Ginger and Green
9 The Brightest Star
Notas iniciais
"Estou deitada na rede do meu jardim a ouvir música. Uma música calma e relaxante, fazendo-me quase adormecer. Mas logo despertei quando a Gabriella de repente atira-se para cima de mim. Ou seja, este ato acabou com dois rabos no chão e umas dores dos diabos. Obrigada Gabriella.
Recompus-me da queda e levanto-me, sendo seguida pela Gabriella. Ela olha para mim, põe as mão à volta do meu pescoço, aproxima o seu rosto ao meu e dá-me um beijo casto nos lábios. Simples, sem pressa, sem qualquer má intenção. Apenas puro amor.
Eu não tenho palavras para descrever o que sinto por ela. Não consigo dizer nada sobre este sentimento que me enlouquece todos os minutos. Apesar de ser nova sei o que já é amar alguém e eu de certo que a amo. O meu sonho é ter uma vida com ela. Ter tudo a que temos direito: casa; carro; cão ou gato ou até mesmo um tigre; e uma menina linda. Talvez esteja a pensar alto demais, mas eu não quero saber. Ela é minha e sempre será.
Cada minuto que passo com ela é como se fosse uma vida inteira. Venero cada pedaço daquele belo ser humano. Ela é demais para mim, e eu sou pouquíssimo para ela. Somos um oposto perfeitamente combinado.
Eu neste momento da minha vida só quero conhecê-la cada vez melhor. Conhecer o perfeito e o imperfeito, o bom e o mau, o doce e o amargo. Amá-la como se deve amar alguém, sempre e sem falhas, sempre demais e nunca a menos, amar como se deve amar: real e sincero.
Todos os dias sinto a falta dela. Quando ela não está, quase sufoco. É insano.
Separá-mo-nos do beijo e olhei-a com paixão e com amor. Lentamente ergui os meus braços e aconcheguei-a num abraço cheio de saudade.
Levei a minha boca contra a sua orelha e sussurrei-lhe baixinho: "Vem comigo a um sítio." Ela separou-se do abraço e falou em voz alta:
— Um sítio? Aonde? — disse levantando a sobrancelha com curiosidade
— Confia em mim.. — dei-lhe um beijo na boca e puxei-lhe pela mão
Antes de sairmos de casa, fomos preparar umas sandes e colocar alguns sumos numa mochila para podermos comer. Como os meus pais não estavam em casa, decidi pegar na Gabriella e ir acampar com ela. Fui buscar dois sacos de cama, roupa para ela e mantas para nos cobrirmos e seguimos viagem.
O sitio para onde vamos é perto de minha casa e fica em cima de um pequeno planalto que dá imensa visibilidade das estrelas à noite. Eu quero criar um ambiente romântico e pacífico e nada melhor do que aquele sítio no planalto com vista para as estrelas. O caminho de minha casa até lá não era longo por isso iremos chegar lá num instante.
Finalmente chegámos e, como sempre, está um ambiente calmo e relaxante, exatamente como eu quero. Pego nas coisas e começo a arrumá-las enquanto a Gabriella prepara os sacos de cama.
Por entre brincadeiras de beijos e abraços, mordidas e amassos, a noite chegou.
Está-mos deitadas em cima dos sacos de cama a olhar para as estrelas. O céu estava incrivelmente estrelado e cada estrela era mais brilhante do que a próxima, o que criava um imenso espetáculo de luzes e de brilho. No meio daquele enxame estrelado, uma estrela se destacou. Tanto para mim como para a Gabriella. É a mais brilhante de todas e aquela que representava, da maneira mais resumida possível, o nosso amor. Não são precisas palavras para descrever este momento, muito menos o que ele significou. Porque as nossas mãos dadas, perfeitamente entrelaçadas, e aquela estrela no céu são exatamente aquilo que nós iríamos exprimir em palavras. Não é preciso mais nada. Só eu, ela e a estrela.
E então ficámos assim por mais tempo a olhar para a única coisa que nos ia unir para sempre, enquanto que de vez em quando os nossos lábios se encontravam, demonstrando assim, o que somos uma para a outra."
Aquela estrela, desde aquele dia, seguiu-me sempre. Fizesse Sol, fizesse chuva.. Ela estava sempre lá. Foi realmente a única coisa que marcou a nossa relação, enquanto durou e mesmo quando acabou.
Amava aquela estrela como amava a Gabriella. Era um amor diferente, mas ambos se ligavam. Mas aonde se ligavam? Ligavam-se no facto de que mesmo tendo tudo acabado, não desapareceram da minha vida.
Fui para a cama enquanto a minha mente processava todos os acontecimentos de hoje, começando pelos lábios dela nos meus. Aquela sensação que eu sempre tivera voltou como se algo dentro de mim fosse reativado. Foi tudo tão mágico que ninguém poderia negar as faíscas que nasciam à nossa volta.
Deitei-me e deixei-me levar pela sensação dos lábios dela, e logo adormeci.
Acordei sobressaltada com umas batidas na minha porta. Devia de ser o George. Devo imensas explicações àquele rapaz, demasiadas até. Ele de caminho corta-me a cabeça e arranca-me os olhos.
Fui feita zombie abrir a porta que estava prestes a cair, batendo em tudo em que era canto. Abri com cuidado quando me dei de cara com a Gabriella. Penso que surpresas como aquelas não acontecem todos os dias, então achei melhor esfregar bem os olhos para me certificar que não era nenhum sonho. Mas não era. Era a Gabriella de carne e osso, com um pijama de ursinhos e corações com o seu peixe de peluche, o Nemo, debaixo do braço. Era muito estranho ver a Gabriella de pijama, já que maior parte das vezes ela estava sempre nua à minha volta. Achei extremamente fofo ela com uma cara de sono imensa e com os cabelos todos bagunçados e com o seu peluche de infância de baixo do braço. Mal me viu, aproximou-se e abraçou-me. Aquele abraço soube-me realmente bem, porque eu já estava com saudades de ontem.
Voltei à realidade e coloquei um ar de confusão, e perguntei-lhe:
— Gabriella, o que estás a fazer aqui?
— Ariana.. Eu não conseguia dormir.. James anda estranho e eu ando a dormir no sofá e hoje me fartei de todas aquelas birras. E como também não conseguia dormir, resolvi vir aqui ver se conseguia dormir no seu apartamento. — falou fazendo cara de gato do Shrek
— Gabriella eu não te entendo. Estou cheia de sono e quero ir dormir porque.. — olhei para o relógio e reparei que eram cinco da manhã — são cinco da manhã e eu tenho que ter os meus sonos em dia.
— Ari não seja assim.. Eu não dormi mesmo e quero ver se aqui já consigo dormir..
— Está bem! Mas ficas aqui no sofá.. — arrumei-lhe rapidamente no sofá e ela se acomodou
— Ahh obrigada a sério por fazer isto por mim. Quero mesmo dormir — aconchegou-se ás mantas e ao boneco e fechou os olhos
— Que seja.. — dirigi-me para o meu quarto e deitei-me outra vez.
"Mas que raio.. Eu realmente não entendo esta rapariga.. Nada mesmo.." Eu realmente não entendia. Se ela tinha sofá, então porque veio para o meu? Sinceramente não entendi. Deixei-me levar pelas minhas dúvidas e adormeci.
Estava no meu esplêndido sono quando sinto a outra parte da minha cama a baixar e algo a tocar-me nas costas. Confusa e meio ensonada, virei-me de frente e deparei-me com a Gabriella ao meu lado na cama com os olhos fechados agarrada ao peixe. Achei aquela cena extremamente amorosa que nem me importei em tê-la ali comigo. Mas também quem se importava? Ninguém mesmo.
Virei-me novamente de costas para ela, quando senti um braço a circundar-me a cintura e um corpo a encostar-se ao meu, juntamente com um toque suave de lábios na minha nuca. Mesmo estando meia a sonhar, sabia bem que aquilo era tudo real e que eu realmente estava a dormir em conchinha com a Gabriella.
Apertou-me mais contra si e sussurrou no meu ouvido: "Te amo". E assim dormimos até tarde agarradas, mas sem antes eu retribuir: "Também te amo".
Abri os olhos sentindo um peso sobre mim. Sabia que era um corpo só não sabia de quem era. Até que de repente dei de cara com os olhos verdes mais lindos que eu já alguma vez vira. Só aí é que me apercebi que o corpo que estava praticamente em cima de mim era da Gabriella. A Gabriella sempre teve um sono conturbado até chegar ao ponto de ter caído da cama abaixo e de ter arrastado o resto com ela. Sim, aquela rapariga é uma tragédia ambulante.
Tirei-a de cima de mim e fiquei de frente para ela. O verde no castanho voltou a dar faísca, fazendo com que um arrepio me atravessa-se a espinha. Cheguei-me à frente e beijei-lhe os lábios, sendo seguidos por um "beijo" com os narizes. Beijei-lhe a testa e ela aconchegou-se no meu peito.
— Dormiste bem? — dei-lhe um beijo suave na testa
— Dormi muito bem! Já não me lembrava de dormir deste jeito desde que me separei de você..
— Posso dizer o mesmo — dei-lhe um beijo nos lábios
— Eu não devia de estar fazendo isto ao James, mas tudo me leva a você. Não entendo.
— Então a cena de dormires mal era mentira? — disse gargalhando
— É pode se dizer que sim, né? — acompanhou-me dando uma gargalhada gostosa
— És uma croma — disse dando-lhe um tapa na testa
— E você uma boba — disse mordendo-me o nariz e saltando da cama dirigindo-se à porta de saída
— AONDE VAIS? — gritei confusa pensado que ela fosse realmente embora
— VOU EMBORA — gritou de volta
Dei um pulo da cama e fui a correr aos tropeções até à porta de entrada. Vi-a encostada à porta com aquela ar safado que ela tem, derretendo-me toda. Fiz o meu jogo e encostei-a à parede
— Tu não vais embora, nem que queiras muito. Só vais quando eu disser.
— Ai é? Tá bom então — disse atacando-me os lábios e invertendo as posições — hoje sou eu que mando, não você. E se quiser eu vou embora, ouviu?
— Então vai.. — separei-me dela e dirigi-me de volta ao quarto
— Não vou, porque não quero.. Quero ficar com você.. — aproximou-se de novo colando os nossos corpos
— Então fica.. — cortei a nossa distância e beijei-a apaixonadamente. A sensação daqueles lábios nos meus eram mágicos e eu não queria separar-me daquele beijo.
— Vamo com calma.. Vai.. — separou-se de mim e encostou a testa dela à minha — eu estou louca para ter você novamente, mas com calma..
— Tens razão..
— Posso passar aqui o dia? — disse com ar de pidão
— Se o James não se importar, podes.
— Ele não vai dar conta de nada. Eu disse que estava numa casa de uma nega minha e ele ficou numa boa, não se preocupe
— Então vamos aproveitar enquanto temos
— Vamo sim — disse pulando no meu pescoço e beijando-me apaixonadamente
E assim passámos metade do nosso dia em meio de beijos e abraços. Perfeito. E foi sempre assim até ela sair da minha porta outra vez.
POV Gabriella
Tudo começou naquela tarde de verão.
Eu era uma rapariga brasileira vinda de uma terra que ninguém conhecia que se mudou para Portugal com seus pais devido a trabalho.
Para mim ir para Portugal era um saco, porque não conhecia ninguém e achava a gente de lá muito aborrecida e chata. Um saco mesmo.
Foi muito difícil me separar da minha família, mas não tive outra escolha. Foi muita choradeira e muita saudade, mas lá conseguimos chegar a Portugal.
Chegando ao aeroporto, fiquei me sentindo uma estranha no meio daquela gente toda. Foi horrível. Mamãe passava a vida dizendo que a casa era muito linda e que os vizinhos era muito queridos e simpáticos. Era chato ouvir isso, mas nem estava pra lá.
Chegámos à nossa nova casa e logo algo me chamou a atenção. Uma menina de cabelos castanhos brincava com um cachorro e estava com os seus auscultadores. Fiquei cheia de curiosidade de saber quem era aquela mina. Então fui arrumar minha mala e minhas coisas e fui ter com ela. Logo seu cachorro já me enchia o saco a saltar e a ladrar para mim. Fez tanto barulho que acordou a mina. E mal sabia eu que ela iria ser a pessoa que eu mais ia amar na minha vida.
Mal ela abriu os seus olhos e se levantou caí como se fosse num poço de desejo, de emoção. Foi algo agoniante, hipnotizante.
E foi a partir daí que tudo começou entre nós. Ela a partir daí praticamente se tornou na minha vida, no meu corpo, na minha alma, no meu ser. E ela ainda é tudo isso para mim. Mesmo com tudo o que ela me fez
Reencontrá-la não era um objetivo para mim, mas certamente era o que eu mais desejava. Eu a amo com tudo o que tenho e com tudo o que ainda posso a vir ter. Mas ela.. Ela é aquela pessoa com quem eu sempre sonhei, com quem eu sempre me imaginei a casar e a ter uma vida. Ela é aquela pessoa que eu sempre desejei ter, que sempre desejei ter só para mim. Ela é a pessoa que eu amo mesmo. Que amo como nunca amei.
Adoro tudo nela. Desde os cabelos até aos pés. Tudo nela é perfeito mesmo tendo imperfeições. Ela completa-me como nunca ninguém me completou. Eu só quero amar ela e quando amanhecer eu só quero acordar do seu lado. Adoro quando ela me abraça, porque o tempo não passa quando ela está por perto. E eu amo tudo nisso nela. E muito mais.
Mas o problema é que eu estou muito magoada com o que ela me fez, e não sei se consigo avançar mais. Daí eu demonstrar todas aquelas atitudes estranhas e disfarçar um relacionamento com James. Eu nunca gostei de James. Nunca. Ele é que gostava de mim e como tive pena e estava sozinha, dei-lhe uma chance, mesmo que me tenha custado imenso.
Sempre fui uma pessoa bagunçada e distraída, mas de certo modo a Ariana fazia com que eu fosse menos essa pessoa, me tornando em alguém melhor e mais humana. Sufocava todos os dias não a ter. Não ouvir sua voz, seus resmungos, seus disparates, suas bobices, o seu jeito babaca, o seu jeito amoroso, o seu jeito selvagem.. Sentia falta de todos os seus jeitos e defeitos. E os amava todos por igual.
Por vezes quero lhe perdoar por ser tão confusa e babaca, mas simplesmente não tenho coragem e sinto que ela se confunde com minhas atitudes. Porque por mais que a queria tenho que ficar com James, porque ele além de ser companhia, é meu melhor amigo e eu não me perdoaria por fazer isso a ele. Mas por outro lado tenho a Ariana que é a pessoa que eu mais quero e que eu mais amo, mas que ainda estou muito magoada e quebrada. Ela me magoou como de certeza que ela já disse a vocês. Mas eu prefiro que seja ela a dizer tudo o que se passou, porque ela é que sabe as suas razões. As razões de ter feito e de não ter tomado outra decisão menos foda. É.. esse dia foi o pior da minha vida. Por isso..
Estou oficialmente no meio de um turbilhão que só vai acabar quando alguma de nós perder o orgulho e assumir o que realmente sente sem merdas e babaquices pelo meio. Somos adultas e temos que definir a nossa relação. Porque se ambas queremos o mesmo, temos que lutar por igual. Mas para já é impossível fazer uma coisa dessas, porque ainda temos feridas muito abertas. E por mais que não pareça e que eu pareça um bloco de gelo ou uma idiota nesta história, eu estou tão destruída quanto ela. Definitivamente.
Mas sabem? De uma coisa eu tenho a certeza.
Sabem o quê?
Eu amo ela.
Eu amo a Ariana.
Eu amo aquela sacana vadienta tesuda vaca e babaca.
É.. Amo mesmo ela.
Fale com o autor