Get It Right

18 Faithfully


Ao chegar no estacionamento, olhei ao redor e só tinha o meu carro estacionado com o Finn lá dentro. Andei rapidamente até meu carro, pois queria muito ir para a casa e ligar para Kurt.
— Oi — falei chegando perto de Finn e secando minhas lágrimas que estavam em meu queixo.

— Porque você está chorando? — Hudson perguntou preocupado comigo.
— Shelby me deu a oportunidade de entrar para a NYADA em Nova York — respondi sorrindo de orelha a orelha. — Só estou chorando de felicidade — completei.
— Isso é muito bom Rachel — Finn me deu um abraço.
— E você, já pensou em qual faculdade quer ir? — perguntei me soltando dos braços de Finn. Eu ainda estava ressentida por ele não confiar em mim, como ele havia dito na tarde anterior.
Finn estava com um olhar triste.
— Eu ia continuar minha carreira de jogar de futebol — ele começou, com a voz ainda mais triste. — Mas não fui o escolhido — eu podia sentir a tristeza que Finn tinha. — Agora não sei mais o que vou fazer — ele deu de ombros, tentando mostrar que estava bem.
— Tenho certeza que você vai achar uma ótima faculdade — eu falei tentando animá-lo, e só consegui tirar dele um meio sorriso. — Quer uma carona?
Finn assentiu.
Ele entrou no carro e logo após eu entrei.
— Vai à festa da Quinn hoje? — Finn me surpreendeu com a pergunta.
— Vou sim — respondi pasma.
— Hum — ele murmurou para si mesmo. — Puck me contou o que você fez com ele — o garoto comentou e agora eu estava começando a perceber que Finn queria chegar ao assunto do nosso namoro.
— Ele mereceu aquilo — falei parando no sinaleiro. — Você acha que eu fiz errado? — perguntei olhando Finn.
Ele virou o rosto para mim e deu de ombros.

— Só me pareceu uma atitude bem corajosa da sua parte.
Claro, por você eu faço tudo Finn Hudson, porque eu te amo. Pensei em falar essa frase, mas preferi falar outra coisa:
— Porque eu corria risco de ser expulsa do colégio? — olhei para frente e continuei a dirigir.
— Sim e Puck poderia te bater também — ele disse sério.
— Eu sei! — falei rindo de nervosismo. — Pensei nisso só depois que eu havia feito a besteira. Se ele quebrasse meu nariz, eu poderia dar adeus a minha carreira na Broadway — completei ainda rindo baixinho.
Chegamos à casa de Finn após eu terminar a frase.
— Agora eu sei que você não mentiu para mim sobre o Noah — Finn disse tirando o cinto de segurança. — Desculpe por não ter confiado em você.
— Tudo bem — respondi dando um sincero sorriso. — Amigos? — perguntei estendendo a mão.
— Só amigos? — perguntou Finn segurando minha mão.
— Sim — respondi séria.
— Posso te beijar? — Ele sorriu e puxou minha mão, fazendo com que eu me aproximasse dele.
— É melhor não Finn Hudson — eu falei largando minha mão da dele.
— Por quê?
— O que adianta nós ficarmos juntos se você não confia em mim? — Perguntei olhando para frente, tentando não explodir. — As garotas dão em cima de você e nem dou bola porque eu confiava em você e agora você vem e me diz que eu estava mentindo? Isso machuca muito, sabia? — Olhei para ele, e Finn estava completamente arrasado.

— Desculpe — ele olhou para mim. — Acho que tenho que ser sincero com você.
— Você “acha”? — Perguntei grossa e me senti mal por ter falado com ele daquele jeito.
Finn suspirou tristemente.
— Ontem eu gritei com você e falei todas aquelas coisas, não só por causa de Puck, mas também por causa da Quinn — ele disse, ignorando toda a minha grosseria.
Fiquei em silêncio, não porque queria que ele continuasse, mas porque não tinha o que falar.
— Ela me beijou e disse que ainda me amava e sentia minha falta — ele continuou. Finn parecia tão à vontade contando o que tinha acontecido que só fez a minha raiva aumentar. — Eu disse que estava confuso, mas que também sentia falta dela.
Senti as lágrimas marejarem meus olhos. Fechei meus olhos e as lágrimas escorreram por minhas bochechas.
— Isso quer dizer que você voltou com ela — falei e minha voz saiu pior do que eu imaginava.
— Não, claro que não — Finn falou meio descontraído.
— Saí do meu carro agora — disse tentando me manter calma, porque eu estava louca pra bater no Finn por causa da cara de pau dele e queria matar Quinn Fabray por ser falsa comigo.
— O que foi Rach?
— Rach? Cala essa boca e saí do meu carro agora seu idiota! — Berrei descontando minha raiva nele.

— Rachel, as coisas não são assim como você está pensando — ele disse tentando me acalmar.
— Está me chamando de burra? — eu olhei séria para ele. — Você acabou de me dizer que vai voltar com a Quinn, então saí do meu carro, some da minha vida!
Eu saí do carro e fui até a porta do lado de Finn e a abri.
— Se você não sair agora, eu vou começar a berrar — eu disse séria e as lágrimas de raiva insistiam em escorrer por meu rosto.
— Eu não queria que tudo terminasse assim — ele disse saindo do carro. — Eu estou confuso Rachel.
— Você está sempre confuso Hudson, você nunca sabe decidir se quer a Quinn porque ela pode ir pra cama com você, ou se quer ficar comigo e ter um relacionamento descente.
— Desculpe não queria te magoar — Finn encolheu os ombros e abaixou a cabeça.
— Eu te odeio — fechei a porta com força.
Não olhei para ele novamente. Entrei no carro e saí acelerando, sem me importar com a velocidade. Eu mal conseguia enxergar o que havia na minha frente, meus olhos estavam cheios de lágrimas e eu soluçava tanto que mal conseguia respirar.

Dei uma freada brusca quando consegui ver um sinaleiro. Parei no meio da faixa de pedestres e quase atropelei uma senhora que deveria ter uns oitenta anos. Abaixei o vidro da janela e berrei para ela:
— Desculpe! Você se machucou? — Olhei no retrovisor, eu estava com uma aparência péssima. Meus olhos estavam vermelhos, a pele branca como neve e meu rosto estava todo molhado.
— Está tudo bem querida — ela sorriu gentilmente e quando olhou atentamente para mim, sua expressão ficou triste. — E você está bem?
Fiz um sinal de negativo com a cabeça e chorei ainda mais. O sinal abriu e os carros atrás de mim começaram a buzinar loucamente. A velhinha berrou alguma coisa, mas eu não consegui ouvir, pois tive que dirigir, antes que alguém resolvesse ir tirar satisfações comigo.
Acelerei novamente, tentando reorganizar meus pensamentos, mas na verdade eu não queria pensar em nada, porque tudo me lembrava Finn Hudson. Eu quase matei uma senhora, por culpa de Finn. Que droga de garoto, porque ele tinha que entrar na minha vida? Porque Deus? Eu o odeio, ele é um mentiroso, aproveitador, enganador, um mau caráter.
Eu não tirava o pé do acelerador, até a rua acabar e eu ter que fazer a curva. Freei o mais rápido que pude só que não deu certo. Por sorte, consegui fazer a curva, quase virando o carro, mas consegui. O problema foi que um pouco na frente, o sinaleiro estava fechado e havia algumas pessoas atravessando a rua.

Eu não consegui parar o carro a tempo e bati em uma garota. Com a força da batida, ela voou para cima do carro, rachando o vidro. Com a força do impacto, eu bati a cabeça no volante, e senti uma leve tontura. Coloquei a mão na minha cabeça no local em que ardia e latejava. Quando tirei a mão do ferimento, vi que havia muito sangue. Desliguei o automóvel e saí tremendo. Eu estava machucada e posso ter matado essa pessoa, viu Berry, sua inútil, agora vai socorrer a garota e vê se faz algo que presta. Uma voz dentro de mim dizia isso. Olhei a pessoa que eu havia atropelado. Ela estava virada com a cabeça para baixo, então eu não consegui ver quem era.
— Alguém pode ligar para a emergência? — Berrei, já que havia muitas pessoas em volta do local do acidente. — Eu vou tentar falar com a garota.
Alguns cidadãos pegaram seus celulares, uns fizeram ligações, outros bateram fotos, alguns me xingavam, e outros estavam apavorados demais para falar ou fazer qualquer coisa.
— Oi? — perguntei chegando perto e afastando os cabelos loiros dela do rosto.
Sua face estava com vários cortes e arranhões. O nariz sangrava bastante.
— Qual seu nome? — perguntei novamente, vendo que ela não tinha respondido a primeira pergunta.
A garota abriu os olhos, que eram verdes. Mas ela estava fraca e respirava com dificuldade.
— Lucy — ela respondeu com o tom de voz em um sussurro. — Quer dizer, Quinn — quando ela falou Quinn, eu me arrepiei.

Não poderia ser Quinn Fabray. Claro que não era, já que ela tinha falado Lucy, não é mesmo?
Olhei novamente para os detalhes da garota. Ela tinha cabelos iguais ao de Quinn, só que não dava para perceber se o corte era o mesmo, já que ele estava todo bagunçado. A cor dos olhos era verde. Confere. A garota usava um vestido florido, o vestido que Quinn tinha usado na escola. Confere.
Fechei meus olhos e preferi ter morrido na hora do acidente.
— Quinn Fabray? — perguntei com muito medo da resposta.
— Sim — eu só entendi o que ela falou, porque consegui ler seus lábios.
— Sou a Rachel Berry — falei tentando deixá-la mais confortável com toda aquela situação.
Ao ouvir meu nome, Quinn com muita dificuldade me olhou. Seu olhar transparecia medo, um terrível medo de morrer, ela estava completamente apavorada.
— Socorro — ela sussurrou.
— A emergência já está vindo — eu expliquei, tentando acalmá-la.
Peguei a bolsa da garota e coloquei em meu ombro. Ajeitei os cabelos dela e os coloquei para trás, assim ela poderia respirar ar puro. Rasguei um pedaço da minha blusa e coloquei no nariz de Quinn, para estacar o sangramento. Ela gemeu de dor. Eu retirei o pedaço de pano e o joguei no chão. Rasguei outro pedaço da minha blusa favorita e fui secando o sangue pelo rosto e braços.
Ouvi o barulho das sirenes ao longe. Com certeza a ajuda estava perto.

— Quinn? — Perguntei preocupada ao perceber que a garota não gemia mais de dor quando eu a tocava. — Quinn você ainda está aí? — fui para perto dela e segurei sua mão. — Me responde, por favor — falei apavorada.
Eu não poderia matar Quinn Fabray, nunca. Eu sei que ela me odeia, mas nós já fomos melhores amigas, eu já compartilhei os meus melhores momentos ao lado dela e eu não posso tirar a vida dessa garota tão preciosa para mim.
Coloquei meu rosto perto do dela só para conseguir ouvir sua respiração. Não consegui sentir nada. Meu corpo congelou. Senti minhas pernas ficarem moles e tudo ao meu redor começou a girar. Minha visão ficou escura.

Notas finais
Capítulo forte... E o último de hoje também, até amanhã (=