Ghosts
8 Stay Away, Pascal.
Pearl ainda me olhava assustada, segurei firmemente Fleur em meus braços e olhei curiosamente para um rosto desconhecido que perguntou novamente, mas dessa vez com expressão de raiva em seu jovem rosto:
— Quem são vocês? — Um homem ruivo, alto e com a aparência de ser somente um pouco mais velho que nós nos observava e agora uma expressão amedrontada surgiu em seu rosto.
— A pergunta mais importante é: Quem é você? — Ordenou Zach, dando um passo a frente e sua expressão facial não era uma das melhores.
— Mas foi você que chegou aqui, no nosso espaço. — Ao dizer isso, apareceram mais três pessoas atrás dele, duas mulheres e um garotinho.
— Não sei se você sabe, mas essa caverna era do meu avô, tenho direito de saber quem a invadiu. — Respondeu Zach.
— Como vamos saber que você é neto do meu tio Brochard? — Insistiu o homem ruivo que continuava a nos observar amedrontado.
— Eu me chamo Zach Brochard, e você é Aaron Brochard, irmão de Lisa, estava me perguntando quando você iria me reconhecer. — Disse Zach, e uma expressão confusa tomou conta do meu rosto e de todos os outros ali presentes.
— Não acredito que é você! Zachary, senti muitas saudades. — Uma menina ruiva e muito parecida com Aaron veio correndo e abraçou Zach, e o mesmo sorria e retribuía o abraço.
— Aquela ali é a Phoebe? — Perguntou Zach olhando por cima dos ombros de Lisa que ainda o abraçava fortemente.
— Sim, é ela, vem aqui, Phoebe. — Gritou Lisa sorrindo.
— Hã...Zach, não queremos interromper o seu momento família, mas estamos um pouco confusos aqui. — Murmurou Pearl, um pouco confusa, e ela não era a única.
— Me desculpe. — Falou Zach, se desvencilhando do abraço de Lisa e olhou para todos nós e começou a fazer as apresentações. — Joseph, Pearl, James, Charlie, Sophie, Emily, Louise e James esses são Lisa, Phoebe, Aaron e aquele garotinho ali, eu não o conheço.
— Aquele é o Bradley, o meu irmão mais novo, você não o conhece porque não nos vemos há muito tempo e foi nesse período que ele nasceu. — Informou Phoebe com um sorriso enorme.
— Então e por último Brad, você não se importa que eu o chame assim certo? — Pergunto Zach quando Bradley se aproximou, era um garoto com a altura de uns 10 anos de idade, tinha cabelos escuros claramente aparados e sorria ao ouvir o novo apelido.
— Já que estamos bem apresentados, eu queria muito saber o que aconteceu com essa garota que está no colo do seu amigo. — Perguntou Lisa, olhando assustada para Fleur.
— Eu posso contar tudo para vocês assim que entrarmos lá dentro. — Falei olhando seriamente para todos. — Esse vento aqui fora não faz bem para ela. — Completei.
— Eu concordo com o Joseph. — Disse Charlie se aproximando de Fleur.
— Então vamos entrar. — Falou Aaron, nos guiando para dentro da caverna.
Depois de passarmos pela entrada feita pelo subsolo, que eu passei com dificuldade mas ainda com Fleur nos braços, depois andamos por uma espécie de túnel e era realmente escuro lá dentro, andamos muito até chegarmos há uma pequena porta de madeira muito gasta, Aaron a abriu e não era nada parecido com o que eu imaginei, eu esperava me ver cercado por um monte de paredes de pedra e um solo precário, mas o que eu vi não era nada comparado a isso, me vi cercado de paredes brancas e por incrível que pareça, provavelmente construídas próximas as verdadeiras paredes rochosas, o chão não tinha piso mas era plano e limpo, era um ambiente totalmente iluminado, e tudo que você conseguia ver eram camas, e nada mais e tinha um corredor, mas eu não sabia o que podia me esperar ali.
— Seu bisavô construiu tudo isso, Zach? — Perguntou Sophie se aproximando e lançando um sorriso leve para ele.
— Sim, meu avô costumava nos dizer que ele tinha construído isso porque o mundo iria acabar e todos devíamos vir aqui e morrer juntos. — Explicou Zach.
— Sério que ele dizia isso? — Perguntou Sophie se aproximando ainda mais de Zach, devo admitir aquilo estava começando a ficar estranho, mas eu apenas ignorei isso e ele respondeu:
— Sim, ele disse isso, ele não fazia muito o tipo otimista. — Zach nos olhou rindo.
— Chega de enrolação, você tem que nos contar o que aconteceu antes de vocês chegarem aqui. — Falou Aaron nos convidando a se sentar nas camas ao redor.
Me senti e dentei Fleur em uma das camas que ficavam no fundo daquele grande quarto, e ela ainda dormia profundamente apesar de tudo, quando voltei para a presença de Zach e dos outros, Aaron me olhou, um pouco questionador e eu comecei a contar tudo que havia acontecido com a gente desde o terremoto até a morte de Nolan, todos me observavam atentamente, até mesmo aqueles que haviam presenciado os acontecimentos e quando eu terminei, Aaron disse:
— Nossa história é bem mais simples, nossa cidade não chegou a ser atingida com tanta rapidez igual a sua, mas assim que soubemos o que tinha acontecido em Genebra viemos para cá, meu tio havia me dito que se eu sentisse que estava passando por uma situação que pedisse medidas desesperadas eu devia vir pra cá, e assim o fiz.
— Aqui não foi atingido de nenhuma maneira? Como terremotos e essas coisas? E nenhum do grupo de Joanne vieram procurar vocês? — Perguntou Louise, extremamente surpresa.
— Ninguém apareceu. — Respondeu Lisa, olhando para Fleur que ainda dormia ternamente.
— Acho que não temos sorte mesmo, já que fomos marcados para morrer. — Desabafou Charlie colocando as mãos no rosto e ficando em silêncio, e se você me perguntar "Ele está chorando?", eu te responderia um belo "Não.", Charlie Arnoux não era do tipo que chorava facilmente.
— Vocês podem começar a se ajeitar, temos um banheiro logo ali, James e Zach, vamos ter que esconder o carro de vocês, pode denunciar aonde estamos. — Disse Aaron se levantando e conduzindo James e Zach para fora do novo esconderijo.
Todos se separaram e corri para perto de Fleur novamente e ela não dormia com tanta leveza como antes, então ela abriu os olhos e olhava diretamente para o braço ferido que estava imobilizado e então falou baixinho:
— Joe, ainda dói muito, sabe...
— Eu sei que está doendo, por favor não tente se levantar, você ainda está muito sensível, Fleur. — Ela tentava insistentemente se levantar mas rapidamente a repreendi.
— Onde estamos? — Ela estava assustada, olhava ao redor com aflição e muito medo e começava a suar.
— No novo esconderijo, Zach nos trouxe pra cá, você não quer que eu chame o Charlie, tem certeza que consegui aguentar essa dor sem nenhum remédio? — Preocupação. Era tudo o que eu sentia naquele momento.
— Eu posso aguentar, Joe, mas só se você prometer que vai ficar do meu lado. — Um sorriso surgiu no meu rosto cansado e aflito, era tudo o que eu precisava ouvir.
Me deitei ao lado dela e a abracei, confortando-a num abraço realmente necessário, e assim ficamos durante certo tempo, e eu acabei dormindo ao lado daquela que eu amava.
— Joseph? Joseph? Acorda! — Alguém me cutucava insistentemente e parecia estar tentando falar o mais baixo possível, todos estavam dormindo, inclusive Fleur.
Eu ainda estava um pouco perturbado, havia tido um pesadelo horrível com a minha mãe e meu pai, as imagens do dia que ele tinha morrido não saiam da minha mente, principalmente nos últimos dias e aquilo estava me matando por dentro.
Louise me observava confusa e eu falei com uma voz sonolenta:
— O que você quer, Louise? É melhor ser rápido.
— Vem comigo, precisamos conversar. — Ela me puxava com muita força da cama onde eu estava deitado com Fleur, porém eu cedi, seguindo-a até um corredor com pouca iluminação, dessa vez, fui eu que fiquei confuso e não era sem motivos, porque assim que chegamos no corredor, Louise pressionou seus lábios contra os meus, com uma força desconhecida.
— Louise, você quer conversar ou o quê? — Falei ofegante, empurrando ela para a parede mais próxima.
— Você sabe muito bem o que eu quero, Joe. — Posso jurar que ela imitou o tom de voz de Fleur ao me chamar de Joe, porém ignorei. — Não tem como fugir mais. — Completou ela, se aproximando novamente e acariciando levemente meu rosto.
— Louise, você não percebe?!? Eu não tenho tempo algum para os seus jogos, não mais! Estamos sendo perseguidos por criaturas que nem eu sei distinguir e você fica se jogando em cima de mim! Eu simplesmente cansei, eu não te quero hoje e não vou querer nunca, será que você consegue entender isso de uma vez por isso? — Disse tentando não soar agressivo demais, mas foi em vão.
Ela me observou assustada e se afastou de mim rapidamente, mas eu ainda sentia o calor de sua mão preencher o lado esquerdo do meu rosto, eu estava furioso, não aguentava mais tudo aquilo.
— Joe...
— Não se atreva a me chamar de Joe! — Gritei. — A partir de hoje, eu não quero ter nenhum contato com você, iremos continuar juntos aqui, mas não chegue perto de mim ou de Fleur, você perdeu tudo comigo, Louise. — Observei ela rapidamente e vi lágrimas brotarem em seu rosto inexpressivo. — Dê valor a si mesma pelo menos uma vez na vida. — Completei.
— O que está acontecendo aqui? — Perguntou uma voz muito conhecida, era James, que vinha andando lentamente, ao ver o estado de Louise, ele a abraçou e falou mas sua boca não emitiu nenhum som "O que você fez?"
— Vocês se merecem, me deixa em paz por hoje, James, e leva ela junto com você. — Murmurei nervoso.
— Então quem vai ir? Precisamos de três pessoas para ir buscar comida na cidade mais próxima. — Falava Aaron.
— Eu posso ir, agora só falta duas pessoas. — Zach se ofereceu.
— Eu quero ir também. — Disse Emily erguendo a mão, como se estivesse esperando a primeira oportunidade para sair daquele buraco.
— Então nós três iremos buscar comida. — Falou James, um pouco sonolento.
— Está certo, mas tomem muito cuidado, não queremos perder nenhum de vocês. — Sophie acariciava o rosto de Zach, e o mesmo sorria para ela serenamente, confesso que devo perguntar, o que eu perdi por aqui?
Os três foram se trocar e voltaram com roupas aceitáveis, não queriam chamar atenção para algum habitante (se ainda houvesse um) da cidade vizinha.
Foi um dia comum nos meus conceitos de "Estamos tentando não morrer, muito obrigada." ou "Estamos marcados para morrer, fim do mundo ainda mais próximo, mas estamos vivos e muito bem, obrigada."
E para minha má sorte, não tínhamos nenhum sinal de Chloe nos últimos dias, aquilo começava a me preocupar, ela poderia estar morta e nunca iríamos saber, estava ficando cada vez mais difícil sobreviver daquela maneira.
Louise passou perto de mim, uma ou duas vezes naquele dia e não me dirigiu a palavra e pela primeira vez desde a morte de Nolan, eu me sentia um pouco feliz, eu tinha conseguido.
Anoiteceu e nenhum sinal de James, Zach e Emily, o único vestígio de felicidade que outrora eu havia sentido, bem ele sumiu, foram horas e horas esperando e nada, até que a porta velha e gasta nos surpreendeu com os rostos tristes de Zach e James, os mesmos carregavam sacolas grandes e provavelmente pesadas, então todos pareceram notar que estava faltando alguém, então Fleur perguntou inocentemente:
— Onde está a Emily?
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