Give Me Love
3 -Capítulo 3-
Notas iniciais
Give Me Love
–Capítulo 3-
Por JefCokkie
No exato momento que eu entrei naquela sala de aula, eu senti como se algo se revirasse em meu estômago. Eu adentrei aquela sala arejada pelo ar-condicionado, sentindo pares de olhos curiosos sobre minha pessoa. Eu normalmente não recebia olhares e muito menos a atenção das pessoas – muito pelo contrário.
Ino estava de queixo erguido, sorridente, enquanto entrava na sala de aula ao meu lado. Nunca a vi tão orgulhosa quando se tratava de mim.
Fomos indo para a nossa mesa, que era em dupla, eu olhando para baixo, sentindo os olhares sobre mim e ela sorrindo confiante. Eu gostaria de ser como Ino, sempre confiante, mostrando a garota maravilhosa que ela é... Doce ilusão..!
Sentei rapidamente em minha costumeira cadeira, olhando para a mesa, como se fosse mais interessante do que olhar para todos os outros que me olhavam – e em certa parte era.
– Novata? – ouvi uma voz masculina ergui a cabeça para olhar quem era o dono daquela voz.
– Ah! Nem vem, Naruto! – Ino o empurrou, e ele nem sequer saiu do lugar – Vê uma garota bonita e já vem dar em cima?!
– Calma, estressadinha – Naruto mostrou-lhe a língua, parecendo uma criança mal criada – Eu só estranhei, porque havia uma outra garota que era dessa sala que também tinha cabelo rosa...
– Baka! – Ino deu-lhe um cascudo.
– Ittai! – ele esfregou o local onde o cascudo foi recebido – Isso dói, caramba!
– É pra doer mesmo! – Ino disse e depois suspirou – É a mesma garota, Naruto.
Naruto, o ser loiro de olhos azuis bonito e que tinha metade das garotas daquela escola aos seus pés, me olhou, me analisando, sem entender muito bem.
– Que outra garota? – ele perguntou, com um tom confuso em sua voz.
Ino bateu em sua própria testa.
– A outra garota, cujo você mencionou, que também tinha cabelo rosa – Ino respondeu.
– O que tem ela?
Ino arqueou uma sobrancelha, incrédula.
– Tá de brincadeira comigo, não é? – Ino balançou a cabeça negativamente enquanto fitava Naruto.
Naruto a fitou, parecendo ainda não ter entendido.
– Santo Kami! Mas como você é tapado! – Ino suspirou pesadamente. – A outra garota, que tinha o cabelo rosa, também, é a mesma. É a mesma garota, Nauto.
Naruto então me olhou, com as sobrancelhas arqueadas. Ele parecia não acreditar nem um pouco.
– Tá falando sério? — o tom de voz de Naruto era pura incredulidade.
Eu assenti.
A boca do loiro se abriu, mas se fechou, não proferindo palavra alguma.
– Cara, o que foi que aconteceu com você? – ele parecia bem curioso.
Ino me olhou, em sinal de alerta.
– Bem, eu apenas decidi me cuidar mais – respondi olhando para baixo.
– Você mudou muito, Sakura-chan – eu o olhei surpresa quando ouvi o sufixo “chan”.
– Pois é – eu ri, sem humor e constrangida.
– Você ficou muito, mas muito bonita – ele parecia se embaraçar nas palavras.
– Ahn..! O-obrigada – agradeci me xingando mentalmente por ter gaguejado.
– Disponha – ele coçou a nuca – Bem, eu vou ali falar com os meus amigos e já volto.
Assenti, sem o olhar direito. Acho que eu estava um pimentão. E então ele saiu, indo em direção aos amigos, parecendo meio atordoado.
– Nossa – Ino sentou-se ao meu lado.
– O que foi? – perguntei sem a olhar.
– E você ainda pergunta? – Ino riu baixo, meio gutural.
– Não faço ideia do que você esteja falando – eu disse suspirando enquanto apoiava os cotovelos na mesa.
– Sakura – ela proferiu meu nome e apoiou os cotovelos na mesa também, dando uma pequena pausa – Naruto estava praticamente babando na sua cara, ou vai me dizer que você não percebeu?
– Ino, já disse alguma vez o quão você é exagerada?
Ino revirou os belos olhos azuis.
– Você que é inocente demais, Sakura.
O professor então entrou na sala. Seus cabelos incrivelmente brancos já não me eram surpreendentes, seus olhos negros entravam em um belo contraste com sua pele clara. Seu rosto era belo e anguloso. Ele era considerado o professor mais bonito de toda aquela enorme escola. Não era brincadeira o tanto de garotas alunas dali faziam de tudo para ter pelo menos um pouco da atenção dele somente para si.
– Sem enrolações, quero todos em seus assentos, tenho muita coisa para passar hoje – o Professor deixou sua pasta em cima da mesa envernizada e esfregou as mãos. – Alguém lembrou de fazer os exercício que eu pedi para hoje?
Olhei para o lado, e vendo que ninguém me olhava levantei a mão timidamente.
O professor Kakashi me olhou e demorou-se em desviar os olhos de mim, parecia surpreso e até... Fascinado.
– Mais ninguém além da senhorita...? – ele me olhou, gesticulando com uma das mãos para que eu me apresentasse.
– Haruno – eu disse e ele arqueou uma sobrancelha.
– Haruno Sakura? – ele parecia não ter entendido.
Senti que todos me olhavam, e então os cochichos começaram naquela sala.
– Parem! Não quero ouviu um pio sequer! – Kakashi disse numa voz altoritária.
E então os cochichos cessaram.
– O que houve com você, senhorita Haruno? – ele perguntou sem muita expressão, mas eu sentia que uma certa curiosidade borbulhava por trás daquele todo autocontrole emocional.
– O que quer dizer com isso, Professor? – me fiz de tonta.
– Ora, a senhorita está mais bela do que ninguém jamais a viu.
Procurei não corar – o que eu não tinha sucesso na maioria das vezes.
– Eu apenas decidi me cuidar mais – respondi olhando para minhas mãos, que estavam em cima da mesa, procurando prestar atenção nelas.
Ouvi o professor suspirar e então ergui a cabeça para o olhar. Ele então meneou a cabeça e desviou os olhos de mim, parecia estar exercendo uma força estranha para não olhar-me.
– Bem, que seja – ele pegou uma caderneta de dentro da pasta e sentou-se na cadeira estofada – Atenção para a chamada.
E assim seguiu, o professor Kakashi seguiu citando os nomes dos alunos que se encontravam ali naquela sala. Respondi, quando chegou a minha vez e voltei minha atenção à madeira clara da mesa.
– Uchiha Sasuke – o professor chamou, não recebendo nenhuma voz correspondendo. – Sasuke?
Olhei pela sala, não encontrando o Uchiha que o professor chamara.
– Deve estar matando aula novamente – ele deu um suspiro pesado e prosseguiu com a chamada.
Logo o professor terminou a chamada e sentou-se na cadeira, depositando a caderneta em cima da mesa.
– Bem, vamos prosseguir com a nova matéria que passarei hoje – ele disse e apoiou os cotovelos na mesa.
Ele começou ditando o título do texto que iria passar para que copiássemos em nossos cadernos, levantou-se e começou a explicar a matéria. Passei a rabiscar o canto da folha do caderno – um símbolo antigo que eu lera nos livros quando vivia na Dimensão Celeste.
E então senti uma ardência tomar conta do meu ferimento nas costas, e a solução naquele momento foi tentar ignorar, para ver se a dor passava.
Continuei a rabiscar o canto da folha do caderno, até que então sinto as pontas das minhas asas saindo. Meus olhos se arregalaram e eu me levantei de súbito, tendo a atenção de todos voltada para mim.
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