Get It Right
4 No Air
De Rach para Finn.
“Eu ainda ser andar Finn.”
De Finn para Rach.
“Para de besteira, eu quero te buscar e vou ok?”
De Rach para Finn.
“Ainda bem que você não é nada teimoso, não é?”
De Finn para Rach.
“Você me ama desse jeito.”
De Rach para Finn.
“Convencido. Agora eu vou arrumar a casa. Beijos e até depois.”
Não vi a próxima mensagem que ele me mandou, pois eu mandei uma para Britt.
De Rach para Britt.
“Amiga, o Finn me convidou pra almoçar na casa dele. Que roupa eu uso?”
De Britt para Rach.
“Bom dia pra você também Berry! Usa uma calça jeans e aquele sua blusa preta linda que nós compramos ontem e faz uma make bem leve, ok?”
De Rach para Britt.
“Ok amiga, te amo. Beijos.”
De Britt para Rach.
“Também te amo e boa sorte.”
Coloquei a roupa que Britt tinha me falado. Depois fiz uma make super leve e fofa. Calcei meus sapatos e fiquei esperando por Finn. Logo a campainha toca. Abro a porta e vejo Quinn.
– Bom dia Rachel Berry. – Ela sorri falsa.
– Olá Fabray. – Não sorri e a olhei nos olhos.
– Só quero que você saiba, que você Berry, acabou com a minha vida. – Ela me olhou inconformada. – Finn não me quer mais, ele disse que está apaixonado, ele disse pra mim que é a primeira vez que ele se apaixona de verdade. – Ela fez um sinal negativo com a cabeça. – Ele disse que nunca me amou! – As lágrimas dela começaram a rolar pelo rosto.
– Desculpe Fabray, não posso fazer nada, eu não sou o Finn. – Fechei a porta na cara dela.
Por algum acaso a Quinn tem merda na cabeça? Porque ela veio desabafar aqui na porta da minha casa? Será que ela estava insinuando que o Finn está apaixonado por mim? Ah, não, claro que não, isso só é coisa idiota da minha cabeça. Sacudi a minha cabeça para que esses pensamentos fossem embora.
Ouvi gritos de alguém berrando no quintal da minha casa. Abri a porta e vi Finn e Quinn discutindo, que maravilha.
– Ei, o que está acontecendo aqui? – Perguntei interrompendo os gritos histéricos de Quinn.
– Cala essa sua boca, sua vadia. – Quinn disse me olhando com raiva. – Quer dizer que você vai sair com ele não é? – Ela olhou para Finn e falou com voz chorosa: – Você está apaixonado por ela. Eu não acredito! – E falando isso, ela deu um tapa na cara dele.
– Se você não sair daqui agora Fabray, eu não vou responder por meus atos. – A fuzilei com o olhar e Quinn foi embora.
Corri até Finn. Olhei-o. Seu rosto estava vermelho e com marca de dedos.
– Essa garota é doida, nem sei como eu consegui namorar com ela por tanto tempo. – Ele disse massageando o lugar onde ela tinha batido.
– Ela vai nos causar muitos problemas. – Falei tirando sua mão do local machucado. – Está bem vermelho, quer passar uma água gelada para aliviar? – Questionei.
– Não precisa Rach, eu estou bem. – Ele sorriu e me olhou. – Você está linda.
Corei.
– Obrigada Hudson. – Sorri envergonhada.
– Vamos? – Ele perguntou.
Assenti.
Chegamos à casa de Finn alguns minutos depois. Eu não sabia que ele morava tão perto da minha casa.
Ele abriu a porta do carro para eu sair, todo cavalheiro. Sorri.
Entramos na casa dele juntos, acho que ele percebeu que eu estava nervosa e com vergonha.
– Bom dia Rachel. – A Sra. Hudson apareceu com um sorriso muito convidativo no rosto.
– Bom dia Sra. Hudson. – Sorri.
– Ah querida, pode me chamar de Carole.
– Ok. – Assenti.
– Pode sentar-se. – Ela apontou para o sofá e sentou-se, eu senti-me ao seu lado. – Então, me conte como você está se sentindo?
– Ah, eu melhorei um pouco. – Dei de ombros. – É meio difícil passar por tudo isso.
– Eu sei como é querida, mas você vai superar tudo isso porque é uma garota linda e forte! – Ela sorriu e pegou na minha mão.
– Obrigada Sra. Hudson, você é muito gentil. – Sorri agradecida.
– Ah, eu que tenho que te agradecer por ser a primeira namorada de Finn certinha! – Ela riu e eu olhei confusa para Finn.
– Desculpe Sra. Hudson, mas nós não somos namorados. – Falei sem graça.
– Como não? Finn fala tanto de você, pensei que fossem namorados. – Ela me olhou assustada.
– Hum. – Foi à única coisa que eu consegui falar, eu estava em choque.
Porque Finn falaria tanto de mim para a mãe dele? Isso está me cheirando à coisa ruim, é.
– Mas vamos trocar de assunto então. – Finn disse cortando o silêncio.
– Filho, seu rosto está vermelho. – A Sra. Hudson levantou-se e foi verificar o rosto de Finn.
– Quinn me bateu. – Ele disse.
– Aonde? – Ela perguntou assustada.
– Na casa da Rach. – Ele respondeu enquanto ela tocava no lugar machucado.
– Essa garota tem sérios problemas! – Ela afirmou. – É melhor vocês dois manterem distância dela.
– É o que estamos tentando fazer mãe. – Finn disse me olhando.
– Mas eu não quero magoar a Quinn, eu ainda gosto muito dela. – Falei sem pensar.
Os dois me olharam assustados.
– Mesmo depois de tudo o que ela te fez? – Sra. Hudson questionou.
Assenti.
– A Rach tem um coração de ouro. – Finn disse sorrindo para mim.
– Queria que você fosse assim Finn. – Sra. Hudson falou um pouco séria. – Quando era pequeno, Finn sempre brigava com os garotos no colégio. – Ela me olhou e riu.
– Não sabia desse seu lado briguento Hudson. – Ri junto com ela.
– Eu era super machão no colégio, ok? – Ele riu e fez pose de forte.
– E hoje em dia é a florzinha do colégio. – A Sra. Hudson falou e gargalhamos alto.
Finn fez cara de brabo, mas escondia o riso.
– Vou lá ver a comida no fogão. – A mãe dele foi para a cozinha.
Finn ficou me olhando por um bom tempo.
– Sua mãe é tão gentil e simples. – Eu falei tentando impedir os olhares dele.
– É porque ela gostou de você. – Ele sorriu.
– Meus pais já são mais frufrus. – Rimos juntos.
– O que tem seus pais Rach? – A Sra. Hudson apareceu de repente. – Desculpe me intrometer. – Ela falou um pouco envergonhada.
– Sem problemas. – Eu sorri. – Só estava falando que a senhora é muito simpática e querida. – Olhei para ela. – E que meus pais são bem cheios de manias.
– Vocês são ricos, não é? – Ela perguntou um pouco confusa.
– Não é bem isso... – Eu interrompi e pensei nas palavras certas para falar que meus pais eram um casal de gays.
– Mãe, os pais da Rach são gays. – Finn falou depois que percebeu que eu estava sem graça para falar.
– Oh meus Deus! – Ela exclamou e depois sorriu. – Que maravilha Rach!
Sorri sem saber o que falar.
– E desculpe a intimidade de lhe chamar de Rach. – Ela completou um pouco nervosa.
– Pode me chamar como quiser Sra. Hudson.
– Já disse que você me chamar somente de Carole. – Ela advertiu e eu assenti. – Agora venham que o almoço está pronto.
Fomos até a cozinha e me sentei na cadeira que Finn puxou para mim. A Sra. Hudson tinha feito lasanha.
– Espero que goste Rachel. – Ela falou sorrindo para mim.
– Tenho certeza que eu vou adorar, pois o cheiro está ótimo! – Exclamei enquanto ela servia meu prato.
Finn ficou em silêncio durante o almoço, eu e a Sra. Hudson ficamos conversando sobre roupas, maquiagens, homens, lojas... Coisas de mulher. Acho que ele tinha se sentindo um pouco excluído, mas em fim...
– Sua comida estava muito boa, Carole. – Me senti um pouco envergonhada em chamá-la assim, mas depois me acostumei com a ideia.
Sentamo-nos no sofá da sala.
– Obrigada Rach. – Ela sorriu e vi em seus olhos que estava muito feliz.
– Acho que eu vou para casa agora, não quero tirar muito tempo de vocês. – Falei me levantando. – Muito obrigada por tudo, estava ótimo o almoço!
– Ah Rach, pode ficar mais tempo? – A Sra. Hudson pediu.
– Claro. – Falei depois de pensar um pouco sobre o assunto.
– Mãe, o Puck acabou de me ligar e eu vou dar uma passada na casa dele. – Finn apareceu na sala correndo. – Depois eu volto. – Ele mandou um beijo pra nós e saiu de casa.
– Rachel, nós poderíamos conversar sobre o Finn? – Ela perguntou, parecia preocupada.
– Sim. – Respondi rápido. – Mas o que aconteceu?
– É que Finn anda tão estranho ultimamente. – Ela deu de ombros. – Sabe, ele tem andando com uns amigos que não são boa influência.
– Você está falando do Puck, não é?
Ela assentiu.
– Eu sei que o Puck é um playboy metido e insuportável. – Afirmei. – Mas ele é boa pessoa, mesmo que não pareça.
– Como você sabe Rach? – A Sra. Hudson perguntou me olhando nos olhos.
– Eu o conheço muito bem. – Respondi.
– Vou confiar em você querida, sei que é uma ótima garota. – Ela sorriu e me deu um abraço rápido. – Você gosta do Finn? – Carole me surpreendeu com a pergunta.
– Claro, ele é um bom amigo. – Falei calma.
– Quero dizer, gostar dele como pretendente. – Ela explicou melhor, mesmo que eu já tivesse entendido e me feito de peixe morto.
– Não, ele é ex da Quinn.
– Pare de pensar tanto nessa Quinn, ela só te faz mal Rachel. – Carole colocou a mão sobre a minha, em sinal de afeto.
– Eu sei, mas é tão difícil, eu não consigo deixar de amá-la.
– Rach, eu compreendo o seu carinho por ela, e acho normal. – A Sra. Hudson falou. – Mas você deve entender que ela não é mais sua amiga, e nem inimiga, é somente uma garota que não merece ter uma pessoa tão boa como você ao lado dela.
Sorrimos.
– Obrigada por ser tão compreensível.
– Não precisa me agradecer, querida.
– É que eu sinto falta de uma mãe, sabe? – Falei mexendo minhas mãos. – Eu amo demais meus pais e os conselhos que eles me dão, mas eles são gays, e você sabe gays são meio extravagantes. – Sorri de lado.
– Você pode sempre contar comigo pra tudo. – Carole sorriu. – Mas e a sua mãe? – Ela perguntou.
– Eu não conheço minha mãe. – Respondi e senti uma pontada de tristeza em meu coração. – Mas queria conhecê-la.
– Tenho certeza que ela tem essa mesma vontade Rachel. – Sra. Hudson afirmou. – Chega de falar sobre coisas tristes, ok? – A olhei. – Agora vamos ver um filme de comédia!
– Ok. – Respondi tentando me animar.
Domingo à tarde.
Depois de um sábado ótimo com a mãe de Finn e ele, fiquei o domingo todo em casa dormindo e comendo brigadeiro com meus pais. Contei para eles sobre tudo o que tinha acontecido comigo, desde Quinn me bater, até Finn dormir lá em casa e eu ir a casa dele almoçar com sua mãe.
Antes de eu ir tomar banho, meu pai questionou:
– Filha, você não prefere trocar de colégio? – Me assustei com a pergunta, saí do banheiro e sentei-me ao seu lado na cama do meu quarto.
– Eu já tinha pensado nisso. – Falei e encostei minha cabeça em seu ombro. – E estou em dúvida.
– Ok. – Ele passou a mão em meus cabelos. – Pense bem sobre o assunto, e me dê à resposta quando achar melhor.
Assenti e fui tomar meu banho. Depois jantamos e ficamos jogando conversa fora até 00h30min.
– Hora de dormir bebê. – Minha “mãe” falou rindo.
– Estou indo mamãe. – Disse fazendo voz de criança pequena.
Todos rimos.
Acordei com o meu despertador tocando, joguei-o no chão e me virei para o lado. Se eu fizer de conta que pedir o horário, posso dormir mais e meus pais nem vão brigar comigo. Fechei os olhos e adormeci novamente. Acordei um tempo depois com uma buzina de carro. Levantei resmungando e fui até lá ver quem era. Abri a porta e vi Finn.
– O que você quer Hudson? – Perguntei fechando os olhos porque a luz me incomodava e bocejei.
– Bom dia Berry, percebi que está de mau humor hoje. – Ele disse sorrindo.
– O que você está fazendo aqui Finn? – Cruzei os braços.
– Vim te buscar para irmos ao colégio. – Respondeu o mesmo.
– Eu quebrei meu despertador hoje cedo para fingir que eu tinha perdido o horário. – Comentei.
– E você quer faltar de novo Berry? – Ele perguntou assustado e autoritário.
Assenti.
– Não mesmo, vai se trocar agora e eu vou te levar pro colégio. – Finn me empurrou pra dentro de casa e eu fiquei parada.
– Não vou pra aula Hudson. – Falei determinada.
– Sem birra Rachel Berry, vai logo que a gente está perdendo tempo. – Finn descruzou meus braços e eu subi batendo os pés com força. – Desse jeito você vai quebrar o pé. – Ele riu e eu revirei os olhos.
Coloquei qualquer roupa, penteei os cabelos e escovei meus dentes. Peguei minha bolsa e desci as escadas.
– Você está linda como sempre Berry. – Ele sorriu.
– Vamos logo que estamos atrasados. – Sorri sem animo e fomos até o carro.
Finn foi cavalheiro comigo como sempre.
– Rachel, aconteceu alguma coisa? – Finn perguntou um pouco desconfortável.
– É só meu humor matinal. – Respondi rápido.
Ele ficou em silêncio. Chegamos ao estacionamento do colégio e Finn abriu a porta do carro para eu descer mais fiquei sentada.
– Vem Rach. – Ele disse pegando na minha mão.
– Hudson, eu queria te dizer que... – De repente aparecem Puck e Britt abraçados ao lado de Finn.
– Berry! – Britt deu um gritinho de felicidade quando me viu. – Estava procurando por você, precisamos conversar. – Ela olhou para Puck e riu, mas ele nem percebeu.
– Depois a gente conversa Britt. – Falei e Finn me ajudou a descer.
– O que aconteceu Rach? – Puck perguntou preocupado.
– Nada, eu estou bem, obrigada por se preocupar. – Comentei e fui em direção ao colégio, entrei e fui direto para a minha classe.
Sentei no meu lugar de sempre e Finn apareceu logo e sentou-se ao meu lado.
– Rachel, você não está bem. – Ele me olhou sério.
– Eu sei e me desculpe por ter sido tão grossa com você. – Falei triste. – Finn, é que eu estou passando por uma fase difícil, ontem mesmo meu pai perguntou se eu queria mudar de colégio. – Suspirei cansada.
– E você vai? – Finn perguntou rápido e com um pouco de receio da minha resposta.
– Não sei, estou em dúvida. – Dei de ombros e o professor começou a falar.
Durante toda a aula, vi Finn triste e pensando longe. Fiquei com um aperto no coração e resolvi falar com ele no final da aula.
– Finn! – Segurei o braço dele e olhei nos olhos. – Eu não queria te magoar. – E o abracei bem forte.
Ele não falou nada, só correspondeu a meu abraço e ficou sentindo meu perfume.
– Me perdoa? – Perguntei enquanto ainda estávamos abraçados e eu me apoiava nas pontas dos pés para conseguir alcançá-lo.
– Não precisa me pedir perdão Rach. – Ele disse soltando os braços de mim e segurando meu rosto para que pudesse me olhar nos olhos.
– Eu me sinto culpada Finn. – Disse com meus olhos cheios de lágrimas.
– Hey, não fica assim pequena. – Ele me abraçou forte mais uma vez. – Vou sempre estar com você, mesmo que esteja longe.
– Eu... Eu amo você Finn. – Falei o que estava entalado na minha garganta.
Senti o coração dele acelerar. Será que Finn também me amava? Ah meu Deus, acho que fiz besteira. Soltei-me dos braços de Finn e ele me olhou nos olhos novamente.
– Rach, eu também amo você e eu só quero te proteger como seu pai, te irritar toda hora e te fazer feliz como seu namorado. Eu só quero ser seu guia quando não tiver mais direção, seu apoio quando estiver caindo e quero cuidar de você quando você menos quiser e mais precisar, só quero ser o melhor amigo que você possa ter. – Sorrimos juntos.
– Você é o garoto que eu pedi a Deus, Finn. – Falei e ele chegou mais perto ainda de mim, tirou uma mecha de cabelo do meu rosto e me roubou um selinho.
– Finn o que... – Ele não me deixou terminar a frase e falou de cabeça baixa:
– Foi impulso, desculpe. – E ficou mexendo os pés, ele estava nervoso.
– Rachel! – Kurt apareceu sorrindo. – Precisamos conversar querida.
– Claro. – Eu e Finn trocamos olhares confusos e eu saí com Kurt para fora da escola.
Sentamos em dos bancos e Kurt me olhou.
– Aconteceu alguma coisa? – Perguntei curiosa. Com certeza ele queria falar sobre Quinn e tudo o que aconteceu. Kurt sempre foi um bom garoto, ele sempre sofria por ser gay, mas agora as pessoas já estão se acostumando.
Kurt sempre andou comigo, até eu virar amiga de Quinn e Britt, depois que comecei a andar com elas, ele se distanciou de mim e raramente nos falávamos.
– Sinto sua falta Rachel. – Ele disse. – E agora que você está passando por essa situação ruim, queria estar ao seu lado.
– Hey Kurt, eu sei que sempre fomos melhores amigos e sei também que posso contar com você pra tudo. – Sorri e o abracei. – É tão bom ter você de volta, eu nunca devia ter te abandonado como eu fiz.
– Você fez o que deveria ser feito Rach. – Ele sorriu.
– Obrigada por não me rejeitar. – Falei e vi os olhos de Kurt brilhar.
– Agora vamos voltar para a aula, pombinhos? – Santana apareceu do nada igual uma bruxa e riu.
– Odeio essa bitch. – Kurt disse fazendo cara de nojo.
– Eu também, mas amo você e o jeito que trata ela. – Eu comentei e rimos juntos.
Levantamos e fomos para as nossas respectivas classes.
As aulas acabaram e Britt veio correndo até mim.
– Senhorita mal humorada, dá pra falar comigo? – Ela me olhou séria, mas depois acabamos rindo.
– Ah Britt, me desculpe pelo modo que agi com você hoje cedo, mas é que meu humor de manhã sempre é horrível mesmo. – Dei de ombros.
– Eu sei amiga, já estou até acostumada, mas o Finn ficou meio chateado.
– É eu já falei com ele e nós... – Será que eu deveria contar para ela que eu e Finn tínhamos nos beijado? Não, acho melhor não, porque aquilo foi só um acidente, nada de mais.
– E nós? – Ela perguntou incentivando que eu terminasse a frase.
– E nós nos entendemos. – Sorri tentando esconder a mentira.
Britt fez uma expressão com o rosto de quem estava desconfiado, mas eu acabei mudando rapidamente de assunto:
– Então, o que você queria falar comigo? – Questionei nervosa, mas não gaguejei.
– É sobre o Puck. – Ela sorriu.
– O que ele fez? – Perguntei com medo.
– Nada. – Ela riu. – Relaxa Rach, ele está se comportando bem. – Eu suspirei aliviada. – Mas ele disse que quer ter um relacionamento sério. – Britt fez cara de triste e nervosa ao mesmo tempo.
Oh meu Deus, Britt nunca quis ter relacionamentos sérios, apesar de já ter ficado um bom tempo com vários garotos, mas eu tenho uma leve impressão que ela não quer nada muito duradouro com Puck.
– Eu não gosto de Puck. – Ela disse rápida e olhou para os lados para ver se alguém havia ouvido.
– É mesmo? – Perguntei com uma pontada de dor no coração, pois eu sabia que Puck ia sofrer com tudo isso. Ele ama demais Britt.
Ela assentiu.
– Então é melhor você terminar o que mal começaram. – Aconselhei.
– Sim, mas eu estou com medo de fazer uma burrice. – Ela comentou.
– Que tipo de burrice Britt? – Perguntei com medo da resposta dela.
– É que eu não quero mais continuar com Puck, porque eu estou apaixonada por Artie.
Quando ela falou “estou apaixonada por Artie” foi como se tivessem jogado um balde de água fria em meu rosto.
– Pelo Artie? – Perguntei inconformada. – Sempre pensei que você fosse afim só dos garotos populares.
– Era o que eu também pensava sobre mim. – Ela me olhou um pouco confusa. – Sei lá, Artie tem um jeito que me deixa louca. – Ela estremeceu.
– Sinto cheiro de romance no ar. – Falei rindo.
Britt me olhou com uma cara séria, mas depois suspirou.
– Acho que estou apaixonada, pela primeira vez na minha vida.
Fiquei boquiaberta. Puta que pariu Brittany apaixonada? Isso é inédito!
– Qual é Rach, o Artie é lindo e fofo. – Britt sorriu com os olhos transbordando de paixão.
– É deve ser. – Falei um pouco assustada.
– Preciso trocar umas palavras com você Berry. – Santana apareceu novamente, com suas duas amigas acompanhando – lê-se duas garotas que estão aprendendo como ser vadia com a Santana –, e me lançou um olhar desafiador.
– Já volto Britt. – Falei seguindo Santana que estava se afastando do lugar onde eu e Britt estávamos.
– O que você quer? – Perguntei sem muita paciência.
– Eu vi você e o Hudson hoje. – Ela me olhou com desprezo. – Você poderia escolher um cara melhor, hein? – Ela cruzou os braços e revirou os olhos enquanto eu estava em estado de choque. – É o seguinte, para eu ficar calada sobre o beijo de vocês e sua vida não ficar pior do que já é você tem que arranjar um encontro para mim com o Puck, senão, você vai se foder. – Ela soltou uma risada maléfica e estalou os dedos em sinal de que suas amigas fossem embora junto com ela.
– Espera Santana. – Falei, mesmo que contra minha vontade.
– O que foi vadia? – Ela virou-se e perguntou.
Fui em direção a ela e dei um tapa em sua face.
– Não me chame de vadia, e escute bem, eu vou fazer o que você quer, mas me trate com respeito. – Apertei os olhos, eu estava cheia de raiva e fui para meu carro.
Foi aí que eu lembrei que tinha vindo com Finn.
– Que merda. – Sussurrei para mim mesma.
Hoje era dia de treino e por isso eu fui até a quadra, onde estavam os jogadores de futebol. Encontrei Finn sentado em um canto, apertando a perna.
– Hey Hudson. – Falei baixinho para que os jogadores não tirassem a concentração do treinamento e Finn me olhou um pouco surpreso com a minha presença. – Está tudo bem?
– Rach, o que você está fazendo aqui? – Ele perguntou.
– Preciso falar com você. – Sussurrei. – Mas primeiro me diz o que aconteceu com você. – Insisti.
– Eu estava distraído e acabei caindo. – Ele disse olhando para mim.
– Melhoras. – Sorri.
– Mas o que você tem pra falar para mim? – Finn perguntou curioso.
– Eu, vou ter que... – Não consegui terminar a frase, pois Sam Evans aparece interrompendo nossa conversa.
– Hey Hudson, o treinador mandou você ir para casa descansar. – Ele deu tapinha no ombro de Finn. – E olá namorada do Finn. – Sam me deu um beijo no rosto e sussurrou: – Gostosa.
Lancei um olhar de desaprovação para Sam e revirei os olhos.
– Retardado. – Movimentei os lábios, mas não transmiti som, para que só Sam ouvisse/olhasse o que eu tinha falado.
– Vamos? – Finn perguntou levantando-se com dificuldade.
Assenti e perguntei:
– Quer ajuda?
– Não precisa Rach, estou bem. – Ele sorriu e fomos até o estacionamento.
– Então, quer uma carona? – Finn perguntou.
– Você vai dirigir com essa perna machucada? – Questionei arqueando uma sobrancelha.
– Lógico. – Ele disse dando de ombros.
– Sou muita nova pra morrer, ok? – Falei rindo. – Deixa que eu dirijo.
– Mulher no volante, perigo constante, sabia Berry? – Ele riu.
– Muito engraçado você. – Fiz cara de brava. – Entra logo nesse carro, antes que eu... – Finn chegou mais perto de mim e eu fiquei sem palavras, sem reação e sem pensar em nada, somente em como ele era lindo.
– Antes que você? – Ele chegou mais perto do meu rosto e eu podia sentir sua respiração.
– Antes que eu te beije. – Fechei os olhos e dei alguns passos para trás.
– Eu ia adorar. – Ele me puxou pela minha cintura e selou nossos lábios.
– Isso é errado Finn. – Interrompi o beijo.
– É errado duas pessoas que se amem beijarem-se? – Ele perguntou ainda segurando minha cintura.
– Não é errado. – Tirei suas mãos de minha cintura. – Errado é eu ficar com o ex da minha amiga, todo mundo vai dizer que eu inventei aquela história só pra ficar com você. – Respirei fundo. – E eu não quero que Quinn duvide ainda mais de mim.
– Eu entendo você, e quando estiver preparada, vou estar aqui para te beijar sempre. – Ele sorriu e abriu a porta do carro para que eu entrasse.
Entrei em silêncio, e Finn entrou logo após. Na metade do caminho eu não agüentava mais aquele silêncio perturbador e resolvi falar:
– Finn eu te amo. – Falei o que estava entalado na minha garganta.
Ele me olhou e depois falou:
– Eu também te amo, Rach. – E sorriu.
– Desculpe, eu não queria te magoar quando eu falei aquelas coisas, mas é a pura verdade Hudson.
– Eu sei Rach, e não te culpo por isso, e sim a mim mesmo, por ter sido um idiota em ficar com uma garota que não gostava só para me tornar ainda mais popular. – Ele fez um sinal de negação com a cabeça.
– Não se culpe Finn, você fez o que queria fazer, e isso não é tão errado. – Eu sorri. – Vamos dar tempo ao tempo, ok?
Ele assentiu. Chegamos à minha casa e Finn abriu a porta do carro para que eu saísse. Cavalheiro e fofo como sempre.
– Até amanhã Hudson. – Sorri e o abracei.
– Até amanhã pequena. – Ele correspondeu ao abraço.
Saí dos seus braços e ficamos no olhando. Acabei não resistindo e o roubei um selinho.
– Desculpe, não consegui cumprir com a promessa. – Abaixei a cabeça, estava envergonhada.
– Sem problemas, porque se você não fizesse, eu faria. – Ele sorriu e demos outro selinho.
Sorri e Finn foi embora.
Antes de dormir fiquei pensando no que faria. Minha vida estava virada de cabeça para baixo, em primeiro a minha briga com Quinn que ainda não havia sido resolvida, em segundo o meu meio romance com o Finn que eu por sinal estou apaixonada e por terceiro a Santana infernizando minha vida. Tem como piorar? Espero que não.
Com a Quinn, só o tempo dirá se nós voltaremos a nos falar. A Santana é uma vadia e não vai desistir enquanto não conseguir o que quer, além do mais, ela me odeia. E o Finn, ai o Finn, essa vai ser a pior parte, eu não quero me separar dele, eu o amo, e também não posso ficar com ele.
Bati várias vezes meu travesseiro pra descontar a minha raiva enquanto as lágrimas involuntárias teimavam em rolar por meu rosto.
– Rachel, está tudo bem? – Minha “mãe” perguntou entrando em meu quarto.
Virei para trás e limpei algumas lágrimas.
– Está sim. – Respondi rápido. – O que aconteceu? Você está com cara de quem alguém morreu.
– Você estava gritando, fiquei preocupada e vim ver o que tinha acontecido. – Ela (e) sorriu e me abraçou forte.
– Eu ainda estou mal por causa daquela história da Quinn. – Confirmei.
– Um dia você vai esquecê-la meu bem. – Minha “mãe” sorriu e me olhou nos olhos. – Filha, seu pai recebeu uma promoção no emprego e teremos que nos mudar. – Ela (e) falou com um pouco de medo da minha reação.
Como ela (e) percebeu que eu não ia falar nada, porque estava em choque, minha “mãe” continuou:
– Você vai poder continuar na sua escola, sem problema algum. – Ela (e) sorriu tentando me confortar.
– Hey mãe, isso é bom, porque eu vou poder trocar de escola sem que tenha muitas fofocas ao meu respeito no colégio. – Sorri e segurei sua mão. – Não precisa ficar preocupada.
Ela sorriu aliviada.
– Que bom que você entende. – E me deu um beijo em seu rosto. – Amanhã mesmo vai começar a mudança, mas até tudo estiver pronto, continuaremos aqui. – Ela levantou-se e foi saindo. – Vou fazer sua matricula na nova escola amanhã, ok? – E saiu do meu quarto.
Mudanças. É isso mesmo o que eu estou precisando. Mudando de colégio, talvez eu mude de vida e meus problemas sejam esquecidos com o tempo, não é mesmo? Espero que dê tudo certo nessa nova vida que vou levar daqui para frente.
Adormeci perdida em meus pensamentos.
No colégio Finn acabou ficando perto dos jogadores, porque eu havia pedido por isso, não queria ficar perto dele, eu sabia que não iria resistir. Na hora do recreio, fiquei conversando com Kurt.
– Rachel, acho que você deveria fazer alguma coisa diferente para esquecer-se dos problemas. – Kurt aconselhou-me.
– Eu... Eu vou me mudar. – Falei gaguejando.
– Sério? Para onde diva? – Ele perguntou triste.
– Para outra casa e outro colégio, mas, por favor, mantenha segredo, não quero que ninguém saiba. – Falei baixo.
Notas finais
Espero que tenham gostado do novo capítulo. Vou postar mais, só que talvez de noite.
Beijinhos ;*
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