Girlfriend [HIATUS]
4 Possibilidades.
Se lhe perguntassem, Rachel não saberia ao certo como explicar a afeição que sentia por Finn. Quer dizer, ele era fofo e tentava ser gentil, mas por mais que tentasse convencer a si mesma do contrário, os dois não tinham muitas afinidades. Com exceção do clube do coral, é claro. Seria a música o suficiente para considerá-la sua “alma-gêmea”? Talvez não. No entanto, a possibilidade de ficar sozinha a assustava. Sabia bem que apesar de empolgante, sua personalidade não era das mais fáceis. Então, se um garoto popular, mesmo namorando a garota mais bonita do McKinley, estava interessado nela, provavelmente era algum sinal. Ainda sim, continuava chateada com ele. Como poderia não estar?
— Hm, Rach? – o rapaz a chamou, interrompendo a sua parte da música. Estavam no auditório ensaiando e tentando descobrir o que cantariam na assembleia. As Cheerios não haviam sido chamadas e nem os outros membros do Novas Direções. Era esse o plano de Rachel para passar um tempo a sós com ele.
— Sim...? – ela se virou, olhando-o.
— Eu não acho que isso vai dar certo. – a confissão veio em um tom que expunha toda a sua frustração. – É mais fácil se você cantar a sua parte com uma das garotas, ou o Kurt... Eu nem aprendi a cantar andando direito, dançando então... E é na frente da escola toda, não posso me envergonhar desse jeito.
— Ei, não pense assim... – pediu Rachel. – Quer fazer uma pausa? – ele assentiu e se sentaram à beira do palco, lado a lado. – Você é um ótimo cantor Finn.
— Você acha mesmo? – o garoto perguntou, parecendo feliz com o elogio.
— Acho...
— Significa muito vindo de você. – sorriu torto. – Você é tão boa nisso, nem sei como consegue...
— Ah, é só a combinação do meu incrível talento com todos os meus anos de prática. — ela explicou, sem se preocupar com falsa modéstia. – Mas você também é muito talentoso. Não é qualquer um que consegue me acompanhar. Só precisa praticar mais.
— Acha que consigo ser bom como o Sr. Schue? – ele quis saber, se empolgando. Todos sabiam o quanto ele admirava o professor.
— Acho que consegue ser melhor. – Rachel afirmou e o sorriso dele se alargou ainda mais. – Só, por favor, não comece a cantar rap...
Ele riu.
— Sabe, eu queria que a Quinn fosse mais como você. – disse ele, surpreendendo-a. Quinn Fabray era, a seu ver, perfeita. Tudo o que uma garota poderia querer ser e um garoto querer ter. Seu modelo inalcançável...
— É mesmo? – Rachel perguntou, com os olhos castanhos brilhando.
— É. – ele sorriu mais uma vez. – Você se importa com os meus sentimentos, me incentiva...
— Ela não? – ela perguntou, como se já não imaginasse. Sabia que Quinn não o amava. Ela não estaria fazendo seja lá o que fosse que fazia com Santana se realmente se importasse.
— O problema é que eu não sei. – Finn expressou. – Eu nunca sei o que ela ‘tá pensando. Não sei como ela se sente...
— Garotas fazem isso como forma de se proteger. – Rachel esclareceu.
— Mas você não é assim... – ele contestou. – Eu sei como você se sente...
— Sabe?
— Sei. – reafirmou. – Seria tão mais fácil se fosse assim com a Quinn...
— Bem, talvez seja porque vocês dois não sejam para ser. – ela tentou.
Finn a encarou por alguns segundos, como se questionasse o que ela havia dito. Então, ele disse:
— Rach, não me leva a mal. Eu gosto de você e tudo, mas ela é a Quinn Fabray. Não sou louco de trocá-la por uma garota como você.
— “Uma garota como você”?! – Rachel repetiu, indignada, enquanto se levantava.
— Não como eu, como você. Eu nem sou uma garota... – ele franziu o cenho, não entendendo. Ela revirou os olhos.
— O que você quer dizer com “uma garota como você”, Finn? – ela perguntou. – Que eu não sou boa o suficiente? Que é bom demais para a garotinha boba que pagou um mico no primeiro ensaio do coral? Pois saiba que é você quem perde, porque eu sou a única pessoa na sua vida que te entende e aceita do jeito que é.
E saiu dali o mais rápido que pôde, para que ele não visse as lágrimas que insistiram em cair. Por que ele precisava ser tão estúpido?
Desde então, não haviam conversado. Embora continuasse correndo atrás de Quinn como um cachorrinho abandonado, ele até tinha tentado se desculpar por sua insensibilidade algumas vezes, mas Rachel não quis ouvi-lo e, agora, sentada no mesmo local de quando ele fez o infeliz comentário, ela se perguntava se havia ou não agido corretamente. Definitivamente, não ter um amigo com quem conversar fazia falta em momentos assim...
— Berry? – ouviu a voz de Quinn e direcionou o olhar a uma das entradas no auditório, vendo-a caminhando em sua direção. – O que está fazendo aqui?
— Hm, eu apenas queria ensaiar um pouco sozinha. – disse a primeira coisa que lhe veio à mente. – E quanto a você?
— A Santana me pediu para esperá-la aqui, enquanto ela dá um jeito de escapar da aula de Química... – Quinn respondeu, naturalmente, porém, a mente da morena logo foi invadida por pensamentos nada apropriados. Acontecia sempre que algo a lembrava do “caso” das duas Cheerios. Por alguma razão, o beijo das duas e o que sentira ao vê-las ainda eram parte de seus pensamentos diários. Estranhamente, saber que a loira à sua frente gostava de garotas ou, no mínimo, estava aberta para experimentar com pessoas do mesmo sexo, lhe parecia uma ideia um tanto... Interessante. Seria isso curiosidade? – Mas então... Estava ensaiando sentada aí, sem nenhuma partitura, ou acompanhamento musical?
Rachel notou a ironia, assim como a desconfiança presente no olhar e na sobrancelha arqueada da líder de torcida. Ainda sim, preferiu ignorar.
— Basicamente.
Quinn riu baixinho, rolando os belíssimos olhos verdes e, anormalmente, decidindo sentar-se ao seu lado.
— Quer conversar sobre o que está te incomodando?
— Está sugerindo que eu desabafe com você? Por que você faria isso? – foi impossível não questionar.
— Bem, primeiro porque eu não tenho nada melhor para fazer e nos últimos dias não tenho mais te achado tão insuportável. Agora, você é apenas chata. – Quinn disse, sorrindo levemente sem mostrar os dentes. Rachel sabia que estava longe de ser uma oferta de amizade, mas era um avanço. E sim, ela queria ser amiga de Quinn Fabray. A admirava profundamente e algo nela, que não sabia bem como explicar ou definir, a atraía, fazendo com que quisesse tê-la por perto de alguma forma. – E também, você sabe um segredo meu. Nada mais justo do que eu também ter algo para usar contra você.
— Entendi. – Rachel riu. – “Mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda”.
— Isso. – a Fabray confirmou. A morena não sabia se ela falava sério ou se apenas estava brincando, mas não importava. Ainda era uma oportunidade para conversarem. – Vai, diz logo qual é o problema.
— É meio estranho falar isso com você, mas... – fez uma pausa, se perguntando se deveria mesmo prosseguir e, bem, não era como se a mais alta realmente gostasse dele, ou algo do tipo: – É o Finn.
— Tão previsível... – Quinn meneou a cabeça. – Seja lá o que for que tenha acontecido, não vale a pena se sentir mal por causa disso. Finn Hudson é só um garoto idiota.
— Finn Hudson é o seu namorado. – Rachel a “lembrou”. – E não pense nele como sendo só um garoto idiota, mas como sendo o garoto que eu gosto. É difícil quando você gosta muito de alguém e essa pessoa te coloca pra baixo.
— Você gostar dele é algo tão patético. – afirmou a Cheerio, em resposta. – O que vocês têm em comum? Nós dois pelo menos nos importamos com as nossas reputações e queremos mantê-las. Vocês cantaram bem juntos em Don’t Stop Believin’ e gostam de ser do clube do coral. Isso é motivo para se apaixonar?
— A música é tudo pra mim. – contrapôs a judia. – E eu não sou como você. Não tenho uma fila enorme de pretendentes. Além daquele nojento do Jacob, o Finn é o único que já se interessou por mim.
— Ainda não é motivo para se apaixonar. – Quinn rebateu. – Qual é, Berry, eu sei que você consegue fazer melhor do que isso. Tem certeza que quer se apegar a um garoto que não tem absolutamente nada a acrescentar na sua vida, apenas porque ele canta bem e te dá um pouco de atenção? – Rachel olhou para os próprios pés, sem jeito. Já não tinha mais nenhum contra-argumento para apresentar. – Ei... – a loira pôs a mão em seu queixo, erguendo novamente sua cabeça para que a olhasse. – Eu não acabei de falar. Preste atenção!
Rachel ruborizou. Constrangê-la claramente não era a intenção de Quinn, ao menos, segundo sua expressão, que indicou estranhamento. A Berry queria ter sido capaz de ignorar o toque da outra garota em seu rosto, mas não conseguiu. Droga. Sentia-se uma idiota! O que a Cheerio estaria pensando?
— Bem... – Quinn pigarreou, antes de continuar: – O que eu ia dizer é que você não deveria se diminuir, ou se comparar comigo. Você também é bonita.
— Mesmo com as minhas mãos de homem? – disse Rachel, em uma tentativa falha de fazer uma piada, para esconder o nervosismo que ser elogiada por Quinn Fabray lhe trazia.
— Eu não estava sendo exatamente precisa em relação a isso. – a Fabray sorriu, mesmo assim. – Apenas esqueça esses apelidos idiotas, okay? Não deixe que isso, ou seja lá o que o Finn tenha dito, te coloque para baixo.
— Por que está sendo tão gentil? – a morena perguntou, confusa. Até o dia anterior àquele, a HBIC do McKinley a odiava.
— Eu não sei. – Quinn admitiu. – Mas a sua insegurança me lembrou de uma velha amiga, do meu antigo colégio. O nome dela é Lucy. Apenas trabalhe a sua autoestima, certo? Cantar e atuar não são suas únicas qualidades.
Então, Quinn desceu do palco, caminhando para fora do auditório.
— Acho que vou indo...
— Você não ia esperar a Santana? – Rachel interpelou.
— Ia, mas ela está demorando demais. – Quinn respondeu, já perto da porta. – Te vejo por aí, Berry.
E saiu, a deixando a sós consigo mesma de novo, mas cheia de novas perguntas. O mais curioso era que, dessa vez, nenhuma delas envolvia Finn Hudson...
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Quinn estava deitada na cama de sua melhor amiga, assistindo a um filme qualquer que passava na televisão. Usava um short jeans e uma blusa curta. Vez ou outra checava as mensagens em seu celular, ignorando-as. Não queria conversar com Finn no momento, tampouco com o idiota do Noah Puckerman. Desde antes de Santana dispensá-lo, o garoto estava tentando convencê-la a dormir com ele. O que lhe soava bastante contraditório, quando o mesmo se dizia o melhor amigo do seu namorado...
Ouviu o rangido da porta do banheiro se abrir e em seguida foi agraciada com a visão de Santana em um roupão branco, se aproximando dela com um sorriso divertido nos lábios. Riu quando a garota pegou seu celular e começou a ler em voz alta as mensagens dos garotos, em tom de deboche.
— Os dois estão realmente determinados em tirar o seu “grande V”, hein? – Santana comentou, abaixando-se e colando seus lábios, em um rápido selinho. – Coitados! Nem imaginam que alguém já fez o trabalho por eles...
— E que essa pessoa fez muito melhor do que qualquer um deles sequer poderia sonhar em fazer... – Quinn acrescentou, maliciosamente.
– Hmmm, é mesmo? – a latina disse, como se já não conhecesse perfeitamente bem a veracidade da afirmação, enquanto sentava-se na beirada da cama. – Se importaria de me mostrar como foi isso?
— Ficou curiosa? – perguntou a Fabray, entrando na “brincadeira”. Santana acenou positivamente com a cabeça, sorrindo travessa. – Tudo bem. Acho que posso fazer uma pequena demonstração.
Com essas palavras, avançou sobre a amiga, tomando seus lábios com avidez, invadindo a boca dela com a língua e sendo correspondida de imediato. As Cheerios aproximaram seus corpos, deitando-se na cama de forma que não sobrasse praticamente espaço algum entre elas. Quinn, que estava por cima, deslizou as mãos pelas laterais do corpo incrível que tinha Santana, mas antes que pudesse desfazer o laço do roupão, se livrando de todo o tecido que a impedia de tocá-la como realmente queria, ouviram batidas na porta.
— Santana? – era Maribel, mãe da latina. – Posso entrar?
— Espera aí. – a Lopez mais nova respondeu, se soltando dos braços de Quinn e indo abrir a porta. – O que foi?
E foi tudo o que Quinn ouviu, pois a mulher deu início a uma conversa desinteressante sobre os supostos perigos de Lima Heights Adjacent, que acontecia literalmente todas as vezes que ela e o marido precisavam sair. Segundo Santana, isso era tudo bobagem, pois ela tinha o respeito dos gangsters da região. O que, ao menos para a Fabray, soava mais como uma tentativa de impedir que suas ameaças àqueles com quem ela brigava fossem desmentidas, do que uma história real. Se bem que, vindo de sua melhor amiga, nada a surpreendia.
Ao olhar mais uma vez suas mensagens, Quinn se surpreendeu ao ver que havia uma que não era de Finn ou Puck, mas de um número desconhecido. Abriu-a, curiosa.
[Desconhecido]: Oi, Quinn. Então, sei que deve estar ocupada com a Santana agora, pois vi vocês duas saindo juntas do McKinley e espero não estar atrapalhando nada. Apenas gostaria de te agradecer pelas coisas que me disse hoje. Realmente me ajudaram a refletir bastante.
Depois de ler, um pequeno e involuntário sorriso insistiu em aparecer em seus lábios. Não sabia exatamente o porquê, mas aquilo era tão a cara de Rachel Berry que chegava a ser fofo. Por pura conveniência – ou talvez não – salvou o contato da estrela do coral, antes de respondê-la:
[Quinn]: Oi. Não precisa agradecer, fico até feliz em ter te ajudado de alguma forma. Isso significa que tem menos chances de você vazar as fotos.
A resposta veio rapidamente:
[Rachel]: É por isso que foi gentil comigo, então?
Quinn praguejou mentalmente contra si mesma pelo que dissera, mas tratou de se explicar em seguida:
[Quinn]: Não. Eu ‘tava brincando.
[Rachel]: Ah, desculpe. Não tinha entendido.
[Quinn]: Tudo bem.
[Quinn]: Mas, ei, como conseguiu meu número?
[Rachel]: A Brittany me deu. Ela é até que bem legal com todo mundo, apesar de ser uma Cheerio.
A loira sentiu certo desconforto pelo que Rachel dissera na última mensagem, mesmo que a tivesse atormentado por muito tempo.
[Quinn]: Está insinuando que eu não sou legal? :(
[Rachel]: Bem, até entrar para o clube do coral, você não era mesmo.
[Rachel]: O que ainda me deixa meio desconfiada das suas verdadeiras intenções...
[Quinn]: Não tenho nenhuma.
E, com exceção do plano da treinadora Sylvester, que envolvia ganhar a confiança dos membros do Novas Direções, não tinha mesmo. Além de que, a conversa que haviam tido naquele dia fora nada menos que sincera. Quinn não sabia o motivo, mas de fato quis ajudá-la, por mais contraditório que pudesse parecer...
[Rachel]: Se você diz...
[Rachel]: Acho que também é válido mencionar que desisti do Finn, então não precisa mais se preocupar com o seu relacionamento de fachada.
Quinn estreitou os olhos, em desconfiança, enquanto digitava:
[Quinn]: Desistiu? Isso não soa muito como você.
[Rachel]: Como você mesma disse, com outras palavras, eu mereço mais.
Acabou se orgulhando um pouco. Não só por aparentemente tê-la feito esquecer a ideia idiota de tentar roubar seu namorado, mas também por ter contribuído para que ela enxergasse que Finn Hudson não era bom o suficiente para Rachel Berry.
[Rachel]: E também... Eu meio que quero outra pessoa agora.
Foi impossível para Quinn não se lembrar do jeito como Rachel corou no auditório, quando tocou em seu rosto para que ela a olhasse. Seria possível que essa “outra pessoa” fosse ela? Não teve tempo de perguntar...
— Posso saber que cara é essa, Gaybray? – Santana questionou, de forma zombeteira. Nossa... Ela nem ao menos tinha se dado conta de que Maribel já havia saído. – O seu namorado te mandou outra foto sensual dos mamilos esquisitos dele perguntando se está em boa forma?
— Não. – Quinn riu, mas em seguida voltou a ficar séria: – Ei, S... Você acha que tem alguma chance da Berry sentir algo por mim?
— Que tipo de pergunta é essa, Q? – Santana a olhou com estranheza. – Está atraída pela Anã?
— O quê? Não. Claro que não. – negou com veemência. – É só que... Você mesma disse que também a ouviu gemer quando viu a gente se beijando e, hoje estávamos conversando e quando encostei nela, para fazê-la olhar pra mim, ela ficou vermelha.
Santana gargalhou.
— Será?
— Eu não sei. – Quinn manteve a seriedade.
— Vai ser bem engraçado se for isso mesmo. – Santana declarou, com cara de quem queria rir ainda mais. – Imagina só, a RuPaul cantando uma canção de amor para você no clube do coral, que vergonhoso seria! Se fosse eu, já iria começar a pensar em um fora que arranque risadas até da Lady Hummel.
Quinn quis dizer que, na verdade, não sabia ao certo como se sentia diante da possibilidade de Rachel estar interessada nela, mas não o fez. Não queria ser alvo de piadas, muito menos ver Santana irritada. Querendo ou não, a latina podia ser bastante possessiva quando de tratava das pessoas com quem ficava...
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