Ghost Of You

2 Capítulo 2 (Epílogo)


Notas iniciais
Sei que demorei! Desculpaaa! Espero que a espera valha a pena :)

Já estava em meu terceiro ano de Direito, cinco anos haviam se passado desde a morte da minha melhor amiga. De lá para cá entrei em um relacionamento sério com uma menina, Rachel, estudante também de Direito, cabelos pretos e um jeito bem parecido com minha querida falecida. O namoro não durou mais que um ano e meio. O fato de que ela era extremamente parecida com Demi fez com que eu me aproximasse dela, e a mesma razão fez com que eu terminasse. Nas noites em que passávamos juntas, eu via a sombra daquela que foi meu primeiro amor parada na porta ou sentada na poltrona olhando para eu e minha namorada nos beijando. Ela disse que estaria sempre me observando, mas não achei que o sempre seria quando eu estivesse com alguém. E pelo visto, nunca precisei exageradamente dela, pelo fato de ela aparecer para me ver, mas nunca para conversar comigo.

Nunca cheguei a contar para ninguém sobre o dia no cemitério com ela. Além de ser algo muito pessoal, Demi já estava morta, e seria muito estranho falar que você conversou com uma morta.

Sua mãe havia se mudado fazia um ano. Minha mãe foi um grande suporte para ela nos primeiros anos, mas não agüentou tudo, decidiu mudar-se para “mudar de ares”, segundo ela.

Minha mãe quis me colocar em um psicólogo nos primeiros meses, mas eu resisti até ela desistir da idéia. Não sabia como seria alguém desconhecido sabendo dos meus segredos.

Foi em um dia que eu estava voltando para casa de carro, quando percebi um trânsito maior do que o normal. Fui passando devagar, e ao chegar ao local do acidente que causara o trânsito, cheguei a ignorar por um momento, mas algo em mim dizia que eu precisava olhar.

Ao ver a cena, senti meu coração parar. O poste de luz que deveria estar em seu devido lugar na calçada, estava caído no chão, um carro alguns metros de distância com sua frente totalmente distorcida. Mas não era qualquer carro; eu conhecia aquele carro. Conversível preto, com banco de couro vermelho. “É diferente. E me sinto livre nele”, dizia a dona do carro. A ambulância levava a motorista, o pescoço distorcido,e muito, muito sangue.

Lágrimas saiam desesperadamente dos meus olhos, os soluços repetidos de segundo em segundo. E então me pergunto: por que eu?

É claro que nessas horas é que eu pergunto onde está minha fé. Porque se Deus fosse tão bom comigo, Ele não faria tanta coisa desse tipo. Primeiro Demi, e agora Rachel. Eu poderia não estar apaixonada por Rachel, mas ela certamente foi uma boa época de minha vida, além de ser uma ótima amiga até depois de terminarmos.

Eu não tirava meus olhos da cena, o trânsito parado. E é então que eu vejo a aura. Ela estava lá, sentada no meio fio, olhando para a cena, até que nossos olhos se encontram. Imediatamente ela estava no banco de passageiros do meu carro.

“Precisa alguém morrer para você aparecer, huh?”, falei, enquanto enxugava o molhado do meu rosto com a manga do casaco.

“Você precisa de mim agora, não precisa?”, seu sorriso era meigo, mas não estava me fazendo sorrir junto.

“Bem, obviamente eu não precisava de você quando eu estava com ela, mas mesmo assim você aparecia”. Meu rosto estava tenso, e eu tinha uma expressão séria. Não iria cair as tentações de Demi novamente.

“Eu...”. Abaixou o rosto. Havia fisgado ela. “Eu senti ciúmes. Eu aparecia para eu me imaginar no lugar dela. Você não sabe o quanto eu queria aquilo.” Disse ainda com o rosto abaixado.

“Demi...”. Coloquei minha mãe em cima de sua mão gelada. Não havia mudado nada. A aura, as roupas brancas, o gélido da pele. “Será que podemos ir para um lugar mais calmo?”. Falei com dificuldade, vendo a imagem uma última vez pela janela. Demi concordou com a cabeça.

Acabei dirigindo até uma praia que costumávamos ir para pensar. Eu parei de freqüentá-la por aquele lugar me lembrar extremamente de Demi. Quando chegamos, ela soltou uma risada abafada.

Caminhamos até alguns metros da água, meu pé afundando na areia, os dela, caminhando sobre as curvas da areia, sem modificar nada. E ali sentamos, observado o pôr-do-sol.

Deitei minha cabeça em seu colo, e ela logo começou a fazer carícias em meu cabelo. A praia era deserta a essa hora, nós sabíamos disso, por isso não nos incomodamos de conversar ali.

“O que você acha que aconteceria se eu não tivesse morrido?”, ela disse quebrando o silêncio.

“Hm, não sei. Eu não tinha planos de te contar algum dia da minha paixão sobre você”. Soltei um leve riso, que fez com que ela apenas desse um sorriso torto. O rosto abaixado para poder ver o meu em seu colo.

“Bem, comigo já é diferente. Eu planejava contar aquela semana”. E silêncio novamente.

Eu deveria estar magoada? Aliás, poderia ter um romance de verdade com ela se ela não tivesse se matado.

Eu deveria fazer a pergunta que tanto me prendia? Por que ela teve aquele surto?

Eu deveria mudar de assunto? Mas eu não saberia qual seria a próxima vez que a veria.

“Pode falar o que estiver pensando, eu não vou embora”.

Respirei fundo. “Vou te perguntar algumas coisas. Não mude de assunto. Depois discutiremos cada coisa.” Ela concordou com a cabeça. “Por que?”

Ela sabia do que eu estava falando. Demorou um pouco, respirando rápido e alto. “Eu recebi uma, hm, mensagem, dizendo que você estava namorando com o Josh da sala de História e que era melhor eu morrer para que vocês dois realmente dessem certo.”
Respirei fundo, e senti meu coração com batimentos acelerados. Como alguém teria tanta frieza a mandar uma mensagem dessas a alguém? “Quem?”, falei entre dentes.

“O próprio Josh. Claro que só fui descobrir depois. Ele foi onde meu corpo está uma semana depois do enterro. Estava chorando desesperado, coitado. Falava o quanto estava arrependido de ter mandado aquela mensagem”.

“Ele fez com que você se matasse e você ainda o chama de ‘coitado’”, bufei. Respirei fundo para que aquilo tudo fosse absorvido. “Desde quando?”, perguntei.

Demi graciosamente soltou um riso baixo “Não lembro quando. Talvez desde sempre...”, abaixou o rosto para olhar em meu olho, “Tive certeza quando beijei uma menina pela primeira vez, você lembra, a Miley, e bem, eu queria que fosse você. Eu só tinha medo que você fosse, digamos, hetero demais.” Nós duas rimos. “E você?”

E eu? Desde quando? “Talvez mais que desde sempre”, respondi, “Só sabia que você era perfeita para mim.”

Ela levantou seu rosto olhando para o sol se pondo, o vento fazendo com que várias mexas pretas de seu cabelo ficasse em seu rosto. Era confortável ficar ali, conversando com sua melhor amiga morta. A pele de marfim parecia estar ainda mais delicada, o que fez com que eu me levantasse, logo em seguida tocasse em seu rosto com minha mão.

“E como é lá?”, sorri para ela.

“Diferente”, ela riu, “As pessoas lá são muito bondosas, sabe. Fazem com que você reflita sobre tudo.” Ela suspirou, e virou seu rosto olhando para mim. Ficamos assim, olhando uma para outra. Havia o desejo de beijá-la, fazê-la apenas minha, mas não queria que acontecesse o mesmo que no dia de seu enterro.

“Acho que devo ir.”, ela disse com um suspiro.

“Por favor, não vá.”, eu disse, envolvendo-a em um abraço.

“Não considere isso como um adeus,” afogou suas mãos em meu cabelo e completou “apenas como um ‘até logo’”.

“Eu amo você”, eu disse quase em um sussurro, ela ainda em meus braços.

“Eu amo você”, repetiu, selando um beijo em minha testa. “Eu voltarei.”

“Promete?”

“Prometo.” E seguiu o resto da praia, até que eu não conseguisse mais ver sua aura.

Notas finais
Reviews? Reviews??
Long-fic vai demorarrrrrrrr pra sair, estou cheia de coisa na escola e minha cabeça fica esgotada. Terminei essa short-fic porque já estava há muito tempo parada.
E mais uma vez: reviews? ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!