Notas iniciais
Oii amorees! Desculpem pela demora, mas estive fora e não pude atualizar :( Para compensar, hoje se calhar posso postar dois capítulos, mas um posto de certeza ;) Espero que gostem!! Boa leitura

"Porra, que dor.. Será que fui atacada por alguém e levei uma pancada na cabeça? Ou será que me passou um elefante por cima?" — pensei para mim mesma. O facto de estar durante 5 horas seguidas a chorar que nem uma criança, ajudou a criar esta tortura insuportavelmente dolorosa chamada "dor de cabeça". Inúmeras coisas poderiam ser as causadoras desta dor, mas só uma é que era realmente verdade: a Gabriella. Ela substituía a intensidade de mil camiões, dez aviões.. Sei lá.. A dor que ela me proporcionava era muito maior do que tudo aquilo que eu disse anteriormente. Ela era a ferida que permanecia aberta e que sempre que alguém tocasse nela, a dor era insuportável.

Flashbacks da noite anterior passavam pela minha mente como um filme que lentamente se ia desenrolando, criando cenas que eu tinha a certeza absoluta que nunca as iria esquecer. Aquela dor não me largava por nada deste mundo. Queria que houvesse um comprimido que fizesse com que ela desaparecesse para eu poder ficar bem. Mas eu sabia que isso era impossível. Tudo o que era relacionado com a Gabriella jamais poderia ser esquecido. Ela era a coisa mais importante da minha vida. A minha dor era ela. Só ela é que me fazia sofrer de uma maneira que nunca ninguém conseguira fazer. Garanto que se aparecesse outra pessoa na minha vida e chegasse àquela grande altura de dizer a minha escolha entre o "Sim" ou o "Não", eu iria fugir e procurar eternamente pela única pessoa que eu poderia fazer essa escolha.

Toda esta reflexão foi feita junto a uma janela com uma chávena de café na mão e lágrimas a escorrer pelos olhos, enquanto as estrelas me abrigavam e a Lua consolava-me com uma doce melodia vinda do vento que me acariciava a pele descoberta. Enquanto estava ali, lembrei-me do que todas as pessoas me disseram ao longo dos anos em relação ao amor: "O amor não é uma opção mas sim uma escolha" ; "O amor não dói, ele próprio é a dor", entre outras infinidades de razões plausíveis que demonstram, ou pelo menos tentam demonstrar, que o amor é lindo e que foi criado no paraíso e blá blá blá. Essas tretas foram as culpadas de me fazer acreditar que tudo entre mim e a Gabriella iriam resultar, porque é tudo feito de algodão doce, coisas bonitas e "felizes para sempre", ou seja, fui altamente iludida por um bando de malfeitores que pensam que é tudo fácil, inclusive a coisa mais difícil do mundo, o amor. Por isso, tanta mentira resultou numa cadeia de sérios problemas de bem-estar e de dores de peito imaculadas que me dão vontade de vomitar ou de me atirar de uma ponte. Resumindo, a vida é bela.
Isto faz-me pensar que se eu fosse realmente uma pessoa normal, nestas circunstâncias, já estava a tentar de tudo para esquecer a Gabriella e, ainda melhor, já a tinha mandado ir se foder. Mas como eu, infelizmente, sou loucamente compulsivamente delinquentemente estupidamente apaixonada por ela, não consigo mandá-la ir se foder, muito menos esquecê-la. Por isso penso que a minha situação está melhor do que nunca, definitivamente.

Saí da janela e dirigi-me para a cozinha, começando a arrumar tudo do jantar. Liguei o meu IPod ás colunas e iniciei a tarefa. Limpar tudo o que foi utilizado por ela queimava-me na pele. Era insano. Acabei de arrumar tudo e fui direta para o banho. Tirei o vestido e a maquilhagem e entrei no duche. A água a escorrer-me pela pele dava-me sensações nunca antes experimentadas. Era como se fossem analgésicos que se embrenhavam no meu corpo e que o acalmavam e o anestesiavam, dando-me uma sensação boa e indolor. Saí do banho muito mais relaxada e fui direta para a cama, adormecendo rapidamente. Mas sempre com as memórias do jantar e com a Gabriella nos meus sonhos.

Acordei com um bem-estar razoável, apesar de que o Sol da manhã me tenha queimado maior parte das pestanas e dos olhos, porque levar com luz logo pela manhã é obra santa. Espreguicei-me, levantei-me e fui direta para a cozinha preparar alguma coisa para comer. Mas ao passar pelo corredor, o telefone toca.

"Estou?"

"Hey amiga, é o George!"

"Oi George! Tudo bem?"

"Tudo e contigo?"

"Mais ou menos, sabes.. Ontem aconteceu algo muito mau"

"O quê, amiga?"

"A Gabriella ontem veio cá jantar e estava a correr tudo bem quando ela me beijou e passado uns segundos deu-me um estalo.."

" Ai! Mas ela estava maluca ou what?"

"Se queres que te diga nem sei.."

"Ai aquela rapariga.. Olha mas o que interessa é que tu estejas bem e vais ver que vais resolver tudo com ela"

"Espero bem que sim, G"

"Vais ver que sim! Olha linda, agora vou ter que desligar, porque de caminho vou trabalhar e só liguei mesmo só para saber como tu estavas. Por isso vê se ficas bem e vais ver que se vai tudo resolver."

"Okay G! Vai lá então. Bom trabalho! E não te preocupes que eu fico bem! Kisses bae"

"Thank you gorgeous! Bye kiss! Depois marcámos alguma coisa!!"

"Yes of course! Kiss!"

Desliguei a chamada e fui, finalmente, comer algo. Comi os meus cereais favoritos de chocolate, saboreando-os até ficar satisfeita. Deixei a tigela em cima da mesa e fui direta para o estúdio. Comecei a desenhar longos traços irregulares, criando um espaço abstracto sem muito por onde pegar, até que começou a ganhar forma. Um corpo feminino nu começou a aparecer vagarosamente na tela, deixando-me entorpecida. As curvas daquele corpo desenhado eram tão bem conhecidas como a minha própria casa. Era um corpo bem delineado, com curvas bem assentes e com proporções rigorosamente impecáveis. Era um corpo feito pelo perfeito e pelo único, que juntos criavam aquela obra digna de paraíso. Eu sabia bem de quem era aquele corpo tão bem conjugado. Sabia e muito bem. Só não sabia se o conseguia representar tão bem como ele é na realidade. Porque garanto que era humanamente impossível fazer algo desse valor.
A pintura ganhou todas as formas que necessitava, criando algo de completa simplicidade e luxúria, exatamente como a nudez deve de ser representada. Mas aquela era uma nudez especial, era uma nudez única que nem o ser mais belo do mundo, nem mesmo em sonhos, o conseguiria possuir. Era mágico. E daquela pintura nasceu um corpo nu de uma mulher. Não de uma mulher qualquer.

Fiquei pasmada com o que consegui pintar. Foi de longe a minha melhor pintura. Pormenores, formas, linhas, curvas.. Tudo estava no seu devido lugar. Aquela pintura não só demonstrava o meu talento, como também a minha capacidade de representar o que eu mais amo com uma realidade fora do normal.
Guardei a tela num lugar aonde ninguém pudesse vê-la e fui tirar a tinta do meu corpo. Deixei-me levar pela água quente no meu corpo, até que a minha mente foi invadida por imagens daquele corpo. A minha intimidade já latejava, lembrando-me dos momentos que passei com aquele corpo e também pela falta que ele fazia. Devagar, levei os meus dedos delicadamente até ao meu centro deixando-me levar pelas sensações de prazer que aquilo me proporcionava. Comecei a mexer lentamente até que aumentei a velocidade dos movimentos. Os gemidos já soavam por toda a casa e os meus pensamentos alternavam pelo corpo e por o que eu fazia com aquela corpo. Os meus dedos já ágeis, entravam e saiam furiosamente da minha intimidade levando-me à loucura. Eu só ouvia os meus gemidos fortes e roucos, até que senti um liquido a escorrer pelas minhas pernas e um grito a escapar-me pelos lábios gritando a única palavra que o meu cérebro conseguia processar naquela momento: Gabriella.
Escorreguei pela parede sentando-me na banheira, enquanto o meu corpo era atacado por espasmos incontroláveis. Consegui finalmente recompor-me e voltei para o meu banho. Saí de lá ainda com as pernas bambas e fui direta ao quarto vestir algo. Vesti uma t-shirt larga e uns shorts e fui para a sala ver TV.

Na TV não passava nada de jeito. Eram só programas parvos que eu dispenso ver. Então decidi fechar os olhos e dormitar um pouco, até que a campainha toca.
Àquela hora não podia ser o George, muito menos outro vizinho qualquer. Então fui cuidadosamente abrir a porta, com uma curiosidade imensa para saber quem seria àquela hora. Abri com muito cuidado e dei de cara com a Gabriella. Ela estava linda, como sempre. Trazia um vestido branco até aos joelhos, uma sandália básica e os cabelos ruivos soltos em cachos.
Logo milhões de sensações invadiram-me, mas eu não me deixei levar por elas.

— Que fazes aqui? — perguntei asperamente

— Ariana, eu vim aqui.. Eu vim aqui só para te pedir desculpa pelo que fiz ontem.. Eu agi sem pensar e isso levou a que eu te desse um tapa sem razão, já que fui eu que tomei a iniciativa de beijar você, não é mesmo? Por isso me desculpa realmente por ontem.. — disse arrependida

— Gabriella, eu fiquei muito magoada com o que tu fizeste ontem. Era escusado teres feito aquilo, já que, como tu própria disseste, foste tu quem tomou a iniciativa de me beijar, não eu. Se fosse eu, até compreendia. Porque eu sei que ainda está tudo demasiado fresco e ainda nada foi resolvido entre nós e iríamos estar a tomar decisões muito precipitadas, o que não dava muito jeito, já que ainda temos que recompor definitivamente a nossa vida, juntas ou separadas. Entendes?

— Sim Ariana, entendo perfeitamente e acho que tens toda a razão.. Bom eu agora tenho que ir, porque tenho que ir com o James comprar um fato para o casamento da mãe dele.

— Da mãe dele? Porquê? Ela ainda não se tinha casado com o pai do James? — perguntei confusa

— Sim já, mas o pai de James morreu quando ele ainda era novinho e então a mamãe dele desde sempre foi viúva, até que encontrou este cara com quem vai casar daqui a duas semanas. E te garanto que este cara trata James como um filho.

— Pois deve tratar..

— Bom vou indo então Ariana.. Me desculpa mesmo pelo que fiz e espero que algum dia possa corrigir isto.

— Quem deve de corrigir maior parte da história sou eu Gabriella.

— Vamos esquecer isso por agora. Vamo acertar o que precisa de ser acertado e depois sim é que voltámos a esse ponto. — disse aproximando-se perigosamente de mim

— Err.. tens razão. O que estás a fazer, Gabriella? — ela estava já com as mãos na minha cintura e com a cara praticamente colada à minha.

— Esqueça o que eu disse.. Eu quero fazer isto agora e é bom que não rejeite, se não mudo já de ideias..

— O que..tu que.. queres Gabriella? — disse já com a respiração acelarada

— Quero que você me beije. Agora. — dizendo isto, atacou furiosamente os meus lábios, enquanto milhares de sentimentos avassaladores percorriam o meu corpo. Eu tinha sonhado com este dia desde que a deixei. E tê-la novamente nos meus braços, abriu-me novas esperanças para que tudo entre nós desse certo.
O beijo começou calmo, mas já as nossas línguas se entrelaçavam como se fossem feitas uma para a outra. O cheiro dela inebriou-me as narinas e a pouca sanidade que tinha varrera-se. Com a respiração já em falta, separá-mo-nos com pequenos beijos e colámos as nossas testas.

— Que saudades desse seu beijo.. — disse dando-me um selinho

— E eu do teu..

— Você será sempre você nunca se esqueça. Eu sei que vou voltar para você, mas para já tenho que arrumar com a minha vida.

— Eu sei disso, Gabriella.

Naquele momento eu olhei para a janela e vi a nossa estrela.

— Lembras-te da nossa estrela?

— Como não lembra? — disse abraçando-me

— Todas as noites a vejo e lembro-me logo de ti..

— Eu também.. Ariana?

— Sim?

— Tenho que ir — disse apertando mais o seu corpo contra o meu

— Vai então, mas volta.

— Eu prometo que volto — dizendo isto voltou a dar-me um beijo e um longo abraço e saiu da porta.

Sentia a Gabriella por todo o meu corpo. O cheiro dela invadiu o meu apartamento e os meus sentidos. O beijo dela ainda permanecia nos meus lábios. Eu precisava disto para sempre. Precisava dela todos os dias a meu lado. E era doloroso saber que ela estava com outra pessoa. Eu amava-a tanto que até a deixava ser feliz com outro.
Eu sei que não devíamos de nos ter beijado, mas era uma necessidade nossa. Eu já não aguentava e ela muito menos. As nossas vidas estão uma confusão desde que nos encontrámos outra vez.. Era absolutamente insano.
Foi uma pena ela ter se ido embora, porque eu queria mais daquele beijo. Daquele abraço. Eu queria mais dela. Muito mais.

Podem pensar que estamos bem e que a nossa história vai ser como todas aquelas que passado uma semana já estão juntas outra vez, mas não. Foi necessário fazer aquilo.. Nem eu nem a Gabriella aguentávamos a dor de não sentir uma a outra, nem que fosse só por um bocado. Nós funcionámos assim.
Mas não quer dizer que já esteja tudo bem, porque não está.
Ah e a estrela? Devem vocês de se estar a perguntar. Isso fica para o próximo.

Ela foi embora, quando me deparei com um papel em cima da mesa da entrada. Era um papel com um número e uma estrela desenhada e com uma mensagem a dizer:

"Esta é a nossa estrela. A nossa pequena estrela. E um número. O número é para você ligar hoje à noite, quando a nossa estrela estiver bem lá no alto do céu. Quero ouvir a sua voz enquanto olho para a única coisa que ainda me liga a você.

A sua e sempre sua, Gabriella"

Peguei no bilhete e fui sentar-me à beira da janela, com o telemóvel ao meu lado. Ela queria que eu ligasse, mas eu não sabia o que fazer.
Então deixei-me estar no meu pequeno dilema entre ligar para ela ou não, enquanto a nossa estrela brilhava lá no alto do céu.

Notas finais
Ufa que trabalheira este capítulo. Eu inspirei-me para escrever na música do Ed Sheeran "All of the Stars" e se quiserem podem acompanhar a última parte do capítulo com ela! https://www.youtube.com/watch?v=-dtf_nFTPLg E a estrela? O que será? Fica para o próximo.. Até lá! Beijos!