Notas iniciais
Ola meus amores! Este capitulo vai ser um pouco diferente pq se vai concentrar mais na Ariana. Mas pode ser que haja algum contacto entre as duas. Espero que gostem! Boa leitura!

A Gabriella simplesmente não me saía da cabeça. Tudo o que se passou entre nós passava como um filme pela minha mente. Era uma tortura.

Mas eu por vezes não a entendia. Achava que ela estava a confundir todo o meu processo, deixando-me insegura de tudo o que vai acontecer no nosso futuro. Ela tanto parecia que ainda me amava como parecia que já não sentia o mesmo. Era confuso.

Então naquele dia decidi tirar um pouco de tempo para mim e à praia. Eu sempre adorei praia e sempre ouvi dizer que as praias daqui eram absolutamente surreais. Então decidi aventurar nas praias daquela ilha tão desconhecida para os meus olhos.

Levantei-me da cama e fui tomar o pequeno almoço. Comi algo ligeiro para depois ir aproveitar o vasto oceano. Acabei rápido e saí rumo à praia.

Eu naquela altura investi numa mota e ela era praticamente a minha bebé. Fui em direção à garagem, tirei de lá a mota e segui caminho.

A velocidade, a precisão, as curvas, a liberdade.. Tudo isso se libertava em mim sempre que eu andava de mota. Era tão relaxante e tão perigoso ao mesmo tempo, que, me deixava cheia de adrenalina no corpo. Quanto mais andava, mais perto o mar se encontrava. Quando cheguei lá, desci da mota e fui direta para a areia sentindo a maravilhosa sensação nos pés.

Eu decidi tirar aquele dia só para mim. Estava a precisar de um momento a sós em que pudesse realmente unificar e clarificar toda a confusão presente na minha vida. Estava tudo tão disperso e tão solto, que eu ás vezes parava para pensar se realmente algum dia iria conseguir recompor a minha vida. Tanto pessoal como profissional.
Sempre fora muito difícil me enquadrar nos padrões da sociedade, mas com o tempo consegui corrigir esse erro. E quando era questões de tomar escolhas ou decisões, eu simplesmente nunca conseguia decidir.

Escolhi um sítio perto do mar e estendi lá a minha toalha, coloquei os meus óculos de sol e sentei-me na toalha a apreciar cada onda que batia ferozmente na areia. Aquele som entorpecia os meus ouvidos de uma maneira totalmente sedutora e voraz, como uma mulher geme à espera de mais.
Deixei-me cair para trás, dirigindo os meus olhos ao puro céu azul. Jamais vira um céu tão bonito como aquele. Era simplesmente arrebatador. Uma vez ou outra passava pequenos pássaros nos céus tornando aquele cenário cada vez mais de cortar a respiração.

Na praia não estava praticamente ninguém. Então coloquei-me tal e qual de como vim ao mundo e dirigi-me ao vasto oceano. Eu não sabia se as águas de lá eram frias ou quentes, mas isso realmente não importava, porque a única coisa que eu queria fazer era desanuviar a cabeça debaixo de água. Estando quente ou não.
Cuidadosamente dirigi-me para a beira do oceano e estiquei o pé, tocando só com o dedo grande na água. Logo após o toque, um arrepio subiu-me pela espinha demonstrando que a água não estava numa temperatura muito agradável. Mas mesmo assim, continuei a andar até ter a água pelos meus joelhos. Fiquei à espera que uma onda concebesse os meus desejos e que me cobrisse o corpo todo. Mal ela chegou, mergulhei nela, sentindo todos os meus pelos do corpo a se arrepiar devido à temperatura baixa. O baque foi tanto que me deixou atordoada e com pele de galinha. Mas nada que não passasse. De repente, comecei a nadar. Nadava para a frente e para trás, como se nunca tivesse nadado. Mergulhava, saltava, nadava, enfim.. Parecia uma criança que acabava de receber um brinquedo novinho em folha.
Enquanto mergulhava, deixava a água levar todos os meus pensamentos, principalmente os mais indesejados. A sensação da água na minha pele nua era fascinante. Naquele momento não pedia mais nada. Estava sozinha só com o oceano, com a areia e com o céu. Um quarteto perfeito que eu presava imenso.

Passado, sem exagero, duas horas, comecei a ficar com frio e saí do mar indo logo vestir o biquíni que tinha retirado. Fiquei a apanhar um pouco de sol e a ouvir um pouco de música e voltei para casa.
A viagem de regresso na minha bebé foi igualmente agradável, ou até mesmo melhor devido ao húmido da minha pele que fazia com que o vento a arrepiasse de uma maneira mágica.

Cheguei a casa completamente relaxada que mal entrei na porta fui direta para o banho. Tomei um banho relaxante, coloquei um creme corporal e vesti uma camiseta larga e uns shorts e fui diretamente para a cozinha comer alguma coisa. Como já eram oito da noite decidi preparar uma massa à bolonhesa e deliciar-me. Preparei tudo com calma já que tinha todos os ingredientes necessários em casa por isso fiquei mais relaxada. Quando já tinha tudo preparado fui me sentar no sofá refletir um pouco sobre a vida.
Eu estava realmente muito sozinha. George tinha desaparecido, os outros vizinhos não falavam para mim e Gabriella era Gabriella. Por isso cheguei à conclusão que naquele preciso momento a minha vida tinha perdido todo o seu sentido, praticamente. Senti-me muito em baixo com aquele pensamento, mas não podia mudar nada. Não ia andar a correr atrás de pessoas que nunca correriam atrás de mim. Sempre fora assim e não era só por aquele percalço que eu iria desanimar.
Mas mesmo que não quisesse pensar muito acerca destes assuntos, tinha sempre que haver alguém que aparecesse inesperadamente nas minhas memórias, deixando-me entorpecida e seriamente confusa. E essa pessoa era nem mais nem menos, a Gabriella. Como sempre. Ela era a que permanecia sempre presente na minha memória, mesmo que eu não quisesse. Era implacável a forma que ela discretamente invadia cada pedacinho de mim mesmo que não fizesse absolutamente nada. Memórias dela, de todas as maneiras e feitios, invadiam-me a cada segundo. Era como se tivesse um disco na minha memória que só passava coisas sobre ela. Era impressionante.
Sempre tivemos um relacionamento muito conturbado devido aos estatutos da sociedade e as suas oposições sobre certos assuntos. Questões familiares também se fizeram presente, sendo elas, maior parte, as grandes causadores de quase todos os nossos conflitos. O nosso destino, segundo as nossas famílias, era sermos pessoas bem sucedidas com negócios extremamente valiosos que dessem imenso dinheiro; casar com um homem podre de rico e ter 2 filhos que possam seguir o nosso legado e que tenham o mesmo futuro que nós; ser perfeitas e respeitar a sociedade consoante os seus padrões, não podendo assim ultrapassá-los; não cair em tentações e cometer o mínimo de erros possível; etc...
Por isso, penso que este é um futuro clichê que quase ninguém quer ter, tirando aqueles filhinhas dos papás que adoram homens podres de ricos e nojentos que só as fodem, e que , simplesmente não nutrem qualquer sentimento por elas e que só estão juntos mesmo só porque é um dever deles e não por vontade própria. E como toda a gente imagina, eu e a Gabriella, nunca seguimos realmente esses padrões, mas sim seguimos os nossos próprios padrões, onde nada é errado e cada um vive à sua própria livre vontade sem uma lista extensiva de afazeres que simplesmente não interessam a ninguém. A não ser a quem os impõe.
Sempre fui muito independente e tive sempre ideias muitos assentes em relação a mim mesma. Sempre soube o que quis e nunca mudei de ideias só porque alguém, num dia que se lembrou, me disse que não devia de fazer isto ou aquilo. Isso a mim não cola e nunca vai colar.

Mas em relação à Gabriella a coisa já muda. Ela é uma pessoa que segue muito as ideias dos outros e que mesmo que tenha uma ideia fixa, se alguém por ventura lhe disser algo que a fez pensar, ela automaticamente troca de ideia como alguém troca de cuecas. Podemos dizer que a Gabi é uma pessoa muito persuasiva, ou seja, deixa-se levar muito pelos outros e não por ela. O que acho que isso estragou muito a nossa relação.
Ambas crescemos e ambas temos mais maturidade, por isso penso que cada uma já sabe ver bem os erros que comete e que, ao longo dos anos já fomos aperfeiçoando ou mesmo apagando alguns defeitos prejudiciais para uma relação estável e saudável. Porque algum dos nossos defeitos são como veneno para muitas relações e eu não quero perder mais tempo com eles. Não mesmo.

Sei bem os erros que cometi, principalmente com ela. Mas não é isso que vai fazer com que tudo fique bem entre nós. Eu tenho que corrigi-los custe o que custar, mesmo sabendo que vai levar imenso tempo. Mas eu sabia que a Gabriella iria esperar por mim, custasse o que custasse. Aliás ela sempre fora impecável neste tipo de situações. Mesmo que alguma coisa tivesse que levar o seu tempo, ela nunca mudava comigo. E era isso que eu me orgulhava muito nela. E sempre me irei orgulhar de tudo o que aquela menina faz

Depois de muito tempo sentada no sofá da sala a olhar para a televisão desligada e submersa em pensamentos, algo me desperta. Era um som irritante que indicava a chegada de alguém: o som da campainha. A minha campainha tocava incansavelmente, como se alguém estivesse pronto a arrombar a minha casa. Levantei-me lentamente e fui abrir.
Era um senhor alto, praí com 1.85m; vestia calças de ganga e uma camisola com letras grandes e gordas a dizer "CASA DA FLORESTA"; usava óculos e portava consigo um grande ramo de flores. O ramo de flores era absolutamente lindo. Talvez o mais lindo que eu alguma vez tinha recebido. Fiquei pasmada, chocada, ansiosa, confusa, sei lá.. Um misto de imensas coisas juntas.

Continuava no meu mundo das flores quando o homem se pronunciou:

— Menina ahh.. Mandara-me entregar estas flowers em sua home — sorriu e entregou-me as flores

— Ohh thank you — sorri e continuei — sabe quem me mandou?

— Yes, I know! Mas não posso dizer nothing a você.. I'm sorry.. — ficou um bocado envergonhado mas depois continuou — but você tem aí um cartão que essa pessoa que mandou deixou aí for you!

— Estou a ver que sim — peguei no pequeno cartão e no ramo e pousei-os em cima da mesa — obrigada por me vir entregar as flores.. — continuei a falar enquanto buscava uma nota para dar de gorjeta — foi realmente uma grande surpresa para mim.. Olhe tome isto — pedi que abrisse a mão e coloquei delicadamente a nota em cima dela — Eu sei que não é necessário, mas eu realmente adorei o seu gesto e quero que faça algo assim por alguém também. Guarde bem isto e só utilize quando realmente for necessário, ouviu?

— Ouvi sim.. Mas não era preciso sabe... É só o meu trabalho.. — disse levemente embaraçado

— Eu não quero saber disso, porque aliás eu amo o seu trabalho.

— Ama? Como?

— Pôr pessoas a sorrir para mim é o melhor trabalho do mundo..

Dizendo isto, ele concordou comigo e se despediu, indo todo contente com a nota no bolso.

"OH PAROU TUDO! UM RAMO DE FLORES? MEU DEUS QUE FELICIDADE! EU AMO RAMOS DE FLORES! Quem será que mandou? Um anónimo secreto? Um pedófilo? Uma mulher gostosa? Um travesti? QUEM TERÁ SIDO??"
Eram este tipo de pensamentos que rondavam a minha mente sobre aquele misterioso ramo de flores. Ele era realmente lindo e certamente que ele completou o meu dia, sem dúvida.
Com cuidado, peguei nele e fui pô-lo na jarra mais bonita que havia por lá. Preparei tudo e fui pôr a jarra no centro da mesa da sala. E olha que nem ficou muito mal.
Mas de repente, senti que algo não estava bem e que faltava alguma coisa. Algo importante que tinha vindo com o ramo. Passados anos a pensar no que seria, lembrei-me do bilhete em cima da mesa. Dirigi-me até lá e peguei naquele pequeno bilhete.
Era realmente um bilhete muito bonito. Era vermelho com uma textura de pêlo muito fofinha e com um grande coração na parte da frente. Visualizei-o melhor e finalmente ganhei coragem para o abrir. E comecei a ler:

"Para a mulher que eu mais amo e que sempre vou amar.

Para a mulher com quem eu quero acordar no amanhecer e adormecer no luar.
Você me completa de uma maneira incompleta
Se pudesse saía com você deste planeta.
Só eu e você, você e eu
Um mundo onde o nosso chão era o céu.
Eu te amo, você sabe bem
Eu adorei esse ramo, espero que você também."

Lágrimas já escorriam pelos meus olhos de tão emocionada que eu estava. O bilhete era lindo, mas ainda era mais lindo o que estava lá dentro. Aquela caligrafia perfeita, com traços bem desenhados e delineados só podia ser de alguém. Era dela. Como eu amava aquela mulher. Mesmo que por vezes não entenda certas atitudes dela, é por estas e por muitas que eu nunca duvidei que ela não me amasse. Foi simplesmente lindo o que ela fez para mim, e estou eternamente grata por isso.

Limpei as lágrimas que teimavam em cair dos meus olhos e voltei a revirar o bilhete para ver se encontrava mais alguma coisa e não é que encontrei mesmo?

Um número de telemóvel fazia-se presente na parte de trás do bilhete. Era o número dela. De certeza. Talvez queria que lhe ligasse para dizer se tinha gostado da surpresa, não sabia..
Mas também não foi preciso isso, porque passado pouco tempo 3 toques se fizeram presentes na porta. E eu já sabia de quem eram.

Notas finais
Oii espero que tenham gostado! Sei que não houve interação entre as duas mas este capítulo foi necessário para arrumar a história.. Vejam lá se comentam!! Beijos grandes! xx