Gemialidades Weasley
9 "Mudanças e Detenções" Dois.
Acordei com um barulho alto naquela manhã. Cheguei até a me levantar assustado, mas logo ri ao ver Fred com a mão na cabeça e uma feição de dor. “Bati a cabeça” Ele disse simplesmente.
- Você está bem?
- Uhum – Respondeu rápido. – Você demorou a acordar, Jorge.
- Você que acorda muito cedo.
Bocejei enquanto me levantava. Retirei a blusa do pijama e comecei a procurar pelas minhas vestes de Hogwarts. Quando as achei me virei para Fred, este que me encarava com um olhar fixo e uma das sobrancelhas arqueada.
- O que foi? – Perguntei constrangido com seu olhar.
- Você tem uma pinta aqui – Disse e se aproximou, tocando meu peito nu. Arrepiei-me por um momento, então ele continuou – Uma pinta que eu não tenho.
Abaixei meu rosto para tentar vê-la. Uma marca amarronzada e miúda estava ali. Sorri de lado voltando a olhar para meu irmão.
- Viu? Eu sou melhor que você. Tenho algo que você não tem.
- Idiota – Ele riu e socou-me no ombro sem força.
Fred se afastou rindo e saiu do dormitório, indo para o salão comunal. Eu estava sozinho no quarto, então troquei de roupa rapidamente e sem mais delongas, fui ao encontro de meu irmão. Passei os dedos pelos meus cabelos os arrumando um pouco.
- Vamos para o salão principal, Fred? – Perguntei assim que o avistei sentado numa poltrona vermelha conversando com Angelina. Não gosto muito dela, pra falar a verdade... – Café da manhã.
- Ah sim, claro. Vamos – Ele disse e se levantou sorrindo para ela. Preferia quando ele sorria para mim, ficava mais bonito.
Saímos andando calmamente pelo quadro da mulher gorda, indo até o térreo, onde ficava o Salão Principal. Nos misturamos aos alunos das outras casas pelos lances de escadas e corredores até chegarmos no Salão Principal, este que a cada minuto ficava um pouquinho mais cheio.
Sentei-me em frente à longa mesa onde vários grifinórios já estavam e comecei a cutucar as torradas. Estavam boas, assim como o suco de abóbora.
- Qual aula nós temos agora? – Fred questionou-me.
- História da magia.
- Hora da soneca então, concluiu.
- Por que escolheu essa matéria então? – Ri. Talvez pelo mesmo motivo que eu a escolhi.
- Pelo fato de eu nunca prestar atenção e dormir – Deu de ombros. Ri mais uma vez. Também havia escolhido por esse motivo, o único problema era que as carteiras são um pouco duras. Talvez algum feitiço ou uma transfiguração ajudasse nesse problema...
Algumas torradas depois Fred e eu nos levantamos e seguimos nosso caminho até o primeiro andar. Chegamos lá e percebi que teríamos aula com a Sonserina. Os metidos puros-sangues. Pelo menos não éramos do mesmo ano de Draco Malfoy, pobre Rony.
O professor mal disparou a falar e meus olhos começaram a pesar, antes de deitar minha cabeça na carteira vi que Fred já dormia de boca aberta ao meu lado. Apoiei-me em meus braços e suspirei baixinho.
Então os lábios dele se juntaram aos meus. Simples, macios, quietos e inesperados. Eu estava surpreso, éramos irmãos e íntimos, mas não a esse ponto.
- Por que... – sussurrei.
- É como beijar um espelho. Só que você não é duro nem gelado – Ri nervoso de sua afirmação. E então voltei a juntar nossos lábios novamente, dessa vez um beijo aprofundado que ia ficando mais intenso, mas foi interrompido por uma voz que me chamava. “Jorge... Jorge...” Essa voz era do Lino Jordan? “Jorge, acorda!”
Com um solavanco despertei daquele sonho misto de fantasias e fatos. Ainda estava um pouco bobo quando olhei para Lino e Fred que me encaravam rindo.
- Estava sonhando? – Perguntou meu irmão.
- Por que?
- Estava murmurando.
- Murmurando o quê? – Agora estava um pouco preocupado. Murmurando?
- Não conseguimos identificar – Lino me esclareceu. Sorri aliviado – E ai, com o que estava sonhando?
- Hm, não me lembro – Menti – Vamos, temos aulas de Trato das Criaturas Mágicas agora – Mudei de assunto rapidamente e me levantei pegando minhas coisas.
Em silêncio acompanhei os dois até a parte externa da escola, onde se encontrava a cabana de Hagrid. As imagens do sonho ainda passavam pela minha mente. A primeira parte de fato acontecera há algumas semanas, mas a parte onde eu o beijava de volta e de um modo aprofundado era total criação de minha mente. Acordei com a boca seca e ver Fred ali me encarando foi um pouco estranho.
- E ai, vai me contar o seu sonho? – Meu irmão me perguntou quando Lino Jordan se afastou de nós. – Você estava com uma cara de bobão quando acordou.
- Idiota – Ri ainda um pouco nervoso. – Eu não sei, não me lembro.
- Mesmo?
- Uhum – Murmurei afirmando. Bem, não contaria ao Fred que eu havia sonhado que estava beijando ele. Claro que não, nem pensar.
A aula seguiu com Hagrid e seus bichos estranhos. Depois de tanto correr atrás de explovins, as imagens do meu sonho acabaram por deixar minha mente. Longos cinqüenta minutos foi o tempo que durou a aula, ao final dela eu não queria ver um explovin na minha frente tão cedo.
Chequei o meu horário, já que não me lembrava que aula teria agora, e descobri que tinha Adivinhação. A aula aconteceria no sétimo andar, então deveríamos nos apressar.
- Eu não quero assistir à aula da nossa professora maluca – Anunciou Fred enquanto subíamos as escadas.
- As aulas delas são legais – Disse. – É incrível a criatividade dela para premunições de morte, você não acha?
- É, isso é verdade – Rimos juntos.
Adivinhação era uma das aulas mais peculiares de Hogwarts, na minha opinião. A sala era aromatizada com um incenso estranho – nossa professora era estranha – e o calor lá dentro era quase infernal. Depois de várias previsões de possíveis acidentes que podiam nos levar à morte a aula chegou ao fim e agora teríamos um intervalo maior do que apenas dez minutos.
- Fred e Jorge Weasley... – Uma voz desdenhosa nos chamou. Oh, era Filch. — Detenção, hoje à noite. Vocês ficariam bem nos velhos castigos, ficariam... E merecem também...
- Concordamos Filch – Fred disse com um sorriso no canto dos lábios – Eu adoraria conhecer as velhas masmorras.
Filch girou em seus calcanhares e se afastou junto com sua gata macabra. Madame Nor-r-ra já nos denunciara várias vezes, maldita. Quando viramos pelo corredor ainda podíamos ouvir uns murmúrios de Filch “Sinto falta dos gritos, ah, como sinto”.
Passamos o intervalo com Lino, e claro, demos um pequeno pulo na cozinha para visitarmos os elfos domésticos. Estes que adoraram nos dar bombas de chocolate.
***
- Não, não... detenção não... – Murmurei enquanto subíamos até as masmorras. Era lá que ficava a sala de Filch.
- Maldito Snape... – Fred murmurou.
Filch com seus olhares maléficos para cima de nós nos mandou limpar um corredor no sexto andar, onde alguém havia explodido uma bomba de bosta. De modo desengonçado nos entregou esfregões.
- Sem magia, Weasley.
Descemos com as caras emburradas até o sexto andar. Eu estava com raiva por dois motivos, o primeiro era que não poderíamos usar magia, mas eu já devia imaginar; o segundo era sobre como alguém havia estourado uma bomba de bosta sem nos chamar?
- Não entendo como os trouxas conseguem... – Sussurrei enquanto esfregava.
- Como eles fazem as coisas sem magia? – Fred concordou. – Talvez papai esteja certo admirando eles.
- É, talvez, mas ainda bem que não sou trouxa.
- Com certeza.
Demoramos aproximadamente quarenta minutos até limparmos tudo. Entregamos os esfregões para Filch que sorriu vitorioso ao ver nossas caras de cansaço e irritação.
- Até amanhã, garotos.
E com um girar de olhos eu acompanhei Fred até o salão comunal da grifinória. Meus ombros estavam doídos e tudo que eu queria no momento era descansar. Foi isso o que fiz quando cheguei ao dormitório. Apenas troquei as vestes pelo pijama e me deitei na cama.
- Jorge... – Meu irmão me chamou baixinho.
- Hm...
- Pode deixar, hm, boa noite – E bocejou.
- Pra você também, Fred.
Não sei ao certo quando de fato o sono me abrigou.
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