Give Me Love
19 -Capítulo 19-
Notas iniciais
Give Me Love
–Capítulo 19-
Por JefCokkie
O rosto de meu pai estava vermelho como um pimentão. Eu havia passado horas contando tudo o que havia ocorrido na Dimensão Mundana, sobre o que eu havia descoberto — não era para menos que ele estivesse bastante irritado.
– Você o que?! — ele grunhiu.
Reprimi a vontade de me encolher ao ouvir seu tom de voz.
– Ele está nos ajudando, papai.
– Ajudando?! Ajudando?! – ele vociferou — Você se deixa ser levada por um membro do Clã dos Descendentes de Baal e ainda acredita que ele está nos ajudando?! O quão ingênua vocêé, Sakura?!
Pisquei, respirando fundo e contando até dez para tentar me acalmar.
Falar com meu pai sobre coisas que eu sabia que o deixaria nervoso era algo que se requeria paciência, muita paciência.
– Pai — cruzei as pernas e respirei fundo enquanto apoiava minha cabeça em uma de minhas mãos — Eu voltei para avisar ao senhor sobre tudo o que eu descobri enquanto eu estava na Dimensão Mundana. Algo que você não sabe sobre esse rapaz que eu disse que me ajudou e pediu ajudar, é que ele é na verdade o herdeiro do Clã dos Descendentes de Baal.
Meu pai paralisou no exato instante em que ouviu isso.
– Uchiha Sasuke — ele praticamente cuspiu o nome.
Procurei não demonstrar reação — por mais que eu quisesse.
– Sim — murmurei — Ele descobriu os documentos de reuniões que havia sido feitas por Uchiha Madara, que é seu tio, sobre a Guerra que ele planeja. Descobrimos muitas coisas. Madara quer algo está guardado aqui em nossa Dimensão, e ele não seria tolo de tentar pegar às escondidas, pois sabe que seria pego e seria extremamente perigoso para ele. Por isso uma Guerra, pois é o modo mais fácil de conseguir algo, mesmo que ele tenha que sacrificar a vida de muitos dos seus. Sasuke quer impedir essa guerra, por isso me pediu para ajudá-lo. O direito de líder do clãé dele, não de Madara, mas parece que Madara não quer saber disso. Então Sasuke decidiu agir.
Pela primeira vez a expressão no rosto de meu pai se suavisou.
– Mas o que o fez a querer nos ajudar, Sakura? — ele perguntou sentando-se na ponta do sofá.
– Isso ainda é um segredo para mim, papai — eu murmurei suspirando, e antes que ele me desse algum sermão sobre eu ajudar um estranho sem saber suas verdadeiras intenções eu prossegui — Mas eu não faria isso com qualquer um, sabe disso. Se eu estou fazendo isso é porque eu realmente acho certo e que de alguma forma, ele nunca nos faria mal.
– Não podemos agir apenas por instintos, filha — ele massageou suas têmporas.
– Sei disso, pai — repliquei — Mas eu só peço que confie em mim, pelo menos dessa vez. Sei o que eu estou fazendo.
Ele virou a cabeça e fitou-me.
– É o que eu espero — ele sorriu de minimamente — Caso o contrário, não há como imaginar o que possa acontecer.
Assenti e o fitei, esperando que ele dissesse algo.
– E quando ele vem? — ele levantou-se, jogando o rabo do cabelo preso para as costas.
Pisquei, não conseguindo pensar.
– Hã?
Meu pai virou-se para mim com uma sobrancelha rósea arqueada.
– Ele não vem?
– Eu não imaginava que ele teria de vir — murmurei de modo vago, como se minha mente não estivesse mais tão presente.
Ele pareceu dar de ombros.
– Se ele realmente for nos ajudar, ele teria de vir falar comigo e com o rei pessoalmente. Não podemos confiar nele se não soubermos com quem estamos lidando, não concorda?
Uma estranha sensação de alegria tomou conta do meu corpo quando eu ouvi aquilo, eu não estava acreditando no que havia ouvido. Aquilo significava que Sasuke e eu não teríamos de ficar sem nos vermos.
– Sim! Concordo plenamente — levantei-me contendo um sorriso de alegria. — Quando terei de ir buscá-lo?
Meu pai estreitou os olhos.
– Vocênão — cruzou os fortes braços — Não quero ser rígido com você, mas daqui você não vai sair nem tão cedo.
A vontade de sorrir esvairiu-se no momento em que ouvi aquilo.
– Você não confia em mim? — tentei esconder certa pontada de mágoa em minha voz.
– Sakura, você fugiu. Sumiu. Simplesmente evaporou como água. Como quer que eu confie em você tão rapidamente? — seus olhos emitiam a dureza e a preocupação que ele sentia, e até demonstravam ressentimento.
Baixei os olhos para o chão. Eu sabia que ele estava certo em agir daquela maneira, mas aquilo não deixou de me magoar, de certa forma — mas era mais que merecido, eu sabia disso.
– Então como ele virá? — perguntei soltando um suspiro involuntário.
Meu pai pareceu pensar por um instante.
– Sasori o buscará — murmurou sentando-se novamente no sofá.
Engoli em seco. Não era uma boa ideia deixar aqueles dois sozinhos, pricipalmente para trazer Sasuke. Poderia resultar em algo nada legal.
– Por que Sasori?
Ele ergueu os belos olhos castanhos e me fitou.
– Confio em Sasori, mais do que deveria.
– Sasori virou seu preferido agora? — relutei em revirar os olhos.
– Sim, Sakura. Ele virou meu preferido, algum problema com isso? — encarou-me de modo sério.
Suspirei, recuando.
– Nenhum, papai. — eu mais resmunguei do que outra coisa.
– Então está decidido — ele juntou as mãos grandes, fazendo uma palma soar — Sasori o buscará. Eu não iria arranjar um casamento entre Sasori e você se eu não confiasse nele.
– Quando? — sentei-me também, ignorando a última frase que ele proferira.
– O mais rápido possível, não temos tempo para esperar.
Meus olhos brilharam.
– Falarei com Sasori hoje, então — eu disse olhando para meu pai, esperando sua aprovação.
Ele apenas assentiu. Me levantei, fazendo uma breve reverência.
– Mas já? — perguntou com as sobrancelhas arqueadas.
– Não temos tempo, como você disse.
Assentiu mais uma vez e murmurando apenas um "Já volto", saí daquela sala, podendo respirar fundo e colocar os pensamentos em ordem enquanto controlava a alegria de que em breve Sasuke estaria ali comigo. Aquilo era mais do que eu poderia esperar ou imaginar, meu coração parecia que saltaria do peito e dançaria de alegria.
Corri até uma varanda, com um sorriso repuxado de orelha à orelha e então subi na mureta, procurando não olhar para o chão — eu poderia ter asas, mas eu tinha certo medo de altura. Coloquei as asas para a fora sem esforço algum e logo saltei, batendo-as e então sendo elevada pelo céu limpo colorido num azul puro como se tivesse sido pintado pela mão do melhor pintor existente.
Eu ainda lembrava exatamente onde Sasori morava, como se nunca tivesse parado de frequentar sua casa, como se nunca tivesse ido embora.
Voei pelo imenso céu, sentindo a reconfortante carícia do vendo em minha pele e em minhas penas, voar era simplesmente perfeito. A sensação era indescritível, não era nada comparado com tudo o que eu já havia feito. Você simplesmente batia as asas sem nem perceber e não sentia o chão em seus pés, a sensação de liberdade que lhe envadia parecia não ter mais fim. Eu não queria que tivesse fim.
Logo eu estava sobrevoando o castelo onde Sasori morava, bastante parecido com o meu. Não me importei em pousar primeiro no chão em frente ao portão para ser recebida e demorar uma eternidade para poder falar com Sasori. Rodeei o castelo, indo na direção da sacada de seu quarto, cujo estava com as portas da sacada totalmente abertas, as cortinas brancas esvoaçando ao vento.
Bati as asas mais lentamente, deixando meu corpo ir descendo mais e mais, até encostar meus pés descalços no chão gelado da sacada. Dei um passo para entrar em seu quarto e de imediato parei, engolindo em seco.
Sasori estava apenas com uma calça cinza de pano leve, com o peitoral bem trabalhado à mostra com algumas gotas de água contornando seus músculos. Ele tinha uma toalha branca pendurada em seu pescoço enquanto o mesmo caminhava até a sua cama. Foi então que ele virou a cabeça e me encontrou ali, estática, o observando.
Ele se sobressaltou por um momento, parecendo não me reconhecer, mas logo seu olhar passou para algo que não consegui decifrar.
– Sakura — proferiu meu nome — O que... O que você está fazendo aqui?
Engoli a saliva e baixei os olhos, constrangida.
– Desculpe entrar assim sem te avisar, mas é que eu preciso que você faça algo — eu disse rápido.
Quando ergui os olhos, sua testa estava franzida enquanto me fitava.
– O que quer que eu faça? — seus olhos pareciam gritar "Qualquer coisa, pode ser qualquer coisa, eu farei".
Procurei espantar aqueles pensamentos.
– Meu pai precisa que você — segurei o pano do vestido — traga Sasuke para cá.
Sasori fitou-me por um momento.
– Quando? — sua voz mudara e ele sentou-se na cama de modo um tanto brusco enquanto segurava uma parte da toalha e secava seus cabelos ruivos.
– O mais rápido possível.
Ele parou com o que estava fazendo por um momento, seus olhos perdidos na cama. Depois de um momento ele finalmente assentiu.
Olhei para a parede, notando o branco puro que se expandia até o teto, onde um candelabro dourado estava elegantemente pendurado. Com o canto dos olhos, vi Sasori deitar-se em sua cama de barriga para cima, com as mãos embaixo da cabeça.
Por que diabos, Sasori tinha de ter músculos tão trabalhados daquele jeito?
– Você está linda, a propósito — ele murmurou olhando para o teto.
Eu não deveria ter corado com aquilo, mas corei.
– Obrigada — sorri minimamente.
Ele se levantou e começou a andar em direção ao seu enorme guarda-roupa branco.
– Faz tempo da última vez em que você esteve nesse quarto — ele comentou com um sorriso que parecia estar lembrando da última vez em que estive ali.
– Sim — murmurei me recordando.
Sasori abriu as portas do guarda-roupa e apoiou suas mãos dos dois lados dos quadris, fazendo a calça abaixar um pouco. Ele logo a ergueu e enfiou os braços dentro do guarda-roupa e tirou uma peça de roupa que estava dobrada.
– Vou me trocar e irei buscá-lo — ele jogou a peça de roupa na cama e pegou mais uma dentro do guarda-roupa.
– Certo — pigarreei quando o vi começar a vestir uma camisa de pano branco elegante de mangas cumpridas bem frouxas um tanto transparentes. Um pequeno V cortado com um cordão cinza ficava bem no meio acima de seu peito, a gola dobrada perfeitamente para baixo, enquanto uma das pontas se voltava para cima. Ele pegou a outra peça que era cinza escuro a desdobrou. Era um colete sem mangas, com botões na frente. Ele pegou um cinto e passou pelo cós da calça o prendendo e colocando a barra da blusa dentro da mesma.
Eu poderia ter desviado os olhos enquanto ele se vestia, mas ele fazia aquilo de um modo tão narutal, como se minha presença não importasse com o que ele estivesse fazendo. Era impossível não admirar sua beleza. Ele realmente se tornara um verdadeiro arcanjo, eu conseguia enxergar isso apenas o olhando.
Ele pegou um par de botas marrom escuro de couro e as calçou, elas iam até um centímetro abaixo do joelho. E então ele estava vestido — e incrivelmente belo. Ele passou uma mão por seus cabelos ruivos, os bagunçando de um jeito charmoso, fazendo alguns fios ainda úmidos caírem sobre sua testa.
Ele voltou seus olhos cor de amêndoas para mim e arqueou uma sobrancelha ruiva.
– Algum problema?
Pisquei, negando.
– Por que a pergunta? — procurei fugir do olhar de Sasori.
– Você estava me encarando sem nem piscar — ele cruzou os fortes braços — Fiquei até com medo.
Revirei os olhos e sorri um tanto constrangida.
– Eu só... — quase engasguei com a saliva — Só estava te admirando.
Sasori arqueou as sobrancelhas.
– Me admirando?
– Sim, eu não me acostumo muito com você ter crscido tanto — comentei e o mesmo riu.
Era impossível não se encantar com a risada de Sasori.
– Uma hora temos de crescer, Sakura — ele sorriu para mim, mas logo o sorriso diminuiu — Bem, vou abrir o portal agora.
Meu coração bateu mais forte só em pensar que logo Sasuke estaria ali comigo, em minha Dimensão.
– Quer ajuda com o portal? — perguntei com a ansiedade veemente presente em minha voz.
– Se não for incômodo.
Sasori colocou suas enormes asas para fora, e as retraiu para baixo acariciando-as.
– Acho que preciso tomar mais cuidado por onde voo — ele comentou olhando para uma de suas asas.
Então eu vi um ponto vermelho na parte superior de uma de suas asas. Me aproximei, com o cenho franzido. Não era um machucado nada bonito.
– Onde foi que conseguiu isso? — perguntei tocando a asa machucada.
A asa estremeceu ao meu toque.
– Eu caí — murmurou desviando o rosto de meu olhar curioso.
Sasori corando ficava uma graça, por mais que eu tentasse negar.
Ele retraiu as asas novamente, fugindo de meu toque — ele não me olhou depois disso. Fechou os olhos e concentrou-se. Me aproximei timidamente e toquei o ombro dele. Seus olhos cor de amêndoa pairaram sobre mim.
– Eu disse que iria ajudar — lembrei-o.
Ele assentiu e então pegou minha mão, entrelaçando seus dedos nos meus. As mão de Sasori não era tão macia. A aspereza em sua pele deixava evidente seu esforço físico em treinamento para batalhas. Certa vez o vi treinando, era um treinamento intenso. Flexões, erguimento de enormes rochas, lutas com lanças e espadas contra quatro ou mais anjos. Resultando no corpo todo bem feito e trabalhado do mesmo. Tenho certeza de que Ino o adoraria por isso. Sasori era lindo, inteligente, engraçado e responsável. Ele honrava sua família mesmo sendo o mais novo e último filho. Agora cabia a ele a dar continuidade à sua linhagem, que no caso, seria nesta parte que eu entrava.
Procurei afastar esses pensamentos de minha mente e então fechei os olhos, me concentrando profundamente em abrir o portal para a Dimensão Mundana. Logo senti uma leve brisa acariciar meu rosto e quando abri os olhos, lá estava a esfera brilhante, girando em uma velocidade impossível de conseguir acompanhar com os olhos.
– Foi mais rápido do que eu pensei — comentei e Sasori soltou minha mão.
– Sim — ele encheu o pulmão de ar e o soltou mais levemente — É mais fácil com alguém ajudando.
Ele fez um breve aceno com a cabeça e então atravessou o portal, fazendo com que flocos brancos parecidos com neve flutuassem para fora da esfera. E logo o portal se fechão, tão mais rapidamente como se abriu.
Olhei por um momento para onde o portal estava aberto a um segundo antes e mordi o lábio inferior, torcendo para que Sasori e Sasuke não brigassem e que desse absolutamente certo.
Cori até a sacada e aproveitando a velocidade saltei, voando de volta para casa.
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– Ainda acho tudo isso muito desnecessário — resmunguei enquanto Chyo amarrava os cordões que ficava na parte do vestido aberto em minhas duas costelas, até o quadril.
Chyo riu.
– Calma, menina — ela deu um simples laço e afastou-se indo em direção à minha cama — Seu pai está feliz por ter voltado, isso é motivo de comemoração.
Revirei os olhos.
– Ele poderia apenas ficar feliz e poderíamos comemorar particularmente, não concorda?
Chyo negou com a cabeça, com um par de sandálias sem salto prateadas abertas muito bonitas.
– Não acho, querida — ela me conduziu até o banco que ficava em frente a penteadeira — Eu adoro festas. Alguém como eu, nessa idade, adora uma boa festa para sacudir os ossos velhos e cansados.
Eu ri, calçando as sandálias que iam até a canela, prendendo-as no fecho.
– Seu pai não está fazendo por mal — ela pôs-se atrás de mim e começou a arrumar meu cabelo.
– Eu sei — suspirei — Mas eu realmente não estou com clima para festas.
Vi chyo balançar a cabeça de modo negativo pelo reflexo do espelho da penteadeira.
– Não demorará muito, você vai ver — ela puxou uma parte de meu cabelo para trás — Logo seu amigo chegará, não quer estar bonita para quando ele chegar?
Pisquei, sentindo um frio na barriga. Eu estava contando os minutos para Sasuke chegar. Acabei assentindo.
Chyo prendeu uma parte de meu cabelo com um arranjo branco de flores brancas, deixando um pequeno topete em minha franja.
– Espero que tudo corra bem — murmurei mais para mim mesma.
– E vai, querida — Chyo terminou de arrumar meu cabelo — Pense positivo e deixe a insegurança de lado.
Levantei-me, assentindo.
– Agora quem tem de se arrumar sou eu — ela sorriu, aquele seu velho sorriso que me confortava sempre que eu precisava.
– Pode ir — sorri também.
Ela então saiu de meu quarto após fazer um breve aceno com a cabeça.
Virei-me para o espelho e fitei meu reflexo.
Eu não estava me reconhecendo. O vestido branco de pano leve moldava minha cintura e meu quadril, aberto nas laterais no corpo, desde a costela até o começo do quadril. As mangas cumpridas chegavam até um pouco abaixo de meus pulsos. A fileira de botões redondos perolados descia por minhas costas, no final um pano transparente cintilante arrastando-se junto à barra do vestido. Os detalhes em pequenas pedras brilhantes por todo o comprimento do vestido era simplesmente belo. Meus ombros desnudos contratavam com a cor do vestido, os deixando mais delicados do que eu esperava. Meus olhos verdes estavam destacados com meus cílios naturalmente grandes e incrivelmente negros. Lábios avermelhados ressaltados com um leve batom de cor datural.
Eu havia me esquecido do quão era confortável as roupas de minha Dimensão, não pesavam e nem faziam volume, ao contrário dos da Dimensão Mundana que eram rodados e cheios de pano.
Suspirei e então contei até dez, sem tirar os olhos de meu reflexo. Caminhei sem pressa até a porta e então saí de meu quarto. O enorme corredor iluminado com velas extremamente claras estava simplesmente belo. Logo eu estava em frente a enorme e larga escadaria. Bufei já ficando impaciente com o tanto de degraus que eu teria de descer. Coloquei minhas asas para fora e dei impulso com os joelhos, voando até o final da escada.
Quando me dei conta de que não fora uma grande ideia fazer aquilo, já era tarde demais. Havia muitas pessoas me olhando, surpresas e admiradas. Ninguém conseguia tirar os olhos de mim, o que me fez xingar-me mentalmente por isso. Já não bastava ser conhecia como a filha pródiga, eu ainda tinha de chamar a atenção daquele jeito.
Muito bem, Sakura! Dá para ser mais estúpida? , procurei manter a postura enquanto todos me olhavam.
Avistei meu pai, ele estava vindo em minha direção. Ele estava incrivelmente belo. Seus cabelos róseos cumpridos estavam soltos, as pontas branca dando-lhe certo charme. Seu rosto com feições um tanto rudes estava totalmente suavizado e um sorriso bobo brincava em seus lábios bem desenhados. Trajava um paletó parecido com os modelos mundanos branco, com uma blusa branca de pano leve, a gola perfeitamente ajeitada. Usava uma calça cinza claro com sandálias prateadas, quase iguais as minhas. Um manto cinza cobria seus ombros, arrastando-se no chão de modo gracioso conforme andava. Por um momento, eu percebi o por que minha mãe apaixonou-se por ele, mesmo sendo um casamento arranjado. Meu pai era belo à sua maneira, encantando a todos sem nem perceber ou fazer esforço.
Ele sorriu ao olhar para minhas asas. Coloquei-as para dentro de imediato.
– Você está linda minha filha — o sorriso ainda estava presente. Ele realmente parecia estar feliz — Não pensei que suas asas estivessem tão grandes.
– Estão crescendo bastante rápido — comentei forçando um sorriso sincero, cujo estava se recusando a sair com facilidade.
– Fez uma entrada e tanto — riu.
– Foi sem querer. Quando vi eu já havia feito.
– Eu gostei — ele ofereceu-me o forte braço e eu aceitei de bom grado.
Era estranho estar tão próxima a meu pai depois de passar um ano e meio fugindo. A estranha sensação de segurança me invadia de modo que eu nem percebia, e eu não queria que aquela sensação passase. Era bom estar ali — o que me fazia perguntar como é que eu consegui passar tanto tempo longe de casa.
Meu pai apresentou-me à muitos de seus amigos, quase à todos os convidados. Sorrisos e mais sorrisos. Conversas e mais conversas. Meupai soltou-me apenas quando teve de ir conversar com um grupo de Virtudes, que cumprimentaram-me de modo feliz e desejaram-me um "bem-vinda novamente".
Algumas mulheres vieram falar comigo, a beleza delas era simplesmente intrigante. Como elas conseguiam ser tão graciosas e perfeitas? Fazia com que eu me sentisse pequena, como se eu não estivesse à altura delas, por mais bonita que eu pudesse estar naquele momento.
Meu coração estava inquieto enquanto ansiava a chegada de Sasuke. Eu estava cada vez mais impaciente, me esquivando das conversas, das perguntas de como eu passara na Dimensão Mundana e qual fora o motivo de minha volta. Minha cabeça estava começando a ficar cheia demais.
Foi então que a voz do porteiro que guardava a imensa porta aberta anunciou a chegada deles:
– Akasuna No Sasori e Uchiha Sasuke.
Virei-me num movimento rápido, procurando por ele. Até que encontro seus olhos negros que ardiam sobre mim também.
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