Ghosts
9 Every Night
Notas iniciais
O quê? Não podíamos ter perdido mais alguém, não, aquilo não estava acontecendo, aquela era a terceira vez e desta vez, Emily se foi. Tudo parecia mais frio e sem sentido, nosso grupo se tornava cada vez menor e não tinha nada que podíamos fazer para mudar isso, a dor se tornava maior a cada dia naquela caverna que era nosso esconderijo, mas também era a nossa prisão e estávamos pagando por algo que não tínhamos cometido, é um destino baseado em mentiras, não vamos sobreviver, iremos ruir igual a todos lá fora, tudo que temos feito é em vão.
Todo dia parecia uma tortura maior, ouvir o choro de Fleur toda noite estava se tornando horrível, porque aquilo me fazia mais infeliz, o brilho em seu olhar estava se tornando cada vez mais fraco, ela estava sofrendo muito e eu sentia que ela estava a cada dia mais distante. Basicamente havia passado três dias desde que Emily tinha sumido, Chloe não dava notícias e isso fazia todos ficarem sem esperanças.
Nesses três dias, uma chuva insistente se abateu sobre aquela região, não podíamos sair ou ir buscar comida, tudo estava um desastre e o grande oceano parecia estar zangado — não que eu acredite que oceano algum tenha emoções, isso seria loucura — e se alastrava do outro lado da pista, extremamente perto das montanhas, aquilo estava se tornando perigoso.
Mas pelo menos alguma coisa boa estava acontecendo, Louise tinha levado realmente a sério aquela história de não falar comigo, ela não mantinha contato visual e parava de falar toda vez que eu chegava perto ou algo parecido, ela e James pareciam estar mais próximos do que nunca, eles formavam aquele tipo de casal meloso e romântico e para ser sincero: Eu nunca pensei que ela fosse capaz disso, eu acho que agora eles são um casal de verdade e eu também queria isso.
— Sophie, eu já disse um milhão de vezes que não podemos sair lá fora. — Repetia Zach pela milésima vez naquele mesmo dia, Sophie sabia ser muito irritante quando queria, mas Zach parecia não se importar.
— Joe, eu quero me deitar um pouco, não estou me sentindo muito bem. — Fleur sempre reclamava de dores no braço depois do tiro e aquilo não cicatrizava, mas Charlie dizia que era normal e eu devia procurar ficar calmo com aquela situação.
Eu e Fleur fomos até o quarto cheio de camas e colchões espalhados por todos os cantos, ela se deitou e observou tudo ao redor, seu olhar parecia cansado e angustiado como todos os outros dias.
Um mês depois...
— Joseph, você já veio aqui um milhão de vezes, pra que lado eu tenho que ir? — Perguntou Zach, o engraçado é que ele também tinha estado ali um milhão de vezes.
— Você sabe qual direção tomar, Zachary. — Respondeu Charlie, sem paciência.
— Não sabia que seu nome era Joseph, Arnoux. — Disse Zach com um falso tom de reprovação e seriedade.
— Andem logo, temos que voltar antes do anoitecer. — E não estava aguentando ficar um segundo a mais longe da frágil Fleur Le Roux, eu precisava chegar logo e ver se estava tudo bem.
Foi uma viagem totalmente normal com Charlie e Zach discutindo e sinceramente, pareciam mais um casal do que dois amigos. Zach começou a nos falar sobre um possível relacionamento com
Sophie e Charlie insistia que relacionamentos eram perca de tempo, foi quanto chegamos em um lugar abandonado devia ser um pequeno mercado, a não ser pela grande fenda formada na parede frontal que chegava até o telhado.
O mundo parecia estar desistindo de lutar, tudo estava se acabando facilmente e nada podia mudar isso, o nosso fim estava próximo.
— Você acha que pegamos todo o necessário? — Perguntou Zach.
— Acho que sim, agora vamos logo porque está ficando tarde, temos que voltar antes do anoitecer. — Respondi colocando as sacolas dentro do carro.
— A Fleur não vai sair do lugar, Vigouroux. — Gargalhou Charlie.
— Eu não acho que ela esteja bem, Charlie. — Falei demonstrando preocupação.
— Quando chegarmos lá, vou ver se ela está melhor, está bem? — Charlie perguntou percebendo minha preocupação, decidi não responder, apenas concordei com a decisão do mesmo.
Entramos no carro e após duas horas consegui avistar as montanhas que escondiam exatamente o que eu estava aguardando, a caverna e Fleur.
E foi naquele momento que algo inesperado aconteceu, tinha duas pessoas paradas no meio da estrada o que fez Zach parar bruscamente, os dois indivíduos se aproximaram e não podia ser possível, era inacreditável, totalmente impossível, aqueles seres imundos podiam ressuscitar? Qual era a resposta para isso agora?
— Garoto, cadê a sua amiga com uma incrível habilidade com armas? — Perguntou Ray, sim ele estava ali, acredite estou tão surpreso quanto você.
Todos permaneceram em silêncio e de bocas abertas, realmente isso não era real, eu o vi morrer, não tinha nenhuma lógica. Demorou então percebi que outra pessoa estava ao lado de Ray, uma mulher com cabelos dourados, alta e com um expressão totalmente séria, impulsivamente falei:
— J-Joanne-e?
— Não seja tolo, essa não é a Joanne, olhe bem para ela, você não a reconhece? — Questionou Ray irônico.
Não, eu não a conhecia.
— Dê uma boa olhada, nem tudo que você vê é verdade, você deve se concentrar! — Ordenou Ray.
Todos observaram a mulher de cabelos dourados, como você pode reconhecer alguém que nunca viu na vida?
— Chloe? — Arriscou Charlie, então Ray lançou um grande sorriso amarelo para ele e puxou algo parecido como uma pele fina do topo da cabeça da desconhecida, os cabelos dourados sumiram dando lugar para cabelos ruivos maltratados, uma pele suja e em grande parte, cortada, não hesitei por um momento e desci rapidamente do carro, Ray agarrou Chloe pelos cabelos e puxou uma arma que estava escondida em sua cintura e apontou diretamente para a cabeça de Chloe, a mesma de vestia com trapos, estava mais magra, aquele olhar feliz que muitas vezes inundou os grandes olhos cor de mel, agora não passava de um olhar vazio, sem emoções, apenas muita dor.
— Não mate ela, por favor! — Gritou Zach, saindo do carro junto com Charlie.
— Não tentem bancar os heróis, já sei que vocês não são bons nisso, o grupo de vocês fica cada vez menor, primeiro conseguimos raptar essa aqui, então matamos um tal de Nolan, e conseguimos raptar uma tal de Emily, mas creio que ela é mais fácil de se lidar do que essa aqui. — E ele sorriu novamente.
— Seja lá o que for, não façam nada que ele pedir...— Ray puxou mais os cabelos da ruiva a fazendo gritar de dor.
— Silêncio! Hoje eu não vou pedir nada de vocês, só é um aviso, iremos atacar em breve e estejam prontos, não teremos pena de ninguém. — E assim os dois sumiram, eu ainda conseguia ouvir o grito da Chloe, aquilo era aterrorizante.
— O que fazemos agora? — Perguntou Zach, olhando ao redor.
— Entramos no carro e vamos embora, os outros precisam saber disso. — Disse Charlie voltando para o carro.
— Então vocês viram mesmo a Chloe? — Fleur perguntava aquilo toda hora, a notícia parecia fazer ela transbordar de felicidade por saber que a amiga estava viva.
— Nenhum sinal da Emily? — Perguntou Louise e a mesma parecia muito triste, afinal Emily era uma de suas amigas.
— Não fique triste, Louise, iremos encontrar ela. — Falou Sophie sempre com aquele tom otimista que todos já conheciam.
— Fleur podemos ir ali no quarto? — Perguntei e a mesma se levantou rapidamente e correu para o quarto.
Andei devagar e chamei Charlie, ao chegarmos no quarto, Fleur estava sentada e extremamente sorridente, ao avistar Charlie sua expressão mudou, mas continuou feliz.
— Charlie, examine o braço dela, não acho que esteja tudo bem.
Me aproximei dela enquanto Charlie tirava o curativo de seu braço esquerdo, Fleur estava confusa e o sorriso sumiu de seus lábios rosados.
— Joe, eu me sinto muito bem, sabia? Não há necessidade disso.
— Eu ouço você chorando de dor todas as noites, Fleur, como pode estar tudo bem?
— Eu não choro todas as noites.
— Chora sim e foi por isso que eu pedi pro Charlie dar uma olhada no seu braço.
— Está tudo ótimo, eu aposto.
— Desculpe interromper, mas eu não acho que esteja tudo bem. — Falou Charlie preocupado, olhando curiosamente para a ferida que se resumia a alguns pontos, estava tudo fechado, porém algo não devia estar normal, porque logo depois Charlie completou: — Eu não sei explicar, mas vocês estão vendo essas veias que ficarão roxas e grossas ao redor da ferida? Não era pra estar assim, afinal já está praticamente tudo cicatrizado.
Grandes veias roxas que pelo tamanho pareciam grandes artérias, o braço estava um pouco inchado, mas aquilo não era normal, não devia ser.
— Minhas veias estouraram? O que está acontecendo? — Perguntou Fleur assustada.
— Suas veias não estouraram, ainda há sangue circulando dentro delas, eu não sei o que está acontecendo. — Disse Charlie com sinceridade.
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