Give Me Love

16 -Capítulo 16-


Notas iniciais
Não me matem! Eu sei, fiquei dois dias inteiros sem postar, mas é que eu fiquei sem internet. Mas enfim, aqui está o capítulo, espero que gostem. Esse capítulo é dedicado à PetitChic pela maravilhosa recomendação! Obrigada linda! *¬* Boa leitura

Give Me Love

–Capítulo 16-

Por JefCokkie

Olhei para o calendário pendurado na porta do banheiro e suspirei. Um mês e meio já havia se passado. Sasori viera na lua cheia e nos informou que as coisas estavam totalmente em completo controle na Dimensão Celeste. Sasuke e Sasori não brigaram – o que eu estranhei muito.

Quase todos os dias eu e Naruto íamos para a casa de Sasuke e nos enfornávamos na biblioteca. Pilhas e pilhas de livros se formavam no chão, nas mesas... Mas não achávamos nada que desse algum indício de ser um item preciso que estivesse guardado na Dimensão Celeste.

Não sabíamos o que o tio de Sasuke queria que estivesse na Dimensão Celeste. Sasuke uma vez aproximou-se do tio inofensivamente e o envolveu numa conversa e tentou driblá-lo para saber o que ele tanto queria, mas nem uma palavra saiu da boca de Madara. Madara era cuidadoso com o que falava para as pessoas, até para o próprio sobrinho.

Aquilo estava ficando cansativo.

As coisas entre eu e Sasuke mudaram. Eu não sabia se Sasuke era ele mesmo comigo ou não, era muito difícil de saber. Eu havia estabelecido uma distância segura entre nós, tanto emocionalmente quanto fisicamente. Eu não havia me afastado dele, apenas parei de me envolver amorosamente com ele.

Ele ficara irritado quando eu finalmente disse que não queria que ele se aproximasse de mim para beijar-me – na verdade ele deu um chilique. Toda vez que ele me via ele estava com os punhos cerrados e o maxilar travado. Pelo o que eu via, aquilo não era fácil para ele, e para mim, era mais difícil ainda – mas as coisas estavam melhores do jeito que estavam.

Por mais que esse Uchiha fosse teimoso, arrogante e frio, eu gostava e não tinha como negar. O que me vem a cabeça de como as fêmeas de qualquer espécie viva consegue se atrair pelo macho problemático. Simplesmente complicado.

Desde que eu soube que ele passou por cima dos sentimentos de Gaara eu mudei com ele. Ele não podia simplesmente ter aquilo que seu amigo quer sem se importar com seus sentimentos, e por mais que eu não conhecesse Gaara, eu sabia que ele era uma boa pessoa – ou melhor, uma boa Dominação, mesmo sendo maligna.

Percebi que Naruto não era o garoto bobo e inocente que se mostrava ser para tudo e todos, ele era totalmente sério quando queria. Ele parecia se transformar em outra pessoa quando estava sério, mais maduro e até mais atraente. Quando ele parava para me explicar algo que eu não estivesse entendendo ele praticamente me dava uma aula, mas ao contrário das aulas que eu estava acostumada a ter, a de Naruto era realmente interessante e divertida.

Rumei à escola logo após de vestir o uniforme, andando sem pressa apenas apreciando o imenso céu azul sem nuvens. Não demorou muito para chegar na boa e velha Konoha Gaksuen, por mais que eu tenha andado feito uma tartaruga.

Sasuke não compareceu às aulas e nem Naruto – procurei não ligar para isso, pois para que Naruto faltasse teria de ser algo importante. Conversei com Ino a manhã inteira, quase que durante as aulas também. Aquela manhã parecia estar tediosa, e ela não calava a boca falando sobre a sua carência e que precisava urgentemente de um namorado. Não ouvi nem a metade do que ela disse – não que eu não fosse uma boa amiga, mas eu não era uma boa ouvinte para aquele tipo de coisa.

Quando as aulas se deram por encerradas, despedi-me de Ino e fui saindo pelo estacionamento, tendo uma pequena esperança de que Sasuke ou Naruto estivessem lá, mas eles não estavam. A vaga onde Sasuke sempre estacionava estava vazia, o que me fez suspirar em desânimo.

Uma manhã sem vê-los e eu já estava com saudades – sim, a maldita e cruel saudade.

Andei pelo estacionamento, olhando para o chão distraidamente, prestando atenção nas quase imperceptíveis rachaduras que havia no asfalto negro dali. Continuei andando, até que algo chama minha atenção – ou melhor, alguém. Gaara estava sentado no capô de seu Audi A8 reluzente, lendo um livro. Ele parecia extremamente concentrado, o que me fez sorrir minimamente.

Algo parecia ter o alertado de que ele estava sendo observado, e como se já soubesse quem era, seus olhos azuis esverdeados voaram para mim de imediato. Eu não consegui decifrar o que havia contido em seus belos olhos, mas eu tinha certeza de que ele havia ficado surpres =o por eu o estar olhando. Ele piscou repetidamente e desviou o olhar para o livro novamente, ajeitando a camisa do uniforme por baixo do casaco de couro marrom.

Parei no lugar e respirei fundo antes de começar a andar em sua direção. Gaara não tirou os olhos do livro e parecia que quanto mais eu me aproximava, mais ele virava as páginas brancas do livro. Parei a uma distância segura dele.

– Oi – o cumprimentei.

Ele fechou o livro e olhou para o chão.

– Oi – ouvi ele dizer em voz baixa.

Eu nunca havia percebido que sua voz era tão grave daquele jeito.

– Tudo bem? – perguntei num tom de voz simpático.

– Sim – ele respondeu depois de um momento – E como vai você?

Dessa vez, ele ergueu os olhos e os pousou em mim – senti-me ardendo diante de seu olhar azul esverdeado tão brilhante.

– Vou bem – respondi me sentindo uma completa estúpida por estar ali falando com ele sem saber o que falar – Desculpe te interromper com a leitura, eu só... Só queria dar um oi.

– Não, tudo bem – ele apoiou as duas mãos no capô do carro – Eu já li esse livro milhões de vezes.

Sorri de modo amigável.

– Suas asas já nasceram? – perguntei de repente e vi seu maxilar travar, meio tenso, mas depois ele suavizou-se e inspirou audivelmente.

– Sim – ele respondeu, mas parecia estar digerindo minha pergunta ainda – As suas já...?

– Uhum – respondi colocando uma mecha rosa atrás da orelha – Foi bem doloroso.

Ele pareceu olhar-me com um ponto de interrogação.

– Minhas asas nasceram enquanto eu estava na Dimensão Inferum – ele respondeu e eu procurei não estremecer a ouvir aquilo – Quando se está em alguma dimensão, sendo Celeste ou Inferum, as asas nascem e nem sequer rasgam sua roupa. Mas na Dimensão Mundana é dolorido. Tudo aqui é muito carnal, muito sólido.

Sorri ao ouví-lo falar mais de cinco palavras quase num fôlego só.

– As minhas não estão completamente cicatrizadas – comentei olhando para meus pés.

– Se quiser, tenho um pouco de pomada cicatrizante. Pode não ser o meio mais rápido, mas ajuda – ele deu um meio sorriso.

Observei se sorriso e procurei guarda-lo em minha mente, para nunca mais esquecer.

– Você fica bem melhor sorrindo – comentei e ele desviou seus olhos de mim.

Um leve rubor apareceu em suas bochechas brancas.

– Sorria mais – eu disse e sorri também, tentando passar confiança – Eu realmente gostei de conversar com você. Podemos fazer isso mais vezes não?

Ele assentiu, olhando para o chão.

– Até mais, Gaara – eu disse e lhe sorri antes de virar e começar a andar.

– Sakura!

Virei-me de imediato e o fitei surpresa. Ele parecia mais confiante de si naquele momento.

– Eu... Você quer sair? – ele perguntou-me com os olhos brilhando de algo que dessa vez eu pude reconhecer. Insegurança. Ele estava deixando a mostra seu medo de ser rejeitado, mesmo que não percebesse. Ele levantou-se, enfiando as mãos nos bolsos dianteiros da calça.

Automaticamente me lembrei de Sasuke, que fazia aquilo também. Sacudi a cabeça, expulsando o Uchiha de meus pensamentos.

– Para onde? – perguntei e ele deu de ombros.

– Para onde quiser – ele murmurou baixo.

Sorri e assenti. Ele olhou-me por um breve instante, parecendo não acreditar que eu havia aceitado seu convite.

– Quando? – ele perguntou sorrindo.

– Pode ser agora? – me aproximei um passo dele e ele assentiu, ainda sorrindo.

– Entra – ele abriu a porta do motorista e apoiou seu cotovelo na porta aberta olhando-me enquanto eu ia em direção da porta do lado do carona.

Logo estávamos os dois dentro do carro e ele deu a partida após passar o cinto de segurança – fiz o mesmo. Ele apertou um botão do rádio e uma melodia começou a soar. O som de uma guitarra soou incessante, arrepiando-me da cabeça aos pés – ela uma sensação deliciosa.

– Gosta? – ele perguntou e eu assenti.

– Mas não conheço — respondi.

– UFO é uma banda antiga – ele saiu do estacionamento da escola – Essa é a música mais conhecida deles, Rock Bottom.

– Ah – murmurei prestando atenção na música. — Tem algum lugar em mente?

– Sim – ele respondeu e acelerou um pouco – Sei exatamente de um lugar que você vai adorar.

Era tão boa a sensação de ter conseguido começar uma amizade com Gaara. Num minuto ele não proferia mais de três palavras, e como num passe de mágica, ele falava abertamente como se me conhecesse à anos – e para dizer a verdade, eu estava adorando. Gaara não era apenas o rapaz frio que demonstrava ser, ele parecia ter muito a mostrar para todos. Eu acreditava nele, mesmo não conhecendo bem.

– Todos você tem o mesmo gosto musical, não é? – perguntei quando ele parou o carro no farol vermelho, atrás da linha branca pintada no afasto.

– Todos nós quem?

– Você, Naruto, Neji e Sasuke – respondi olhando pela janela.

– Nós tocamos juntos.

– Vocês são uma banda? – o olhei, lembrando-me que Sasuke havia dito que tocava numa banda.

Gaara assentiu.

– Naruto toca baixo, Sasuke canta e é guitarrista base, Neji toca como guitarrista solo e eu toco bateria – ele virou numa rua menos movimentada, seguindo reto.

– O que é guitarrista base e solo? – perguntei curiosa.

Ele olhou-me por um breve momento com as sobrancelhas arqueadas e voltou sua atenção para a estrada novamente.

– Você não sabe mesmo?

Neguei com a cabeça.

– Não conheço nada relacionado à música mundana, só algumas músicas que Sasuke me mostrou – respondi e no mesmo instante me arrependi de ter dito o nome do Uchiha.

Gaara suspirou quase que de modo imperceptível e apertou o volante, mas depois pareceu se acalmar, pois deu um sorriso mínimo – para quem não sorria frequentemente ele estava indo muito bem.

– Quais bandas ele lhe mostrou?

– Led Zeppelin e L... – não me lembrei do outro nome da banda – Lynard...

– Lynyrd Skynyrd?

– Sim – respondi e vi sua bochecha se erguer por um momento e depois voltar ao normal – Sasuke tem um ótimo gosto para bandas. Sempre teve.

– O conhece há muito tempo?

– Nós nos conhecemos na Dimensão Inferum, quando o tio dele, Madara, o levou para conhecer aquela dimensão. Tínhamos apenas oito anos de idade, os pais dele ainda estavam vivos.

– O que aconteceu com os pais dele?

– Ele não te contou?

– Não – respondi baixo.

– Fugaku e Mikoto eram seus nome. Eles foram para a sétima parte da Dimensão Iferum no dia em que um anjo caído poderoso estava sendo preso. Houve uma guerra e eles não sobreviveram.

– Nunca ouvi sobre tal coisa.

– Porque isso ocorreu na Dimensão Inferum em completo sigilo.

– Ah – franzi o cenho – Quem é esse anjo?

– Não sei explicar bem, mas ele é o mais poderosos dos anjos caídos. É complicado. Ele está preso.

Gaara acelerou quando desceu numa rodovia que não estava cheia, e depois de alguns minutos adentrou uma estrada de terra. Procurei não perguntar mais nada, eu não queria ser chata naquele momento, por mais que eu estivesse curiosa. Ele estacionou o carro em frente a uma enorme árvore que parecia ter mais de cem anos de vida – suas raízes eram enormes.

Ele desligou o carro e saiu do mesmo, e eu o imitei.

– Onde estamos? – perguntei apreciando o ar puro dali.

Era um local com árvores e mais árvores, e eu adorava lugares daquele jeito. Os vários tons de verde das folhas e grama eram simplesmente belos para mim, sem porquês nem o que quer que fosse. O oxigênio simplesmente leve e delicioso que emanava daquelas árvores e plantas fazia com que um sorriso de satisfação se formasse em meus lábios.

– Venha – ele fez um sinal com a cabeça para que eu me aproximasse. Assim o fiz – Vamos por essa trilha.

Ele foi na frente, não havia pedras no caminho e nenhum perigo evidente de que pudesse ser um obstáculo, apenas a grama verde que sussurrava um murmúrio arrastado quando meus pés as pisavam.

– Eu sempre venho aqui – ele disse e continuou andando – Acho que você vai gostar.

– Você está falando mais do que o de costume – comentei.

– Estou falando demais? – ele parecia tenso.

– Não, não é isso – eu ri – É que eu nunca o vi falar tão abertamente, e olhar que mal nos conhecemos.

– Me sinto à vontade com sua presença – ele murmurou tão baixo, que quase não ouço – e na verdade, acho que não era para eu ter ouvido.

Ele subiu um pequeno morro e estendeu a mão para me ajudar. Aceitei sua mão de bom grado. Ele puxou-me sem esforço algum para cima apenas com um braço, como se eu não pesasse nada, e logo eu estava ao seu lado.

Ao virar-me para frente, deparei-me com um edifício caindo aos pedaços. A tinta branca já não era mais tão branca assim, descascando e deixando à mostra as rachaduras que havia no concreto. Olhei para cima, vendo as janelas sem vidros abertas, as varandas praticamente destruídas, mas não todas. Não era tão alto, mas ainda sim era bem alto. Os castelos que haviam na Dimensão celeste eram o triplo daquele edifício.

– Está abandonado já faz alguns muitos anos – Gaara comentou olhando para o edifício – Não parece grande coisa, mas tem algo que o salva.

– O quê? – virei a cabeça e o fitei.

– Venha, vou te mostrar – ele disse e fez um sinal com a mão para que eu o seguisse.

Nos aproximamos da porta de madeira escura do edifício, e eu pude ver que havia uma corrente presa com um cadeado um tanto grande, cujo estava trancado. Gaara tirou um pequeno molho de chaves e pegou uma delas entre o dedo indicador e o polegar. Ele abriu o cadeado e o deixou no chão com a corrente. Empurrou a porta para frente, fazendo um rangido alto soar e a madeira da porta de arrastar no chão.

– Você tem a chave desse lugar – murmurei debilmente.

– Eu que coloquei aquela corrente e o cadeado – ele disse e adentrou o edifício escuro.

Estaquei no lugar e ele fitou-me por um segundo.

– O que foi? – ele perguntou.

– Não gosto de lugares escuros – confessei como uma criança que admite que tem medo do bicho-papão.

– Está tudo bem, vai valer a pena – ele deu um meio sorriso.

Novamente me lembrei de Sasuke, e o quanto o sorriso dele fazia com que borboletas voassem em meu estômago. Gaara tinha uma beleza própria, mas de certa forma, me lembrava Sasuke.

Pare com isso! , me repreendi mentalmente. Eu não podia ficar comparando tudo e todos com Sasuke. Não mesmo. Cada um tinha uma personalidade, uma beleza, um estilo próprio, e não era nada justo eu os comparar com alguém que apenas não saia de minha cabeça.

Respirei fundo e entrei no local, sentindo a poeira irritar minhas narinas. Gaara me guiou até a escada de incêndio e começamos a subir num silêncio absoluto, apenas o barulho abafado de nossos passos soando no chão sujo cheio de poeira.

– Quantos andares têm? – perguntei enquanto subíamos mais um lance de degraus e virávamos para subir mais um.

– Doze.

– Acho que vou morrer de cansaço antes de chegar ao quarto andar – murmurei e ele riu brevemente.

– Não demora muito.

– Porque você já está acostumado de subir isso aqui. Eu não. Eu vou morrer. Não dá para ir voando? – perguntei analisando o espaço que tinha.

– Depende do tamanho das suas asas. As minhas pelo menos cabem aqui – ele disse analisando o espaço que havia ali também.

– Acho que as minhas irão caber – murmurei e mal fiz força para que elas saíssem, mas elas já estavam para fora e haviam rasgado a parte de trás da camisa do uniforme – a minha última camisa. Simplesmente trágico o modo como eu havia me lembrado daquilo depois de rasga-las.

Minhas asas bateram nas paredes e teto. Eu parei de andar, tentando encolhê-las. Elas não caberiam ali de jeito maneira!

Gaara virou-se uma feição surpresa tomou conta de sua face.

– Caramba – ele murmurou – Você disse que caberia.

Olhei de soslaio para minhas asas.

– Pelo menos eu achava que iriam – suspirei pesado – Elas estão crescendo cada vez mais rápido.

– São enormes, Sakura – ele olhou minunciosamente para minhas asas, parecendo enxergar cada detalhe que ali havia – Já está no tamanho de asas de Arcanjos, talvez um pouco maiores.

Arqueei as sobrancelhas, em sinal de surpresa.

– Sério? – perguntei sem acreditar.

– Sim – ele cocou a nuca – É melhor coloca-las para dentro, se não vai ficar difícil para você subir.

Assenti e coloquei-as para dentro. O processo foi rápido demais para que eu percebesse, talvez cinco segundos, no máximo. Continuamos subindo, sem nada dizer, mas um silêncio agradável dançava entre nós – Gaara parecia transmitir paz e uma serenidade que pareciam simplesmente viciantes. A presença de Gaara era boa, fazia com que eu me sentisse leve, e eu estava adorando aquilo.

Quando finalmente chegamos ao último andar, quase dei pulos de alegria, mas me contive – eu podia muito bem ter um ou dois, ou três, ou quatro parafusos faltando, mas eu não faria aquilo na frente de Gaara. Ele não merecia ver tal coisa esquisita.

– Você precisa ver isso – Gaara disse enquanto empurrava uma porta de ferro, dando de cara com o terraço.

O vento batia um pouco forte, fazendo meus cabelos chicotearem em meu rosto. Coloquei uma mecha atrás da orelhas, mas a mesma saiu pela forte rajada de vento que bateu contra meu corpo.

Segui Gaara, que se aproximava do muro e então minha visão capitou o que havia ali.

– É lindo, não é? – ouvi Gaara perguntar.

Eu apenas assenti, sem conseguir tirar meus olhos daquilo. Havia vista para a cidade inteira e mais algumas montanhas que ficavam atrás da cidade. O sol iluminava tudo o que se dava para ser visto. Não era a toa que Gaara ia sempre ali.

– De noite fica mais bonito ainda. As luzes parecem enfeites de pisca-pisca que ficam nas arvores de natal.

Eu sorri e apoiei meus cotovelos no pequeno muro que batia um pouco acima de minhas barriga. Senti meu celular vibrar no bolso da saia e o peguei de imediato. Reconheci o número de Sasuke. Meu dedo pairou sobre o botão send para atender a ligação, mas então neguei com a cabeça de modo imperceptível. Fechei o celular, não atendendo a ligação e o guardei novamente no bolso que havia em minha saia.

– Pode abrir as asas agora – Gaara disse sem tirar os olhos da cidade.

– Só se você também abrir.

Ele sorriu e suspirou enquanto tirava a jaqueta de couro marrom. E então suas asas aparecerem, suas penas vermelhas como seu cabelo. Pisquei, completamente surpresa. As asas dele eram vermelhas? Mas como...?!

– Suas asas são... – eu franzi o cenho.

– Sim – ele deu de ombros – Não sei o por quê. Talvez porque sou ruivo natural e em algum aspecto a cor deve ter sido puxada para minhas penas.

Não perguntei mais nada, apenas sorri.

– São bonitas – eu disse e por um momento um leve rubor pairou em suas bochechas brancas, mas logo sumiu, não deixando rastro algum de que havia estado ali.

Coloquei minhas asas ara fora, sentindo um alívio gostoso e uma sensação de serenidade que eu não queria que acabasse.

Não importava se não nos conhecêssemos bem naquele momento. Apenas admirávamos a vista da cidade, sem nada dizer – talvez porque não precisasse. Novamente meu celular voltou a vibrar. Era Sasuke novamente. Peguei o celular e o desliguei.

Notas finais
Sakura rebeldi e-e SHUAHUEHAUSHUAHS Até mais, pessoas linda! Postarei em breve!