uniforme e uma jaqueta de couro negra, quase como seus cabelos.
Ele tinha uma guitarra pendurada em si, e o mesmo estava completamente imóvel.
Eu não sabia o que fazer, eu não estava conseguindo pensar. Tudo o que eu consegui fazer foi ficar olhando-o, com cara de espanto com os olhos arregalados quase saltando para fora.
O silêncio ali parecia agora ser o barulho mais alto que eu já tivesse ouvido.
E então eu dei impulso para trás, num ímpeto de me afastar dele e fugir dali. Eu sacudia as pernas numa tentativa de me afastar e então eu levantei. Ele tirou a alça da guitarra que estava envolto de seu ombro e costas e a largou ruidosamente no chão.
Levantei-me com pressa, mesmo sentindo a ferida em minhas costas protestarem, e virei-me para correr para a porta e finalmente sair. Cheguei perto da porta e agarrei a barra de ferro que era colada à mesma, tentando a puxar para trás. E então, mãos brancas e fortes forçaram a porta a se fechar, mantendo-a trancada.
As mãos estavam apoiadas na porta, nos dois lados de minha cabeça. Minha respiração cessou e eu sentia que meu coração estava acelerado demais. Pude sentir sua respiração quente no alto de minha cabeça, o que me deixou mais inquieta.
Virei-me rapidamente, encontrando seu rosto perto demais do meu, o que me fez recuar e encostar na parede e um grunhido de dor soar por minha garganta por encostar nas feridas.
Ele se afastou de mim quando eu o fiz, mas ainda tinha as mãos apoiadas na porta, me mantendo totalmente sem saída.
– Por favor – eu disse em sussurros sentindo meus olhos marejarem – Não me machuque.
Ele então olhou-me profundamente, não dizendo absolutamente nada. Seus olhos não estavam mais arregalados e eu não via mais o rastro de incredulidade ali, apenas... Curiosidade, quem sabe?
Ele passou a olhar para as minhas pequenas asas sujas de sangue, o líquido escarlate entrando em forte contraste com o branco puro de minhas penas.
Vi ele desencostar uma das mãos da porta e incliná-la para mais perto de uma de minhas asas, na intenção de tocá-las – meu coração acelerou-se mais ainda. Retraí minhas asas para trás, com medo de seu toque e ele recolheu sua mão rapidamente, arregalando levemente os olhos novamente.
Eu sabia exatamente o que ele estava pensando: “São de verdade”.
Eu não conseguia criar forças para sair dali, meu coração estava disparado, e eu não sabia o que fazer. Ele ainda estava muito perto de mim, o que não ajudou nem um pouco a me concentrar no que fazer em seguida.
– Sakura... – ouvi-o sussurrar.
Arregalei os olhos. Ele... Ele sabia o meu nome? Mas como?!
– Ah, cara, eu disse! – uma voz vinda da porta do começo do auditório soou.
– Não se gabe, Naruto – alguém disse.
Arregalei os olhos mais ainda – se é que isso era possível – meus olhos estavam quase saltando para fora de minhas órbitas. Eu realmente precisava sair dali o mais rápido possível.
Ele se afastou de mim e por um momento pareceu estar pensando, até que então tirou a jaqueta de couro que vestia e a estendeu para mim.
Eu pisquei, não acreditando naquilo.
Ele gesticulou para eu pegasse, e então, peguei, olhando-o com confusão contida em meus olhos. Ele apontou para a porta com o queixo, gesticulando para que eu saísse, e então eu o fiz. Lancei um último olhar para ele, vendo-o olhar-me atentamente antes de eu passar pela porta e sair.
Olhei para os dois lados do imenso corredor e então avistei um dos muitos banheiros femininos eu haviam espalhados por toda a escola. Corri para lá e adentrei uma das cabines. Abaixei a tampa da privada e sentei-me em cima da mesma. Olhei de canto para as minhas asas, sujas de sangue, e fechei os olhos, suspirando pesadamente.
Forcei então as asas a entrarem – era um processo não muito bonito de se ver. As penas iam se virando para cima, como se fossem encolhendo, até que então formavam uma espécie de agulha gigante e então adentravam o meu corpo, se alojando atrás da espinha óssea.
Aquilo foi dolorido, e enquanto esse processo ocorria eu mantinha meus olhos fechados enquanto mordia o lábio inferior, procurando não gritar.
Peguei meu celular que estava guardado no bolso interno na saia e cliquei em nova mensagem.
Mandei uma mensagem de texto para Ino, dizendo que eu daria um jeito de ir embora da escola por conta de algo que lhe explicaria mais tarde e pedi para que ela pegasse minha mochila cujo eu havia deixado na sala de aula.
Olhei para a jaqueta de couro negra em minhas mãos e a ergui, aspirando o aroma que dali exalava. Tinha cheiro de hortelã fresca. Era um cheiro viciante.
Levantei-me e então vesti a jaqueta, cuja ficou muito maior do que meu número. As mangas ficaram cumpridas.
Não me importando com isso, abri um vão e espiei se alguém estava no banheiro. Ninguém. Saí e então corri pelo corredor, descendo as escadas apressada. Logo cheguei à parte menor do mudo da escola. Observei por onde eu poderia apoiar-me para subir e avistei uma árvore que estava entre mais duas. Subi na mesma, com dificuldade, minhas costas protestavam de dor. Inclinei-me para o muro e segurei-me na hora em que eu deixei a árvore para me apoiar totalmente no muro. Logo pulei do alto do muro ao chão, sentindo o forte impacto subir por minhas pernas quando cheguei ao chão. Andei pelas ruas, olhando pelos lados, certificando-me de que eu não havia sido vista.
O lado esquerdo do meu peito começou a doer, e eu sentia uma pontada irritante como se fosse um anzol cravado em minha pele puxando-me para baixo. Estava ficando difícil respirar.
Atravessei a rua na faixa de pedestres quando o farol ainda estava vermelho, e então segui pela calçada, desviando das pessoas que pareciam nem se importar em me atropelar.
Minha visão enturveceu por um momento e a tontura veio à tona. Procurei ignorar aquilo e prossegui caminhando. Olhei para o lindo céu azul, sentindo minha visão escurecer. A última coisa que vi antes de apagar foram as pequenas andorinhas, sobrevoando o imenso céu ensolarado.
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