Ghost Of You
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Estavam todos naquele extenso terreno de grama com o verde vívido, as lápides postas uma do lado da outra. As pessoas de preto sentadas de frente a um pequeno palco, a bandeira dos Estados Unidos ao lado, o túmulo do outro. Algumas pessoas chorando, e eu estava lá, no palco, com a mãe da minha melhor amiga, agora falecida, sem forças para ficar em pé. Eu precisava falar algo, mas era impossível. O que eu falaria? Que fomos amigas durante séculos, que brigávamos toda semana, mas não era necessário um “desculpa” de nenhuma das duas para voltarmos a se falar? O que eu seria capaz de falar? Que durante anos, eu era apaixonada por uma menina?
Os olhos tristes das pessoas sentadas a minha frente estavam esperando minha fala. Eu não havia chorado até agora, e eu sabia que se eu abrisse minha boca, seria para sair um berreiro. Respirei fundo, e com dificuldade, falei as únicas coisas que eu poderia dizer:
“Eu sentirei sua falta.”
Foi o bastante para que meus olhos enchessem de lágrimas e eu saísse correndo pelo cemitério. Eu corria, corria, sentia a água escorrendo pelas minhas bochechas, o vento congelante no meu rosto. Sentia alguns arrepios de frio, mas não voltaria ao lugar onde minha melhor amiga, deitada em um caixão, sem ser capaz de respirar, o seu coração sem estar batendo, estava. E enquanto eu estava correndo, vi sua imagem borrada. Imediatamente, parei. Como?, pensei.
Decidi apenas ficar sentada, repousando minhas costas e minha cabeça no tronco de alguma árvore. Demi Lovato. O que eu seria sem ela ao meu lado? Era impossível de imaginar eu seguir minha vida sem ela. Sem seu sorriso iluminado, sem seu cabelo bagunçado, sem seu mau-humor de manhã, sem ouvir seus rocks no volume mais alto enquanto estudávamos. Não sabia desde quando eu comecei com esse sentimento a mais do que apenas amizade, mas só se fortaleceu. As conversas bobas, o charme, o corpo perfeito. Ela era perfeita para mim.
Era.
Eu olhava para o horizonte, sem ponto fixo. Não conseguia me concentrar nos meus pensamentos, que pareciam correr loucamente em minha mente, não era possível se concentrar em apenas um. E todos porque a mulher da minha vida estava morta.
Foi tudo tão de repente. Uma hora ela estava toda sorridente, no outro os pulsos cortados. Eu era a única que a acalmava desses surtos, mas nesse dia, eu não estava com ela. E bem naquele dia, foi um dos piores surtos. Se eu apenas estivesse lá, isso não estaria acontecendo.
“Olá”, disse uma voz ao meu lado.
No momento em que virei meu rosto, eu não conseguia sentir nada do meu pescoço para baixo, porque lá estava ela, com o mesmo cabelo preto, bagunçado com o vento do dia, a maquiagem preta. A única diferença é que estava usando branco. Ela nunca usava branco.
“Não fique assim”, disse Demi, os olhos reconfortantes. Deveria ter percebido meus olhos inchados e assustados.
“Como não ficar?”, falei depois de um suspiro para controlar as lágrimas que estavam prestes a cair novamente. “Você foi embora”
“Não, eu não fui. Eu estou aqui, não estou?”, ela sorriu, mas eu não sorri de volta, o que a fez ficar séria.
“Você é apenas um fantasma. Fruto da minha imaginação”, eu estava frustrada, e quando eu disse isso, seu olhar ficou mais triste.
“Eu não queria”, disse, “Eu realmente não queria. Mas foi... Um impulso”. Eu sabia disso, mas não poderia aceitar. “Selenalenalena”, deu um sorriso forçado, e hesitante, pegou uma mecha do meu cabelo que estava no meu rosto e o colocou atrás da minha orelha.
“C-como?”, eu estava gaguejando, petrificada pelo movimento da fantasma. “Isso é possível?”
“Apenas se nós duas quisermos.” Respirei fundo, e pela primeira vez em dias, sorri para ela. “Não deixe que o mundo não veja seu sorriso por minha causa. Ele é lindo”.
E não falamos mais nada por alguns minutos. Eu apreciava não só ela, mas o sobrenatural que estava acontecendo no momento. Eu podia tocá-la; não só podia como fiz. Deitei minha cabeça em seu ombro, e a outra logo começou a acariciar meu cabelo. Claro que ela não estava exatamente igual à de quando era viva. Havia algum tipo de aura em sua volta, a pele mais pálida do que já era, mas isso só a deixava mais perfeita. Fechei meus olhos para apreciar aquele momento que eu sabia que não seria possível novamente.
“Eu te amo”, sussurrou, quebrando o silêncio.
“Eu te amo”, repeti, sabendo que não seria realmente preciso, pois ela já sabia (não o “eu te amo” de mais do que amizade. Ela sabia do de apenas amizade), mas falei.
“Me desculpe por isso”, agora suas mãos acariciavam as minhas, em um movimento leve e carinhoso.
“Shh, não vamos falar sobre isso”, falei, tirando minha cabeça do seu pescoço e a olhando diretamente nos olhos.
“Concordo. Sobre o que vamos falar?”
Eu não podia falar. Ela estava morta, do que adiantaria mesmo? Mas aquela seria minha última chance.
“Demi, eu...” minha voz travou, não sabia por onde começar. “Eu te amo”.
A fantasma sorriu, “Eu sei, eu também”.
“Não, Demi. Eu te amo. Mais do que amizade, eu te amo como minha garota”, as lágrimas contidas dentro de mim, é claro. Não iria soltá-las tão cedo, agora que o que estava preso em minha garganta por tanto tempo havia saído. Demi não respondeu nada, por isso apenas continuei. “Isso é errado. Assim, você é minha melhor amiga!”, eu fazia gestos com minhas mãos. Eu fazia isso quando eu estava nervosa, e ela sabia disso, por isso segurou-as, e balançou a cabeça para que eu continuasse.
“Do nada comecei a ver você diferente. Não só como uma ótima amiga, não só como uma menina bonita. Eu comecei a te amar mais. Comecei a ver que só você me fazia bem quando o mundo estava contra mim. Comecei a ver que eu só estava atraída a você. Comecei a ver que eu só era eu com você.”
Silêncio. Eu não sabia se continuava, para quebrar o silêncio, mas Demi quieta estava me incomodando como nunca. “Fale algo”, eu disse, “Por favor”.
Mas ela não disse nada, apenas me abraçou. A pele fria e morta em contato com a minha não foi nem um pouco desconfortável, eu poderia ficar naquele abraço por anos.
Ela separou-se daquele abraço, as mãos em meus ombros, e falou “Que bom que dividimos o mesmo sentimento”, e sorriu.
Os próximos segundos foram tão rápidos que não consegui calcular direito. Seus lábios juntaram-se gentilmente com os meus, a palma das minhas mãos imediatamente em sua delicada face gelada.
Ela também foi quem separou o beijo. “Isso... Foi bom”. Não demorei muito para voltar para um beijo mais profundo, pulando em seu pescoço, fazendo com que caíssemos na grama, ainda com as bocas juntas. Eu podia sentir cada célula minha feliz por aquele momento. Mas então lembrei com quem eu estava beijando. Me afastei com os olhos molhados, levantando-me de pé.
“Sel...” falou, a voz hesitante.
“Por que você apareceu aqui?” Eu disse, sentindo algumas lágrimas caírem dos meus olhos. “Seria melhor ter ido embora de vez. Em vez de fazer duas burradas de vez, fazia apenas uma!”. Ela entendeu como eu estava me sentindo, e de algum modo, ela começou a chorar comigo.
“Eu queria me despedir da minha melhor amiga!” Ela estava em pé agora, passando uma mão em seu cabelo, mostrando nervosismo. “Eu não queria isso também, ok? Mas aconteceu! Aceite isso!”
“Desculpa, mas eu acho que não dá para aceitar esse seu problema de gente louca”. Eu sabia que estava descontrolada e o que eu havia dito havia atingido ela fortemente, mas eu já estava dito. Não poderia colocar as palavras de volta da minha boca.
“É melhor eu ir embora de uma vez. Não é isso que você quer?”
“Demi... Me desculpa, não era isso que eu quer...”
“Era EXATAMENTE o que você queria me dizer! Adeus, Selena”. Ela estava virando as costas.
Estou respirando, soltando o ar rapidamente. Não poderia perdê-la novamente. Não era disso que se tratava? Viver de uma vida de aventuras? Eu tentava falar, mas nada saía. Ela estava indo embora, mas não desaparecia de vista, a aura muito visível.
“Por favor, fique”. Sussurrei, mesmo sabendo que ela não poderia ouvir.
Mas ouviu.
Sua pessoa logo apareceu na minha frente novamente, seus olhos tão vermelhos quanto os meus provavelmente estavam.
“Eu sempre estarei aqui, lembre-se disso. Sempre estarei te assistindo. Mas siga a sua vida. Sou apenas um fantasma agora.” Ela pegou minhas mãos, as dela ainda mais geladas. “Eu nunca te esquecerei. Quando você mais precisar, estarei aqui. Mas, por favor, siga a sua vida.”
A enrolei em meus braços novamente, encostando minha cabeça em seu ombro, chorando novamente. “Promete?”.
Demi levantou minha cabeça, depositando um beijo em minha testa. “Prometo”.
E sua imagem desapareceu.
Notas finais
Eu nas short-fics as always.
Estou trabalhando em uma fic Semi e Faberry, a Semi é mais complexa, pois não vai se passar nos tempos atuais, então....
Reviews?
Fale com o autor