Give Me Love
5 -Capítulo 5-
Notas iniciais
Give Me Love
–Capítulo 5-
Por JefCokkie
Era estranho. Eu conseguia ouvir a música suave da minha antiga caixinha de música que ganhara de minha mãe quando tinha apenas seis anos de idade. A imagem dela caminhando comigo entre as formosas árvores de cerejeiras enquanto segurava minha pequena mão infantil estava tão nítida, que por um momento pensei que não era um sonho.
Seu sorriso era tão belo, que me peguei desejando captura-lo e guardá-lo a salvo onde ninguém o tirasse de mim. Senti uma estranha sensação do meu corpo se aquecer quando vi-a colhendo uma flor rósea, da cor de meus cabelos.
Me vi apontando para o alto da árvore, para a mais bela das flores que ali havia, e ela seguiu com o olhar para onde eu estava apontando. Ela arqueou as sobrancelhas e sorriu, tornando sua feição mais angelical do que era. Ela ajeitou o kimono azul turquesa, cujo haviam dois orifícios para passagem das asas, mas que eram cobertos com um pano um pouco mais fino que o pano do kimono – na verdade muito mais fino.
E então colocou suas asas para fora do corpo, e me vi assustada com o tamanho. Ela riu e deu-me um beijo na testa, esticando as grandes asas brancas. Ela então saltou, e logo ela estava no ar, voando para o topo da árvore, para pegar a flor que eu queria.
Logo mais ela voltou com a flor nas mãos, pousando tão suavemente que mal cheguei a ouvir. E ela me estendeu a mão com a flor, entregando-me. Estendi meus pequenos braços, para pegá-la.
– Ela vai ficar bem – ouvi uma voz estranha como se estivesse longe.
Eu estava quase pegando a flor, mas parecia que tudo havia ficado lento. O tempo parecia estar parando.
– Obrigada – dessa vez eu acho que havia reconhecido a voz, mas parecia estar tão longe.
Senti um cheiro familiar quando finalmente peguei a flor que minha mãe me estendia em meu sonho – um cheiro adocicado, o aroma da flor.
– Sakura... – ouvi meu nome ser chamado, mas outra vez, era como se a pessoa estivesse longe – Pode me ouvir? – era Ino, reconheci pelo seu tom de voz doce.
Sim, posso te ouvir, Ino. – tentei dizer, mas eu não encontrava minha voz.
– Por Favor, acorde – havia um tom preocupado em sua voz.
Aos poucos, eu sentia estar sendo puxada de uma forte correnteza, e eu via minha mãe desaparecendo, como um reflexo num vidro transparente de um carro. Anjos quando sonham, têm seu espírito fora do corpo, então, literalmente eu caí em mim.
No momento em que eu abri os olhos me arrependi amargamente. A claridade da luz do quarto era incrivelmente forte, fazendo-me reagir puxando um dos braços para cobrir os olhos.
– Não, Sakura! – Ino segurou meu braço. – Você está recebendo soro pela veia, não se mexa.
Olhei para meu antebraço e vi a agulha introduzida na camada da minha pele clara.
– O que houve? – perguntei, minha voz saindo meio entrecortada.
– Ligaram daqui do hospital para a escola dizendo que encontraram você inconsciente na rua. Reconheceram pelo uniforme da escola – ela explicou, sentando-se numa poltrona ao lado da cama cujo eu me encontrava.
– Há quanto tempo fiquei inconsciente?
– Umas doze horas – ela respondeu.
– Que horas são? – perguntei quando não encontrei nenhum relógio pendurado na parede daquele quarto.
– São oito e meia da noite ainda – ela disse olhando no visor de seu celular.
Me sentei na cama lentamente.
– Sakura! – Ino me repreendeu – Não é para levantar, caramba!
– Me sinto melhor, Ino. – repliquei.
– Nem vem com essa, Testuda – ela bufou – O médico disse...
A frase de Ino morreu quando a porta do quarto foi aberta. Um homem de cabelos castanhos, porte alto e largo, com o rosto anguloso, olhos escuros escondidos atrás de finas lentes de óculos apareceu. O mesmo trajava um jaleco branco, indicando ser um dos médicos daquele hospital.
– Parece que a senhorita está melhor – ele comentou adentrando o cômodo.
Assenti, sem demonstrar o quanto ainda estava doendo as feridas.
– Sabe, Srta.Haruno – ele deu uma olhada em algum papel cujo estava preso na prancheta transparente – devo admitir que fiquei extremamente curioso em saber como a senhorita conseguiu essas feridas em suas costas.
Meu coração pareceu falhar uma batida, e eu percebi de soslaio que Ino estava tão sem reação quanto eu, olhando-me com duplo sentindo.
O que você dirá? , era isso o que ela estava querendo dizer em voz alta. Eu não tinha a mínima dúvida.
Nem eu mesma sabia. Eu sentia que tudo o que eu dissesse apenas me encurralaria mais e mais num beco escuro sem saída. Meu pai havia me alertado sobre humanos uma vez. Ele disse que alguns, quando descobrem sobre a nossa existência, fazem experiências horríveis conosco, como se fôssemos animais, cobaias sem opinião ou sentimentos.
Desde pequena eu cresci com medo da Dimensão Mundana, mas depois que minha mãe morreu, minha cabeça virou-se totalmente de cabeça para baixo. Eu já não era a mesma. Eu decidi me arriscar, mas tudo tinha um preço, e eu sabia muito bem disso. Até demais.
Ele arqueou uma sobrancelha castanha escura, esperando que eu dissesse algo.
– Eu não consigo me lembrar – eu disse, fazendo-me de tonta.
– Quer que eu marque uma terapia para tentar lembrar do ocorrido? – ele já perguntou com a caneta posicionada nos dedos.
Neguei com a cabeça.
– Não é preciso – eu disse tirando a agulha cuja eu estava recebendo soro de meu antebraço. – Quando eu lembrar eu contato-o.
Ele olhou-me minuciosamente, não demonstrando nenhuma expressão ao me ver tirar a agulha do soro. Ele suspirou e então assentiu.
– A senhorita já tem alta oficial – ele me entregou um papel – Aqui está os remédios que precisará para que a ferida cicatrize com mais rapidez e que não inflame.
– Obrigada.
– Por nada – e então ele saiu depois de fazer um cumprimento com a cabeça.
– Essa foi por pouco – Ino disse quando o mesmo saiu, afundando na almofada estofada da poltrona.
– Vamos, levarei você para casa – ela disse se levantando.
Me levantei num pulo.
– Não – eu disse e ela me olhou sem entender – Consigo ir para casa sozinha.
– Para você desmaiar outra vez no meio da rua e acabar parando aqui novamente para ter que responder algum interrogatório de algum médico curioso? – ela disse e arqueou uma de suas belas sobrancelhas loiras – Nem pensar.
Suspirei pesado.
Olhei para baixo, vendo que eu trajava apenas a roupa fina que normalmente os pacientes usavam.
– Não se preocupe – ela disse pegando uma bolsa grande da cor roxa – Pedi para que meu motorista trouxesse um conjunto de roupas para você.
– Ino, não precisava – eu disse e ela revirou os olhos.
– Cale essa boca, menina – ela me jogou um pano verde água – Eu te dou o que eu quiser e quando eu quiser.
Nós rimos.
– Você está me mimando – eu disse enquanto ia em direção ao banheiro que havia ali.
– Eu gostaria de te mimar de verdade, mas é impossível! Você simplesmente não deixa – ela suspirou revirando os belos olhos azuis.
– Claro – eu ri enquanto me despia daquela roupa horrível do hospital.
– Eu não digo mais nada.
– Está bem – revirei os olhos sorrindo.
Abri a roupa e então arqueei as sobrancelhas.
Era um vestido. Um vestido bonito demais para mim.
– Ino! – chamei-a.
– Eu!
– Isso não serve para mim – eu murmurei.
– Claro que serve, é o seu número.
– Não foi isso o que eu quis dizer – repliquei – Não combina comigo.
– Cale essa boca, testuda, e vista-se logo. Não tenho a noite inteira.
Logo vesti-me, vendo que o vestido caía como uma luva em meu corpo. Se fosse antes, ficaria folgado, pois eu era mais magra que o normal, mas agora, minha cintura e meu quadril se destacavam. Era um vestido verde água tomara que caia justo na cintura e solto na saia. Haviam rendas brancas na barra e atrás era trançado com linhas macias brancas, parecendo um espartilho. Era bonito demais para mim.
Eu me sentia desconfortável.
– Desculpe por pegar um vestido aberto nas costas, eu sei que as feridas são grandes, mas eu pensei que assim seria melhor para que não machucasse, apesar que a gaze cobre os ferimentos e por ser aberto não deve chegar a encostar em seu machucado... – Ino parou de tagarelar quando eu fui de encontro ao quarto novamente.
Ela não dizia nada, apenas me olhava, como se ela nunca houvesse me visto antes.
– Haruno Sakura – ela proferiu meu nome -, sério, se eu fosse homem, eu me casava com você.
Corei levemente, dando um sorriso sem graça.
– Não é para tanto, Ino – eu disse passando a mão pelo pano do vestido – É apenas um vestido.
– Você não deve ter a mínima noção do quão bonita você está – cada palavra que ela proferia pareciam soar com uma sinceridade tão inabalável, que por um instante, eu cheguei a realmente acreditar.
– Vamos – eu disse olhando para o chão – Amanhã temos aula.
– Ainda são oito da noite, Testuda – ela disse pegando a sua enorme bolsa roxa – E, ah! Tome.
Ela me entregou a jaqueta negra. A jaqueta que aquele garoto havia me dado. Pisquei e depois de um momento eu peguei, sorrindo timidamente.
– De quem é? – ela perguntou curiosa.
– De um cara – respondi e eu vi seus lindos olhos azuis brilharem, curiosos para saber por mais.
– Que cara?
– Eu fui para o anfiteatro e minhas asas saíram. Ele acabou vendo, e depois me ajudou a fuigir quando umas pessoas entraram onde estávamos – expliquei o mais simplificado possível. Eu não estava a fim de falar.
Ela estava realmente surpresa.
– Certo, mas quem é? – ela teimou outra vez.
– Ninguém importante, Ino – eu disse procurando não corar, mas nada passava desapercebido por ela. Nada.
– Sakura, você sabe que uma hora ou outra eu irei descobrir, então ou você fala, ou você fala de qualquer jeito.
Revirei os olhos.
– Vai falar?
– Sim – murmurei.
– Então, — ela sorriu – quem era o príncipe encantado?
Suspirei antes de então responder:
– Uchiha Sasuke.
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