Girlfriend [HIATUS]
3 Planos.
Notas iniciais
Se havia algo que as amedrontava tanto quanto a possibilidade de Rachel Berry expô-las era serem abandonadas por Sue Sylvester. Não importava o quão importantes fossem – e elas eram – para as Cheerios, a intransigente treinadora poderia acabar com suas reputações em questão de poucos segundos. Se fossem expulsas da equipe, a trindade profana não seria nada no McKinley... Perderiam todos os privilégios e o poder que haviam conquistado ao lapidarem suas imagens, se tornando representações vivas do fracasso.
Quinn e Santana caminhavam em uma corda-bamba. Qualquer passo em falso e a grande queda aconteceria, levando-as direto até o fundo do poço. Qualquer uma das opções que tinham era horrível, contudo, a afeição de Sue poderia ser reconquistada com o tempo, diferentemente da de suas famílias. Por isso, acatarem as exigências de Rachel era mais viável que serem cem por cento leais à hierarquia do colégio, sabendo que tal decisão seria inútil, se fossem chutadas para fora do armário. Todos se voltariam contra elas da mesma maneira e, pior, ainda viria de “bônus” o ódio daqueles com quem mais importavam – no caso de Santana, sua abuela e, no de Quinn, seus pais.
— Deixem-me entender isso direito. Vão entrar para o clube do coral? – Sue questionou, com o cenho franzido e sua costumeira expressão fechada.
Quinn, já temerosa, começou a se justificar:
— Eu sinto muito treinadora Sylvester, mas com o Finn naquele clubinho é só questão de tempo até aquela coisa começar a tentar roubá-lo! É só reparar na forma nojenta como ela parece querer despi-lo com os olhos... Por favor, não nos expulse das Cheerios!
Óbvio que ela não contaria a verdadeira razão pela qual estavam se juntando ao Novas Direções. E, tecnicamente, o que dizia não era uma completa mentira. Seria benéfico poder manter os olhos em Rachel e Finn, no final das contas. Tinha plena noção do interesse da judia pelo seu namorado e, estar por perto lhe permitiria saber bem com o que estava lidando, possibilitando a ela cortar pela raiz qualquer princípio de reciprocidade por parte do garoto. Precisava dele e não o deixaria ir assim, tão facilmente. Sem falar que ser trocada por alguém como Rachel Berry seria humilhação demais.
— Poupe-se das lágrimas, Fabray. Eu não quero ver isso. – Sue a “cortou”, claramente sem paciência para o drama amoroso adolescente com o qual Quinn queria convencê-la. – Não pretendo tirá-las da equipe.
— Não? – Santana se pronunciou, evidentemente surpresa.
— Não. – a mulher confirmou, com uma tranquilidade que lhe era incomum.
“Graças a Deus!” Foi essa a frase que, de imediato, veio à mente de Quinn. No entanto, ela sabia que, se tratando de Sue Sylvester, não poderia ser assim tão simples...
— A senhora tem um plano, não tem?
— Sabe, Q, na primeira vez que eu te vi, me lembrei de uma jovem Sue Sylvester... – Sue comentou e Quinn se permitiu sorrir pela primeira vez desde que ela e as amigas entraram naquela sala. – Apesar de você não ter a minha estrutura óssea. – a expressão da garota indicou uma leve confusão, porém, nada foi dito. – Mas foi só neste exato momento que pude ver como somos semelhantes.
Sem entenderem muito bem aonde a treinadora queria chegar, as garotas trocaram olhares um tanto confusos...
— Vocês três serão minhas espiãs. – a mais velha revelou, com um brilho perverso nos olhos. – Nós iremos acabar com esse clube do coral, de dentro para fora...
Quinn voltou a sorrir, assim como Brittany e Santana, que fizeram um high five. Era melhor a Berry começar a se preparar, pois o feitiço estava prestes a se voltar contra o feiticeiro...
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Quinn não esperava se apaixonar pelo clube do coral, mas também não imaginava que fosse ser assim tão chato. Quer dizer, se Finn gostava tanto daquilo, ao ponto de arriscar sua popularidade, aquela bobagem deveria ser ao menos divertida, certo? Acontece que, bem, não era. Pelo menos, o primeiro ensaio do qual participava estava sendo completamente entediante. Por alguma razão, o Sr. Schue insistia em fazê-los cantar “Le Freak” repetidas vezes, como se em alguma delas aquilo fosse magicamente começar a funcionar.
— Ei! O que diabos foi isso, Berry?! – interpelou Mercedes, soando completamente indignada, quando Rachel acidentalmente quase a acertou durante a coreografia. – Você ficou louca? Se tentar me acertar de novo, eu acabo com você. – então, se voltou para o professor. – Além disso, essa música é horrível!
A Fabray murmurou “finalmente” para si mesma, aliviada por mais alguém ali – além de Santana e Brittany, é claro – concordar com ela naquilo.
— Não, não... O problema não é a música. Vocês só precisam pegar o jeito. – Will insistiu.
— Oh, é a música sim. É gay demais. – disse Kurt e, quase que instantaneamente, uma risada baixa escapou dos lábios de Santana e Quinn riu junto, mais pela reação da amiga, que pela ironia de justo ele falar aquilo.
— Nós deveríamos cantar músicas mais atuais. – Artie sugeriu.
— Sinto muito, pessoal, mas não temos tempo de discutir isso. – afirmou o Sr. Schue. – Cantaremos essa música essa sexta, na assembleia.
— Na frente da escola toda? – Finn perguntou, um tanto assustado.
— Exatamente! – Will estava tão empolgado que pareceu nem notar o desagrado da maioria ali com a notícia.
— Nós seremos humilhados... – Quinn decidiu falar e, assim que o fez, a atenção de Rachel se voltou toda e exclusivamente para ela. – Não podemos cantar uma música dessas na assembleia, isso só fará do clube do coral uma piada ainda maior do que ele já é.
— A Quinn está certa. – Rachel afirmou e, por alguma razão, a loira sentiu certo orgulho de si mesma ao ouvi-la. – Nós estamos na base da hierarquia social do McKinley. Ninguém quer se juntar a nós e tivemos sorte em conseguirmos fazer essas três entrarem. Cantar uma música velha definitivamente não é a melhor maneira de atrair novos membros.
— Confiem em mim, dará tudo certo. É uma música excelente e atemporal. Nós vencemos as nacionais de 93 graças a ela. – Will persistiu. – Vamos ensaiar mais uma vez. Precisamos atingir a perfeição até o final da semana!
Quinn suspirou em derrota e ouviu Finn resmungar que era um “homem morto”. Não podia discordar. Onde estava a cabeça do Sr. Schue? Ele realmente acreditava que aquilo atrairia alguém? Quem em sã consciência se juntaria ao grupo composto por alguns dos maiores perdedores do colégio, após assisti-los passarem vergonha performando uma música tosca como aquela?
Mesmo assim, ela fez o que deveria fazer e se juntou aos novos colegas de equipe em mais uma tentativa falha de acerto. Após mais umas duas, tão disfuncionais quanto as primeiras, o horário terminou e eles foram liberados pelo professor. Quando Quinn se juntou a Finn para sair da sala do coral, algo inesperado aconteceu:
— Ei, Quinn! – Rachel a chamou. – Pode esperar um pouco?
— A Quinn? – Finn estranhou. A morena assentiu e ele então deu de ombros, dizendo: – Bom, tanto faz, é até melhor ‘pra mim se vocês duas começarem a se dar bem...
E ele seguiu seu caminho, deixando-a para trás para conversar com Rachel Berry. Quando a judia se aproximou, Quinn foi logo dizendo:
— Se a próxima exigência ridícula for que eu termine com ele, para que você o tenha, pode desistir.
Rachel balançou negativamente a cabeça.
— Não, não é nada disso. Bem, poderia ser, mas não é. É sobre a assembleia. – ela esclareceu. – Eu notei que ficou um tanto... Hm, receosa, quanto à nossa apresentação.
— E com razão! Eu cedi à sua chantagem, para que a minha vida não fosse arruinada. Se cantarmos isso, ela certamente será. – Quinn fez questão de reafirmar, mesmo sabendo que Rachel também não havia amado a ideia idiota do Sr. Schue.
— Nós soamos como um bando de amadores e isso é muito frustrante. – a judia confessou, com seu desapontamento perceptível pelo tom de voz. – A música não é apenas velha, Quinn, ela também não valoriza o meu potencial vocal.
— É verdade, mas eu ainda não entendi qual é o objetivo dessa conversa. – a capitã das Cheerios falou, cruzando os braços. – Vá direto ao ponto, por favor.
— Desculpe. – Rachel abaixou levemente a cabeça, por breves segundos, fazendo com que Quinn se sentisse um pouco mal consigo mesma. O que era contraditório, já que ela sempre buscava novas formas de ofendê-la verbalmente. – Eu... Hm... Tenho uma ideia de como podemos mostrar ao McKinley o verdadeiro potencial desse grupo. E preciso de você para que o plano funcione.
— Diga. – pediu Quinn, até que interessada. De fato, ela queria o fim do clube do coral, mas antes, precisava focar em não ser humilhada na frente de toda a escola.
— Você, Santana e Brittany são as garotas mais populares daqui. Juntas, têm um enorme poder de influência. O plano é o seguinte: escolheremos uma música mais atual e construiremos toda a performance de maneira que possamos tirar o melhor das três. E de mim e do Finn, é claro. – a mais alta, que até então apenas ouvia atentamente, revirou seus belos olhos verdes ao final da frase. – E-Eu não falo de nós dois de maneira romântica, neste caso. É que ele é quem consegue me acompanhar musicalmente.
— Sei... – Quinn riu da péssima desculpa usada. – Olha... Não é uma má ideia, no geral. Quero dizer, você sabe que eu não estou aqui porque morro de amores por esse grupo, muito pelo contrário, aliás. Mas já que sou obrigada a ficar, que pelo menos nós façamos algo bom, que nos impeça de passar tanta vergonha.
— Fantástico! – Rachel disse, entusiasmada. – Pode conversar com a Brittany e a Santana então, para que vocês nos encontrem no auditório, no final da aula?
Quinn assentiu.
— Estaremos lá logo após o treino das Cheerios.
— Ótimo! – um pequeno sorriso apareceu e, mesmo que a contragosto, Quinn precisava admitir que era nada menos que adorável. – Te vejo mais tarde então...
— Até mais tarde, Berry.
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