Give Me Love
7 -Capítulo 7-
Notas iniciais
Give Me Love
–Capítulo 7-
Por JefCokkie
Sasuke me arrastou para uma sala que há muito não era usada. Estava em boa forma ainda, havia as mesas e carteiras limpas, estantes com livros, a mesa do professor e até um velho computador. A sala era bem arejada, o que me fez respirar fundo com gosto.
Vi-o trancar a porta, com uma chave que pensei que apenas pessoas autorizadas tivessem – pelo visto não eram apenas pessoas autorizadas que tinham.
Ele virou-se para mim e fitou-me de modo que não consegui interpretar. Apenas baixei a cabeça e olhei para o chão, procurando não corar naquele momento – e quem sabe nunca mais.
– O que houve com você? – sua voz era grave, rouca e sim, era sexy.
Ergui a cabeça rapidamente para o olhar, franzindo o cenho.
– Perdão?
– Perguntei o que aconteceu com você – ele disse e jogou a chave em cima da carteira que estava mais próxima a ele. – Você mudou.
Olhei sem reação para ele.
– Como assim, mudei? – perguntei sentando-me numa mesa.
– Por favor, Sakura – senti um arrepio quando ele proferiu meu nome – Não se faça de tonta, isso não funciona comigo. Você sabe muito bem do que eu estou falando.
– Defina a palavra mudar, pelo menos – revirei os olhos.
Sasuke suspirou.
– Sua aparência – ele assinalou.
– Ah – desviei o olhar – Mas antes diga, como sabe disso?
– Sakura, você é a única garota da escola inteira que tem cabelo rosa, acha que as pessoas não iriam perceber se você mudasse? Se não queria chamar atenção, pintasse o cabelo de outra cor ou algo assim. Mas agora que você já deixou na cara, eu preciso de explicações.
Espremi os olhos, em demonstração de irritação.
– Acha que eu posso sair contando para qualquer um que me perguntar? E o que é que você tem haver com isso?
Ele espremeu os olhos também, me olhando de cima.
– Isso não me intimida – murmurei.
– Isso o que? – ele deu um passo à frente.
Perto demais, minha mente me alertou.
– Isso – eu disse e coloquei minha mão em seu peito, o afastando.
– Não entendi – ele arqueou uma sobrancelha – Está com medo, Sakura? – ele deu um sorriso divertido, um sorriso de canto que cheguei a ver até malícia.
– Medo? De quem? Você? – provoquei.
Ele apenas me olhou e o sorriso foi sumindo. Ele enfiou sua mão dentro da camisa do uniforme, pela gola. Logo ele tirou uma corrente e me mostrou um pingente, que reconheci de imediato.
– Não sou qualquer um, Sakura – ele disse e sorriu desgraçadamente ao ver minha reação.
Eu estava estupefata.
– Descendentes de...
– Sim, Sakura – ele me interrompeu – Faço parte do clã dos Descendentes de Baal.
Me levantei da mesa e dei um passo para trás, procurando me afastar dele enquanto fitava o pingente em forma de um V, com uma linha traçada horizontalmente no meio do V, com um pequeno círculo no pequeno triângulo de ponta cabeça que formava.
– Fique longe de mim – eu disse sentindo meu coração disparar.
Ele não demonstrou reação alguma, apenas me observava. Até que então deu um passo para frente. Recuei mais um passo e repeti:
– Fique. Longe. De. Mim. – eu disse entredentes.
Ele revirou os olhos e se aproximou.
– Eu disse para ficar longe! – acabei gritando, sentindo um misto de emoções: raiva, confusão, frustração, surpresa...
Senti o pano da parte das costas da camisa do uniforme se rasgar e minhas asas saírem – sim, doeu, e muito, mas procurei não demonstrar. Senti uma ardência nas próprias asas, e um arrepio estranho percorreu por todo o meu corpo.
Ele olhou intrigado para as minhas asas, parecendo estar hipnotizado.
Só então me dei conta que havia algo diferente em minhas asas.
Olhei para as mesmas e elas reluziam. Brilhavam e pequenos pigmentos brancos, parecendo neve estavam em volta delas, flutuando sem parar, como uma dança ensaiada que nunca fora vista por olhos humanos. E então eu me encontrava mais estupefata ainda.
– Você... – ouvi-o dizer e o olhei, com o olhar contido de confusão e ele pareceu entender bem. Ele deu um passo em minha direção e eu recuei de imediato.
– Por favor – sussurrei – não se aproxime. Eu estou implorando para que não se aproxime.
Ele me olhou atentamente e suspirou, recuando um passo.
– O que aconteceu comigo agora? – perguntei para mim mesma.
– Você por acaso é da linhagem de Serafins? – ele perguntou e eu o olhei atônita.
Como ele pode saber disso?, era o que ecoava em minha mente.
Desviei o olhar dele para a janela.
– Você é – foi uma afirmação.
Assenti, por mais que não tenho sido uma pergunta. Olhei-o e dessa vez foi a vez dele de olhar-me com surpresa.
– O que um Serafim faz na Dimensão Mundana? – ele perguntou cruzando os braços e eu me vi pega em sua armadilha. Não havia mais como escapar.
– É complicado – respondi olhando para minhas asas.
– Temos todo o tempo do mundo – ele disse e pegou a chave da porta, guardando-a no bolso da calça.
Fuzilei-o com o olhar e ele deu de ombros.
– Como posso confiar em você? Você é do Clã da Descendência de Baal. – praticamente cuspi as palavras e ele percebeu a minha ira.
– Não vai saber, até confiar. – ele simplesmente disse.
– Fugi da Dimensão Celeste – respondi olhando para qualquer canto, para que não tivesse que o olhar.
– Por quê?
Suspirei, procurando coragem para prosseguir com aquilo.
– Depois da morte da minha mãe – procurei segurar a minha ira e nem o olhar – meu pai mudou muito. Ele passou a ficar obcecado em me proteger, não me deixava nem sair para a varanda de meu quarto. Foi então que ele fez uma aliança com a família Akasuna.
– Que tipo de aliança?
Uma pausa.
– Um casamento – respondi olhando pela janela – Ele arranjou um casamento para unir-me com o último filho Arcanjo Guerreiro.
– Akasuna No Sasori – ele assinalou.
Virei a cabeça e o olhei.
– Como sabe?
Ele deu de ombros.
– Descendentes de Baal também fazer parte desse mundo, sabia? – ele disse e eu revirei os olhos.
– Até parece – bufei e ele pareceu não entender a minha irritação.
– Tem algo contra Descendentes de Baal? – ele perguntou e por ouvir essa eu realmente tive de rir.
Uma risada que nem mesma eu consegui segurar. Uma risada sem humor, contida de mágoa e fúria que pensei que estavam totalmente enterradas no fundo do meu ser – mas ao que parecia, não estavam nem um pouco.
Não o olhei, olhei apenas para a janela, procurando prestar atenção no céu azul da manhã de verão. Eu realmente não tinha de falar sobre aquilo com ele. Eu já estava falando demais, eu nem sabia se podia confiar nele, eu não deveria estar falando sobre tudo aquilo para ele. Logo um Descendente do Clã de Baal.
– O que fizemos à você? – perguntou ele, parecendo perceber minha estranha raiva sobre eles.
Sacudi a cabeça.
– Nada – menti – Apenas somos inimigos naturais.
Ouvi-o suspirar.
– Voltando ao assunto – ele pigarreou -, pelo visto não faz muito tempo que você ganhou suas asas.
Olhei-o.
– Como sabe?
Ele deu aquele sorriso de canto, dando a entender que escondia muitas e muitas coisas, coisas que eu nem imaginar existir.
– É meio óbvio. Sua aparência mudou fazem apenas dois dias – ele deu de ombro.
Assenti e o olhei atentamente.
– Você é apenas da Descendência ou é um demônio? – perguntei e vi que o peguei desprevenido.
Ele deu de ombros.
– Não sabe? – perguntei e ele deu de ombros mais uma vez – Você me obrigou a falar sobre a minha vida mesmo quando eu soube que você é um Descendente de Baal e o mínimo que você pode fazer é apenas responder a essa pergunta.
Ele nada disse, apenas me encarou.
– Você é irritante – ele disse depois de um momento.
– Já reparou que você também é? – rebati e ele suspirou.
O silêncio tomou conta daquela sala arejada que já não era mais usada, um silêncio que estranhamente, não era pesado nem desconfortável.
– Temos muito o que conversar ainda – ele disse.
Não o olhei, apenas dei de ombros.
– Mas não agora – no exato momento que ele disse isso eu virei a cabeça para olhá-lo.
– Quem lhe disse que ainda iremos conversar? – eu perguntei, um tom desafiador que nem eu mesma sabia que era capaz de usar.
Sasuke arqueou uma sobrancelha.
– Se você fugir, eu te encontro, sabe disso – ele olhou-me e vi que ele não precisava esforçar-se para fazer um tom de voz desafiador, que aquilo já era contido em seus olhos negros como carvão.
– Por que está fazendo isso?! – acabei me alterando, sem nem ao menos perceber.
Ele não respondeu, apenas me encarava.
– Não temos nada para conversar! Pare de me perseguir, por favor! – eu disse num tom mais calmo. Ele deu um passo em minha direção, fazendo ao contrário do que eu disse. – Eu disse para se afastar!
Meu grito foi alto e minhas asas se abriram, em sinal de defesa, com uma agilidade que eu não sabia que eu tinha. Elas pareciam ter crescido, não estavam menores, igual quando haviam nascido. Haviam crescido mais do que o esperado. Senti algo formigar em minhas asas e vi-as estendendo-se, alargando-se um pouco mais.
Minhas asas haviam crescido bem diante dos meus olhos – e não havia sido dolorido.
Ele pareceu não se abalar e deu mais um passo à frente.
– Pare! – gritei e bati minhas asas com força, fazendo uma corrente de vento forte o atingir sem querer, mas isso não o abalou.
Ele parecia cada vez mais intrigado, me deixando cada vez mais com raiva enquanto dava mais um passo à frente.
Aquilo me irritou, e quando vi minhas asas estavam totalmente abertas, em modo de defesa e exibicionismo pelo o que eu era. Foi automático quando elas voltaram-se para cima e depois para baixo, batendo sozinhas.
Santo, Kami! Eu iria voar!
Eu não conseguia controlar aquilo, e quando eu percebi, meus pés estavam a mais ou menos trinta centímetros do chão. Quando o olhei novamente ele estava parado, olhando-me surpreso, como se nunca tivesse visto aquilo.
Senti a palma de minha mão direita queimar. Ergui-a instantaneamente e vi que uma forma se criava ali. Era um símbolo de magnetismo. Um círculo com um desenho parecido de uma ferradura no centro, virada para baixo.
De onde diabos, aquilo havia surgido?!
Ele então ergueu as mãos, em sinal de rendição e recuou alguns passos para trás. Olhei para cima e vi que estava quase batendo no enorme teto, e então ao ver que o mesmo se afastara, desci rapidamente, pousando de modo brusco e depois sentindo o impacto da queda subindo em minhas pernas.
Nos entreolhamos, de modo com que estivéssemos discutindo apenas com o olhar que nos lançávamos.
– Não chegue mais perto de mim – eu disse, na calma que eu gostaria de não estar no momento – Não temos o que conversar mais. Somo inimigos naturais.
Ele bufou.
– Podemos mudar isso, Sakura – arrepiei-me novamente quando ele proferiu meu nome.
Arqueei uma sobrancelha.
– Mudar?
Ele assentiu.
– Podemos não ser inimigos, nunca houve aliança nenhuma entre Descendente de Baal com Serafins.
– Você quer formar uma aliança comigo? É isso? – perguntei cruzando os braços.
Ele não respondeu, olhou para as minhas asas e eu fiz o mesmo, vendo que elas estavam em modo de defesa novamente, estendidas e apontadas para a direção dele. Retraí as asas para trás, enquanto o olhava.
– Obrigado – ele disse com uma pontada de sarcasmo e eu fiz um breve aceno com a cabeça, revirando os olhos.
– Você não respondeu a minha pergunta – eu murmurei.
– Sim.
– Sim o que?
– Tenho em mente em formar uma aliança com você, Haruno – ele sorriu de modo estranho, um sorriso meio diabólico, mas ao mesmo tempo tão humano – Não é todo dia que se descobre um Serafim em minha escola, e ainda sendo mulher.
Franzi o cenho.
– O que quer dizer? – perguntei e minhas asas voltaram à posição de defesa.
Ele olhou para as minhas asas novamente e olhou-me, advertindo-me a recolhê-las apenas com aquele olhar, mas eu não o fiz.
Dessa vez – pela primeira vez – senti como se quem fosse o predador fosse eu.
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