Ghosts
10 What If
Notas iniciais
Havia passado algumas horas desde que Charlie tinha notado a grande anomalia no ferimento já cicatrizado do braço de Fleur, ela não parou de chorar desde então, aquilo me machucava por dentro, ela não imaginava que ela era tudo o que havia me restado e vê-la sofrer, bem, aquilo era injusto, ninguém devia se sentir assim.
— Joe? — Sussurrou Fleur com um tom de voz deprimente.
— O que foi? — Tentei esconder a preocupação da minha voz.
Estava tudo escuro, todos estavam dormindo na grande sala ao lado, Aaron tinha cedido o único quarto da casa, tecnicamente, era o único quarto e tinha uma cama de verdade por assim dizer, Fleur se revirou na cama e eu senti que ela estava olhando pra mim.
— Você realmente gosta de mim, Joe? — O tom de medo na voz dela foi facilmente percebido.
— Eu não gosto de você, Fleur. Eu te amo. — A minha resposta tinha saído mais confiante do que o necessário e eu acho que isso era mais que o suficiente.
What if I let go, and what if you win, would you tie my heart up? Is that what you intend? (E se eu soltar, e se você ganhar, você amarraria meu coração? É isso que você pretende?)
— Você sabe que eu tenho o direito de duvidar, mas depois de tudo o que passamos, eu posso te dar um voto de confiança. — Pela primeira vez em semanas, eu senti que ela estava feliz e isso era tudo o que bastava.
And if I say yes, can you keep up? Will you let me dance to the beat of my own drum? (E se eu disser que sim, você pode me acompanhar? Você vai me deixar dançar no ritmo do meu próprio tambor?)
— Se eu conquistei o seu voto de confiança novamente, bem, isso é tudo o que importa. — A abracei levemente para não causar danos ao seu braço, e ela o retribuiu.
What if I fall? What if I fall, will you fall too? (E se eu cair? E se eu cair, você caíra também?)
Era difícil imaginar que apesar de tudo que estávamos passando durante as últimas semanas, alguma coisa boa poderia brotar, meu amor por Fleur, era um dos sentimentos mais puros que eu já havia sentido em toda a minha vida, depois que tudo isso acabasse, eu queria viver os restos dos meus dias com ela, sentar na varanda da nossa casa, ou em qualquer outro lugar que eu pudesse ver o pôr do sol ao seu lado.
What if i stay? What if i stay, will you stay too? What if we run and don't look back, would we find something, something we never had? (E se eu ficar? E se eu ficar, você ficará também? E se nós corrermos e não olharmos para trás, poderíamos encontrar algo, algo que nunca tivemos?)
— Joe, acho que não vamos sobreviver à tudo isso que está acontecendo. — Sussurrou ela.
— Eu acredito que se ainda estamos vivos, é por algum propósito, e no dia que esse propósito estiver concluído, poderemos ir em paz para o caminho que estamos destinados. — Respondi, abraçando-a cada vez mais forte.
— Se o destino estiver mais próximo do que pensamos, eu não quero desperdiçar nenhum momento. — Disse ela, beijando os meus lábios suavemente.
What if it hurts, along the way, would you swallow it? And all of my mistakes? (E se te machucar ao longo do caminho, você poderia aceitar isso? E todos os meus erros?)
Há muito tempo, eu não sentia aquilo, a sensação de realmente ser amado e retribuir aquele sentimento verdadeiramente. Seus lábios eram como calmantes para a minha alma mais do que atormentada, e quando nos tocávamos, ah, palavras não podiam descrever tamanha êxtase, diversos eram os pensamentos que apareciam na minha mente, tudo era novo, porém nada era desconhecido, parece que a vida tinha a suas maneiras de fazer as coisas se encaixarem perfeitamente.
— Joe... — Sussurrou ela entre os nossos lábios ofegantes implorando por mais contato.
— Lembra que você disse que não queria desperdiçar nenhum momento? Então, essa seria uma ótima hora para não falarmos absolutamente nada. — Não dei atenção para o que ela tentou dizer, apenas continuei beijando-a.
What if I fall? What if I fall, will you fall too? What if i stay? What if i stay, will you stay too? What if I can't promise, I won't try to run away, will you keep your promise? And love me just the same?(E se eu cair? E se eu cair, você caíra também? E se eu ficar? E se eu ficar, você ficará também? E se eu não puder prometer, eu não tentarei fugir, você irá cumprir a sua promessa? E me amar do mesmo jeito?)
Tudo parecia perfeito, apesar de tudo que estava acontecendo, quero dizer, as partes ruins como o desaparecimento de Emily, o sequestro de Chloe, a morte de Nolan, quando eu estava com Fleur, por um momento eu esquecia tudo isso.
— Joseph! Você precisa vir aqui, agora! — Gritava Sophie, insistentemente, aproximando-se do quarto. — Ah, desculpa interromper, mas mesmo assim, você precisa ver isso. — Disse ela, porém dessa vez, um pouco envergonhada.
Fiquei um pouco confuso, porém fiz o que Sophie insistiu, segui ela e ao chegar na grande sala cheia de colchões, todos estavam assustados e aflitos, havia uma roda formada em torno de algo, um forte brilho era visível, e foi quando uma voz, uma voz conhecida, perguntou:
— Alguém pode me dizer onde está o Nolan?
— Chloe, é você? — Questionou Fleur, tentando correr para mais perto da roda.
— Fleur, onde está o Nolan? — Definitivamente era Chloe, quando todos saíram de perto, consegui ver uma imagem distorcida de Chloe, mas sua voz era alta e clara, e de certa forma, um pouco assustada. — Joseph, eu sei que está aqui, por favor, me diga onde está o Nolan!
Eu estava sem palavras, como falar para alguém que a pessoa que ela ama morreu? Lágrimas, apenas lágrimas, Chloe tinha perdido seu grande amor, e todos nós tínhamos perdido um amigo.
— Por que estão todos em silêncio? Chamem o Nolan! Eu não posso ficar o tempo todo aqui, posso ser pega! — Insistiu ela.
— Chloe... Não podemos chamar o Nolan. — Falou Charlie, se aproximando da imagem distorcida que tanto brilhava.
— Não podem? Por que? O que você não está me contando, Charlie? — Sua voz soava assustada agora, ninguém estava preparado para aquilo, principalmente ela.
— É que...— Charlie tentou falar, mas rapidamente o interrompi.
— Nolan não está aqui, Chloe. Eu sinto muito. — Minha voz não saiu tão confortante quanto ela precisava.
— Eu estava vindo aqui dar o meu adeus a ele, mas parece que cheguei tarde demais. — O desespero em sua voz era evidente, foi então que o brilho se apagou e a imagem sumiu, e ficamos ali, encarando o meio da sala.
Por que ela iria querer dizer "Adeus."? Não fazia sentido, se ela não havia morrido até agora, aquelas criaturas horrendas deviam a considerar importante, por que matá-la agora?
— Acho que não devíamos ter falado nada a ela. — Murmurou James que envolvia Louise em seus braços, e a mesma não parecia nada preocupada com o que tinha acabado de presenciar.
— Ele já morreu, e é inevitável que ela tenha o mesmo destino. — Ás vezes, eu me perguntava, como Louise conseguia ser tão fria e se importar somente com ela mesma?
— E é inevitável que você tenha que calar a boca, ninguém quer ouvir suas palavras mesquinhas. — Afinal, eu só disse o que todos queriam falar.
Todos olharam confusos, Louise levantou-se e saiu da sala rapidamente, James seguiu-a e ao passar por mim, lançou um olhar de reprovação e desprezo.
— Joe, você está bem? — A voz doce de Fleur, fez com que todos os pensamentos ruins relacionados a Louise simplesmente sumissem da minha mente.
— Sim, eu só preciso me acalmar para discutirmos o que acabou de acontecer aqui. — Sussurrei olhando para ela.
— A pergunta que não quer calar é: Como ela consegue manter contato conosco? — Perguntou Charlie, mais para si mesmo do que para algum de nós.
— É uma dúvida válida. — Disse Aaron, pensativo.
— É a segunda vez que ela consegue falar conosco desta maneira. — Falou Zach sentado ao lado de Sophie.
— Vamos torcer para que ela fique bem. — Falou Pearl.
Todos ficaram em silêncio, e foi quando um barulho perturbador foi ouvido do lado de fora, todos tamparam os ouvidos com as mãos, desesperados, mas era apenas um trovão.
— Aquela tempestade que estávamos apreensivos, bem, começou. — Disse Charlie prestando atenção em cada som, devíamos estar preparados para qualquer coisa, a partir de agora, estávamos prontos para tudo, ou achávamos que sim.
Fale com o autor