Get It Right
16 Without You
Acordei com meu despertador tocando. Levantei e senti uma dor de cabeça terrível. Parecia que ela estava pesando uns cem quilos em cima de meu corpo. Deitei-me novamente.
Comecei a relembrar tudo o que eu tinha feito na noite passada. Eu não me lembrava de quase nada, só algumas imagens de Finn dirigindo meu carro, ele estava somente de calça, que por sinal estava com zíper aberto e o cinto jogado no banco traseiro. Depois disso só me lembro de Finn tirando minhas roupas e tomando banho comigo.
Droga! Espero que não tenhamos feito nada demais, porque eu não queria perder a minha virgindade daquela maneira.
Respirei fundo e depois de cinco minutos levantei. Fui até o banheiro massageando minha cabeça. Tomei um banho gelado.
Desci as escadas e meus pais não estavam mais. Não comi nada porque tudo me embrulhava o estômago. Peguei minhas coisas e fui até meu carro. Quando entrei no automóvel, levei um susto. As roupas de Finn Hudson ainda estavam lá dentro. Como ele foi para casa? Pelado?
Deixei as roupas lá dentro e fui para o colégio.
Antes de sair do carro, coloquei meus óculos de sol, ninguém precisava ver minha cara de ressaca terrível, além do mais estava um dia ensolarado, o que me ajudou ainda mais no disfarce.
Entrando na escola, dei de cara com o pessoal do coral reunido e por uma coincidência inacreditável, todos estavam de óculos de sol. Ri alto e minha cabeça doeu por isso a massageei para que não doesse mais.
— Bom dia galera — falei com uma voz de dor.
— O que foi Berry? — perguntou Santana que estava abraçada em Brittany.
— Parece que está explodindo uma bomba em minha cabeça a cada dois segundos — respondi mal humorada.
Todos riram de mim, mas depois estavam dando gemidos de dor.
— Acho que não sou a única — comentei distraída. — Aliás, cadê o Finn?
— Ele está conversando com o Sr. Schue sobre a apresentação de amanhã — respondeu Tina.
— Droga! — xinguei minha amnésia. — Esqueci completamente que também sou a líder do coral.
Saí correndo até a sala do professor Schuester. Chegando lá, bati duas vezes na porta e entrei.
— Com licença — pedi fechando a porta.
Os dois me olharam e se surpreenderam com a minha presença.
— Desculpem pela demora — falei ajeitando minha bolsa em meu ombro. — Houve um pequeno contra tempo.
— Tudo bem Rachel — Sr. Schue disse sorridente. — Só estávamos falando sobre a apresentação de amanhã.
— E por isso queríamos saber sobre a sua idéia — completou Finn.
— Tudo bem — sentei-me na cadeira ao lado de Finn. — Primeiramente pensei que nós poderíamos abrir o evento — olhei para o Sr. Schue —, mas acho melhor deixar o Vocal Adrenaline fazer isso.
— Por quê? — perguntou Finn. — Deveríamos abri e fechar o evento.
— Também tinha pensando isso, mas seria egoísmo — respirei fundo. — Por isso a gente vai cantar uma música depois do Vocal Adrenaline — olhei para Finn —, só pra acabar com eles, depois fechamos o evento e fim.
— Você não queria ser egoísta, mas quer acabar com eles? — perguntou o professor.
— Foi modo de dizer — Finn me defendeu.
— Sabe como os odiamos — falei sorrindo.
— Ah garotos — riu o professor Schuester —, vocês não prestam, mas eu os amo!
O sinal tocou.
— Está na hora de vocês irem.
Sorrimos e saímos da sala juntos.
— Até mais tarde — falei quando abri a porta.
— Tchau professor — disse Finn fechando a porta.
Ficamos parados no lado de fora nos olhando.
— Finn eu preciso saber o que aconteceu — falei.
— Não aconteceu nada — ele disse rápido.
— Eu me lembro de tomarmos banhos juntos — disse enquanto andávamos até a nossa sala de aula.
— Não tomamos banho juntos — Finn falou baixinho.
Entramos na sala de aula e a professora entrou depois de nós.
— Sente do meu lado que eu te explico melhor — ele disse puxando meu braço.
Enquanto andávamos entre as carteiras, vi Puck. Ele sorriu para mim e piscou. Finn viu e apertou minha mão, mostrando que estava com ciúmes.
— Não gosto do Puckerman dando em cima de você — Finn falou quando nos sentamos.
— Depois conversamos sobre isso — falei olhando-o. — Agora me conte o que aconteceu.
— Acabei levando você para sua casa — Finn começou a contar. — Você estava muito bêbada e se pegasse no volante era capaz de capotar o carro. Quando chegamos à sua casa, eu estacionei o carro e você subiu em cima de mim e começou a me beijar — ele sorriu de lado. — Você tirou minhas roupas e eu as suas — ele me olhou. — Mas vi que estávamos fazendo isso errado, porque nós dois estávamos bêbados e não íamos lembrar-nos da nossa primeira vez. Levei você para sua casa e te dei um banho, mas tudo na maior inocência, sem malicias. Depois te coloquei na cama e acabei dormindo com você, enquanto observava você dormir — Finn sorriu igual a um bobo apaixonado. — Acordei cedo e fui para casa, mas esqueci de pegar minhas roupas.
— Porque não ficou comigo? — perguntei sorrindo. — Poderíamos vir para a escola juntos.
— Seus pais não iam gostar que eu dormisse lá — ele respondeu acanhado.
— Que diferença ia fazer? — dei de ombros. — Você já havia me dado banho e me colocado para dormir, e bem antes eu tinha virado uma vadia louca por sexo — falei e depois rimos. — Mas Finn, não aconteceu nada mesmo?
— Não — ele disse me olhando nos olhos —, não aconteceu nada, juro para você.
— Eu acredito em você meu amor, mas se aconteceu alguma coisa, prefiro que você me conte, ok? — sorri.
Ficamos prestando atenção na aula, quando Quinn Fabray entrou na sala, senti um arrepio na coluna vertebral.
Não, eu não posso estar me apaixonando pela Fabray, eu a odeio e a ela me odeia. Ponto final, sem mais nem menos. E também foi só um beijo, nós estávamos bêbadas, impossível que ela se lembre do que aconteceu ou tenha algum sentimento por mim.
Ela sorriu a me ver. Sentou-se em nossa frente.
— Bom dia Berry — ela falou toda contente.
Quinn tinha um sorriso tão lindo e sincero no rosto que por um segundo fiquei toda derretida por ela. Quinney ficou me olhando, esperando pela resposta. Voltei para realidade e falei:
— Olá Quinn — respondi meio boba e sorrindo igual a uma idiota.
Finn ficou me olhando com uma expressão no rosto de: “Que porra é essa?”. Não me aguentei e acabei rindo.
Na metade da aula, Quinn mandou um bilhetinho para Santana, que estava sentada ao seu lado. Confesso que fiquei curiosa, mas continuei a prestar atenção na aula.
Finn foi ao banheiro e quando colocou os pés fora da sala, Santana jogou o bilhete em cima de minha mesa. Fiquei surpresa com o ato, e chamei-a:
— Santana, você deixou hã... Cair esse papel na minha mesa — falei.
Ela olhou para trás com uma cara de poucos amigos.
— Você é burra ou se faz Berry? — ela perguntou. — Esse bilhete é para você. Leia rápido e responda, antes que aquele saco de banha volte do banheiro.
— Hey, Finn não é nenhum saco de banha — protestei com raiva.
A latina revirou os olhos e ficou me olhando, esperando que eu lesse o pequeno pedaço de papel.
Quando li na primeira vez não reconheci a caligrafia, mas depois que li mais vezes, percebi que era o formato de letra de Quinn.
“Na minha casa, sexta-feira às 21h30min, ok? Convidei algumas Cheerios também.”
Olhei para Quinn e Santana sem entender nada.
— Vamos te explicar — falou Santana.
— Agora não dá mais tempo — resmungou Quinn enquanto observava Finn vindo até o seu lugar. — Hoje no final do intervalo, vá até o banheiro feminino interditado, ok? — ela falou baixinho.
Assenti um pouco fora de órbita. Não sabia do que elas estavam falando, mas fazer o que, não tenho nada a perder mesmo.
Quando a aula acabou, saí da sala de mãos dadas com Finn.
— Rachel, porque você e Quinn estavam tão amigas hoje durante a aula? — ele perguntou enquanto andávamos até o refeitório.
Dei de ombros.
— Sempre fomos amigas, você sabe, e talvez ela queira apenas concertar as coisas entre nós — respondi. Na verdade, eu sempre pensava que um dia Quinn fosse me pedir desculpas e talvez agora pudesse ser uma boa hora de conversar com ela sobre esse assunto pendente do passado.
— E aí Hudson — falou Puck passando por nós.
Quando ele veio me cumprimentar dando um beijo em meu rosto, sussurrou bem rápido em meu ouvido:
— Quinn também vai convidar garotos? — e depois sorriu, esperando minha resposta.
Dei de ombros rapidamente, mostrando que não sabia.
Puck suspirou. Finn e ele foram para a mesa onde a maioria dos jogadores de futebol ficavam.
Sentei-me em uma mesa vazia, esperando ter paz para conseguir pensar em tudo o que estava acontecendo e também para planejar o que eu iria falar para Quinn sobre a nossa briga, que até hoje não tinha sido resolvida.
Falando nela, ou melhor, pensando nela, Santana, Brittany e Quinn aparecem na minha mesa, sentando-se ao meu redor.
— Nossa Berry é por isso que você está em forma — comentou Santana olhando para o meu prato.
— Você só come salada — completou Quinn perplexa.
— Sou vegetariana — disse distraída enquanto olhava Finn ser rodeado por garotas.
— Bom, não viemos aqui falar sobre sua alimentação, mas sim sobre a nossa festa do pijama — disse Quinn percebendo que eu não tirava os olhos de Finn Hudson. Ela se pôs na minha frente para chamar minha atenção e fazendo-me esquecer do meu namorado.
— Por favor, diga que você vai — disse Brittany depois de Santana sussurrar alguma coisa para ela. Só me lembro de ter ouvido a palavra plano.
Ok. As coisas estão ficando sinistras. Brittany deixou de ser minha melhor amiga há muito tempo, depois que começou a andar novamente com Quinn. Santana tomou meu lugar no “grupo” e desde então Brittany faz de conta que eu nem existo. Quinn nunca mais foi tão gentil comigo como ela está sendo agora, além do mais, ela me espancou na frente da escola inteira. Santana sempre jogou suco em mim ou me empurra quando eu passo pelos corredores. Isso está realmente muito estranho.
Acho que isso só é coisa da minha cabeça mesmo. Elas não vão querer fazer mal para mim novamente.
— Claro — gaguejei perdida em meus pensamentos.
— Então eu passo na sua casa para te buscar — Quinn falou com um olhar estranho. Parecia aquele olhar de criança quando vai fazer alguma maldade... Estou paranóica, só pode.
Assenti.
— Mas Puck perguntou se poderia ir também — comentei lembrando-me dele.
Santana pareceu prestes a me dar uma porrada na cara, mas Quinn segurou suas mãos e olhou nervosamente para a latina.
— Nada de garotos lá — falou Santana irritada.
Porque essa irritação tão repentina em Santana? E qual o motivo de Quinn ficar preocupada?
— Rachel? — Me chamou Finn.
O sinal tocou avisando o final do intervalo.
— Oi amor — falei sorridente e fui até ele.
Acabei esquecendo totalmente as garotas e fui andando de mãos dadas com meu namorado pela saída do refeitório.
— Então, vamos fazer alguma coisa sexta à noite? — Ele perguntou entrelaçando nossas mãos.
Fiquei sem ter o que falar. Na sexta eu iria para a casa de Quinn, e não poderia negar um convite de Finn. Além do mais, eu não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo. Mas que droga!
Enquanto eu tentava pensar em uma desculpa, nós andávamos pelos corredores do colégio.
— Não sei — falei por fim. — Tenho que conversar com meus pais sobre isso — completei com um nó na garganta.
Eu odiava mentir, mas queria a amizade de Quinn novamente, e faria qualquer coisa para ter isso de volta.
— Tudo bem — ele concordou tristemente.
Aquilo cortou meu coração em mil minúsculos pedacinhos. Senti-me mal por mentir, principalmente para meu namorado.
Notas finais
Espero que gostem e tal
Vou postar mais capítulos ainda, ok? *-*
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