Get It Right

17 Just The Way You Are


De tarde, enquanto eu estava em casa organizando minhas inscrições para algumas escolas de música em Nova York, a campainha toca. Amarro meu cabelo em rabo de cavalo rapidamente. Desço as escadas e atendo a porta. Era Finn.
— Oi — falei e no mesmo momento lembrei-me do ocorrido no colégio. Senti uma pontada no coração.

— Podemos conversar? — Ele perguntou com um mau humor que eu nunca tinha visto antes.
— Claro — respondi gentilmente e ele entrou.
Nós nos sentamos no sofá da sala.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntei percebendo que Finn não conseguia começar a conversa.
Eu estava com medo da resposta que ele poderia dar, pois sua expressão estava séria demais.
— Sim, aconteceu — ele me olhou nos olhos —, você menti para mim, Rachel. Por quê?
— Quando eu menti para você? — Fiz cara de quem estava entendendo porra nenhuma.
— Hoje no colégio — ele respondeu irritado com a minha inocência falsa. — Puck me contou hoje no treino de futebol que sexta à noite Quinn fará uma festa do pijama, na qual você vai e ele também.
Antes que eu pudesse explicar o que estava realmente acontecendo, Finn continuou:
— Por que você fez isto? — Ele estava furioso e indignado. — Você tem um caso com Puck, afinal?
— NÃO! — Eu gritei com raiva de Finn. — Eu não tenho um caso com Puck e nunca tive, muito menos vou ter! — Respirei fundo tentando me acalmar, pois Hudson estava com os olhos arregalados de medo. — Sim, eu iria para a festa de Quinn, mas é só para meninas, nada de garotos. O Noah é um mentiroso que fez a sua cabeça!
— Está dizendo que vai me trocar pela Quinn? — Finn perguntou. Sua voz parecia abalada e seus olhos mostravam cada vez mais fúria.
— Só quero voltar a ser amiga dela — expliquei normalizando meu tom de voz.
— E você se lembra de quando ela te bateu? — As palavras dele foram como facadas em meu corpo. — Fui eu quem te socorreu naquele dia e cuidou de você também, e agora você simplesmente me diz que quer a amizade de uma pessoa que te humilha e te maltrata?! Ignorando as pessoas que te amam e que te querem bem? — Se sentindo como um lixo, Finn levantou-se e foi em direção a porta. — Porque você não entende que sou eu quem te ama? — Ele perguntou com a raiva explodindo, suas mãos tremiam.

— Eu entendo isso, mas eu preciso dela, sinto a falta de Quinn — falei tentando convencer Hudson.
— Fique com a pessoa que é falsa com você, a garota que te machuca emocionalmente e fisicamente, porque eu não quero mais saber de você — ele abriu a porta e a fechou, o estrondo fez com que eu desse um pulo de susto.
Segurei minhas lágrimas. Eu estava determinada, seria amiga de Quinn novamente, custe o que custar.

Estava andando pelos corredores do colégio, procurando por Quinn para conversarmos sobre sexta-feira à noite, quando esbarrei em Puck.
— Oi gata — ele disse sorrindo e fitando minhas pernas.
— Qual é o seu problema Noah? — Perguntei estourando toda a minha raiva em cima dele, que era o maior causador dos meus problemas. Berrei sem me importar com as pessoas ao nosso redor, ou muito menos com o risco de expulsão escolar, que poderia acabar com a minha matrícula em qualquer escola musical de Nova York.
— O que foi gostosa? — Ele questionou sem entender nada.

— Não me chame com esses apelidos nojentos, seu mentiroso sujo! — Respondi cuspindo as palavras com muita raiva. — Pare de ficar inventando coisas sobre nós, porque eu NUNCA vou ficar com você — dei ênfase na palavra “nunca” e acrescentei: — NUNCA, porque eu tenho nojo de você, entendeu? Agora fique o mais longe o possível de mim e pare de me causar problemas!
O empurrei e saí do local pedindo licença para as pessoas que estavam ao nosso redor, no círculo em que haviam formado em volta de nós.
Alguém pegou em meu braço e eu pensei que fosse Puckerman querendo me dar uns bons tapas, mas era Santana.
— O que foi? — Perguntei grossa e percebi que ela não tinha feito nada para merecer esse tipo de tratamento. Respirei fundo e tentei me acalmar.
— Boa garota, é assim que uma legítima Cheerio agiria — ela sorriu para mim e deu uma piscadela.
A latina sumiu no meio da multidão. Eu fiquei lá parada com uma cara de “modo vegetativo” e boquiaberta. O que ela quis dizer com aquilo? Eu nunca quis ser uma Cheerio, apesar de que isso me deixaria no topo da popularidade. Talvez assim as pessoas me vejam além do que uma simples baixinha nerd que tem franja e participa do clube Glee.

Fui andando até minha sala. Era aula de química. Sentei-me em uma carteira próxima ao professor, para assim entender melhor o assunto. Já na metade da aula Quinn Fabray apareceu completamente atrasada. Ela estava de visual novo. Os cabelos estavam cortados até os ombros, os fios estavam “manchados”, sim manchados, pois o cabelo estava um pouco loiro e um pouco rosa. Quinney tinha um piercing no nariz. Suas roupas eram pretas, igual à de rockeiras. Sua aparência trazia uma energia negativa a tornando mais malvada.
Fabray sentou-se ao lado de Santana enquanto as duas riam escandalosamente. Senti-me um pouco incomodada, pois de vez em quando ouvia meu nome.

Ao término das aulas, fui para o estacionamento e antes que eu pudesse entrar em meu carro, avistei Finn Hudson – meu ex-namorado – vindo em minha direção. Não entrei no automóvel e fiquei apoiada na porta esperando ele chegar.
Finn chegou até mim ofegante, respirou fundo e depois falou:
— Shelby está procurando por você — o garoto estava com a respiração ofegante.
— Obrigada pelo aviso — falei tentando ser gentil e ignorar que ontem mesmo nós terminamos por causa de um garoto mentiroso e por causa da minha ex-melhor amiga.

— Aliás, você está se sentindo bem? — perguntei preocupada, pois Finn estava pálido.
— Só estou cansado — ele se apoiou na porta do carro, querendo descansar.
— Senta aqui — falei abrindo passagem para ele passar e apontando para o banco do carro.
Ele sentou-se e relaxou os músculos.
— Mas Finn, jogadores de futebol não deveriam cansar tão rápido assim, não é? — Perguntei confusa. Finn pareceu incomodado com o que eu falei, mas somente deu de ombros. — Ok. Eu vou lá ver o que ela quer — olhei atentamente para Finn e fiquei preocupada novamente. — Não prefere que eu fique aqui? Caso você piore ou desmaie?
— Eu estou bem Rachel, é sério — ele olhou para mim e suas bochechas pareciam estar coradas. Finn deu um sorrisinho de canto de boca, que me deixou “derretida”.
Comecei a lembrar de todos os nossos momentos juntos. De quando Finn foi até a escola Carmel com flores. Quando ele chorou dizendo que me amava e que eu não merecia estar com Jesse. Mas o que me marcou realmente foi quando Finn me salvou das pancadas de Quinn, esse foi o melhor momento de todo o nosso romance. Finn me olhou com uma expressão estranha, e foi aí que eu percebi que estava com uma cara de idiota por estar perdida em meus pensamentos.
— Vou indo então — falei ainda meio boba ao relembrar do passado.

Finn assentiu. Enquanto eu andava até a porta principal do colégio, ouvi alguma música tocando. Olhei para trás e percebi que Finn estava se mexendo, acho que dançando, mas como ele não é muito bom nisso, ficou completamente esquisito. Provavelmente ele ligou o rádio, e como um bom integrante do clube Glee está cantando.
Encontrei Shelby perto da porta do colégio. Ela estava conversando com o Sr. Schuester e se virou ao ouvir minha voz chamá-la:
— Shelby?
Ela falou alguma coisa para o professor e veio em minha direção enquanto o homem entrava na sala dos professores.
— Olá Rachel — Shelby observou toda a fisionomia de meu rosto e corpo. — Ah, você está linda como sempre — e suspirou de alegria.
— Obrigada — respondi. Estava sem jeito por causa do elogio.
— Então, podemos conversar?
Assenti nervosa. Da última vez que ouvi essa frase, me dei completamente mal e minha vida virou um inferno. Espero que ela tenha notícias boas.
— Bom, vou direto ao ponto, pois não estou com muito tempo, tenho que almoçar, e depois dar mais aulas... — Ela encarou o chão com um olhar triste. — Em fim, ontem recebi um comunicado da universidade NYADA de Nova York, pedindo indicação de quatro ótimos alunos meus — Shelby fez uma pausa e ficou estudando meu olhar curioso, depois continuou: — No mesmo momento pensei em você — ela completou e sorriu ternamente.

— Isso é sério, ou é algum tipo de “pegadinha” sem graça? — perguntei desconfiada.
— É claro que é sério, nunca que eu iria fazer alguma brincadeira sobre esse assunto — Shelby confirmou.
— Mas porque você não convidou alguém do Vocal Adrenaline? Como o Jesse St. James? — Questionei.
Shelby ficou em silêncio, pensando no que iria falar.
— Rachel, você sabe muito bem o porquê de eu estar fazendo isso — ela falou com a voz baixa.
— Porque você é minha mãe? — perguntei já sabendo a resposta que ela iria dar.
— Não posso conversar com você sobre este assunto Rachel, porque faz parte do meu contrato com seus pais — ela respondeu tentando fugir do assunto. Percebi que seus olhos estavam cheios de lágrimas. — Só quero lhe dar estes convites — ela me entregou quatro envelopes.
— Quatro convites? — perguntei pegando-os.
— É para você escolher três amigos — ela sorriu secando rapidamente algumas lágrimas que insistiam em rolar pelo seu rosto.
— Obrigada — falei emocionada.

Tudo bem que eu tinha minhas dúvidas em saber se ela era realmente a minha mãe, mas quando ela fala que eu sou sua filha, eu sempre vejo verdade em suas palavras e em seu olhar.
— Posso te dar um abraço? — Shelby esticou os braços, e fui até ela e a abracei bem forte. — Talvez esse seja nosso último dia juntas aqui em Ohio — ela disse em meu ouvido.
— Porque “último dia”? — perguntei olhando-a.
— Vou me mudar para Nova York — ela respondeu sorridente. — Tenho que ir agora, mas eu espero te ver um dia atuando em uma peça da Broadway — Shelby completou. Ela me deu um beijo carinhoso na testa e foi andando em direção da sala dos professores.
— Obrigada — falei mais uma vez, ainda com as pernas moles por causa da notícia.